IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UM NOJO

     

    Em mais uma demonstração de amor à Pátria, o intriguista Marcelo Rebelo de Sousa, qual Meneses ao quadrado, veio prestar um servicinho ao senhor Pinto de Sousa, desta vez mediante verrinosa diatribe contra a dona Manuela.

    Em vez de dizer a verdade, isto é, que o senhor Pinto de Sousa, culpado ou não do que por aí consta, não tem condições pessoais – carácter, altura, idoneidade – para ser primeiro-ministro nem para se candidatar a novo mandato, Marcelo dedica o seu ribombante tempo a tratar da saúde ao seu próprio partido e à líder que prometeu apoiar.

     

    É difícil adjectivar a monumental baixeza que isto demonstra.

    O Irritado limita-se a proclamar, sem mais comentários, a repugnância que o homem lhe causa.

     

    10.2.09

     

    António Borges de Carvalho
  • PREOCUPAÇÕES JUDICIAIS

     

    Subitamente, os senhores juízes, acompanhados pelo sempre presente Mário Soares, descobriram uma nova causa.

    Trata-se, desta vez, de conservar a Boa-Hora como Tribunal.

    Dado o estado da Justiça, poder-se-ia pensar que os doutos magistrados ocupavam o seu precioso tempo a tratar de melhorar o serviço que deviam prestar à comunidade, ou seja, como, da sua parte e apesar das proezas do governo, poderiam contribuir para agilizar e credibilizar o exercício das suas altas funções.

    Nada disso. Os senhores juízes entretêm-se a fazer política, a avançar com reivindicações e a fazer vida sindical como se fossem metalúrgicos. Quando estão mais inspirados, clamam que não são funcionários públicos, que são independentes, dando a tal independência um sentido “totalitário”, isto é, não se trata, para eles, da independência de julgar, mas de independência tout court.

    Agora, para dar um ar da sua graça, fazem conferências a defender o “património”, a Baixa de Lisboa, a vidinha dos cidadãos, o comércio de rua… Tudo isto mediante a conservação do edifício, cheio de “história”, como Tribunal. Noutras oportunidades, dedicar-se-ão a bramar que o edifício não tem condições, que o ar condicionado não presta, que as meninas não têm a devida privacidade nas casas de banho, ou outras altas e sábias contribuições para o funcionamento das instituições.

     

    Estou com eles no que respeita à conservação do construído. Estou com eles quanto à não desertificação da Baixa. Mas, se fosse esta a intenção, defenderiam a animação da coisa mediante uma vocação mais “humana”: um hotel, sim senhor; um conjunto de apartamentos, óptimo; locais de lazer e cultura, fantástico.

     

    O que os motiva, dizem as más-línguas, é a comodidadezinha. Seja o que for, porém, não se entende como pode a distinta classe queixar-se num dia da carestia da manutenção e da inadequação do palácio e, no dia seguinte, opor-se a que lhe sejam dadas melhores condições de funcionamento, num edifício moderno, construído para o efeito, bem servido de transportes, de estacionamento, etc.

     

    É claro que o governo é capaz de fazer tudo ao contrário, dar-lhes umas novas instalações modernas mas estúpidas, como uma senhora juiz já veio, pressurosa, explicar, e demonstrar, à televisão. Mas isso é outra questão, que não tem nada a ver com a Boa-Hora.

     

    Quem dá juízo aos juízes?

     

    10.2.09

     

    António Borges de Carvalho
  • INQUIRIR OS INQUIRIDORES

     

    Viram, meus senhores, aquela solene reunião nos salões dos devoristas, tectos lavrados, telas de estilo (por trás da presidência, um burro!) mesa imperial, parquet “versailliano”, cadeirões de veludo? Inúmeras senhoras e senhores, altos responsáveis, ali estiveram, horas sem conta, a deliberar se haviam, ou não, de se inquirir a si próprios (faz lembrar, em versão aristocrática, os internal affairs dos polícias nos filmes americanos) sobre as investigações ao caso Freeport.

     

    Como a classe anda de rastos, resolveram dar um ar da sua graça, pondo-a ainda mais no fundo?

     

    Porquê?

    Antes da mais, porque precisam da arranjar um bode expiatório para a sua ineficácia. Andaram anos a proteger o senhor Pinto de Sousa, abafando o caso. Quando este se tornou explosivo, vai de arranjar desculpas. Como as desculpas não funcionam, mas é preciso continuar a proteger o senhor Pinto de Sousa, faz-se um inquérito aos inquiridores, com o objectivo (brada aos céus!) de descobrir se houve manipulação política da coisa.

     

    Recapitulemos em poucas palavras:

    – Aqui há uns anos, uma carta anónima cujo autor toda a gente sabe quem é revelou uma investigação policial em curso sobre o licenciamento do Freeport;

    – Em concertada manobra política, as forças socialistas montaram uma urdidura de tal ordem que a verdade foi transformada em conspiração política;

    – Consequência desta manobra, o polícia que, alegadamente, teria deitado a verdade cá para fora foi preso, os que a puseram no jornal foram insultados, os “culpados” políticos enxovalhados, o dito jornal, pouco depois, fechou, e o senhor Pinto de Sousa triunfou;

    – Quase quatro anos passaram. Nunca mais se ouviu falar no assunto;

    – De repente, salta cá para fora que os ingleses andavam atrás de uns dinheiros que desapareceram de uma empresa, ao que lhes parece para pagar luvas a uns portugueses, entre os quais o senhor Pinto de Sousa;

    – A imprensa desatou aos coices, descobriu coisas inacreditáveis, a família do senhor Pinto de Sousa desbroncou-se, uma bola de neve começou a girar;

    – Perante isto, que fez o senhor Pinto de Sousa? Não, não veio à televisão dizer que as suas contas bancárias estavam à disposição da Justiça, que nada tinha a esconder, etc. Não. O senhor Pinto de Sousa fabricou uma teoria da conspiração, inventou forças ocultas e poderes negros, a fazer inveja aos protocolos dos sábios do Sião, como se a Scotland Yard, ou o Serious Fraud Office fossem ersatze da PIDE ou lojas de magia negra. Tudo a confirmar o que já há muito se sabe: o senhor Pinto de Sousa e o PS têm por base ideológica a convicção de que os portugueses são, regra geral, parvos, ou que devem ser tratados como tal;

    – A trupe do costume (Freitas do Amaral, Vitalino & Vital, Silva Pereira, Santos Silva…) acompanhou o chefe na esotérica cortina de fumo, repetindo e exponenciando dislates e alegações cabalísticas.

    – Por seu lado, a cúbica estupidez, e não só, dos costumeiros barões do PSD (Meneses, Marcelo, Sarmento, Coelho…) tratou, e trata, de desviar as atenções para alegados handicaps do seu próprio partido…

     

    No meio disto tudo, o respeitável Ministério Público, em vez de fazer aquilo para que é pago, dedica-se, com a maior das solenidades e ao mais alto nível, a investigar-se a si próprio, não para acelerar as investigações ou para saber porque não aceleram, mas para investigar a tenebrosa suspeita de que haja motivações políticas na acção dos seus agentes.     

    Quem está, afinal, a fazer política? Os ingleses? Os jornais? Os “poderes ocultos” que querem dar cabo do primeiro-ministro?

    Ou o Ministério Público que parece querer safá-lo, mesmo à custa do seu próprio prestígio, se é que lhe resta algum?

     

    11.2.09

    António Borges de Carvalho

  • COMPANHIA LIMITADA

     

    Anda para aí na Internet uma notícia espantosa.

    Como não foi desmentida, é capaz de ser verdade.

     

    Aí vai:

    O nosso bem amado e muito estimado primeiro-ministro foi sócio da firma Sovenco, Sociedade de Venda de Combustíveis Lda, com sede na Reboleira/Amadora (coisa fina). Criada em 1990.

    So far so good. Não se pode criticar um jovem político por ter uma bomba de gasolina, ou equivalente.

    O mais interessante é o que segue. Eis os demais sócios da firma:

    – Armando Vara;

    – Fátima Felgueiras;

    – Virgílio de Sousa;

    Ditoso leque!

    – Vara, nomeado pelo governo do senhor Pinto de Sousa administrador da Caixa Geral de Depósitos, apanhou quatro anos de prisão com pena suspensa e meteu-se numa fundação extinta por dúvidas quanto à lhaneza dos seus processos.

    – Felgueiras foi condenada por diversos crimes, continua a contas com a Justiça, fugiu para o Brasil, usou o dinheiro dos impostos para pagar aos advogados.

    – Virgílio de Sousa foi condenado a prisão num processo de corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.

    – Pinto de Sousa é primeiro-ministro e anda a contas com uma série de trafulhices que, verdadeiras ou falsas, já tinham dado para fazer cair o governo em qualquer democracia digna desse nome.

     

    Um plantel de luxo!

     

    Para reflexão dos leitores do Irritado.

     

    9.2.09

     

    ABC
  • GOLPADAS DO MARXISMO

     

    O camarada Louça anda tristíssimo. Calcule-se que deixou, diz ele, de ser possível fazer “rotação de deputados”.

    Toda a gente já tinha reparado que o partido comunista/marxista/trotskista chamado Bloco de Esquerda, tendo feito eleger uns cinco ou seis deputados, todos os dias apresenta uma ou duas caras novas. Caras que ninguém elegeu e que, por isso, não têm qualquer sombra de legitimidade nem representam ninguém.

    O sistema prevê que, em certas circunstâncias, os deputados sejam substituídos pelo que se lhes segue na lista. Isto para o caso de morte, doença, impedimento temporário justificado ou saída dos eleitos para funções governativas ou outras de natureza análoga.

    Na lógica do materialismo dialéctico, a norma é interpretada como sendo feita para possibilitar que o senhor Louça ponha a funcionar quem muito bem lhe dá na realíssima gana, segundo as conveniências de cada momento. Por outras palavras, trata-se de desonestidade política, de oportunismo sem escrúpulos, de violação da lei servindo-se dela, de um golpe permanente, continuado e desavergonhado, de um “entendimento” que outra coisa não é senão corrupção na sua forma mais grave, a corrupção moral, a brutal corrupção que consiste em utilizar a lei, conscientemente, contra o seu espírito e a sua intenção, a benefício próprio.

     

    Não sei o que foi feito para acabar com esta pouca-vergonha, de forma a provocar as queixinhas do Louça.

    Mas, se o Louça está triste, eu fico todo contente.

     

    6.2.09

     

    António Borges de Carvalho
  • A RELIGIÃO E A PAZ

     

    Recentemente, teve lugar em Londres uma manifestação da Comunidade Islâmica, sob o tema “A Religião e a Paz”.

     

    Eis, em versão original, os dizeres dos cartazes empunhados pelos pacíficos participantes:

     

    – Freedom go to hell

     

    – Europe, take some lessons from 9/11

     

    – Europe will pay. Your 9/11 is on its way

     

    – Massacre those who insult Islam

     

    – Behead those who insult Islam

     

    – Islam will dominate the world

     

    – Europe is cancer, Islam is answer

     

    – Exterminate those who slander Islam

     

    – Be prepared for the real holocaust

     

    – Butcher those who mock Islam

     

    – Europe will pay. Your extermination is on its way

     

    Os manifestantes são indivíduos residentes no Reino Unido, a muitos tendo sido dada a nacionalidade britânica. Usam serviços de saúde, têm emprego ou subsídio de desemprego, pensões de reforma, habitação, negócios, etc. Só se lhes pede que trabalhem mas, se o não fizerem, não morrem de fome por causa disso.

    Gozam da liberdade que mandam para o inferno. Mamam na teta do que odeiam.

    Em nenhum dos seus países de origem seria possível fazer uma manifestação “cristã”.

     

    Nada foi publicado, a fim de não “ofender” ninguém. As fotografias da coisa circulam na Net.

     

    O Irritado transcreve, a ver se começa a haver quem se ponha a pau.

     

    6.02.09
  • QUARTA-FEIRA NEGRA

     

    GRANDE CACHOLA

    O Irritado cumprimenta o Doutor Cavaco pelo seu veto a mais um atentado contra as pessoas perpetrado pelos socialismos sob o comando dos senhores Pinto de Sousa, Jerónimo e Louça. Uma tentativa repugnante de ganhar, na secretaria, um pontinho percentual na contagem dos votos dos emigrantes para as legislativas.

     

    NOVAS CABALAS

    O Irritado inquieta-se por ver que a informação sobre o Freeport  está a perder a merecida intensidade de que tem desfrutado. Será que está em curso, como em 2005, alguma acção do PS – Poder Socrélfio – para abafar a coisa? Será que, como em 2005, os maus vão passar a bons e os bons a maus? Será que a “auditoria” ao Ministério Público se destina a concluir que, se o processo esteve quatro anos na gaveta, foi porque não merecia ser continuado? Será que a campanha para a descredibilizar o Serious Fraud Office faz parte da coisa?

     

    DENTADINHAS

    O meu neto, hoje, deu-me uma dentada. Estou, muito seriamente, a pensar fazer queixa à Judiciária, seguindo o exemplo da nobre professora que foi mordida por uma criancinha de dez anos. Mereço, ou não, uma bruta indemnização?

     

    QUESTÕES METAFÍSICAS

    Se o que se passa hoje se passasse no tempo do PR Sampaio, estando o PS no poder, será que o parlamento era dissolvido, como o foi a pretexto de coisa nenhuma que não fosse a sampaial ambição de esquerda? Será que o PR Cavaco não vai em precedentes? Ou acha que isto está a funcionar?

     

    SELECÇÕES

    O PGR seleccionou, para levar ao PR “seis, sete, oito casos” “que interessam ao país”. Coitado, mal tinha acabado a reunião e já não sabia de quantos “casos” tinha falado. O homem já não é uma criança mas, francamente, ainda é cedo para ter destes ataques de alzeimer. Ou então toma-nos por parvos, coisa que, seguindo o exemplo do senhor Pinto de Sousa, parece querer tornar-se hábito das nossas autoridades. Seremos parvos? Será que o PR é parvo?

     

    PASSADAS

    O rapazola Passos continua a dar passos e a passar bocas para a chamada comunicação social. Desta vez, a passagem foi dar o passo de passar a estar “disponível” para ser deputado. A rapaziada lá das berças disse que nim. Boa!

     

    PATADAS

    O Patinha perdeu as eleições no PPD. Nada contra. Mas antão não é que se dedica a propagandear que teve 2.800 assinaturas, quiçá para nos dizer que o que lhe faltou foram os votos? Se as eleições fossem por assinaturas… Do alto deste pedestal político o senhor desata à patada ao Doutor Borges e ao partido, leia-se aos que não assinaram nem votaram. Revolta-se contra a “campanha negra” que “tem por alvo o primeiro-ministro”. O senhor Pinto de Sousa ganhou mais um militante para as esotéricas paragens onde vegeta, poderosa, a sua privilegiada mente. À atenção da dona Manuela.

     

    ESTÃO MEXENDO NO MEU BOLSO

    As convicções anti-liberais do PS não deixam aquela gente perceber que a falência é o mais definitivo e esclarecedor regulador do mercado, em caso de grave chatice. Assim, quando é anunciado que os 700 milhões de que o BPN precisava são já 1.800, e quando a CGD anuncia estar a preparar-se para o comprar, haverá a) que perguntar que raio de nacionalização foi aquela e b) verificar que o degenerado “pensamento” socialista nos vai custar, só com esta brincadeira, pelo menos 1.800 milhões de euros. Agradeçamos, comovidos, mais este grande serviço prestado à Nação pelo senhor Pinto de Sousa.

     

    UMA TRISTEZA

    Possuída de fatal ataque de servilismo, dona Fátima Campos Ferreira organizou um programa dos Prós e Contras de forma a convertê-lo em Prós e Prós. Consta que o senhor Pinto de Sousa já mandou um adjunto apresentar os seus comovidos agradecimentos à ilustre senhora. Por outro lado, há quem diga que a distinta jornalista vai ser admitida como sócia honorária e benemerente do CSFAPA – Clube Socretino de Fans, Admiradores, Propagandistas e Áulicos – que, como se sabe, é presidido pelo Professor Freitas, tendo como membros mais destacados o Vitalino e o Vital, o Silva e o Pereira, o Lino e o Vitorino.  

     

    4.2.09

     

    António Borges de Carvalho

     
  • ESOTERISMOS

     

    Na opinião do primeiro-ministro que temos, uma dramática viragem se está a dar na sociedade portuguesa. Em vez da proverbial seriedade do governo, preponderam “poderes ocultos” que criam “campanhas negras” e que põem em causa a sua credibilidade e a do governo a que, honradamente, preside.

    Se compaginarmos esta insuspeita opinião com a não menos credível asserção do doutor Freitas acusando o PSD de estar por detrás da “campanha negra”, poderemos, finalmente, perceber o que se passa.

     

    Foi o que fizeram os assessores do primeiro-ministro. Inquiriram, inquiriram, e apuraram os seguintes factos:

     

    Dona Manuela, impaciente por ganhar as eleições mas convencida que, como diz o Doutor Freitas, não o vai conseguir, resolveu usar sofisticados meios para virar as coisas a seu favor.

    Assim:

    – Mandou o doutor Mota Pinto ao Haiti, a fim de consultar alguns feiticeiros vudus. Após conversações, em cuecas e com um osso de cobra de água ao peito, o doutor Mota Pinto participou no ritual do sacrifício de duas dúzias de galinhas, cujo sangue bebeu com delícia e fé. Seguiu-se a liturgia do batuque, na qual a secretária do doutor Mota Pinto foi estrela, agarrada ao neto do PapaDoc, tendo o doutor Mota Pinto feito uma sessão de rap acelerado, com ferozes invectivas ao PS. Regressado do Haiti, levou à dona Manuela um boneco com a cara do senhor Pinto de Sousa. Durante uma noite inteira, os dois políticos, ela de saia de ráfia, ele de tanga haitiana, dançaram e enfrascaram-se em rum, ao mesmo tempo que espetavam agulhas de croché no boneco, com o fim de despertar “poderes ocultos” que procedessem a infalível maldição. Foi assim que um “poder oculto” se apoderou da alma do tio do primeiro-ministro e o fez desbroncar-se, demonstrando um estado de espinhela caída que seria improvável não fora o feitiço.

    – O Professor Borges, por sua vez, foi encarregado de visitar a Federação Espirita. Posto em contacto com o Sumo Sacerdote, compincha do Hermes Trimegistro, levou-o invocar o espírito do mal, vulgo Belzebu, a quem, em amena conversa, encomendou o agravamento da situação do senhor Pinto de Sousa. Belzebu, das negras profundezas dos seus domínios, arranjou um primo para agravar as bojardas do tio. Assim se agravou a negra urdidura.

    – Ao mesmo, e a fim de o afastar da campanha de propaganda pessoal em que está envolvido, dona Manuela chamou o Coelho, e disse-lhe: “Eh pá, vê lá mas é se me dás uma mãozinha!” E aí vai ele de longada ter com a bruxa da Arruda. Fizeram em conjunto umas martingalas com conchas, ossos de sagui, rabos de coelho e outros artefactos altamente eficazes, e assassinaram dois cabritos que viriam a fazer imenso jeito para um jantar de cerimónia que a bruxa dava nesse dia. O Coelho lá voltou à presença de dona Manuela munido de uma dúzia de demoníacos virus informáticos, os quais foram dirigidos a uns computadores com o fim de criar uns e-mails “negros”.

    – Mesmo com estes “poderes ocultos” já em acção, dona Manuela não se deu por satifeita: mandou aquele Dr. que foi ministro da justiça consultar o Professor Karamba. Este, entrando sem hesitações na tenebrosa trama, com sábias manipulações conseguiu mudar a órbita de Plutão, a fim de causar uma perturbação grave no horóscopo do senhor Pinto de Sousa.

    – Finalmente, o encarregado da relações internacionais do PSD foi a Londres falar com o Grão Mestre da Maçonaria britânica e com o Sumo Sacerdote da Royal Society for Serious Fraud, figuras, como se sabe, inspiradas por poderes ocultos, relacionados com práticas negras, cabalas, injunções e malapatas. A missão foi um êxito, assim se tendo constituído a parte externa da tenebrosa conspiração.

     

    Diga-se entre parêntesis que aquela aldrabona que faz horóscopos nos jornais e na TV já moveu um processo contra o professor Karamba, acusando-o de ter mexido no Plutão propositadamente, com o fim de inviabilizar as previsões astrológicas que o senhor Pinto de Sousa tinha encomendado.   

     

    E é assim que os factos vêm provar as carradas de razão que o homem tem ao queixar-se das “campanhas negras” e dos “poderes ocultos”. Pudera!

     

    Mais uma vez, os portugueses são precursores. Trata-se da primeira crise política totalmente esotérica da história da humanidade.

     

    31.1.09

     

    ABC
  • NÃO É FEITIO, É DEFEITO

     

    Fui amigo de um senhor, falecido há um bom par de anos, que conhecia muito bem o nosso actual primeiro-ministro. O meu amigo admirava-lhe a verve, a persistência, a coerência na prossecução de objectivos. Criticava-lhe a incultura, a ignorância, o provincianismo, a inteligência mediana, a capacidade de atropelo e o desenrascanço teimoso e sem critérios morais que se vissem.

    Na sua opinião, se o senhor Pinto de Sousa fosse devidamente “monitorizado”, isto é, se “comprasse” uma boa ideia, seria como um cão a defendê-la. Caso contrário era uma desgraça. Se embarcasse na asneira, ou se o fizessem embarcar, ninguém o tirava de lá.

    Foi o que aconteceu, por exemplo, com a chamada co-incineração. Mesmo quando lhe foi demonstrado, por a+b, que havia melhor solução, agarrou-se àquilo e foi o que se viu. Se, pelo contrário, tivesse bom conselho e boa companhia, era capaz de coisas notáveis, como aconteceu com o Tratado de Lisboa.

     

    Estas qualidades e estes defeitos vieram a caracterizar-lhe o mandato. O pior é que os defeitos, sempre mais fáceis de praticar que as virtudes, acabaram por tomar conta dele ao ponto de ser legítimo, hoje, duvidar da mera inteligência do homem.

     

    Praticou, ao longo do mandato, a “doutrina” da mentira, da criação de expectativas, da promessa fácil, da manipulação, da ausência de escrúpulo, do desprezo pela inteligência e pela dignidade de terceiros.

    Quem se esqueceu do primado da economia sobre as finanças que defendia antes das eleições, e do primado das finanças sobre a economia que praticou assim que subiu ao poder?

    Quem não se lembra dos cento e cinquenta mil empregos, do não aumento de impostos, da repugnate trafulhice orçamental e de tantas e tão evidentes inverdades, meias verdades e mentiras que marcaram a desgraça nacional do seu mandato?

    Quem não se lembra da escolha do “Magalhães”, à revelia das boas práticas e dos procedimentos administrativos aplicáveis?

    Quem não se apercebe do castrador aumento do peso do Estado, do poder do despacho sobre o da lei, da eleição de parceiros particulares em desrespeito do interesse geral?

    Quem não sente na pele a vergonha da escolha do senhor Chávez como parceiro preferencial?

    Quem se esqueceu da pessegada académica, do inglês técnico, dos projectos pacóvios, tudo coisas que, cada uma de per si e todas somadas, deveriam ter chegado para caracterizar o personagem como absolutamente indigno do mandato que o eleitorado lhe deu? 

     

    Parece que, apesar de tudo isto, o paleio infrene e o espernear do homem acabaram por anestesiar a sociedade portuguesa, matraqueada com a propaganda das doiradas perspectivas que a brutalidade dos impostos e a tirania fiscal, mascaradas de “rigor orçamental”, lhe abriam.

     

    Para quem não bastava o que bastava, os últimos dias têm demonstrado como, objectivamente, já nada resta que justifique dar-lhe uma réstea que seja de benefício da dúvida.

     

    Não interessa saber se o homem recebeu dinheiro ou não. É um detalhe menor. O pecado, esse bem provado, é o de ter presidido e defender um processo administrativo trafulha, um ror de atropelos e de manigâncias. O pecado é o de vir apresentar-se-nos angelicamente, assacando a imaginárias forças “ocultas”, a fantasmáticos intentos “negros”, a miríficas “perseguições” políticas os males que as suas próprias acções criaram. Nem um só argumento, uma só certeza, um único facto ele aduz que permita justificar o que fez ou deixou que se fizesse. Limita-se a uma queixa contra desconhecidos que, a partir do “oculto” se movem espalhando calúnias e congeminando urdiduras. Para além, é claro, dessa monumental cobardia que consiste em dizer que “não assinou nada”!

     

    Ao ouvi-lo, os portugueses devem pensar se estará bom da cabeça.

     

    A resposta é: está, é feitio, não é defeito.

     

    1.2.09

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    PS. Por falar de loucura, vale a pena ler um artigo que a dona Fernanda Câncio, jornalista usualmente preocupada com questões fracturantes e distinta defensora dos “direitos” dos pederastas e da fufas, publicou no DN. Tratava a senhora de uma conspiração para dar cabo de um homem. Quem? O senhor Pinto de Sousa? Não! O Capitão Dreyfus!

    Terá a senhora, como é voz corrente, razões de ordem sentimental para escrever o que escreveu. Mas, que diabo, não havia necessidade! Coitado do Dreyfus, sofreu o que sofreu e ainda há quem se sirva do seu cadáver em proveito próprio!  
  • UMA URDIDURA

    querem uma urdidura? Aí vai:

     

    Há uns anos, uma carta anónima que, dias depois, se sabia quem escrevera e que, por isso, deixara de ser anónima, despertou o interesse de uns polícias. Fizeram umas investigações e houve, até, um juiz que despachou a coisa com altas suspeitas de irregularidades ou crimes a envolver o processo Freeport de Alcochete.

    Depois, os polícias, ou o dito juiz, mandaram uma carta aos colegas ingleses a pedir umas coisas.

    A indignação socialista estava ao rubro. Levantar suspeitas sobre o chefe? Nem pensar. Puzeram-se em campo. Urdiram.

    Como resultado desta nobre reacção, muita gente foi enxovalhada por estar a mentir e um polícia apanhou 18 meses de cadeia por fuga de informação. Mais importante do que isso, nem os ingleses mandaram fosse o que fosse, nem ninguém insistiu para que mandassem.

    Assim se passaram vários anos na maior das harmonias. Toda a gente descansada. O assunto estava morto e enterrado.

    A urdidura tinha resultado!

     

    A coisa, porém, ressuscitou. Agora que os “conspiradores” não se limitam a uns polícias curiosos, um autarca invejoso e um juiz ignorado, não é possível repetir a urdidura. As hostes andam à rasca e, como quem se vê ao espelho, assacam a terceiros as práticas negras em que são especialistas.

     

    1.2.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SARAMAGAL OPINIÃO

     

    Na vertigem da senilidade, o senhor Saramago saltou das salsas paragens da Castela marítima para as páginas dos jornais.

    Não, não ganhou mais nenhum prémio, não está outra vez com os pés para a cova, não se desfiliou do PC, não publicou outro livro, não fez nada que se visse. Resolveu, sim, escrever para dar um conselho à dona Hilária Clinton. Nada mais nada menos que exortá-la a abandonar o nome do marido, cujo uso, na sua opinião, não passa de um sinal de “submissão”, um “fato usado com os cotovelos rotos”.

    Pelo que se conhece da senhora, julgo que ninguém, a não ser a saramagal criatura, a considerará “submissa”. Nem seja quem for, para além do senhor Saramago, acha Clinton parecido com um casaco velho com os cotovelos rotos.

    Dona Hilária, que foi Clinton uma vida inteira – de estudante, de advogada, de primeira dama, de senador, de candidata à nomeação para a presidência e, agora, de secretária de estado – para seguir o douto conselho do senhor Saramago devia abandonar o capital próprio que tal nome é.

    Diga-se, em abono da Justiça e da Equidade, que o homem tem desculpa. Nem a todos acontece apaixonar-se, ainda por cima depois de velho, por uma jararaca castelhana como a dele. A tipa, que, em manifestação da mais analfabética ignorância, quer ser “presidenta” em vez de presidente (da casa dos Bicos, que é nossa, não dela, apesar dos desmandos do Costa), deve-o ter ameaçado com o rolo da massa caso ele não desse uma de fundamentalismo feminista. E o pobre do velhote – pobre uma gaita – obedeceu servindo-se da brilhante ideia de dar conselhos estúpidos à dona Hilária.  

    Registe-se o triste fim de um triunfador.

     

    28.1.09

     

    ABC

  • RAIVAS

     

    Pois é. Sem mais nem menos, vem à liça um dos mais socrélfios portugueses, o Doutor Freitas do Amaral, antigo líder da direita portuguesa, actual militante socialista e, pelos vistos, membro destacado da central de desinformação do governo.

     

    Na doutíssima opinião do ilustre senhor, o que se tem passado sobre o caso Freeport é muito mais grave do que a “cabala”, a “conspiração”, a “perseguição” de que o senhor Pinto de Sousa se considera vítima. Trata-se de “uma campanha de raiva” contra um inocente que só praticou actos absolutamente legítimos. O professor, por causa das moscas, sublinha que tal legitimidade é de carácter “administrativo”, matéria em que é especialista. Isto é, deixa de fora aquilo que é fundamental: a responsabilidade política. Demos de barato histórias de dinheiro.

     

    À laia de pergunta, Freitas diz que os raivosos devem ser os que “estão com medo de perder as eleições”, isto é, o PSD.

    Daqui se conclui que, na opinião do senhor, a dona Manuela deve ter contactado a Scotland Yard a pedir que o respectivo RG (Rage Department) fizesse umas investigações acerca do Freeport. Logo que esta diligência produziu os seus efeitos, a senhora terá falado com o tio e o primo do primeiro-ministro, convencendo-os, sabe-se lá a poder de que raivosas ameaças, a confessar que tinham metido umas cunhas a favor da coisa. Depois, foi ter com o senhor Oliveira, o Dr. Balsemão e demais cavalheiros dos media, exortando-os a fazer-se eco das suas raivosas intenções. Assim se montou, como é lógico e se deve meter pelos olhos (do Doutor Freitas) dentro, a “campanha da raiva”.

     

    Mais opina o catedrático que a modificação da ZPE do estuário do Tejo, tendo sido legislada legitimamente gelo governo, foi promulgada pelo PR Sampaio e referendada pelo Dr. Barroso. Portanto, ou tudo era perfeitamente legítimo ou temos de convir que estes dois senhores também receberam uns trocos.

    Poderia o Doutor Freitas, se fosse sério, ter acrescentado que não há memória de um primeiro-ministro não ter referendado um diploma depois da sua promulgação, bem como esclarecido as pessoas, já que é especialista em direito administrativo, sobre o significado jurídico da referenda. Mas isso não faz ele. Prefere meter o Dr. Barroso ao barulho, a ver se consegue tornar credíveis as suas extraordinárias opiniões. É, pelo menos, feio, muito feio. O desespero socrélfio no seu mais rasca.

     

    Diz o homem que as alterações à ZPE foram decididas dois meses antes da aprovação do projecto. Portanto, nada têm a ver com ele. Perante tal dislate é de perguntar: então têm a ver com quê? Assim, sem mais nem menos, o governo decide alterar os limites da zona? Num conselho de ministros em que não havia nada que fazer o senhor Pinto de Sousa resolveu encolher a ZPE para passar o tempo? Ou deixou de haver aves naquele quadradinho? Ou ia lá passar o TGV? Ou foi tudo por alma da viúva do Padre António Vieira?

    Eis-nos no reino das conjecturas. Facto é que Freitas acha que o tal decreto terá tido a ver com tudo, menos com o Freeport. Notável.

     

    Aquela fatia do Freeport que causava erisipelas aos ambientalistas foi cirurgicamente retirada da ZPE. Depois, aprovou-se o projecto. Depois os ambientalistas queixaram-se a Bruxelas. Depois emendou-se a bronca. Depois, Bruxelas arquivou-a. Entretanto, com ZPE ou sem ZPE, o Freeport já lá estava. Nada mais havia a fazer. A ZPE intacta, o Freeport a funcionar, toda a gente contente.

     

    No meio disto tudo, entre o momento, em 2005, em que a marosca foi denunciada e em que a central do PS conseguiu abafar a coisa e vilipendiar quem a denunciou, houve um juiz que considerou a história mais que suspeita e uns procuradores que, embora digam que o processo não parou, o meteram na gaveta. Por influência britânica, os procuradores ressuscitaram e desataram a fazer buscas, inquéritos, devassas.

     

    Mas, para o Doutor Freitas do Amaral, transfigurado em aparatchik socialista, ao nível do Vitalino, do Pereira e do Silva, tudo não passa da “raiva”. Até mete raiva!

     

    Facto é que as televisões e os jornais já começaram a “abrandar”. Terá havido telefonemas à la manière?

     

    29.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • ESPERNEAR É QUE É BOM

     

    O camarada Lino continua a divertir-nos com as suas palhaçadas. Desta vez, mais papista que o papa, a fazer ciúmes ao Vitalino (o aparatchik), ao Santos Silva (o demagogo) e ao Vital (o intelectual de serviço), saltou em defesa do senhor Pinto de Sousa. Coitadinho, tão atacado tem sido! Mas não esperneará sozinho, que o Lino cá está, sempre, sempre, ao lado do chefe.

     

    Trata-se, na, indigna de crédito opinião do ex-comuna, de “matéria com fins políticos”, destinada a “colocar obstáculos ao governo e para atingir o primeiro-ministro”.

     

    Que seja bem-vinda a bronca, já que põe obstáculos às loucuras do governo.

     

    Em 2005, o “Independente” fez-se eco da mesma história. Em manobra, com certeza não “política”, o PS deu a volta ao texto. O polícia que deu a dica foi castigado. O Dr. Santana Lopes acusado das piores coisas. O independente acabou. E, no entanto, era verdade, como diria Galileu. Como Galileu, quem falou nisso lixou-se. Nada de “político”, que ideia!

     

    Agora… agora o pior foi os ingleses. Andava a malta muito descansada, eis senão quando os malditos bifes se desbroncam e começam a fazer perguntas desnecessárias, em condenável manobra, certamente de carácter “político”.

    Veja-se a que ponto vão os inimigos do senhor Pinto de Sousa! A sua influência chega às margens do Tamisa, quem sabe se ao palácio de Buckingham! Que gente!

    Uma vez os ingleses em acção, as nossas autoridades acordam. Descobre-se que, afinal, já há anos havia um juiz que pusera a coisa sob forte suspeição. Descobre-se um tio que mete cunhas ao sobrinho, um primo que se quer ver pago pelas influências movidas, uma reunião que houve, ou duas, e mais uma data de coisas. A imprensa desata aos pontapés, a ver quem tira mais lixo de debaixo do tapete. 

    A pessegada torna-se incontrolável.

     

    Ah! Se estivéssemos em 2005, que bom seria, deve pensar o Lino. Punha-se a malta a funcionar, acusava-se a Manuela, mais o chefe de gabinete, mais quem fosse preciso, castigava-se uns tipos, insultava-se outros, ficavam todos enxovalhados e nós de fora. A prazo, quem sabe, até acabávamos com o “Sol”. Mas 2005 já lá vai, mudaram as circunstâncias, só nos resta espernear. Esperneemos pois, pensa a mente privilegiada do Lino.

     

    Só não percebe, coitado, que quanto mais espernear, menos o pessoal acredita no chefe.

     

    26.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • O QUE SE SABE E O QUE NÃO SE SABE

     

     

    Não se sabe se:

     

    ·        O senhor Pinto de Sousa sacou, ou não sacou, umas massas aos tipos do Freeport;

    ·        O tio, ou o primo, do senhor Pinto de Sousa, sacaram, ou não sacaram, umas massas aos tipos do Freeport.

    ·        Houve luvas ou não, nem para quem;

     

    Sabe-se que:

     

    ·        As satisfações às complicadas exigências do governo em relação ao Freeport foram apreciadas numas horas;

    ·        O Freeport foi aprovado em três dias, ou dois, e o que era necessário para tal aprovação foi prontamente promulgado pelo Presidente Sampaio;

    ·        O governo era de gestão, não tendo, evidentemente, poder para dar as autorizações que deu;

    ·        O Presidente Sampaio sabia o que a Constituição reza a este respeito;

    ·        À altura, alguém denunciou que haveria marosca na coisa. Esse alguém foi enxovalhado na praça pública e houve um polícia que levou 18 meses por “fuga de informação”, num país onde todos os dias há fugas de informação sem que aconteça seja o que for seja a quem for;

    ·        O assunto foi congelado;

    ·       Anos passados, a polícia inglesa começou a escarafunchar;

    ·       As autoridades portugueses acordaram da sua “letargia”;

    ·       Em meia dúzia de dias, rebentou uma série de broncas.

     

     

    Pergunta o Irritado:

     

    Não se sabia há que tempos que:

     

    ·       O primeiro-ministro mentiu, sem necessidade nenhuma, acerca dos seus estudos?

    ·       O primeiro-ministro mentiu acerca do défice orçamental?

    ·        O primeiro-ministro mentiu acerca dos seus “projectos de engenharia”?

    ·        Tais projectos eram (são) uma espantosa vergonha, um inominável horror, um atentado à arquitectura, às cidades e à paisagem?

    ·        O primeiro-ministro mentiu na campanha eleitoral?

    ·        O primeiro-ministro mentiu acerca da crise?

    ·       O primeiro-ministro apresentou uma moção/programa que é um mar de lugares comuns e onde as únicas”medidas” dignas de nota são a criminosa regionalização e o “casamento” dos pederastas e das fufas?

    ·        O primeiro-ministro é um mentiroso compulsivo e que o nosso futuro, nas mãos dele, é tão negro quanto se possa imaginar?

     

    E não basta isto para nos livrarmos dele?

     

    O que teria acontecido num país civilizado onde o primeiro-ministro fosse apanhado em metade das broncas em que o senhor Pinto de Sousa foi apanhado?

    A imprensa, a rádio e a televisão continuariam a apoiá-lo?

    A opinião pública deixaria passar?

     

    Perguntai, senhores, a vós mesmos o que teria acontecido. Depois, chorai, guitarras, chorai, porque isto já morreu.

     

    25.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SEREMOS TODOS TRAFULHAS?

     

     

    Não sei se Portugal vale a pena.

     

    Esta profunda reflexão é feita tendo á minha frente um apanhado do “portal da transparência”, publicado pelo internauta senhor Carlos Martins. Com a devida vénia, eis doze maravilhas, entre muitas:

     

    1.    O ISEP comprou um GPS por 10.000,00 euros;

    2.    A Câmara de Vale de Cambra comprou um autocarro de 16 lugares por 2.922.000,00 euros;

    3.    O Centro de Saúde de Portel mandou reparar duas fotocopiadoras por 45.144,00 euros;

    4.    Uma entidade alentejana comprou 14 módulos de 3 cadeiras e 19 módulos de 2 cadeiras por 375.600,00 euros (6.058, 00 euros cada cadeira);

    5.    A Câmara de Ílhavo comprou 3 computadores mais uns acessórios por 380.666,00 euros;

    6.    A renovação do licenciamento do software Microsoft custou 14.360.063,00 euros;

    7.    A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa comprou 9.072 rolos de papel higiénico por 5.806,08 euros;

    8.    A Câmara de Loures gastou mais de 650.000 euros em vinho (tinto e branco);

    9.    A Câmara Municipal de Faro pagou 33.745,00 euros por uma viagem Faro-Zagreb-Faro;

    10.  A Câmara de Estremoz pagou 1.915.000,00 euros pelas iluminações de Natal;

    11. Em Sines, o aluguer da tenda para a festa da inauguração do Museu do Castelo custou 1.236.500,00 euros;

    12.  Seis malas Piaggio para as motorizadas das águas da mesma entidade custaram 106.596,00 euros.

     

    Tudo por ajuste directo.

     

    Por uma questão de vergonha, não teço quaisquer comentários.

     

    24.01.09

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. Os leitores do Irritado poderão documentar-se com mais pormenor em:

     

     

     

     
  • RIR, MAS DO NERVOSO

     

    Coitados dos animaizinhos

     

    1. Dona Bernardette Chirac anda muito apoquentada porque o seu  ilustre esposo foi mordido pelo cãozinho lá de casa. Não, a apoquentação da ilustre dama não se deve às feridas que o animal causou ao chefe da família. Deve-se às inquietações que a assaltam no que diz respeito à saúde do animal. Este, coitado, não teve culpa nenhuma: a coisa ficou a dever-se a uma depressão nervosa. O Sumo, assim se chama a criancinha, perdão, o cãozinho, tem andado a ser tratado por um especialista em depressões caninas. Apesar do tratamento, obviamente de altíssima qualidade, o nobre animal tem, de vez em quando, ataques de frenesim. Foi durante um desses ataques que o Jaques foi mordido.

     

    O Irritado deseja com furor que a dona Bernardette seja apanhada por algum frenesi do Sumo e fique com as badanas do cu devidamente esfarrapadas. Não sei se isto será punição que chegue para a violência da imoralidade da situação e para o total descoco das declarações da velhota.

     

     

    2. Por cá, as coisas não estão melhor. Um tal Moutinho, presidente da associação “Animal”, veio a terreiro protestar contra as vacas açorianas que pastoreiam na Praça de Espanha, em acção de propaganda à terra delas. Minto, é claro que o homem não é contra as vacas, mas contra quem as pôs lá. E porquê? Porque o trânsito pode provar stress às bovinas criaturas, porque os animais estão desprotegidos “face ao” (sic) mau tempo e porque o pasto não é adequado às suas necessidades alimentares.

    Tem toda a razão. Segundo informação de que o Irritado dispõe, um estudo da Universidade de Cacilhas, datado de 1969, demonstra à saciedade o stress dos burros, sobretudo por causa dos autocarros e dos ferries. Transpondo a coisa para as vacas, o Irritado não tem dúvidas acerca das razões que assistem ao Moutinho e aconselha-o vivamente a mandar chamar de urgência o psiquiatra que se ocupa dos frenesins do cãozinho da madame Chirac, a fim de dar assistência psicológica às vacas da Praça de Espanha.

    Mais aconselha o senhor Moutinho a ir, ele mesmo, dar uns caramelos aos animais. Pode ser que alguma vaca, vítima de stress, entre em frenesim e lhe dê umas valentes cornadas, a ver se o tipo passa a pensar duas vezes antes de andar para aí a espalhar baboseiras.

     

     

     

    ENCOLHEMOS?

     

    Segundo o “Diário de Notícias de hoje, a área de Portugal é de 35,6 Km2 , isto em 2007.

    Quando eu era pequenino, por certo por influência do fascismo e da Mocidade Portuguesa, ensinaram-me que Portugal tinha noventa e tal mil Km2. Não consta que a Pátria tenha encolhido tanto nos últimos cinquenta anos.

    Ainda me ocorreu que o pasquim se tivesse enganado, esquecendo-se de três zeros. Mesmo assim, ficaríamos do tamanho do Alentejo, ou coisa que o valha.

     

    Esta imprensa socialista está cada vez pior.

     

     

     

    GRANDE LÍNGUA!

     

    O Instituto Camões concluiu, via estudo sociológico superiormente elaborado pelo ISCTE, que:

    ·       O Português é uma língua cujo potencial futuro é muito superior ao seu valor actual;

    ·       Nalgumas regiões do mundo, a relevância do português no trabalho aumenta quase sete vezes entre o presente e o futuro;

    ·      Cerca de 10% dos inquiridos na Europa tem o português como língua de trabalho;

    ·       Cerca de 70% dos tais inquiridos vê no português um investimento de futuro, com grande potencial de crescimento;

    ·        A língua portuguesa represente 17% do PIB nacional.

     

    O Irritado, que é burro, não percebe lá muito bem o que quer dizer “aumentar sete vezes entre o presente e o futuro”. Demos isso de barato.

    Pelo mesmo motivo, o Irritado não percebe que voltas é preciso dar ao bestunto para classificar a língua pelo critério do PIB. Demos também isso de barato.

     

    O que é verdadeiramente notável, e por isso foi deixado para o fim, é que o “estudo” tem por base um inquérito feito a “estudantes de português em cursos coordenados pelo Instituto Camões".

     

    Pois é, o Camões era zarolho, coitado. E nós?

     

    22.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • MUNDIALISMOS

     

    Aqui há uns anos, o PS, pela mão do senhor Pinto de Sousa e do Engº. Guterres, embarcou num dos mais inacreditáveis “investimentos” dos últimos 100 anos: a faraónica construção de uma caterva de estádios de futebol. É claro que, à altura, o senhor Pinto de Sousa garantiu ao povo que o Euro 2004 iria amortizar os investimentos e dar imenso lucro. Como é habitual no personagem, era tudo ou burrice ou mentira. O país ficou pejado de elefantes brancos que ninguém sabe como se vão pagar, mas que se sabe quem vai pagar: nós.

    Agora que aparece pela primeira vez uma oportunidade de ganhar uns tostões que possam aliviar o buraco, o senhor Pinto de Sousa, pela voz do ministro Santos, acha que não senhor, não nos vamos meter em campeonato nenhum. No mesmo dia em que o senhor Sapateiro oferece o apoio do governo castelhano à federação lá do sítio para a organização, com Portugal, de um mundial de futebol, o senhor Santos diz que nem pensar. Será porque, quando era preciso construir os estádios, havia montes de dinheiro a circular à conta, e agora, com os estádios construídos, a massa já não corre da mesma maneira?

     

    A "esclarecer" o povo, surgiu aquele rapazola gordinho que ocupa a secretaria dos desportos, ansioso por agradar ao chefe. Com invulgar inteligência política e não menos sentido de oportunidade, o social-desportivo senhor fez esta extraordinária declaração: “O topo das prioridades é outro. Temos de (sic) resistir a uma crise nacional e global, esse é que é o topo das nossas prioridades. O Mundial pode ser o relançamento do país em 2018.”

    Não é fácil fazer a exegese deste sábio raciocínio. Dir-se-ia que o rapaz não quer o Mundial porque não é prioritário. Mas acrescenta que, em 2018, o Mundial pode “relançar” o país. Será que, afinal, é a favor da coisa? Talvez, mas mais tarde. Ora, como toda a gente sabe, menos o secretário de estado, as candidaturas para 2018 começam agora a ser tratadas. Em que ficamos? Ou será que o rapaz foi encarregado de informar a Nação que o “relançamento do país só terá lugar em 2018?

     

    Não sei porquê, mas tenho a sensação de que esta última interpretação é a mais consistente. Se o senhor Pinto de Sousa continuar no poder, ai, meus amigos, podem ter a certeza de que o rapaz tem razão.

     

    21.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • NAS MALHAS DO POLITICAMENTE CORRECTO

    Muitas coisas muito boas vêm dos Estados Unidos da América. Não, não estou a falar do senhor Obama. Muito más coisas de lá vêm também. Não, não estou a pensar no senhor Obama.

    Penso nessa hedionda invenção a que se chama “politicamente correcto”.

     

    Trata-se de uma forma estúpida de disfarçar, encobrir ou condenar certas formas de pensar, bem como a sua expressão falada ou escrita.

     

    Alguns exemplos:

     

    – O politicamente correcto proíbe o uso da palavra “preto” (black), para caracterizar um preto. Substituiu-se “black” por “african-american”, o que corresponde a uma distinção entre americanos, isto é, os pretos não são americanos tout court, como os brancos, precisam de um adjectivo que os distinga. O mesmo com os “native-american” ou os “hispanic-american”. O politicamente correcto acaba por ser mais racista que a linguagem tradicional.

     

    – Entre nós passa-se o mesmo: substituiu-se a palavra preto por “negro”, um francesismo idiota ("nègre"). É que, em português “preto” é preto, sem mais conotações. “Negro” tem conotação negativa (os tempos estão negros, tem uma vida negra, um futuro negro, uma alma negra, etc.). Parece que, nestas coisas, a estupidez manda mais que o bom senso e, por maioria de razão, manda também no uso da língua.

     

    – A dona não sei quantas, extremosa esposa do senhor Saramago, exige que a tratem por “senhora presidenta” (da fundação Saramago), uma vez que “presidente” é uma palavra “sexista”. Já vi jornais politicamente correctos a escrever segundo os desejos desta castelhana ignorante e presunçosa. Em português, “presidente” é comum aos dois géneros, como se sabia, aos oito anos de idade, na antiga instrução primária. A ignorância petulante e o ódio primário, eles sim, sexistas, querem transformar as presidentes em “presidentas”. Olhem o que diriam os politicamente correctos se o Irritado propusesse que os presidentes passassem a ser tratados por “presidentos”!

     

    – O Cardeal Patriarca disse que as raparigas de cultura cristã deviam pensar muito bem antes de casar com um muçulmano. Toda a gente, a começar pelos muçulmanos, sabe que isto é um belíssimo e sensato conselho. Mas é politicamente correcto dizer exactamente o contrário.

      

    – Toda a gente sabe que Israel é um país civilizado. Toda a gente sabe que o Hamas é uma organização terrorista e, ainda por cima, inimiga figadal não só de Israel mas da nossa civilização, da nossa cultura e de nós mesmos, uma escumalha que dá vivas à morte e que, activamente, nos quer ver extintos. Mas manda o politicamente correcto que se diga exactamente o contrário. É a estupidez no seu mais elevado grau.

     

    A verdade, a justiça e o bom senso são virtudes que o politicamente correcto desconhece, ao mesmo tempo que apregoa a verdade, a justiça e o bom senso.

    Feito de cinismo, de perversidade, de inversão de ideias, de valores e de conceitos, o politicamente correcto põe em causa a própria essência da nossa civilização.

     

    21.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • APELO A PPC

     

    O estimável rapaz que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho, alter ego do engenheiro (propriamente dito) Ângelo Correia, anda por aí em tudo o que é reunião a espalhar a sua doutrina e a promover a sua pessoa. A imprensa, sempre solícita e servidora quando se trata de enfraquecer o PSD e proteger o PS, ecoa por toda a parte as posições do rapaz.

    O Irritado não discorda de muitas das ideias de que ele se faz eco. Porém, se o rapaz fosse de confiança não andava a tratar de si próprio a meia dúzia de meses das eleições às quais o seu partido vai concorrer liderado por outrem. Seria de esperar que o ambicioso jovem guardasse para mais tarde – não será muito mais tarde, dada a idade da dona Manuela – as suas pessoais propagandas, em vez de andar a enfraquecer as da senhora.

    O PSD tem já demais com que se preocupar. As tenebrosas alarvidades do Meneses, uma besta quadrada, e as bocas intriguistas do Marcelo, um egoísta pomposo e bem pago, já chegam para tratar de inviabilizar o futuro do partido e para causar ao país o que será a maior desgraça dos últimos trinta anos: a recondução do senhor Pinto de Sousa.

    Talvez o rapaz ainda vá a tempo de se calar, ou de usar a sua verve de outro modo. Para bem de todos nós.

     

    Aqui fica um sentido apelo.

     

    21.1.09

     

    António Borges de Carvalho
  • CARTA ABERTA AO PRESIDENTE CAPUCHO (2)

    Lisboa, 21 de Janeiro de 2009 

     

    Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais

     

    Considerando:

     

    1.    As notícias veiculadas pelos chamados órgãos de informação sobre as diligências efectuadas por uma auto-denominada Associação dos Amigos do Paredão acerca das limitações à circulação de velocípedes naquela infra-estrutura camarário-marítima;

    2.    A recente declaração de Vossa Excelência de que estaria na gutérrica disposição de dialogar com os interessados;

    3.    A circunstância de o signatário, bem como seus filhos, netos e amigos serem indecentemente perturbados no seu direito à tranquilidade e à segurança por virtude do uso do paredão por indesejáveis ciclistas, bem como por utilizadores de outros não menos indesejáveis meios de transporte;

    4.    A presença constante, no Paredão, de doces canídeos, rotweiler, rodhesian ridgeback, dobermann, etc., amorosamente conduzidos pelos seus distintos proprietários e acariciados por generosos polícias:

     

    Respeitosamente, vem solicitar a boa atenção de Vossa Excelência para o que a seguir refere:

     

    a.    Não é lógico, nem humano, nem tolerável que os utilizadores de bicicletas – meio de locomoção hoje muito em voga, ideal para propagandas autárquicas e para o negócio dos médicos especialistas em colunas vertebrais – em vez de ir dar às canetas nos locais a tal destinados, construídos pela CMC a expensas dos contribuintes, o venham fazer no Paredão;

    b.   A proibição, completa e total, do uso de tais maquinetas no Paredão, seja em que dias e a que horas for, é a única decisão camarária compatível com os interesses dos munícipes e dos visitantes que o usam, seja qual for a opinião da supracitada "associação";

    c.    Tal proibição deve ser efectiva, e todos, incluindo os polícias, devem ser obrigados a respeitá-la;

    d.   Esta evidência jamais se verificará enquanto, ao mesmo tempo que expulsam os ciclistas, os agentes da autoridade se passearem no Paredão de bicicleta, scooter, segway ou equivalente, e ainda, muitas vezes, de automóvel;

    e.   Outrossim acontecerá enquanto, impunemente, houver indivíduos, machos e fêmeas, médicos, enfermeiros, maqueiros e motoristas do INEM a repoltrear-se nas esplanadas, bebendo as suas imperiais com a Passat amarela estacionada, ou na rampa de acesso, ou no próprio paredão;

    f.      O sossego e a segurança dos utentes será também letra morta se os canídeos acima referidos não forem apreendidos e adequadamente injectados no canil da Câmara até que a morte sobrevenha.

     

    É Vossa Excelência responsável pelas condições de segurança e tranquilidade dos utentes das infra-estruturas camarárias. Mas é-o igualmente pela conduta dos agentes policiais e outros, a qual é abusiva, imprópria, e não respeita os mais elementares princípios da probidade e da boa educação.

     

    Posto isto, resta-me pedir aos santinhos que iluminem a mente privilegiada de Vossa Excelência quando se tratar de decidir sobre estas questões.

     

     

    Com respeitosas e paredistas saudações

     

     

     

    António Borges de Carvalho