IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PREOCUPAÇÕES JUDICIAIS

 

Subitamente, os senhores juízes, acompanhados pelo sempre presente Mário Soares, descobriram uma nova causa.

Trata-se, desta vez, de conservar a Boa-Hora como Tribunal.

Dado o estado da Justiça, poder-se-ia pensar que os doutos magistrados ocupavam o seu precioso tempo a tratar de melhorar o serviço que deviam prestar à comunidade, ou seja, como, da sua parte e apesar das proezas do governo, poderiam contribuir para agilizar e credibilizar o exercício das suas altas funções.

Nada disso. Os senhores juízes entretêm-se a fazer política, a avançar com reivindicações e a fazer vida sindical como se fossem metalúrgicos. Quando estão mais inspirados, clamam que não são funcionários públicos, que são independentes, dando a tal independência um sentido “totalitário”, isto é, não se trata, para eles, da independência de julgar, mas de independência tout court.

Agora, para dar um ar da sua graça, fazem conferências a defender o “património”, a Baixa de Lisboa, a vidinha dos cidadãos, o comércio de rua… Tudo isto mediante a conservação do edifício, cheio de “história”, como Tribunal. Noutras oportunidades, dedicar-se-ão a bramar que o edifício não tem condições, que o ar condicionado não presta, que as meninas não têm a devida privacidade nas casas de banho, ou outras altas e sábias contribuições para o funcionamento das instituições.

 

Estou com eles no que respeita à conservação do construído. Estou com eles quanto à não desertificação da Baixa. Mas, se fosse esta a intenção, defenderiam a animação da coisa mediante uma vocação mais “humana”: um hotel, sim senhor; um conjunto de apartamentos, óptimo; locais de lazer e cultura, fantástico.

 

O que os motiva, dizem as más-línguas, é a comodidadezinha. Seja o que for, porém, não se entende como pode a distinta classe queixar-se num dia da carestia da manutenção e da inadequação do palácio e, no dia seguinte, opor-se a que lhe sejam dadas melhores condições de funcionamento, num edifício moderno, construído para o efeito, bem servido de transportes, de estacionamento, etc.

 

É claro que o governo é capaz de fazer tudo ao contrário, dar-lhes umas novas instalações modernas mas estúpidas, como uma senhora juiz já veio, pressurosa, explicar, e demonstrar, à televisão. Mas isso é outra questão, que não tem nada a ver com a Boa-Hora.

 

Quem dá juízo aos juízes?

 

10.2.09

 

António Borges de Carvalho


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