IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • SOCIALISMO CIENTÍFICO

     

    Às vezes, mesmo já muito tendo lido e ouvido, ficamos siderados com a fidelidade de certa gente a cartilhas que se julgaria perdidas na noite dos tempos.

     

    O IRRITADO, de vez em quando, debruça-se sobre uma secção o que o “Avante!” tem no jornal privado chamado “Público”, assinada por um tal António Vilarigues, “especialista em sistemas de comunicação e informação” – seja lá isso o que for – e rebento, julga o IRRITADO, de uma dinastia do mesmo nome desde sempre atarraxada às altas esferas do PC.

     

    O homem não é propriamente um marxista – Marx foi um filósofo sério que, é de supor, se pudesse ver o resultado das suas teorias, pelo menos na versão “interpretativa” que o Vladimir Ilitch e o José Estaline praticaram, seria hoje, pelo menos, um “neo liberal” -, mas sim um estalinista mais ou menos aggiornato, isto é, que procura, através da sua especialidade em “sistemas de comunicação e informação”, vender o podrérrimo peixe que, como a mera existência do PC e do BE bem demonstram, ainda há quem coma.

    O distinto “especialista” conta-nos que o actual ciclo de crise do sistema capitalista vai no seu quarto ano e tende a continuar. Porquê? Porque o desemprego é galopante, porque o produto mundial se contraiu, porque o comércio mundial sofreu uma redução de 12%. Porquê? Porque, diz ele, há 280 tipos muito ricos, com mais dinheiro que o dinheiro somado de dois mil milhões de pessoas.

    Havendo à face da terra, pensa ele, todos os meios, humanos e materiais para assegurar as condições de vida necessárias ao desenvolvimento das capacidades de cada um dos quase 7 mil milhões de habitantes do planeta, a culpa da fome, do desemprego, da ausência de desenvolvimento, etc., é, evidentemente, dos tais 280 malandros e de mais uns quantos que impedem que se criem as condições objectivas para a transformação da sociedade.

    Para remediar o problema é preciso que a questão da propriedade e da apropriação privada das condições de produção seja posta em causa. Ou seja, pôr em causa a relação social (de exploração) que o capital corporiza.

     

    Como se vê, o aggiornamento deste notável filósofo não vai tão longe como a saída das cavernas do bolchevismo para os “sistemas de comunicação” poderia fazer pensar. A fraseologia é a mesma, os fantasmas os mesmos, as fugas à realidade, à vida e à própria natureza humana são as mesmas de sempre.

     

    A chamada “crise do capitalismo”, que é um facto, melhor se poderia chamar crise do “estado social”. O estado social, tal como concebido pelos seus intérpretes encartados, entrou em insolvência com a globalização, com a concorrência “desleal” dos países ditos emergentes e, é evidente, com as suas próprias decorrências e asneiras conceptuais.

     

    O que arruinou ou ia arruinando as nações não foi a prática de um capitalismo verdadeiramente liberal, isto é, de um capitalismo limitado pela Lei e, portanto, saudável. Foram as intromissões “sociais”, como as corporizadas pelas Freddy Mac (é assim que se escreve?) e similares, que introduziram distorções no sistema, distorções que a “socialização” do capitalismo iria aumentar até ao “estouro” final. Os primeiros “produtos tóxicos” foram sempre os de motivação social. O resto veio por simpatia, oportunismo, ganância e desprezo pela Lei.

    Por cá, por exemplo, os bancos embarcaram alegremente nas “políticas sociais” que, primeiro, aniquilaram o mercado do arrendamento e, depois, empurraram as pessoas, via isenções fiscais, juros bonificados e outras balelas, para a chamada “casa própria”, ou seja, para um abismo de dívidas vitalícias, para o imobilismo familiar e, no fim da picada, para o crédito mal parado, o desemprego e a pobreza. Foram as “políticas sociais” que puseram milhões de cidadãos a pensar que um emprego não é um passo na vida a caminho de melhor, mas uma coisa que se tem – exista ou não – até à morte ou à reforma. Foram as “políticas sociais” que puseram as pessoas a pensar que haverá sempre dinheiro para, na falta ou na recusa de emprego, escorrer um subsídio, um abono, uma coisa qualquer saída, como coelho da cartola, de um poço sem fundo que se chama Estado, ou “estado social”. Foram as “políticas sociais que, em suma, puseram as pessoas no desemprego, ou as desinteressaram de trabalhar, como é patente nos milhares de postos de trabalho que são ocupados por imigrantes por falta de procura dos portugueses.

    Foi a concepção do Estado como produtor e distribuidor de riqueza, inspirada, à la limite, nos Vilarigues da nossa praça, quem atirou a sociedade para uma situação que toda a gente já percebeu ser insustentável, mas que ninguém se atreve a tentar sequer pôr em causa. Foi, entre nós, a concepção do Estado como “nacionalizador”, por “razões sociais”, de bancos bandidos ou falidos, quem, pondo no caixote do lixo os remédios mais duros com que o capitalismo, ou seja, a economia, se castiga a si próprio, mais contribuiu, e contribui, para a falência nacional que, a passos largos, se aproxima.

     

    No meio disto tudo, desgraçadamente, continua a haver quem diga que, se tirarmos aos ricos distribuímos pelos pobres, isto através da abolição da propriedade e do poder absoluto de um Estado omnipresente e omnipotente.            

     

    A secção do “Avante” ínsita no jornal privado chamado “Público”, outra coisa não faz senão repetir ad nauseam as patranhas da cartilha. É fácil, está “no disco” e entra em cabeças mais crédulas ou menos prevenidas. É natural.

    O que nada tem de natural é que haja tanta gente, até nas mais insuspeitas áreas da política e do pensamento, que ande para aí a insistir na manutenção da filosofia estatista que nos arruína e nos desemprega. Além de cavar, para as novas gerações, um futuro mais negro que o imaginável.

     

    9.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SOCIALISMO REPUBLICANO

    Na ânsia balofa e desmiolada de comemorar o 5 de Outubro, anda o jornal socialista “Diário de Notícias” a contar os dias que faltam para o centenário de tal coisa, agora na sua terceira e ruinosa versão.

    Diz o DN que, na sua edição de há um século, se escrevia: O socialismo, mal esboçado e titubeante até meados do século XIX, é hoje uma força indiscutível, que coloca à frente da França um governo saído das suas doutrinas, e que, de dia para dia, ganha mais terreno na imperial e militar Alemanha.

    O DN de hoje, a este respeito, opina que o socialismo sobre que há um século se escrevia é a social-democracia.

    Aqui é que a porca torce o rabo. A família do socialismo do princípio do século XX seria uma prima afastada da social-democracia como a concebem hoje os seus adeptos. Bakunine e Bernstein que o digam.

    Ironia das ironias, o regime saído do tal 5 de Outubro – que o DN, tão caninamente fiel ao que está a dar, comemora – proibiu, simplesmente, a criação de um partido socialista em Portugal (ideia que merecera a serena simpatia do Senhor Dom Manuel II) e prendeu, torturou e deportou os seus adeptos, numa das mais assanhadas e violentas repressões políticas de que há memória. Aquiles Monteverde e Azedo Gneco, por exemplo, que o digam.

     

    9.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • BRIGADA DO REUMÁTICO?

     

    Por toda a parte, a Nação embandeira em arco com os especiosíssimos cálculos feitos sobre o stress dos bancos.

    Não há problema! Tudo nos conformes. A Pátria pode estar descansada que a banca está de óptima saúde, há montes de dinheiro para pôr ou repor a economia a funcionar. Descansem os portugueses, a crise não vem por aí.

     

    O IRRITADO, modicamente conhecido na nossa praça pelo seu visceral pessimismo, acha isto tudo altamente suspeito. Quando tudo está mal, há sempre quem venha dizer que não é bem assim.

    Lembram-se da brigada do reumático? Quando toda a gente já sabia que a tropa estava em alvoroço, ou porque queria mais dinheiro, ou porque não queria ir para a guerra, ou porque tinha inveja dos milicianos, ou por altos sentimentos democráticos e horror ao autoritarismo, eis que os chefes militares em bloco se deslocam a São Bento a fim de convencer o primeiro-ministro e a Nação de que tudo estava sossegado e sob controlo. Os mesmos que, dias depois, se meteram em tábuas perante o golpe do 25 de Abril.

     

    Só é preciso gritar que está tudo bem quando se sabe que há fortes hipóteses de não o estar.

    Será o caso da banca? O IRRITADO espera que não. Mas um mindinho pouco dado a esperanças não pára de lhe dizer ao ouvido que vem aí alguma bernarda.

     

    7.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CONTROLAR A LIBERDADE

     

    Aqui há uns anos, era ministro do comércio o actual presidente da CGD (ilha PSD no oceano socialista), discutiu-se a história da abertura dos hipermercados ao Domingo. Lembro-me de ter protestado onde podia contra a mera existência de tal polémica. Achava, e continuo a achar, que tal abertura é matéria para a livre negociação entre os empregados e os patrões, cabendo-lhes chegar ou não a acordo sobre o que fazer. O Estado, porém, achava o contrário. Isso de liberdade contratual é coisa a controlar com unhas e dentes, tornando-a ilegítima e ilegal sempre que o dito Estado ache que há em causa outros e mais altos valores.

     

    Passaram anos. Julgo que nunca ninguém percebeu lá muito bem como funcionavam as coisas, uma vez que a distinção conceptual entre o que é hiper e o que não é hiper é coisa de burocratas que escapa à cabecinha dos cidadãos comuns. As pessoas foram aprendendo a saber o que estava fechado e o que estava aberto, e pronto.

     

    Agora, o governo que temos resolveu entrar numa de “descentralização”, isto é, sacudiu a água do capote.

    Isso de abrir ou fechar vai ser coisa da competência dos municípios.

    A decisão nada tem a ver com liberdade contratual, com emprego, com conveniências dos cidadãos. Trata-se, na linguagem oficial, de conferir ao poder local mais uma prerrogativa, de dar aos “representantes directos” da vontade popular o poder de interferir na liberdade dos demais. Multiplicando os critérios, direi eu. O que for legal em Patranhos de Cima será ilegal em Patranhos de Baixo, segundo a soberana vontade das respectivas câmaras municipais.

    A coisa vai ser de estalo. Em cada município, o poder vai querer abrir e a oposição fechar, ou vice-versa, o que dá igual. As assembleias municipais vão travar intermináveis discussões, acusando-se os deputados uns aos outros de estar ao serviço do capitalismo selvagem, do “neo liberalismo”, de ser porta vozes dos sindicatos ou das multinacionais, etc..

    Resultado: se, em Patranhos de Baixo, a câmara decidir fechar e em Patranhos de Cima a câmara resolver abrir, a malta de Patranhos de Baixo passa a ir às compras em Patranhos de Cima, o que gerará as maiores rivalidades, fará com que em Cima haja mais emprego que em Baixo, e assim por diante.

    O governo, olimpicamente, ficará de fora. O senhor Carvalho da Silva ficará à rasca, porque tem tantos adeptos em Cima como em Baixo. E assim por diante.

     

    Há assuntos que se resolvem utilizando uma coisa que se chama Liberdade, coisa a que o socialismo, mesmo o mais democrático, tem enormes dificuldades em se adaptar.

     

    7.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • GRATIDÃO

     

     Ninguém se cala com a história do comunicado do PGR, em que Sua Excelência confessa a sua total falta de capacidade para o lugar em que o puseram.

    Ao fim de uns cinco anos, percebeu que não tinha poderes que chegassem. Ou isto não é verdade ou o homem é de compreensão lenta. Ou ainda, de repente, percebeu que, lá na Rua da Escola, ninguém lhe liga bóia, cada um faz o que quer e diz o que lhe apetece, em evidente demonstração da ausência de autoridade do chefe.

    Outros PGR’s houve antes dele, que também deram uma bronquita ou outra, mas nenhum se queixou como ele, coitadinho, de falta de poderes!

     

    Há duas ou três pequenas observações que o assunto merece, para além das quatro mil trezentas e quarenta e sete já largamente expendidas por “quem sabe destas coisas”, ou seja, os opiniosos de serviço.

    A primeira diz respeito ao comunicado em si. É evidente que um ataque de parvoíce daquele calibre não devia merecer qualquer seguimento. E, no entanto, o PS e o PSD apressaram-se a dizer que até são capazes de mexer no estatuto do homem. Parece que a parvoíce, ouvida por parvos, compensa.

    A segunda tem a ver com as reacções dos partidos. Em vez de dar a coisa ao mais completo desprezo, vieram todos a correr dizer de sua justiça. Os da oposição, em uníssono, condenaram o fulano. O PS não só não o condenou como achou que tinha toda a razão. Compreende-se o interesse: o PS queria ver o assunto enterrado, e o assunto está aí para lavar e durar. Por outro lado, que diabo, o homem merece a gratidão dos socialistas. Se não fosse ele…

     

    4.8.10

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. No meio da orquestra de opiniões, não seria mau que alguém, para além do IRRITADO, se lembrasse de condenar o homem por ter tido a ousadia de se comparar, de forma diminutiva, à Chefe de Estado de vários países estrangeiros com quem temos relações diplomáticas, Senhora que tem mais dignidade e mais importância na unha do mindinho do pé esquerdo que setecentos e vinte e três PGR’s somados, cobertos da chantilly e com uma cereja cristalizada no toutiço.  

  • UM CASO EXEMPLAR

     

    O marido de uma rapariga que eu conheço, encarregado do lixo na câmara de não sei onde, foi contemplado com as “novas oportunidades”.

    A rapariga descreve a coisa da seguinte forma: primeiro, deram-lhe um dossier com as matérias todas; depois, o rapaz foi a umas aulas durante uns meses. Finalmente, mandaram-no embora com o diploma do 12º ano e um livro para, se quisesse, ir aprendendo inglês lá em casa.

    Agora, o jovem diplomado espera a todo o momento a promoção que lhe é justamente devida dadas as suas habilitações literárias.

     

    4.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • LEI ISLÂMICA À PORTUGUESA

     

    Ao mesmo tempo que o camarada Amadinejá vem declarar que o ensino da música é uma imoralidade em termos da “lei islâmica”, a ministra da educação do governo que temos anunciou, eventualmente inspirada nos ensinamentos dos aiatolas, que vai cortar os subsídios às escolas de música. Entenda-se, às escolas de música privadas.

    O IRRITADO, por princípio, não é adepto de subsídios. Os privados que se desenrasquem. Mas, est modus in rebus, no país mais subsídio-dependente da União parece que, se a senhora ministra pusesse no olho da rua os milhares de contra-producentes “pedagogos” que tem lá no ministério, talvez poupasse mais e, sem dúvida, melhor.

     

    4.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • BIBA O POÂRTO!

     

    Então não é que dona Ilda, ilustríssima deputada do PC ao parlamento europeu, mais um conjunto de personalidades bolchevistas, se dedica agora a pintar paredes no Porto?

    E não é que a Câmara não deixa? Manda a polícia apreender as tintas, ou coisa que o valha?

    Então, e a liberdade de expressão? E a Constituição?, pergunta o PC, prenhe de justa fúria.

    Porque é que a donairosa criatura não pinta paredes em Estrasburgo ou em Bruxelas? Com certeza porque em França e na Bélgica vigoram poderosas e desapiedadas ditaduras. Se fosse apanhada nas suas actividades, a criatura era capaz de, deputada ou não, ir parar ao xilindró.

     

    Ao menos em Lisboa, a “liberdade” é socialisticamente apoiada pela Câmara. Veja-se o que os pintores de paredes fizeram na Fontes Pereira de Mello, com tintas, pincéis, pistolas (de pintar) gruas e protecção policial, tudo à conta dos nossos dinheirinhos.

     

    Viva o Porto!

     

    4.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • IGUALDADES

     

    Aqui há um ou dois posts, dedicou-se o IRRITADO a demonstrar como acha dever ser tratado o caso dos deficientes sexuais que arranjaram a história dos dadores de sangue para fazer mais uma propagandinha aos seus nobres costumes.

    Borrifando-se na higiene pública, vem uma senhora Elza (com zê), obscura secretária de Estado, dizer que as gentes em causa têm toda a razão, isto é, que, por uma questão de igualdade (seja isso o que for no bestunto da senhora), não se lhes pode fazer perguntas sobre a sua vidinha.

    Eu, que felizmente não sou igual à senhora (no conceito dela), confesso-me impróprio para dar sangue e não me preocupa nada que me perguntem porquê.

     

    4.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SANGUE PARA O POVO

     

    É louvável e meritória a atitude dos cidadãos que, desinteressadamente, se prestam a dar ao próximo o seu sangue, precioso bem que muitas vidas salva.

     

    Posto isto, duas palavras sobre a reivindicação das associações de deficientes sexuais e do Bloco de Esquerda por causa de uma pergunta qualquer que está num regulamento qualquer, indagando os doadores sobre os seus “handicaps”.

    O autor do IRRITADO, por exemplo, não pode dar sangue porque tem uma deficiência hepática. Outros, outras terão, que tornam o seu sangue impróprio para consumo. É evidente que neles se incluem os chamados “grupos de risco”, de que fazem parte os defeituosos sexuais e os viciados em drogas duras.

    Não terão, se não tiverem, culpa de ser o que são. Mas não deixam de o ser por causa disso.

    Dir-se-á que estes grupos têm o mesmo direito que os demais a que lhes seja analisado o sangue antes da doação, sendo por isso indiferente a sua circunstância pessoal. Mas para quê gastar dinheiro com casos em que a probabilidade de sangue impróprio é maior? Se há pessoas que tiveram doenças que, embora curadas, as colocam em grupos de risco, para quê perder tempo e dinheiro com elas? Para quê, correr riscos? É por isso que o tal regulamento, e muito bem, pergunta aos propostos doadores se são deficientes sexuais, se têm certos vícios ou se tiveram doenças, mesmo num passado remoto, que possam pôr em dúvida a excelência do seu sangue. Parece óbvio que o regulamento não pode fazer outra coisa.

     

    Mas os deficientes sexuais, com o extremoso e caritativo apoio do partido comunista conhecido por BE, nisto como em tudo o resto, querem ser mais que os outros. Em certas matérias já o são. E, enquanto houver qualquer coisinha que, como qualquer coisinha de qualquer pessoa, modifique a sua circunstância em relação aos demais, há que Deus que estão a ser descriminados!

     

    Não há dúvida que, ou a civilização dá umas voltas, ou está lixada.

     

    3.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • VALENTE MEXILHÃO

     

    O senhor Valentim Mejillones, alto sacerdote da religião “aymara” – sabem o que é? – teve o poder e o encargo de, de chapeleta, rebrilhante túnica e marreta (uma espécie de pau com um cão na ponta), dar posse ao inteligente Evo Morales, o tal que acha que a existência de pederastas se deve aos frangos de aviário e que é o proto-comunista presidente da Bolívia.

    Até aqui, tudo bem. Cada um “empossa-se” como muito bem entende, de acordo com as suas conveniências e os seus credos.

     

    Interessante é que o tal Mejillones é nada mais nada menos que o feliz proprietário de um laboratório científico dedicado à produção de cocaína, com uma produção mensal estimada em 240 quilos. Coisa pouca, como se sabe.

     

    Estas desgraças sul-americanas quase fazem ter saudades dos tempos heróicos em que, continente fora, os generais Tapioca e Alcazar se enfrentavam renhidamente e com requintes de imaginação.

     

    A Democracia, como tanto se repete por aí, é o pior sistema político que existe, à excepção de todos os outros. De acordo. Não deixa por isso de parir monstros, como o Adolfo, o Chávez e este parlapatão do Morales.

    De “morales” pouco terá, mas está na moda e é politicamente correcto. Pelo menos na abalizada opinião de inúmeros intelectuais de esquerda que pululam na nossa praça.  

     

    3.8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O DUQUE DA POLITÉCNICA

     

    Principescamente instalado no Palácio Palmela, o senhor Procurador Geral da República disse às aparvalhadas massas a seguinte extraordinária “verdade”:

     

    Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra.

     

    Coitado! Já se sabia que o homem, para além de funcionar como escudo das instituições, leia-se, do primeiro-ministro, é especialista em meter os pés pelas mãos, em não fazer a menor ideia de como se dirige a sua gente, em tê-la em roda livre, em aguentar uma senhora que parece ser a sua número dois e que só faz asneiras, em esconder e depois destruir despachos seus que são documentos do mais alto interesse público, etc.

    Agora, veja-se a modéstia, descobriu que é importante comparar-se publicamente com a Rainha de Inglaterra. O que, antes de mais, prova que o senhor não tem no bestunto a mais remota ideia do que seja Sua Majestade. Depois, que o seu alto pensamento acha que tem os poderes da Chefe de Estado de mais de uma dezena de países em que é objecto do respeito e do orgulho das gentes, cuja soberania exemplarmente representa.

    É legítimo pensar que o senhor em causa considera a comparação interessante com o eventual objectivo de convencer as pessoas da triste circunstância, pensa ele, de lhe não chegar os poderes que tem. Quer mais. Para quê? Para promover o senhor Pinto de Sousa a PM vitalício?

     

    Haverá alguém que lhe faça perceber que está a mais, ele, a sua número dois e mais uma data de gente que só serve para arranjar confusões, para dar o dito por não dito, para tornar obscuro o que tem obrigação de esclarecer?

     

    3.8.10      

     

    António Borges de Carvalho

  • DO PODER DOS CANALHAS

     

    Não há dúvida que, em política politicamente correcta, a moral dos nossos dias e do nosso mundo nada tem a ver com a de há uns anos atrás.

     

    Um conhecido bando de canalhas resolveu vandalizar uma série de bombas de gasolina no Reino Unido. Não houve intervenção policial que se visse. As pessoas ficaram sem combustíveis, os concessionários foram privados do seu comércio, a ordem pública foi severamente perturbada. Resultado, segundo os jornais: as bombas, por ordem dos canalhas, só reabrirão em determinadas condições, por eles impostas.

    O mesmo bando, auto intitulado Greenpeace, tem sido, ao longo dos anos, autor dos mais diversos atentados aos bens daqueles de quem decidiu não gostar. Goza de meios financeiros incalculáveis, ao ponto de ser proprietário de navios e outros equipamentos de altíssimo preço, paga chorudos ordenados a um número indeterminado de prosélitos, viaja pelo mundo a seu bel-prazer, etc..  Não, não se trata de militantes de uma causa qualquer, trata-se de crime organizado e criminosamente financiado.

    Quando a moral pública não era refém do politicamente correcto, tal gente seria julgada, a organização desmantelada, investigada a origem dos milhões utilizados e punidos os vandalismos a que se dedica.

    Na moral de hoje, porém, estes tipos passaram de canalhas a “activistas”. Ser “activista”, seja do que for, parece ter-se tornado salvo-conduto para consideração pública, reconhecimento social. Pior, parece que, aos que são activistas, é reconhecido o direito a utilizar os meios que lhes der na gana para defender as suas teses, ou a suas maluquices.

     

    Do outro lado do Atlântico, uns tipos auto-intitulados qualquer coisa como Wickyleaks (não sei se é assim que se escreve) resolvem fazer espionagem informática sobre uma guerra terrível que o seu país trava.

    Não ponho em causa a justeza ou não de tal guerra. Não é o que, para o efeito, está em causa.         

    O que me é impossível aceitar é que documentos secretos importantes para a própria segurança dos militares em operações, sejam propagandeados pelo mundo, sujeitando ao ridículo e ao opróbrio o seu próprio país, sem que haja, na opinião pública, nos mass media, nas autoridades, na opinião pública, quem acuse tal gente de traição.

     

    Como parêntesis, diga-se que isto faz lembrar as emissões que, de Argel, o senhor Manuel Alegre fazia, às quais não se sabe quantas vidas de combatentes portugueses se perderam. Um precursor, este camarada.

     

    Na América e no mundo, o autor da electrónica tramóia tem direito a tempo de antena, a artigos de jornal, se calhar a montes de dólares, perante o terno olhar da dona Ana Gomes e de mais uns milhões de “progressistas”.

     

    A moral pública do nosso mundo parece estar ou em mudança ou em crise. Ou foi tomada de assalto pelos malefícios do politicamente correcto. Um sinal evidente de uma civilização que parece comprazer-se na sua auto-destruição.  

     

    2,8.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ANEDOTA DO DIA

     

    Os distintos procuradores do MP que trataram do caso “fripór” – pronúncia de Freeport em inglês técnico – não ouviram o senhor Pinto de Sousa por “falta de tempo”. Ainda que, sublinham, fosse importante ouvir o homem sobre o assunto. Mas, como o PGR, coitado, inocentemente, só lhes deu 21 dias de prazo para tal, o que, sendo preciso ouvir previamente o Conselho de Estado, não dava tempo, a inquirição foi inviabilizada.

    Numa coisa os doutos procuradores tinham razão: era fundamental ouvir quem proibiu a instalação de um cemitério no local, para evitar a “pressão humana” – certamente a pressão dos pesadíssimos cadáveres – numa zona de protecção especial e, depois, acabou com a zona de protecção especial e autorizou um mega empreendimento no mesmíssimo local.

    Ou os procuradores “acharam” que não havia tempo para as diligências necessárias para ouvir o PM nos termos da lei, ou não havia mesmo tempo e, neste caso como noutros, quem pôs a asa protectora sobre o senhor Pinto de Sousa foi o PGR, ao dar-lhes tão curto prazo.

    Estamos todos sob a alçada da Lei, mas uns mais do que outros.

    Se não fosse triste, era de rir à gargalhada. Falta de tempo uma gaita!

     

    29.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA CENA LAMENTÁVEL

     

    Ontem, a SIC Notícias fez uma reportagem sobre a macacada de Foz-Côa. O povo aos gritos, que lhe deram cabo da vida, que não acredita em nenhuma das iniciativas do governo, que tudo vai ser o maior dos flops, que não há estradas, que isto e que aquilo, numa revolta tão indignada quanto inútil. As autarquias a protestar, num esbracejar inconsequente e patético. A obra do governo, um abjecto e monstruoso mamarracho, numa paisagem lunar, horrível.

     

    Há quinze anos, o brilhante governo do engenheiro Guterres mandou, como estará na memória de toda a gente, parar as obras de uma barragem em construção no local, por causa de uns bonecos ditos paleolíticos ou coisa que o valha, encontrados nas respectivas escavações.

    Na senda da filosofia de então, desgraçadamente a mesma dos nossos dias, mais milhão menos milhão era a mesma coisa. E lá ficaram, deitados à lixeira da “cultura”, uns dez milhões de contos, o que, falando em euros, é só multiplicar por cinco.

      

    À altura, o autor destas linhas, movido pela curiosidade e pela indignação, foi ao local observar o que se passava.

    Viu o colossal buraco já aberto para a barragem, viu as monstruosas máquinas paradas ao sol, viu a grandeza do empreendimento abandonado, intuiu o que deixava de se produzir em “energias renováveis”, grande descoberta dos nossos dias, ainda que já conhecida nos tempos da outra senhora.

    Ouviu um homem dizer que o avô, moleiro, fazia bonecos nas pedras quando não havia vento – exagero! –, ouviu a dona de uma tasca dizer que quando lá entrasse “aquela gorda” (a chefe dos arqueólogos) lhe poria arsénico no bife, e outras observações populares igualmente satisfeitas com o andar dos acontecimentos.

    Ouviu, mais tarde, o engenheiro propriamente dito Mira Amaral defender a continuação da construção da barragem, oferendo aos arqueólogos a possibilidade técnica de obter, através de cortes nas rochas, os exemplares necessários à conservação museológica do que mais representativo fosse da arte dos pitecantropos locais. Ouviu, por outro lado as “justificações” do governo socialista: o património, a riqueza da descoberta, o respeito internacional a obter, as monumentais receitas que a “gestão” da coisa permitiria, etc., etc., blábláblá.

    Pensou: grande bambochata, o povo local sem emprego, a região sem energia, os milhões da barragem no lixo, uma data de “gordas” ao ataque, despesas monumentais, directores, assessores, monitores, investigadores, professores, adjuntos, automóveis, motoristas, construtores, chefes, subchefes, lacaios, funcionários e trintanários, tudo minha gente a ganhar a vidinha, o Estado a gastar fortunas, a coisa a nunca, jamais, em tempo algum vir a retornar um chavo, um encargo monstruoso para todos nós, uma desgraça sem nome mas com um preço colossal.

     

    Quinze anos passaram. Não sei quantos megawates estaria a barragem a produzir há para aí dez anos. Sei que a “cultura” levou quinze anos a “instalar-se”. Ninguém sabe quantos milhões escorreram pelo caminho.

    Ontem, a seguir à “peça” da SIC que acima refiro, apareceu, bonequíssima, sorridentíssima, simpatiquíssima, a dona Canavilhas, ilustrérrima ministra da cultura, a gabar-se de mais uma grande obra do socialismo nacional: o museu de Foz-Côa – o tal mamarracho que a SIC já tinha mostrado. Disto, sabe-se o preço: 18 milhões de euros. Sem uma derrapagem. Tudo fiscalizado pelo IGESPAR, com altíssima competência, noção de serviço e patriotismo.

    A senhora, com copiosa distribuição de bem ensaiados sorrisinhos, espraiou-se em afirmações acerca da excelência da iniciativa ao mesmo tempo que ia arranjando o cabelo e dizendo “claramente” pelo menos 22 vezes.

    Claramente, a coisa custou dezoito milhões.

    Claramente, não há estradas, mas vai haver, diz ela.

    Claramente, vai haver um exemplar “modelo de gestão”, que ainda não se sabe como vai funcionar, mas que, garante a Cavilhas, será sustentado em exclusivo com dinheiros públicos.

    Claramente, os gastos a suportar pelo Estado (95%) e pelas autarquias (5%) não serão orçamentados nas contas públicas, uma vez que, claramente, serão entregues a uma empresa de direito privado e dinheiro público.

    Claramente, o museu não vai conter nada do património arqueológico, que fica onde está, para que as pessoas possam andar aos tombos pelos pedregulhos, atrás de um guia.

    Claramente, o museu será um centro de interpretação, não um sítio onde se possa ver a lítica bonecada. Tão claramente que vai abrir como uma exposição de… “gravura contemporânea”!

     

    Raramente se vê uma pessoa que, com tanta calma e tantos sorrisos, meta os dedos pelos olhos dentro de terceiros.

    Patético? Talvez. De certeza certezinha, patético é que, com parangonas de “cultura”, se deite, com estas porcarias, mais uma data de milhões pela borda fora.

    A “empresa”, como é de timbre, não vai facturar para pagar as despesas. Mas estas continuarão a correr e a ser cobradas a todos nós, como já pagámos, sem saber (o IRRITADO calculava), estes últimos quinze anos de ineficácia, preguiça, de falta de respeito e de demagogia pseudo-cultural.

    Será verdade que os fundos da UE ajudaram (quanto?), legítimo sendo perguntar se não poderiam ter aplicação mais “produtiva”.

     

    29.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A GRANDE CONSPIRAÇÃO

     

    Finalmente!

    Foi com este advérbio que o senhor Pinto de Sousa começou as suas triunfais declarações de ontem. Queria ele dizer que as malevolentes manobras das forças ocultas tinham acabado. E nada tinham produzido.

    Forças ocultas ou não, facto é que nada foi produzido e que o senhor Pinto de Sousa continua, angelicamente, por direito e por mérito, a desempenhar os seus cargos e a comandar os destinos da Nação. Perdão, da República, palavra e conceito que, na Constituição, substituíram a Nação, deixando esta, formalmente, de existir.

     

    Acabada esta fase “conspiratória”, haverá que saber se, no meio disto tudo, houve alguma conspiração.

    Houve sim senhor. Pelo menos, é legítimo pensá-lo.

     

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tirado um curso com calçadeira, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar e lá continua.

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter adquirido um andar em circunstâncias estranhas, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar e lá continua.

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter despachado coisas estranhas num negócio (o da Cova da Beira) que anda pelos tribunais, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

    Quando o senhor Pinto se Sousa foi acusado de ter “destacado” o terreno do Freeport (fripór, segundo o próprio) da reserva especial do Tejo, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tido reuniões com a malta do fripór, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tido conversas com o seu amigo Vara, conversas que, pelo menos, para honestos magistrados de Aveiro, o tornavam suspeito de atentado contra o estado de direito, com atentado ou não, era verdade. Desta vez, para o proteger, não foram precisas forças ocultas. Tudo foi destruído por quem de direito (?), incluindo os respectivos despachos e sua argumentação justificativa, assim se protegendo, à outrance, o senhor Pinto de Sousa. Ajudado por forças não ocultas, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

    Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de manobrar na sombra no caso PT/TVI, era verdade. Pois a comissão parlamentar encarregada do assunto, tendo chegado à conclusão que, sabendo de tudo, dissera ao parlamento que não sabia de nada, não tinha mentido. Só se entende esta numa enorme reunião de esforços para o safar. Uma conspiração às claras. Ajudado por forças não ocultas, agarrou-se ao lugar e lá continua.

    Finalmente – a relação acima não é exaustiva – a polícia e o MP chegam à conclusão que, no caso fripór, não houve mais que um crime de extorsão, isto é que um escocês mais outro tipo qualquer tinham sacado umas massas aos ingleses para pagar aos licenciadores, mas tinham ficado com tais, uma vez que, à sua volta, a começar pelo ministro do ambiente, só havia funcionários impolutos, honestíssimos e acima de qualquer suspeita, mesmo quando, sem razão aparente, andaram a depositar (em numerário!) não sei quantas centenas de milhar de euros. Esta da extorsão é magnífica. É que, de outro modo, teria que se chegar à conclusão, tão estranha quanto indefensável, que tinha havido corruptores activos sem os correspondentes passivos. É, também notável pela ausência de queixoso. Os ingleses, vítimas da extorsão, não se queixaram. E o senhor Pinto de Sousa lá está, triunfante, agarrado ao poder como uma lapa infectada.

     

    Desde a primeira hora, o PS agarrou-se à Lei, à Justiça, aos tribunais, etc. O PS esqueceu-se da política, perante a miríade de razões políticas que apontam o senhor Pinto de Sousa como indigno do lugar que conquistou à custa de inimagináveis promessas e aldrabices. E o senhor Pinto se Sousa lá ficou, agarrado ao poder.

    O PS, politicamente, não reagia, o que, dada a evidente perda de dignidade institucional de que foi objecto sob a batuta de Pinto de Sousa, não será de estranhar. O mesmo se não pode dizer do Presidente da República, cuja indiscutível integridade pessoal parece não chegar à política.

    Um dos mais altos representantes da moral pública, o senhor Marques Mendes, ao contrário do que fizera para efeitos internos, a este respeito está, há cinco anos, calado como um rato mudo.

    O BE, que motivou e comandou a comissão de inquérito, gritou, histérico, o que acima se disse: o PM disse o contrário da verdade, que bem sabia, mas não mentiu!

    O PC tratou sempre o senhor Pinto de Sousa com luva branca, isto é, sempre se recusou a tirar consequências políticas dos acontecimentos.

    Do CDS nem se fala. Agarrado à “legalidade”, meteu a política no frigorífico. Tal e qual como o PS.

    O PSD, pela sábia mão do impossível ilhéu, impediu que a última réstia de elementos da prova disponíveis e autorizados por quem de direito fossem usados no caso PT/TVI. Depois, pela não menos sábia mão do Dr. Passos, toda a parafernália de razões políticas para mandar o perniciosíssimo PM para casa foi esquecida, em nome… não se sabe de quê.

     

    Razão tinha o senhor Pinto de Sousa quando falava de conspirações, ou equivalente. Houve, na verdade, uma formidável conspiração em que todos participaram e participam: a que levou à anulação política de todos os “feitos” do senhor Pinto de Sousa.

     

    E ele lá continua agarrado ao poder, qual lapa mal-cheirosa e pútrida.

     

    28.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • HÁ SEGREDOS E SEGREDOS

     

    O DN, jornal oficioso do governo e propriedade do “amigo Oliveira”, publica, com parangonas de primeira página, o relatório final da PJ sobre o caso Freeport.

    Ao mesmo tempo, anuncia que, amanhã, acaba o segredo de justiça, implicitamente confessando que está a violá-lo. A não ser que seja legítimo revelar na véspera, não o sendo dois dias ou três meses antes.

    Mais provável ainda é que, sendo o DN, como é óbvio, credor do apoio governamental, ache que, como no caso dos emails roubados, está acima de minhoquices legais como o segredo de justiça e o sigilo da correspondência, coisa óptimas para condenar os tipos do “Sol”, mas não aplicáveis a servidores das “autoridades”.  

     

    Querem saber porque, desta vez, o DN é o primeiro a avançar com a “caxa”? Eu explico: é porque o senhor Pinto de Sousa ficou de fora da investigação. O DN apressa-se a dar às fiéis massas a notícia da formidável honestidade do PM, agora e quando era ministro do ambiente.

    Esquecem-se de alguns pequenos detalhes, detalhes que, num país com alguma consciência cívica, seriam mais que suficientes para que fossem os próprios membros do partido que o pôs lá a dar-lhe um pontapé no rabo, isto para não falar das evidentes obrigações do Presidente da República e dos partidos da oposição a este respeito.

    Os factos são claríssimos. Houve, no licenciamento do Freeport, tramóia, e da grossa. Segundo a polícia, não há dúvida que houve dinheiros a rodos, além de uma nebulosa de traficâncias difíceis de deslindar. Houve uns tipos que depositaram, em dinheiro, verbas astronómicas – cem e duzentos mil euros, segundo o relatório – sendo que declararam que se tratava de heranças, provavelmente provenientes do colchão da avó – ou de outras extraordinárias formas de entregar aos bancos importâncias daquelas.

     

    Há mais, mas fiquemos por aqui.

     

    Quem mandava, em última instância, naquela malta toda? Quem tinha jurisdição na matéria? O senhor Pinto de Sousa, é evidente. Tenha ou não tenha recebido umas massas, os factos politicamente relevantes aí estão, claros como a água pura das nascentes.

    Mas ninguém liga bóia e até é capaz de haver gente tão cega ou tão estúpida que ache que o senhor Pinto de Sousa é um gajo porreiro, pá.    

     

    Com os meus agradecimentos ao DN, por ter exposto os factos tão claramente.

     

    26.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O CADÁVER QUE SE ADIA

     

    Para quem tivesse dúvidas acerca da necessidade urgente de uma revisão constitucional, aí estão as “indignadas” reacções do PC, do BE, do PS, do CDS e até de algumas figuras do PSD à proposta do Passos. Estas melgas agarram-se ao cadáver adiado da Constituição, sem querer perceber, nem a sua inevitável obsolescência, nem os prejuízos que nos causam as loucuras “de Abril” lá constantes, nem que, se quisermos sair do buraco, ou a mudamos ou a ignoramos.  

     

    Do lado do PC e do BE, percebe-se. A Constituição ainda contém os germes do socialismo comunista. Bastaria que os direitos das pessoas, nela ínsitos, fossem interpretados “autenticamente”, isto é, à luz do seu preâmbulo, para que, se esta gente subisse ao poder, não precisasse de nova constituição para alicerçar um regime de ditadura de tipo soviético, ou cubano, ou trotzquista. O socialismo anti-democrático seria instituído porque, segundo a Constituição, é ele o principal objectivo do Estado. Como tal, sobrepor-se-ia a tudo o resto, mediante simples interpretação “extensiva” dos seus “princípios”.

    Da parte do PS, dominado que anda pela profunda e irremediável estupidez do PM e por gente do calibre do Vitalino, do Pereira e do Silva, também não há que estranhar. Tratando-se de fazer oposição à oposição, vale tudo, todas as diatribes, todos os ataques, todas as demagogias.

    No que a certas figuras do PSD diz respeito, já é mais difícil de perceber. Começaram aos gritos antes do Conselho Nacional dedicado ao assunto, o que nos diz que o culto da personalidade própria se sobrepõe aos interesses do partido e do país. Passado o tal Conselho, votados os prós e os contras, há quem continue a parlapatar. É a permanente desgraça do PSD.

    Quanto ao Portas (Paulo), valha-me Santa Pancrácia!, perdeu uma boa ocasião para ficar calado e veio, qual Mário Soares, interpelar o “liberalismo” de que enferma a proposta do Passos, como se houvesse algum liberalismo na proposta do Passos.

    “O projecto do PSD revela grande extremismo”, bolsa o inacreditável Santos Silva. Que pena que não se vá entretendo com a tropa e volte à ribalta da asneira, sua catedrática especialidade!

     

    O IRRITADO concede razão aos críticos no que à história do Presidente diz respeito. Deixem-no estar como está, que já é bastante mau como está.

    O IRRITADO revolta-se contra a peregrina ideia da regionalização. Retalhar o país? Criar uma nova classe política? T’arrenego!

    Mas, de resto, senhores!, e as mudanças na Justiça? Acham que a Justiça está bem?

    E as mudanças na saúde, a proteger os que não têm dinheiro para a pagar? Acham que não está certo?

    E a história da “razão atendível”, grande cavalo de batalha dos comunistas, socialistas e portistas? Acham que o país vai a algum lado enquanto o mercado de trabalho não for posto a funcionar, enquanto a impropriamente chamada “segurança” continuar como objectivo da Nação ao mesmo tempo que é o incentivo número um para a má qualidade do trabalho e para a estagnação de quem trabalha?

    Acham mal que acabe a universalidade eleitoral do método de Hondt? Acham que não é preciso alargar a representatividade do parlamento?

     

    Muita gente acha. É esse, antes de muitos outros, o nosso problema. O PS, historicamente, leva sete anos para perceber seja o que for destas matérias. A demagogia esquerdóide é, para o PS, mais importante que a vida dos portugueses.

    Quando, daqui a uns anos, o PS perceber o que se passa à sua volta, virá, como já aconteceu, comer à mão do PSD.

    Será tarde. Mas que querem? É o que temos.

     

    24.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • TRÊS REPENTINAS NOVIDADES

     

    Logo de manhã, ao ligar a máquina – de que tenho andado afastado – sou presenteado pelo Sapo com três coisinhas dignas de comentário:

     

    I

     

    O Prof. Carmona foi ilibado de mais uma.

     

    O caloteiro pidesco e queixinhas chamado Fernandes, apesar de, desta como doutras vezes, ter levado no focinho, conseguiu provocar os efeitos que tanto desejava. Desta vez com o inteligentíssimo apoio do inefável justiceiro Marques Mendes.

    O pequenote veio em socorro do Fernandes. Fez cair a Câmara sem mais nem menos e lançou o PSD numa crise da qual ainda não se sabe bem como irá sair, se sair.

    A vigorosa “moral” (republicana?) do Mendes, aliada ao fervor policiesco do Fernandes, levou a que os lisboetas se vissem privados do trabalho de um homem honesto e bem-intencionado, cujo nome foi arrastado na lama por ordem do dito Mendes.

    Levou a que o Fernandes acabasse por ser promovido a vereador.

    Levou a que a coligação costo/roseto/fernandesca tomasse o poder.

    Levou a que Lisboa ficasse paralisada, a que as sarjetas ficassem mais entupidas, a que as ruas fossem, as que foram, pessimamente “arranjadas” por razões de urgência eleitoral.

    Levou a que, com as loas do Fernandes & Cª, o cais da Rocha fosse entregue ao vandalismo do Coelho, etc. …

    Levou a que nem um dos problemas da cidade fosse resolvido, bem pelo contrário.

     

    Palmas ao Mendes, que trabalhou incansavelmente para “suicidar” o PSD, palmas ao Fernandes, que subiu na vida à custa de processos nojentos, palmas ao Costa que vai, à custa de Lisboa, usando o poleiro para se promover a voos mais altos. Para a Roseta não há palmas poruqe ninguém sabe o que ela anda por lá a fazer.

     

    Quem perde somos nós, mas quem somos nós para estar para aqui com comentários?

     

     II

     

    “O governo prepara nova lei sobre as portagens nas SCUTs”.

    Anda nisto há não sei quantos meses. Já tomou quinhentas e duas decisões diferentes e contraditórias sobre a mesma questão. Já meteu trezentas e catorze vezes os pés pelas mãos.

    Já congeminou decretos e contra decretos, já anunciou prazos e novos prazos e novos prazos.

    Não sabe o que há-se fazer aos caloteiros que, por todo o país, se revoltam.

    Não sabe que as auto-estradas são as alternativas aos demais caminhos, não os demais caminhos que são alternativos às auto-estradas.

    Ainda não percebeu que não há dinheiro para pagar pelo menos parte das auto-estradas, a não ser que sejam os utentes a pagá-las.

    Não sabe fazer as contas, ou não quer fazê-las, para mostrar às pessoas que, mesmo pagas, as viagens nas auto-estradas são mais baratas do que as de quem as usa que as ditas “alternativas”, que não o são, como acima se refere.

    O ministro das obras públicas, que foi lá posto para fazer obras públicas, não faz obras públicas novas, nem faz a mais leve sombra de ideia de como se resolve os problemas das velhas.

     

    É neste mar de incompetência, de saloiice, de ineficácia, de mera estupidez, de ridículo, de enganos, de irresponsabilidade, de trapalhadas e trapalhices, que vivemos há cinco anos.

     

    Só não se percebe é porque há quem, tendo a faca e o queijo na mão, hesite em pôr esta gente na rua.

     

    III

     

    Com enorme gozo, é anunciado que o chamado professor Queirós é capaz de vir a ser despedido “com justa causa” por ter sido malcriado com uns doutores que foram interromper os treinos da selecção com o nobre intuito de pôr os jogadores a fazer xixi para uma proveta, a fim de “fiscalizar” o uso de substâncias “dopantes”.

    Acusa-se o Queirós de ter sido malcriado, quiçá ordinário com tal gente.

    É de perguntar aos meus leitores o que fariam na posição do Queirós se, como ele e a selecção, fossem objecto de tal e tão patriótico impulso. Como reagiriam ao ser vítimas da sanha fiscalizadora destes burocratas armados em médicos e em moralistas?

     

    O IRRITADO não tem dúvidas. Ser fosse com ele, não só insultava os canalhas como os corria a pontapé.

     

    24.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CENAS DA VIDA SOCIAL

     

    O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores que não percam, se aparecer no youtube – vai aparecer com certeza – uma cena, ontem passada num canal qualquer, em que dois socialistas, um do PS outro (comunista) do BE – se travaram de razões.

    Para quem está com problemas existenciais ou se sente abatido pela canícula, nada melhor que um filme cómico como este, a meter os marretas num chinelo e o Laurel & Hardy a milhas.

    Vale a pena.

     

    Um tal Monteiro (PS) e um certo Teixeira (BE) entraram em refrega, mais ou menos nestes termos:

     

    – Você disse que blóbló – verbera o Teixeira.

    – Eu não disse que blóbló- riposta o Ribeiro.

    – Não me interrompa!

    – Não diga o que eu não disse.

    – Você disse que blóbló.

    – Não disse não senhor. Não o autorizo a dizer que eu disse o que não disse.

    – Estou no uso da palavra! Não admito que me interrompa!

    – Então não diga que eu disse que blóbló, porque eu não disse que blóbló!

    – Disse sim senhor!

    – Não disse não senhor!

    – Ó minha senhora, mande calar este tipo que não me deixa falar, porque disse que blóbló e diz que não disse.

    – Pois claro que não disse, e se você quer falar tem que dizer que eu não disse que blóbló porque eu não disse que blóbló.

    – Nem pense, você disse que blóbló!

    – Não disse que blóbló. Você é malcriado.

    – Você é que é. E disse que blóbló!

    – Nunca disse tal coisa. Você é um ordinário, um desgraçado, um aldrabão!

    – E você não é um democrata. Não merece estar aqui, e disse que blóbló.

    – E ele a dar-lhe. Ordinário! Eu nunca disse que blóbló.

    – Olhe, sabe que mais, eu não falo com gajos que dizem que blóbló e dizem que não disseram que blóbló.

    – Então não fale. Ponha-se a milhas!

    – É isso mesmo! Vou-me embora!

     

    Nervosíssimo, o Teixeira arranca o microfone da lapela, levanta-se tremebundo, suado, espumante, e retira-se dignamente.

     

    O IRRITADO pede desculpa pela pouco fiel transcrição do ocorrido, uma pálida e desfocada imagem da degradação do cómico a que assistiu.

    Pensem no diálogo supra com os dois díscolos a berrar ao mesmo tempo, um em cima do outro, sem tréguas, sem parar.

    Pensem na menina encarregada de moderar o debate e imaginem-na a fazer xixi pelas perninhas abaixo, à rasca por causa do emprego.

    Pensem no gozo extremo e desabalado dos demais circunstantes, um socialista do PC, um social-democrata do PPD e um democrata-social do PP.

    Todos sociais à brava, todos extremosos defensores do estado social. Todos sem fazer a mais remota ideia de como se paga tal coisa, para a qual todos querem mais dinheiro.

    Eu também gostava que houvesse mais dinheiro para a coisa e também não faço ideia de onde o ir buscar.

    O problema é das galinhas, acho eu. É preciso pôr as galinhas a expelir mais ovos, sem os quais estes sociais todos, por mais que esgravatem, não conseguem fazer omeletas. Eu também não.

     

    20.7.10   

     

    António Borges de Carvalho