Para quem tivesse dúvidas acerca da necessidade urgente de uma revisão constitucional, aí estão as “indignadas” reacções do PC, do BE, do PS, do CDS e até de algumas figuras do PSD à proposta do Passos. Estas melgas agarram-se ao cadáver adiado da Constituição, sem querer perceber, nem a sua inevitável obsolescência, nem os prejuízos que nos causam as loucuras “de Abril” lá constantes, nem que, se quisermos sair do buraco, ou a mudamos ou a ignoramos.
Do lado do PC e do BE, percebe-se. A Constituição ainda contém os germes do socialismo comunista. Bastaria que os direitos das pessoas, nela ínsitos, fossem interpretados “autenticamente”, isto é, à luz do seu preâmbulo, para que, se esta gente subisse ao poder, não precisasse de nova constituição para alicerçar um regime de ditadura de tipo soviético, ou cubano, ou trotzquista. O socialismo anti-democrático seria instituído porque, segundo a Constituição, é ele o principal objectivo do Estado. Como tal, sobrepor-se-ia a tudo o resto, mediante simples interpretação “extensiva” dos seus “princípios”.
Da parte do PS, dominado que anda pela profunda e irremediável estupidez do PM e por gente do calibre do Vitalino, do Pereira e do Silva, também não há que estranhar. Tratando-se de fazer oposição à oposição, vale tudo, todas as diatribes, todos os ataques, todas as demagogias.
No que a certas figuras do PSD diz respeito, já é mais difícil de perceber. Começaram aos gritos antes do Conselho Nacional dedicado ao assunto, o que nos diz que o culto da personalidade própria se sobrepõe aos interesses do partido e do país. Passado o tal Conselho, votados os prós e os contras, há quem continue a parlapatar. É a permanente desgraça do PSD.
Quanto ao Portas (Paulo), valha-me Santa Pancrácia!, perdeu uma boa ocasião para ficar calado e veio, qual Mário Soares, interpelar o “liberalismo” de que enferma a proposta do Passos, como se houvesse algum liberalismo na proposta do Passos.
“O projecto do PSD revela grande extremismo”, bolsa o inacreditável Santos Silva. Que pena que não se vá entretendo com a tropa e volte à ribalta da asneira, sua catedrática especialidade!
O IRRITADO concede razão aos críticos no que à história do Presidente diz respeito. Deixem-no estar como está, que já é bastante mau como está.
O IRRITADO revolta-se contra a peregrina ideia da regionalização. Retalhar o país? Criar uma nova classe política? T’arrenego!
Mas, de resto, senhores!, e as mudanças na Justiça? Acham que a Justiça está bem?
E as mudanças na saúde, a proteger os que não têm dinheiro para a pagar? Acham que não está certo?
E a história da “razão atendível”, grande cavalo de batalha dos comunistas, socialistas e portistas? Acham que o país vai a algum lado enquanto o mercado de trabalho não for posto a funcionar, enquanto a impropriamente chamada “segurança” continuar como objectivo da Nação ao mesmo tempo que é o incentivo número um para a má qualidade do trabalho e para a estagnação de quem trabalha?
Acham mal que acabe a universalidade eleitoral do método de Hondt? Acham que não é preciso alargar a representatividade do parlamento?
Muita gente acha. É esse, antes de muitos outros, o nosso problema. O PS, historicamente, leva sete anos para perceber seja o que for destas matérias. A demagogia esquerdóide é, para o PS, mais importante que a vida dos portugueses.
Quando, daqui a uns anos, o PS perceber o que se passa à sua volta, virá, como já aconteceu, comer à mão do PSD.
Será tarde. Mas que querem? É o que temos.
24.7.10
António Borges de Carvalho

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