O DN, jornal oficioso do governo e propriedade do “amigo Oliveira”, publica, com parangonas de primeira página, o relatório final da PJ sobre o caso Freeport.
Ao mesmo tempo, anuncia que, amanhã, acaba o segredo de justiça, implicitamente confessando que está a violá-lo. A não ser que seja legítimo revelar na véspera, não o sendo dois dias ou três meses antes.
Mais provável ainda é que, sendo o DN, como é óbvio, credor do apoio governamental, ache que, como no caso dos emails roubados, está acima de minhoquices legais como o segredo de justiça e o sigilo da correspondência, coisa óptimas para condenar os tipos do “Sol”, mas não aplicáveis a servidores das “autoridades”.
Querem saber porque, desta vez, o DN é o primeiro a avançar com a “caxa”? Eu explico: é porque o senhor Pinto de Sousa ficou de fora da investigação. O DN apressa-se a dar às fiéis massas a notícia da formidável honestidade do PM, agora e quando era ministro do ambiente.
Esquecem-se de alguns pequenos detalhes, detalhes que, num país com alguma consciência cívica, seriam mais que suficientes para que fossem os próprios membros do partido que o pôs lá a dar-lhe um pontapé no rabo, isto para não falar das evidentes obrigações do Presidente da República e dos partidos da oposição a este respeito.
Os factos são claríssimos. Houve, no licenciamento do Freeport, tramóia, e da grossa. Segundo a polícia, não há dúvida que houve dinheiros a rodos, além de uma nebulosa de traficâncias difíceis de deslindar. Houve uns tipos que depositaram, em dinheiro, verbas astronómicas – cem e duzentos mil euros, segundo o relatório – sendo que declararam que se tratava de heranças, provavelmente provenientes do colchão da avó – ou de outras extraordinárias formas de entregar aos bancos importâncias daquelas.
Há mais, mas fiquemos por aqui.
Quem mandava, em última instância, naquela malta toda? Quem tinha jurisdição na matéria? O senhor Pinto de Sousa, é evidente. Tenha ou não tenha recebido umas massas, os factos politicamente relevantes aí estão, claros como a água pura das nascentes.
Mas ninguém liga bóia e até é capaz de haver gente tão cega ou tão estúpida que ache que o senhor Pinto de Sousa é um gajo porreiro, pá.
Com os meus agradecimentos ao DN, por ter exposto os factos tão claramente.
26.7.10
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário