IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CRITÉRIOS JORNALÍSTICOS

 

Às vezes perguntamo-nos sobre os critérios que presidem à escolha dos colaboradores/comentadores/colunistas por parte dos directores de jornais.

 

Desgraçadamente, os jornais, em Portugal, não têm cara, isto é, não têm imagem nem cartilha política, não se colocam ideologicamente, antes perseguem com fúria aquilo a que chamam “independência”.

Ao contrário dos grandes jornais deste mundo, o “Times” e o “Gardian”, o “Le Monde” e o “Figaro”, o “Washington Post” e o “New York Times”, até o “El País” e o “El Mundo”, os nossos jornais passam a vida a albergar tudo quanto é gente, filhos de todas as mães, mais contribuindo para a confusão do que para o esclarecimento. Além de tudo mais, as pessoas têm, ou deviam ter, o direito de, conhecendo a “orientação” de um jornal, poder avaliar a força e a razão de quem nele escreve.

 

Vem isto a propósito de um artigo do senhor António Vilarigues, ontem publicado no jornal privado chamado “Público”, sobre a crise israelo-hamasiana.

Para informação de quem me lê, diga-se que o articulista assina na qualidade de “especialista em sistemas de comunicação e informação”. Esclarecendo, trata-se de um membro do PC, cujo nome faz lembrar um ilustre estalinista do meu tempo (seu pai?) que se chamava Sérgio Vilarigues.

Demos de barato a laboriosa argumentação do “especialista”. A conclusão que o homem tira é bastante para avaliar a “informação e comunicação” a que se dedica. O homem acha que há quem “seja capaz de ver os acontecimentos de forma diferente da redutora divisão entre bons de um lado e maus do outro”. Pois haverá. Só que tais boas almas, diz o “especialista”, são, para além de alguns compagnons de route, o PC de Israel, a Frente Democrática para a Paz e a Igualdade, parceira das “facções de esquerda palestiniana, incluindo a Frente Democrática para a Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino. Todos comunistas, como o “especalista”, certamente por distracção, confessa.

 

A extraordinária independência destas teorias leva-nos, como dizia a abrir, a ter em pouca consideração a política editorial dos nossos jornais.

O “Público” não passa de um exemplo, e nem é dos piores.

 

10.1.09

 

António Borges de Carvalho


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