IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O CADÁVER QUE SE ADIA

 

Para quem tivesse dúvidas acerca da necessidade urgente de uma revisão constitucional, aí estão as “indignadas” reacções do PC, do BE, do PS, do CDS e até de algumas figuras do PSD à proposta do Passos. Estas melgas agarram-se ao cadáver adiado da Constituição, sem querer perceber, nem a sua inevitável obsolescência, nem os prejuízos que nos causam as loucuras “de Abril” lá constantes, nem que, se quisermos sair do buraco, ou a mudamos ou a ignoramos.  

 

Do lado do PC e do BE, percebe-se. A Constituição ainda contém os germes do socialismo comunista. Bastaria que os direitos das pessoas, nela ínsitos, fossem interpretados “autenticamente”, isto é, à luz do seu preâmbulo, para que, se esta gente subisse ao poder, não precisasse de nova constituição para alicerçar um regime de ditadura de tipo soviético, ou cubano, ou trotzquista. O socialismo anti-democrático seria instituído porque, segundo a Constituição, é ele o principal objectivo do Estado. Como tal, sobrepor-se-ia a tudo o resto, mediante simples interpretação “extensiva” dos seus “princípios”.

Da parte do PS, dominado que anda pela profunda e irremediável estupidez do PM e por gente do calibre do Vitalino, do Pereira e do Silva, também não há que estranhar. Tratando-se de fazer oposição à oposição, vale tudo, todas as diatribes, todos os ataques, todas as demagogias.

No que a certas figuras do PSD diz respeito, já é mais difícil de perceber. Começaram aos gritos antes do Conselho Nacional dedicado ao assunto, o que nos diz que o culto da personalidade própria se sobrepõe aos interesses do partido e do país. Passado o tal Conselho, votados os prós e os contras, há quem continue a parlapatar. É a permanente desgraça do PSD.

Quanto ao Portas (Paulo), valha-me Santa Pancrácia!, perdeu uma boa ocasião para ficar calado e veio, qual Mário Soares, interpelar o “liberalismo” de que enferma a proposta do Passos, como se houvesse algum liberalismo na proposta do Passos.

“O projecto do PSD revela grande extremismo”, bolsa o inacreditável Santos Silva. Que pena que não se vá entretendo com a tropa e volte à ribalta da asneira, sua catedrática especialidade!

 

O IRRITADO concede razão aos críticos no que à história do Presidente diz respeito. Deixem-no estar como está, que já é bastante mau como está.

O IRRITADO revolta-se contra a peregrina ideia da regionalização. Retalhar o país? Criar uma nova classe política? T’arrenego!

Mas, de resto, senhores!, e as mudanças na Justiça? Acham que a Justiça está bem?

E as mudanças na saúde, a proteger os que não têm dinheiro para a pagar? Acham que não está certo?

E a história da “razão atendível”, grande cavalo de batalha dos comunistas, socialistas e portistas? Acham que o país vai a algum lado enquanto o mercado de trabalho não for posto a funcionar, enquanto a impropriamente chamada “segurança” continuar como objectivo da Nação ao mesmo tempo que é o incentivo número um para a má qualidade do trabalho e para a estagnação de quem trabalha?

Acham mal que acabe a universalidade eleitoral do método de Hondt? Acham que não é preciso alargar a representatividade do parlamento?

 

Muita gente acha. É esse, antes de muitos outros, o nosso problema. O PS, historicamente, leva sete anos para perceber seja o que for destas matérias. A demagogia esquerdóide é, para o PS, mais importante que a vida dos portugueses.

Quando, daqui a uns anos, o PS perceber o que se passa à sua volta, virá, como já aconteceu, comer à mão do PSD.

Será tarde. Mas que querem? É o que temos.

 

24.7.10

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “O CADÁVER QUE SE ADIA”

  1. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Então não refere o seu querido Santana Lopes?Acha que ele virou um perigoso esquerdalho?

    1. Então, qual o resultado do teste de ADN?

  2. Longe de mim, querer chover na parada do Irritado – a quem dou imensa razão em muito deste post – mas… é suposto agora acreditarmos, que será o PSD a implementar tantas e boas medidas, quando for governo? É suposto passarmos a acreditar no Passos – aquele dos tangos calculistas, e das desculpas pífias – quando inevitavelmente o TACHO rodar do PS para o PSD, nas próximas eleições (antecipadas ou não)? Quero acreditar que sim, e que os BOYS não vão passar a vestir laranja, e que estas propostas – manifestamente insuficientes – são apenas o prelúdio dum país melhor, realmente mudado, menos subserviente a interesses, compadrios, Ângelos Correias e Miras Amarais, Vitorinos e Pinas, maçonarias, Opus Deis e Gays. Mas tenho – como dizer – certa desconfiança: sou picuínhas. Lembro-me sempre dos últimos 30 ANOS, e, estranhamente, desconfio. Amanhã vou a Belém, talvez ver a Múmia Cavaca me tranquilize, e reforce a minha confiança neste grande partido.

  3. Muito se tem falado nestes dias da proposta de revisão constitucional do PSD.Seja na TV, na rádio ou em jornais aparentemente poucos são os que a defendem mas por outro lado parece sempre haver alguém disposto a criticar seja qual for o quadrante político (como é costume acontecer quando se fala do PSD) mas o problema nem é esse.O problema é que o “debate” a que se vai assistindo parece mais uma conversa entre dois intelectualóides:- Será a salvação de Portugal!- Estamos em pré-campanha, é um péssimo momento!- Será o ponto de partida para o verdadeiro desenvolvimento de Portugal!- Falta à verdade. Isso é o símbolo da idade das Trevas que se abateria sobre o povo…- Vossa Excelência é que falta à verdade. – Não me interrompa!- Quem está constantemente a interromper-me é Vossa Excelência!- Lá está Vossa Excelência a faltar à verdade, outra vez.- Está a chamar-me de mentiroso?- Obviamente que não, apenas a faltar à verdade.- Ah, bom! Assim está melhor.- De que falávamos?- Caro amigo, já nem sei nem interessa. O realizador meteu intervalo…Intelectualóides à parte, não há nada melhor do que ir directamente à fonte (em .PDF):Constituição da República Portuguesahttp://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/constpt2005.pdfTexto do Anteprojecto do PSDhttp://www.inverbis.net/sistemapolitico/revisaoconstitucional2010-psd.html

  4. A propósito de Revisão Constitucional , tenho em minha opinião que é absolutamente desnecessária . É que, acho que para manta de retalhos, (tal como as Leis, Códigos de Justiça , Código Civil etc.) não é necessário qualquer revisão. De facto, o que é necessário, é acabar com as ditas e fazer uma nova Lei Fundamental no País, onde deixem de estar implícitos os fundamentos de uma pseudo-democracia onde só se pode ser socialista, republicano e agnóstico {ou ateu} (já para não acrescentar – Gay). Entendo que a limitação imposta por esta Pseudo-Lei fundamental, não só limita a amplitude de escolha e da visão do que se pode ser e escolher como também, por si só começa logo por ser uma contradição. Por mais que me esforce, não consigo entender como democracia algo que à partida nos impõe as escolhas possíveis e impede a possibilidade de alternância hipotética a outras que não sejam as que são as descritas por essa mesma “Lei Fundamental”. Também penso que é tão mau condicionar o exercício de opinião que seja conotado com a esquerda marxista (lembro o estado novo) como o é tomar a mesma atitude em sentido inverso (como actualmente). Isto, já para não falar da imposição de que em Portugal só se pode ser Republicano, tal como descreve e obriga a actual “Lei Fundamental”, apesar de esta instituição (República) se ter instalado no poder após as execuções do Rei em exercício e do seu primogénito, tendo-se dado continuidade a uma campanha lastimosa de crimes e de toda a ordem de acções vergonhosas, apadrinhadas pela maçonaria e com a execução de atrocidades do eu braço armado “a carbonária” e não terem a coragem de submeter a qualquer escolha ou opinião (por referendum ou votação) o sentido da vontade popular. A este propósito, saliento que em pleno exercício do Regime Monárquico os Republicanos (e outras ideias) nunca foram impedidos de se constituírem como tais e por isso puderam conspirar e programar o assassínio da família Real, com a comparticipação de muitos traidores e gananciosos de poder. Por ser assim, pergunto, por que razão é que é feita uma Revisão à uma Constituição, já toda esburacada, onde se receia que se pode ter uma opção que não seja a republicana? Sou o Francisco Luiz

  5. Tenho a sensação que a maioria dos comentadores vem para aqui dar uns “bitaites sobre a Constituição sem, alguma vez, a ter lido. E muito menos interpretado.É cada disparate que se lê!

  6. Recebi isto no meu mail:(POR CLARA FERREIRA ALVES)Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. (continua)

  7. (continuação)Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?Vale e Azevedo pagou por todos?Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu?Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.Este é o maior fracasso da democracia portuguesaClara Ferreira Alves – “Expresso”

    1. S/ Clara Ferreira Alves – Expresso Há muito que não lia um artigo tão imparcial e tão objectivo: focou imensas vergonhas que se passam neste país que, desde o 25 de Abril, ficou “a saque”, quando era suposto acontecer maior justiça social e económica. E os corruptos estão em todos os partidos que estiveram e estão no governo, após o 25 de Abril. Diria mais, os outros só não tiveram ainda oportunidade tal é o conceito que tenho desta classe. O mesmo se aplica à in )justiça que temos de aguentar, pelo menos até novo 25 de Abril, penso eu. De qualquer forma, os meus parabéns pela transcrição do artigo que, pelo menos, exprime um desabafo comum à maioria do povo português .

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