O camarada Louça anda tristíssimo. Calcule-se que deixou, diz ele, de ser possível fazer “rotação de deputados”.
Toda a gente já tinha reparado que o partido comunista/marxista/trotskista chamado Bloco de Esquerda, tendo feito eleger uns cinco ou seis deputados, todos os dias apresenta uma ou duas caras novas. Caras que ninguém elegeu e que, por isso, não têm qualquer sombra de legitimidade nem representam ninguém.
O sistema prevê que, em certas circunstâncias, os deputados sejam substituídos pelo que se lhes segue na lista. Isto para o caso de morte, doença, impedimento temporário justificado ou saída dos eleitos para funções governativas ou outras de natureza análoga.
Na lógica do materialismo dialéctico, a norma é interpretada como sendo feita para possibilitar que o senhor Louça ponha a funcionar quem muito bem lhe dá na realíssima gana, segundo as conveniências de cada momento. Por outras palavras, trata-se de desonestidade política, de oportunismo sem escrúpulos, de violação da lei servindo-se dela, de um golpe permanente, continuado e desavergonhado, de um “entendimento” que outra coisa não é senão corrupção na sua forma mais grave, a corrupção moral, a brutal corrupção que consiste em utilizar a lei, conscientemente, contra o seu espírito e a sua intenção, a benefício próprio.
Não sei o que foi feito para acabar com esta pouca-vergonha, de forma a provocar as queixinhas do Louça.
Mas, se o Louça está triste, eu fico todo contente.
6.2.09
António Borges de Carvalho

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