IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CONSELHOS SOARISTAS

 

Notre ami Soares enriquece-nos a mente, esta semana, com mais uma das suas habituais arengas. O Irritado realça dois pontos, merecedores de reflexão.

 

O primeiro diz respeito à extrordinária mensagem de Natal do senhor Pinto de Sousa. Soares afirma que com realismo o homem nos avisou das dificuldades. Esqueceu-se de dizer que tal aviso corresponde ao cagaço monumental que ele sente com o que já percebeu ser o resultado mais de três anos de demagogia, durante os quais nos andou a entreter, aldrabando, com a ideia de que tudo corria pelo melhor.

Diz Soares que o engenheiro técnico se colocou numa perspectiva de defesa do interesse nacional. Com certeza porque, no parecer de Soares, era a primeira vez que tal acontecia. Pinto de Sousa mostrou-se aberto para dialogar com partidos, sem excepção e com os sindicatos. Leia-se mais uma vez, o fulano quer responsabilizar terceiros (os partidos) pelos apertos de cinto a que nos vai obrigar, com a peregrina desculpa da crise internacional. Vai, por outro lado, pedir batatinhas aos sindicatos com quem, como toda a gente sabe, não tem feito outra coisa senão andar à batatada.

Elogio dos elogios, Soares gaba a generosa intenção do primeiro-ministro de ter um bom relacionamento institucional com os órgãos de soberania, Presidente, Parlamento, instituições judiciais. No dia seguinte a, por ordem do primeiro-ministro, se ter cometido a mais violenta das cavalidades contra o Presidente, Soares acha que o homem é sincero ao prometer o tal relacionamento institucional!

Soares acha, além disso, que o homem mudou de estilo, usando uma forma mais próxima e humana ao dirigir-se aos portugueses. Não dei por isso, mas, reconheçamos que, implicitamente, Soares acha que, antes, o primeiro-ministro era distante e inhumano. Muito bem, estou de acordo. Só que é preciso ser parvo para acreditar em tal mudança.

Ah! É verdade! No parecer de Soares, o relacionamento com os sindicatos não inclui manifestações de rua, nem protestos mais ou menos violentos, coisas que não remedeiam os flagelos a que a governação socialista nos condenou. Pois não.

As críticas da oposição (leia-se o gozo que deu a toda a gente a baixa das taxas de juro da autoria do governo…) foram detalhes sem relevância. Pois.  

Em consequência da notável mensagem do PM, o ex-Presidente, apela ao voto no PS. As oposições, quer as comunistas (Soares chama ao BE, carinhosamente, esquerda radical…), quer as de direita, só sabem dizer mal, andam no bota abaixo (aprenderam com o PS…), não oferecem soluções, só criticam, são uma malandragem. Soares descobriu que é obrigação das oposições fornecer ao governo as soluções para os problemas que cria, o que bem demonstra a evolução do “pensamento” soarista no que à democracia se refere. Soares conclui que o vazio político é a alternativa ao PS e que os eleitores têm que perceber que, ou votam PS, ou o país fica ingovernável. Coitado, já não percebe que o problema do país não é ser, endemicamente, ingovernável, mas sim ser mal governado.

 

A segunda maravilha do artigo de Soares tem a ver com o recuo que já começa a preparar em relação à excelência do senhor Obama, já que a situação no próximo e médio oriente é a maior dor de cabeça da administração Obama, que não se apresenta nada fácil.

Ora como o senhor Obama já deu largas mostras de não ir na conversa, seja do Hamas, seja dos Talibãs, Soares começa a temer que o homem não cumpra o programa de política internacional que  tão generosamente lhe anda a oferecer há meses.

Por outro lado, Soares avisa Israel que está a caminho do abismo, o qual é nada mais nada menos que o seu desaparecimento, a prazo, como Estado. Na privilegiada cabeça de Soares, o problema inverteu-se: não se trata de criar um Estado palestino, trata-se de acabar com Israel.

O Amadinejá diz o mesmo.

 

1.1.09

 

António Borges de Carvalho


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