O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores que não percam, se aparecer no youtube – vai aparecer com certeza – uma cena, ontem passada num canal qualquer, em que dois socialistas, um do PS outro (comunista) do BE – se travaram de razões.
Para quem está com problemas existenciais ou se sente abatido pela canícula, nada melhor que um filme cómico como este, a meter os marretas num chinelo e o Laurel & Hardy a milhas.
Vale a pena.
Um tal Monteiro (PS) e um certo Teixeira (BE) entraram em refrega, mais ou menos nestes termos:
– Você disse que blóbló – verbera o Teixeira.
– Eu não disse que blóbló- riposta o Ribeiro.
– Não me interrompa!
– Não diga o que eu não disse.
– Você disse que blóbló.
– Não disse não senhor. Não o autorizo a dizer que eu disse o que não disse.
– Estou no uso da palavra! Não admito que me interrompa!
– Então não diga que eu disse que blóbló, porque eu não disse que blóbló!
– Disse sim senhor!
– Não disse não senhor!
– Ó minha senhora, mande calar este tipo que não me deixa falar, porque disse que blóbló e diz que não disse.
– Pois claro que não disse, e se você quer falar tem que dizer que eu não disse que blóbló porque eu não disse que blóbló.
– Nem pense, você disse que blóbló!
– Não disse que blóbló. Você é malcriado.
– Você é que é. E disse que blóbló!
– Nunca disse tal coisa. Você é um ordinário, um desgraçado, um aldrabão!
– E você não é um democrata. Não merece estar aqui, e disse que blóbló.
– E ele a dar-lhe. Ordinário! Eu nunca disse que blóbló.
– Olhe, sabe que mais, eu não falo com gajos que dizem que blóbló e dizem que não disseram que blóbló.
– Então não fale. Ponha-se a milhas!
– É isso mesmo! Vou-me embora!
Nervosíssimo, o Teixeira arranca o microfone da lapela, levanta-se tremebundo, suado, espumante, e retira-se dignamente.
O IRRITADO pede desculpa pela pouco fiel transcrição do ocorrido, uma pálida e desfocada imagem da degradação do cómico a que assistiu.
Pensem no diálogo supra com os dois díscolos a berrar ao mesmo tempo, um em cima do outro, sem tréguas, sem parar.
Pensem na menina encarregada de moderar o debate e imaginem-na a fazer xixi pelas perninhas abaixo, à rasca por causa do emprego.
Pensem no gozo extremo e desabalado dos demais circunstantes, um socialista do PC, um social-democrata do PPD e um democrata-social do PP.
Todos sociais à brava, todos extremosos defensores do estado social. Todos sem fazer a mais remota ideia de como se paga tal coisa, para a qual todos querem mais dinheiro.
Eu também gostava que houvesse mais dinheiro para a coisa e também não faço ideia de onde o ir buscar.
O problema é das galinhas, acho eu. É preciso pôr as galinhas a expelir mais ovos, sem os quais estes sociais todos, por mais que esgravatem, não conseguem fazer omeletas. Eu também não.
20.7.10
António Borges de Carvalho

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