IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • MARAVILHAS DA MORAL REPUBLICANA

     

    Pacheco Pereira (o historiador, não o político) escreveu um artigo digno de nota, ou mais digno de nota que outros.

    Para quem, como o IRRITADO, quando escreve sobre as comemorações da “república”, prefere citar autores republicanos, César de Oliveira, Vasco Pulido Valente, etc., sempre historiadores sérios que, como tal, não podem deixar de dizer a verdade, é um consolo ver Pacheco Pereira opinar sobre a I república, confirmando, como qualquer pessoa minimamente isenta, as opiniões do IRRITADO a respeito de tão brutal desgraça.

     

    Diz ele, por palavras suas, que as actuais comemorações andam, pelo país inteiro, a injectar aldrabices pseudo-históricas na cabeça de criancinhas inocentes e de adultos crédulos e ignorantes. Não são comemorações da república em geral, mas da I república em particular. Coisa que, tem dito o IRRITADO, merece tudo menos ser comemorada.

    Os filhos da viúva que ainda por aí vegetam, os jacobinos que ainda não deram pela obsolescência própria, os mários soares, os alegres & companhia, esperneiam que nem porcos no dia da matança, a gritar que a II república não foi uma república, que esta é a segunda, não a terceira, e outras concomitantes bacoradas “históricas”.

     

    Vejamos algumas das constatações da realidade histórica, escritas por Pacheco Pereira, historiador.

    O que se anda para aí a comemorar, diz ele, é a I república, “através da imagem laudatória e mítica que se fixou nos anos de oposição ao regime do Estado Novo”. E continua, na senda do que o IRRITADO não se tem cansado de dizer: “o regime de Salazar e de Caetano não só foi republicano na forma, como o foi muitas vezes mais do que na forma, na essência, sendo que a Salazar se deve o fim da querela república-monarquia que até aos anos 50 se mantinha viva. Só que era outro tipo de republicanismo, não o que estamos a comemorar.”

    A I república, diz Pacheco Pereira como o IRRITADO tem dito, “era intolerante, pouco democrática, anti operária, anti sindicalista, tão corrupta como todos os regimes, tinha uma clientela venal e convivia bem com milícias violentas bem como com o embrião de uma polícia política, a partir da qual a própria PVDE, depois PIDE, depois DGS, evoluiu. Havia eleições, mas dificilmente se podem considerar mais que um simulacro… num sistema que funcionava na base do clientelismo e do patrocinato, a favor do Partido Democrático… Havia mais censura do que se imaginava e as perseguições políticas eram comuns, assim como o número de presos e de deportados… assassinatos políticos, em particular a célebre noite sangrenta…”.

    O Estado Novo (a II república), segundo Pacheco, “instituiu todas as formas de violência”. O constitucionalismo monárquico, “que os republicanos ajudaram a denegrir era, esse sim, muito mais tolerante que a I República. Basta ler As Farpas… os Pontos nos is, o António Maria, a Paródia, para o perceber.”

     

    Só falta a Pacheco Pereira, como bom republicano, chegar à conclusão lógica do seu pensamento: a república, tanto na sua primeira como na sua segunda versão, não é coisa que se comemore, mas que se abomine.

     

    “… convém não nos iludirmos, diz Pacheco… (quanto a que) as comemorações deste ano conseguiram ultrapassar de forma significativa a visão do republicanismo maçónico e jacobino, preso à mitificação da I república, e sem perspectiva crítica”.

     

    Pacheco fecha o escrito com um “Viva a República!”, o que só nos diz até que ponto um republicano sério pode sê-lo sem recorrer às aldrabices institucionalizadas em que um país inteiro se vê mergulhado durante o ano inteiro.    

     

    19.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CONSTITUCIONALMENTE FALANDO

     

    Algo está errado na opereta da república.

     

    Jerónimo, chefe do partido que mais resistiu à limitação dos poderes presidenciais operada em 1982, época em que os reformadores constitucionais retiraram ao PR o poder de demitir o governo, vem agora dar gritos de socorro “pela democracia”, que está a “ser posta em causa” porque Passos parece querer restaurar tal poder.

     

    Passos, com tanta coisa que há a mudar na Constituição, foi lembrar-se do que menos interessa, a presidencialização do regime.

     

    Santana, que sempre foi contido nas críticas externas às atitudes dos líderes do seu partido, aparece na imprensa a condenar Passos em vez de lutar contra a peregrina ideia do chefe nas instâncias próprias, em que tem lugar cativo.

     

    Em relação ao primeiro, o IRRITADO mais não diz senão que, como está provado, ouvir um comunista a falar em democracia é o mesmo que ouvir uma ratazana a cantar ópera.

     

    No que ao segundo diz respeito, o IRRITADO apela ao bom senso. Há muita coisa a fazer em matéria constitucional.

    Antes de mais, é preciso tirar de lá o socialismo obrigatório.

    É importante, do ponto de vista da mais elementar lógica, definir Portugal como Nação, não como república.

    É indispensável acabar com a “ditadura” do método de Hondt e procurar formas mais pragmáticas de eleger a representação nacional.

    Devia ser doutrinária a conceptualmente obrigatório tratar de diminuir o número de deputados e criar uma câmara alta equilibradora dos poderes, à semelhança dos regimes democráticos europeus com maior experiência e melhor funcionamento.

    Deviam acabar os “limites materiais” de revisão constitucional, coisa estúpida e paralisante; basta a maioria qualificada para que limites existam.

    Os direitos das pessoas, tão vastos quanto miríficos, deviam ser despidos de ideologias e tornar-se verdadeiramente democráticos e praticáveis.

    A Justiça devia ser tornada mais independente e, paradoxalmente se quiserem, mais “controlada”.

    A regionalização devia deixar de ser um objectivo constitucional, provado que está à saciedade que um país da dimensão do nosso e com as nossas tradições não tem condições para se retalhar nem para sustentar mais uma classe política, ou administrativa. Os municípios que se unam, se quiserem, em face de cada objectivo comum.   

    E assim por diante. Que Passos pense nisto, em vez de fabricar fogachos.            

     

    Quanto ao terceiro, bom será que trate de influenciar o PSD com as suas ideias, que são muitas e quase todas muito boas, em vez de andar para aí armado em Marcelo. Que se lembre do que lhe fizeram e não faça o mesmo aos outros, ainda que com razões que os outros não tinham.

     

    18.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ALTERNATIVAS

     

    A comédia das SCUTS vai no quinquagésimo acto, ou coisa que o valha.

    O senhor Pinto de Sousa percebeu, ao fim de cinco anos, que não há outro remédio senão taxá-las, acabando com a loucura ou a estupidez das fantasias do Cravinho. Como o PM é salta-pocinhas e o governo já não existe, a trapalhada é tal que já ninguém percebe o que lhes vai na cabeça, se é que vai alguma coisa. Entretanto, as dívidas aumentam, a malta da rua não vai para casa, as “negociações” não vão a parte nenhuma, e tudo continua na mesma, ou pior.

     

    Uma coisa há que faz uma confusão dos diabos ao IRRITADO: a peregrina história das alternativas. Parece ser “filosofia nacional” que só se pode taxar as auto-estradas se houver “alternativas”.

    Pois. Então, se não há alternativas à auto-estrada que vai de A para B, como é que, antes de haver auto-estrada, as pessoas iam de A para B? A pé? Parece que não. Se iam, é porque havia “alternativas”. Como as “alternativas” não eram boas, fizeram-se as auto-estradas – e estes tipos ainda querem fazer mais.

    Mas as “alternativas” lá estão. Quem quiser ir de A para B pode continuar a ir por onde ia antes. Com mais curvas, menos segurança, mais quilómetros, mais gasolina gasta, mais desgaste dos veículos, etc. Ou vai pela verdadeira alternativa, que são as auto-estradas. Poupa naquelas coisas todas a troco de uma portagem. É tão simples quanto isto.

    Os senhores que andam aos gritos contra as portagens que actuem como antes, isto é, desloquem-se pelas “alternativas” que, boas ou más, lá estão. Não precisam de pagar portagem.

     

    Isto de quererem agarrar no pé a quem lhes dá a mão… raisparta se se percebe!

     

    18.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PONHAM-SE A PAU!

    A ilustríssima filha do Che Guevara, um dos maiores canalhas do século vinte, anda hoje em actividades bem mais pachorrentas que as do senhor seu pai. É funcionária do aquário de Havana e foi visitada pelo “comandante”, aquele gajo que, se bem me lembro, conseguiu transformar um país miserável e injusto noutro ainda mais miserável e mais injusto.

    O “comandante” anda pela terrinha a fazer prova de vida. Ressuscitou dos problemas que teve nas tripas e, mal abriu o olho, achou que as coisas, nas mãos do mano, estavam a escorregar perigosamente.

    As tripas estavam melhor clinicamente mas, em matéria de política, deviam estar a enrodilhar-se todas com as liberdades que o Raul andava a dar ao pagode. Autorizar as gentes a comprar uma torradeira! Dar-lhes hipóteses de ter um micro-ondas! O Raul deve estar doido!

    Quando o fulano, após negociações com a Santa Madre Igreja, libertou 52 presos políticos, o “comandante” estoirou!

    Dar ao povo instrumentos de corrupção capitalista, de que a torradeira e o micro-ondas são instrumentos de eleição? Enfim… vá lá. Mas entrar em negociações como os propagandistas do ópio do povo? Libertar essa gentalha que tem o desplante de não concordar comigo? É demais.

    E lá veio o “comandante” dizer às gentes que está vivo.

    Entenda-se a mensagem: se o Raul não se põe a pau ainda mando a filha do Che seguir o exemplo do papá e cortar-lhe as goelas.

     

    Com o “comandante”, mesmo mal da tripa, não se brinca!

     

    A ver vamos, que é assim como dar o benefício da dúvida a quem o não merece.

     

    18.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • QUATORZE JUILLET

     

    As datas comemorativas, mais do que o se passou na que lhes deu origem, têm o valor que as pessoas lhes atribuem.

     

    Comemora-se hoje a chamada queda da Bastilha. À prisão da Bastilha atribui-se o valor de odiado símbolo do ancien regime, tenebrosa prisão onde o peuple era encerrado, acorrentado e faminto, pela simples razão de ser peuple.

    E, no entanto… No entanto, no 14 de Julho de 1789, havia cinco presos na Bastilha, quatro dos quais aristocratas, um plebeu, todos criminosos de delito comum.

    O comandante da Bastilha, perante a fúria da imensa populaça que por ali se juntara, viu-se na contingência de negociar com ela, a fim de evitar a destruição do monumento. Dessa negociação resultou um acordo rezando que, em troca da libertação dos presos, os atacantes se comprometiam a não destruir o edifício e a poupar a guarnição. O resultado foi que os criminosos que estavam na cadeia foram à sua vidinha, os paióis da Bastilha detonados, a torre arrasada e mortos o comandante e a guarnição.

     

    Depois, foi o que se sabe. O Roi Louis viria a ser decapitado, etc. e tal. Anos e anos de terror republicano, a fazer inveja aos mais violentos torcionários do ancien regime.

    Até que, corolário de voltas e reviravoltas, havia de vir o Imperador corso lançar a Europa num banho de sangue.

    Passado mais de um século, nasceria em França a democracia moderna, de que os franceses se gabam autores sem curar que foram os ingleses quem a inventou séculos antes, e a custos humanos gigantescamente inferiores.

     

    Um bom símbolo dos sentimentos que inspiraram a coisa é a, ainda vivíssima, “Marselhesa”. Os féroces soldats qui viennent… égorger nos fils et nos compagnes não são, que ideia, os ingleses ou quejandos. São os próprios franceses, os que não aderem à révolution, os que são menos citoyens que os outros. E os nobres desejos dos revolucionários são os de ver o sangue de tal gente, seus compatriotas, versé dans les sillons.

     

    Ao longo dos anos, os símbolos vão adquirindo um sentido que, posso admitir, já não tem a ver com a história que lhes deu origem.

    Não deixam às vezes de ser, em termos de História, uma nojeira total.

     

    14.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O GRANDE VIAJANTE

     

    Olhem bem para isto:

     

    O camarada Tavares (Rui), mui ilustre deputado do partido comunista que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, desce das altas esferas do Parlamento Europeu para, por escrito, nos dar conta das dificuldades que teve, coitado, para andar a par do campeonato de futebol.

     

    Antes de mais, confessa, e passo a citar, “vi este mundial entre aeroportos e hotéis”.

    Em Bruxelas, só ficou a par da derrota da Itália via Internet. Que maçada!

    O Portugal/Coreia do Norte, pobre dele, “Vi-o num intervalo para almoço” (presume-se que não almoçou, o infeliz) e só até aos 4-0. Depois, quando estava reunido com a oposição de Singapura (!!!), lá houve uma alma caridosa que o informou “que o resultado tinha chegado aos sete”.

    Um Dinamarquês trotzquista que o viu num corredor perguntou-lhe: “como é que puderam fazer isto aos camaradas norte-coreanos?” Esta é uma das partes mais importantes do depoimento do deputado comunista. É que, logo a seguir, declara que se tratava de ironia do dinamarquês, uma vez que “os trotzquistas não gostam do regime de Kim Jong-il”. Havia que safar de qualquer suspeita o camarada Louça, ferrenho trotzquista como é sabido, a fim de que o ilustre deputado se não arriscasse a cair em desgraça na organização.

     

    Depois… depois aí temos um esplendoroso frequent traveller, um cosmopolita, um homem sem fronteiras.

    Calcule-se que viu metade do Portugal/Brasil “num carro do aeroporto”(?) e a outra metade “num hotel em Atenas”.

    Mais. O fantástico senhor só conseguiu ver o Portugal/Espanha noutro quarto de hotel, desta vez em Washington”. E só a segunda parte! Que infelicidade!

    Quando chegou ao aeroporto (não se sabe de onde) “estava no prolongamento do EUA-Gana”. Que tristeza! Só o prolongamento!

    Junte-se a isso, ó desgraça, que não conseguiu ver a final como queria. Sabem porquê? Estava no aeroporto (de onde?), numa sala de embarque, à espera de um avião que se tinha atrasado.

     

    Aqui temos o que é um comunista saloio, deslumbrado com as viagens que lhe pagamos, a gabar-se de ser um globetrotter de primeira grandeza.

    Faz lembrar aquele artigo da dona Clara Ferreira Alves (outra distinta inflorescência da esquerda nacional) dedicado pela senhora a denunciar a dureza da vida da sua manicure, a qual, escrevia en passant, a tratava por “senhora doutora”. Uma mensagem tão cristalina como a do Tavares.

     

    13.7.10   

     

    António Borges de Carvalho

  • FUTEBOLADAS

    Há mais de uma hora, assisto à espanholada em festa. Já cortei o pio à coisa, na baldada esperança que o tempo acabe com ela.

    A estação que me costuma acompanhar ao serão – a SIC Notícias – no cumprimento de estúpido hábito, enche-me os serões de Domingo e de 2ª feira com intermináveis futebolices.

    Eu, que até gosto de futebol, fico piurso. Como as alternativas, a começar pela RTP, são, em regra, uma porcaria, depois de fazer as palavras cruzadas acabo aqui, sentadinho, a debitar irritações.

     

    Resolvi, à revelia do encantamento universal, “analisar” o nosso vizinho campeão.

    Antes de mais, viu-se à rasca. Perdeu com a Suiça. Ganhou, mais ou menos à tangente, a uns rapazes sem grandes ambições. Depois, foi o que se viu:

    Ganhou-nos por um a zero, com inúmeros favores do árbitro, incompetente ou bem pago, sendo o golo da vitória indiscutivelmente ilegal na opinião de toda a gente menos da FIFA e de um árbitro nacional que ganha umas massas a orar bocas na televisão.

    Voltou a ganhar um a zero a todos os outros, o que muito diz sobre o genial futebol da selecção do império castelhano. Um a zero mais um a zero mais um a zero mais um a zero, não perfaz quatro a zero.

    Não merecia ganhar ao Paraguai, nem à Alemanha. Com a Holanda, é discutível que merecesse um “ex-aequo”.

    Ou seja, o inteligentíssimo, o extraordinário, o maravilhoso futebol da selecção do país vizinho, foi levado à glória pela sorte própria, pela má sorte dos outros e pelos árbitros.

    O resto é conversa.

     

    A nacional opiniosa gente não hesita em alinhavar os mais rasgados elogios a quem ganhou, como os teceria a quem perdeu, se quem perdeu tivesse ganho.

    Vae victis, é o que se vê. O fadismo doméstico entretém-se a pôr culpas ao Queirós. Como dantes as punha ao Felipão. Como porá a todos os que não fiquem em primeiro*.

    Culpas de quê? Como se, ao mesmo tempo que se grita que os espanhóis são os melhores do mundo, fosse alguma vergonha ter perdido com eles, só com eles, ainda por cima com um golo aldrabonamente oferecido pelo árbitro e pelo bandeirinha, a quem o alarve do Maradona até chamou Boccelli, ou seja, ceguinho.

     

    Vivemos aqui, não noutro lado. Até gostamos disto. O problema é que não sabemos onde ir buscar seja o que for que nos safe. Como se ter ficado entre os 16 melhores do mundo (entre cento e tal), como se ser corridos por um árbitro, ou incompetente ou a soldo de Castela, fosse vergonha para alguém ou razão para perseguir o tipo que lá nos levou.

    Acrescente-se que sou “independente”, isto é, que não conheço o senhor Queirós de parte nenhuma nem tenho por ele outra estima que não seja a de ter feito o que fez.     

     

    12.7.10 (23,50)

     

    António Borges de Carvalho

     

    * Esperemos com calma a diatribe do Tavares (Sousa) no “Expresso” do próximo Sábado.

  • DINHEIRO A RODOS

     

    As finanças concederam a “última”, dizem elas, garantia à CGD para que esta meta mais mil milhões no BPN.

    Já lá vão cinco mil milhões, que o Estado garante a si próprio para acudir aos problemas de tesouraria do banco dos trafulhas.

    Por outro lado, o BCP, outra flor do jardim do Estado (há quem diga que com a borda debaixo de água), comprou a operação do BPN em França, desta vez sem que sejam públicos os milhões envolvidos, certamente por pudor.

    Em duas palavras, as finanças do Estado, enquanto o país vai apertando o cinto, continuam a ser vítimas da “gestão” socialista. Ainda que toda a gente saiba onde isto vai parar, não há quem se revolte. Nem o Presidente, nem o companheiro Coelho (Passos), por exemplo, acham que estas coisas merecem reparo.

    Somemos a estes milhões os que o Estado impediu a PT de receber, simultaneamente impedindo que a dita amortizasse a sua monumental dívida e que os bancos, com a corda na garganta, recebessem uns cacaus que teriam, sem nenhuma dúvida, um efeito dinamizador no financiamento da economia.

    Só nestes dois casos, vão doze mil milhões de euros. Excelente!

     

    Entretanto, o BPN, em vez de estar fechado há dois anos, como devia, e indemnizados os seus depositantes como é de lei, continua a operar como se nada fosse.

    A PT, muito caladinha, continua a dever milhares de milhões.

    A economia continua no respectivo buraco.

    O Estado está hoje mais arruinado que ontem e estará amanhã mais arruinado que hoje.

    O governo continua a desgovernar, o senhor Carvalho da Silva a dizer baboseiras, o Dr. Soares a invectivar os seus fantasmas, o senhor Alegre a ribombar inanidades, o senhor Louça a aldrabar as massas, o senhor Jerónimo a parir cassetes, o senhor Portas (Paulo) à espera de melhores dias e o senhor Coelho (Passos) a desgastar-se, sem perceber que quanto mais tarde pior.   

     

    11.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A PATROA DOS AÇORES

     

    É comum ler-se nos jornais que a senhora dona não sei quantas, amantíssima esposa de um ditador africano qualquer, gastou milhões numa viagem ao Rio de Janeiro ou a Nova Iorque, jóias, vestidos, hotéis, gorjetas, etc.

    Uma imoralidade, gritam as almas, indignadas e solenes. Com toda a razão, acrescente-se.

     

    Por cá, a coisa é, por um lado, mais modesta, por outro, mais escandalosa.

     

    Vejamos:

     

    Dona não sei quantas, virtuosa consorte do socialista César (não confundir com o Augusto), foi julgo que ao Canadá. Uma passeata que, rezam os jornais sem desmentido, custou três ou quatro vezes o que devia custar. Ao contrário de outras prendadas damas, que gastam o dinheiro dos maridos, roubado ou não, esta gastou a massa do governo, fruto dos impostos dos açorianos e, está mesmo a ver-se, dos continentais que contribuem para estes “custos da insularidade”.

    Mais espantoso ainda é que a viagem da patroa do César foi “oficial”. Sim, oficial. A criatura, que se saiba, não foi eleita por ninguém. Talvez tenha ido a título de “rainha” dos Açores, ou de princesa consorte.

    O escândalo passou. Já lá vai. Acabou-se. Ninguém reagiu. Ninguém se lembrou de cobrar ao César os deleites viandantes da magnífica “representante” do governo regional.

     

    Sabem que mais? O tal César é putativo candidato à sucessão do senhor Pinto de Sousa!

    Já viram do que a casa vai continuar a gastar?

     

    11.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CONTRA O NEO-LIBERALISMO, MARCHAR, MARCHAR!

     

    Os bodes expiatórios são uma das melhores armas de defesa de quem não tem razão.

    O Staline arranjou os “brancos”, os aristocratas, os culaques e mais quem lhe deu na realíssima gana.

    O Hitler serviu-se dos judeus.

    O Mussolini dos plutocratas.

    O Franco dos vermelhos.

    O Chávez dos americanos.

    O Cunhal dos “reaccionários”.

    O Louça dos mexias e quejandos.

    E assim por diante.

     

    Nos tempos da ditadura quem não fosse da cor era comunista, ou para lá caminhava. Assim se reforçou o PC, único contraponto “legítimo” à PIDE.

     

    Os tempos mudaram. A alma dos homens nem tanto.

    O que os “brancos”, os aristocratas, os culaques, os judeus, os plutocratas, os vermelhos, os americanos, os “reaccionários”, os mexias eram, ou são, para as insignes personalidades acima invocadas, são hoje os “neo-liberais” para o Dr. Mário Soares, o senhor Pinto de Sousa, o camarada Alegre e outros actores menores mas não menos barulhentos.

    Para esta gente, os males do nosso mundo são, sem excepção, devidos à nova classe social dos “neo-liberais”, coisa inventada pela estupidez crónica da esquerda como classe mãe de todos os dissabores e de todas as malfeitorias, da “economia de casino” ao “capitalismo selvagem” e a outros chavões da moda, que nos levaram onde estamos.

     

    No fundo, o problema está em que não há quem diga a verdade a esta gente: o “rei” deles vai nu. Ou em que esta gente ande a esconder a verdade.

    Quando gritam que o que é preciso salvar o “estado social”, esquecem-se que jamais houve estado social sem capitalismo, sem mercado, coisas sobre as quais, estupidamente, lançam o seu inquisitorial anátema.

    Ignoram que a tal liberdade de que se dizem arautos jamais existiu sem capitalismo e sem mercado.

    Acham (ó estupidez!), ou dizem achar (ó cinismo!) que, se os mexias e quejandos ganhassem menos todos os outros viveriam muito melhor.

    Metem, ou querem meter, na cabeça das pessoas, que o “estado social” é uma coisa adquirida, que não é preciso pagar, ou que “quem tem”, se deixasse de ter, garantiria. Uma coisa que, já que ínsita na Constituição, é um “direito” que se confere (quem?, o quê? como?) a cada um sem condições, surgida como por encanto de alguma árvore das patacas inventada pelo socialismo.

     

    O que esta gente devia dizer é que, para haver “estado social” é preciso haver quem o pague. E que ninguém o pagará por nós.

    Não percebem, ou não querem perceber – porque o importante não é resolver o problema mas arranjar bodes expiatórios – que a grande crise, o grande falhanço que o abanar das instituições financeiras pôs a descoberto, é a crise e o falhanço do “estado social”, que ninguém sabe como vai poder ser pago amanhã, mas toda a gente sabe como não se vai poder pagar o que se gastou ontem.

    No entanto, enquanto isto não for entendido, não haverá solução.

     

    Do capitalismo esta gente tira o pior, isto é, infirmam as suas regras de ouro “salvando” bancos decrépitos ou bandidos à custa dos outros, metendo somas astronómicas em coisas absurdas, recusando, patriotismo bacoco!, uma injecção de sete mil milhões de euros na economia, adoptando ferozes políticas de anti-natalidade como se se tratasse de um ”valor moral”, fechando os olhos à rebaldaria estatal em que estamos garrotados, ou seja, pondo em causa o o próprio “estado social” que dizem defender.

    Que lhes interessa? Nada. Interessa-lhes, sim, afirmar a inventona do “neo-liberalismo”, a fim de encontrar os “culpados”, em vez de perseguir os que seriamente o são, que não são poucos e estão, em esmagadora maioria, nas suas próprias fileiras.

     

    Pena é que, pela direita, a resposta à demagogia acéfala ou interesseira da esquerda não seja denunciada e que os resquícios do PREC, que não são tão poucos como isso na cabecinha dos políticos, ainda façam o seu paralisante caminho na política portuguesa.

     

    10.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • MALHAS QUE A POLÍCIA TECE

     

    Outro dia assisti a uma cena verdadeiramente extraordinária: o senhor Crespo (Mário) a entrevistar, na SIC Notícias, um respeitável senhor, conhecido por “super-polícia”.

     

    O senhor Pinto de Sousa cometeu a galegada de ter atribuído a si próprio a tutela de tudo o que é polícia neste país, assim cilindrando os seus próprios ministros que, veneradores e obrigados, não tugiram nem mugiram quando se deviam ter ido imediatamente embora.   

    Para disfarçar no seu inusitado e estranho poder, o senhor Pinto de Sousa resolveu inventar este espantoso cargo. O “super-polícia” actua na dependência directa e com mandato conferido pelo primeiro-ministro.

     

    Ora o super-polícia espetou-se a 130 à hora na Avenida da Liberdade, acidente de trágicas consequências. Até aqui, tudo bem, ou tudo mal. Ainda pior, porém é que o super-polícia veio à televisão dizer, a) que não se lembra de nada, dada a trancada que levou e b) que jamais deu ordens ao motorista para andar a 130 à hora na Avenida da Liberdade.

    Acreditemos na alínea a).

    Quanto à alínea b) pode ser que haja quem acredite, o que só prova que há atrasados mentais.

     

    A pergunta que fica é esta: por que carga de água vem este senhor – que, repito, presumo respeitável – “justificar-se” assim à televisão?

    Fica a impressão de que alguém o mandou. Seria?

     

    No fim de contas, dizem os jornais, parece que quem vai pagar as favas é o motorista, aliás largamente elogiado pelo super-polícia.

     

    O mexilhão é um desgraçado, diz o povo, e com razão.

     

    10.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • GENTE FINA

     

    Se bem me lembro, logo a seguir à tomada de posse do primeiro governo do senhor Pinto de Sousa, houve umas almas danadas que decidiram pôr nos jornais a história de uma casa clandestina que o tonitruante secretário de estado José Magalhães teria no Parque Natural da Arrábida.

    Já não sei como, na altura, o assunto acabou por ser abandonado, concluindo o respeitável público que se tratava da costumeira maledicência das forças ocultas, forças que, mais tarde, tão bem caracterizadas foram pelo ilustre chefe do camarada Magalhães.

     

    Agora, em parangonas nos jornais e nas televisões, aparece o poderoso camartelo municipal a demolir a tal casa que já se pensava inexistente. Por ordem judicial.

    Esclareça-se que foi declarado pelas autoridades que a tal casa não era do camarada Magalhães, mas da ilustre cara-metade do dito.

     

    Assim, conclui-se, com a merecida ingenuidade:

     

    a)   Que o camarada Magalhães, feroz zelador da legalidade através das polícias que é suposto controlar, está consorciado com uma senhora que faz casas clandestinas a fim de que o respectivo cônjuge possa passar nelas as suas merecidas férias e demais lazeres, tomando umas banhocas na piscina e bebendo uns copos;

    b)   Que o camarada Magalhães, coitado, nada tem a ver com as ilegalidades da esposa (se calhar, por causa das coisas, até é casado com separação de bens), utilizando-as em benefício próprio com toda a boa inocência possível, como é próprio de um bom socialista;

    c)   Que, caso se viesse a verificar que o camarada Magalhães sabia da história, já se teria demitido, como aliás costuma acontecer nos países civilizados como o nosso.

     

    Como o camarada Magalhães não merece ingenuidade nenhuma, as conclusões são como segue:

     

    d)   O camarada Magalhães sabia e tornava a saber, desde a primeira hora, que a casinha não era legal;

    e)   O camarada Magalhães achava óptimo repoltrear-se na casinha, mau grado a sua clandestinidade;

    f)    O camarada Magalhães deve ter achado que, pertencendo a um governo, ainda por cima socialista, estava para além de qualquer suspeita e que autoridade alguma teria o desplante de não só condenar a esposa à demolição como, que ousadia!, executar a sentença;

    g)   O camarada Magalhães, seguindo o exemplo do chefe, jamais se demitirá, caia o Carmo e caia Trindade;

    h)   Um país governado por pintos de sousas e por magalhãeses, nem com a maior das boas vontades pode ser considerado civilizado.

     

    10.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PATRIOTISMO DE PACOTILHA

     

    Contra os princípios que para aí afirma (certos ou errados, que estão vertidos nos tratados – o de Lisboa incluído – e que postulam a liberdade de circulação de capitais e outras coisas que fazem vómitos ao Dr. Soares e erisipelas ao camarada Louça, o senhor Pinto de Sousa deu uma de “patriota” ao impedir a venda de metade da Vivo aos castelhanos.

    À primeira vista, o papalvo come estes ataques de patrioteirismo como se de boa coisa se tratasse.

     

    Vistas as coisas com algum bom senso, parece que os papalvos estão, mais uma vez, a ser enganados.

    A PT tem mais dívidas que a légua da Póvoa. Os 7 mil milhões dos castelhanos podiam ter um efeito altamente positivo, uma vez que os credores (os bancos) poderiam receber boa parte do carcanhol, carcanhol esse que teria, como é evidente, sonoros efeitos na liquidez bancária e na sua capacidade de apoiar a tal “economia nacional” que tanto enche a boca dos “patriotas” do governo.

     

    O senhor Dirceu, ilustre áulico do camarada Lula, veio defender publicamente a abertura do capital da OI (a maior operadora brasileira, com 62 milhões de clientes) à PT, assim propondo uma alternativa para a massa de Castela.

     

    Acrescentemos a isto que a UE, como muito institucionalmente já veio dizer o senhor Barroso, não está pelos ajustes e vai reagir ainda não se sabe bem como, mas sabe-se que não será com meiguices.

     

    Postas as coisas nestes termos, o que vem aí? Pior, o que pode vir aí?

    Os luminares destas ciências – que nada têm de científico – começaram a agitar-se nas cadeiras quando, de repente, descobriram que a “Telefónica”, que não queria comprar a PT mas só as acções dela na Vivo, é capaz de dar a volta ao bilhar e lançar uma OPA sobre a própria PT, OPA para a qual os mais avisados reconhecem que a golden share que recebemos dos restos do PREC não vai servir para nada.

     

    Assim, o patriotismo saloio e ignorante, ou aldrabão e demagógico, ou meramente estúpido, do senhor Pinto de Sousa, prestou mais um relevante serviço à “economia nacional”. Em troca de não perdermos (nós não, a PT) uma posição no Brasil a troco de grossa maquia, arriscamo-nos a pôr a PT, com Vivo e tudo, nas mãos de Castela. Bonito.

     

    Ou o senhor Passos percebe que, ao adiar a queda desta gente -para que as culpas da nossa fatal ruína sejam dela e não dele – está a cavar a sua própria sepultura, ou, mais tarde, não “herdará” senão as cinzas dos ossos que agora não quer roer.

     

    7.7.10

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    Apostilha – Acabo de ler por aí que o senhor Proença de Carvalho, viajante político com bilhete em aberto, veio oferecer a sua estimada ajuda ao PS e ao PSD caso estes se queiram coligar. Se ele perceber, não como o Doutor Cavaco, que pôs as coisas de pernas para o ar, que a moeda má dá cabo da boa, talvez algum juízo entre naquela cabecita de alfinete.

  • DAS MONTANHAS AO CHÃO

    Há dias em doce vilegiatura nas frias montanhas da Escócia, o IRRITADO tem descurado a sua obrigação de se irritar com o que se passa na Pátria amada.

    Qual highlander de trazer por casa, decidiu libertar-se das irritantes pressões que o afligem, olhar o verde imponente das encostas, a severidade dos rochedos, a força das torrentes, a lonjura azul/verde dos lagos, e espraiar o seu merecido descanso pelas acidentadas veredas destas terras perdidas, selvagens e felizes. Isto sem descurar – it goes without saying – as delícias dos puros maltes, os sucos dos lavagantes, as tenras carnes das vieiras e dos lagostins ou o estalar das frescas saladas destes confins das terras de Sua Majestade Britânica. Tudo inebriantes e raros prazeres. Aqui não há lugar para irritações.

     

    Dias passados nesta doce pasmaceira, eis que o IRRITADO cai na asneira de ligar o laptop.

    De onde a terra acaba e o mar começa – bela inverdade do Poeta – chegam tantas irritações que é difícil escolher qual delas merece ser colocada pelo IRRITADO no ciber espaço.

    Ele é Castela a esmagar o Paraguai de forma injusta e sarrafeira, ele é o Vara, coitadinho, que se foi do BCP – parece que só levou mais uns trezentos mil para casa – ele é a PT a proteger-se com os restos fumegantes do PREC em vez de fazer face à situação, ele é isto e aquilo, um nunca acabar de irritações.

     

    Escolhi uma.

     

    O PGR, com carradas de razão, arquivou a queixa da dona Manuela Moniz (née Moura Guedes) contra o senhor Pinto de Sousa.

    É evidente que as alarves declarações do homem sobre a senhora e o seu trabalho não constituem ofensa de maior ao bom nome da dita. Pelo contrário, para a maioria das pessoas, tais alarvidades são prova da ausência de qualidade política de quem as inventou, muito mais do que coisa que bula com a boa ou a má fama do seu alvo.

     

    O PGR fez o que tinha a fazer. Não deixam os portugueses de pensar que o faria de qualquer maneira, dada a sanha que, ao longo de anos, vem demonstrando na acrisolada defesa dos interesses de Sua Excelência. Desta vez, foi fácil.

    O senhor Pinto de Sousa virá, se é que ainda não veio, gabar-se como um tonto. Acompanhado pela fanfarra idiota dos vitalinos e dos pereiras, vai informar a Nação: como sempre, ele é quem tem razão. Os áulicos, os protegidos, os boys, a coorte dos que não pensam, dos que não são sérios, não tem vergonha, não se sentem ofendidos por ter um primeiro-ministro do seu calibre, numa palavra, os portugueses que o senhor Pinto de Sousa “criou” e o seu PS reproduziu, aplaudirão mais esta retumbante vitória.

     

    É este um dos dramas da Nação. O PS “judicializou” as trafulhices do chefe. Como de nada é acusado pela Justiça, de nada é culpado.

    A política, por seu lado, deixou de existir. A exigência de dignidade, de postura cívica e de credibilidade pessoal, acabou.

    Ao ponto de os senhores deputados votarem um texto onde se diz, preto no branco, que o primeiro-ministro faltou consciente e propositadamente à verdade mas… não mentiu!!! Nada melhor para provar a acefalia da classe dirigente.

    O PS pisa elementaríssimas normas de conduta. Os demais ajudam.

     

    Chegámos à mais inacreditável situação: a de ter um primeiro-ministro a quem tudo é dado

    fazer, na certeza que nada lhe acontece.

    Quanto mais aldrabices disser mais lhe é dado dizer.

    Quanto mais trapalhadas inventar, mais lhe serão permitidas.

    Quanto mais nos envergonhar pelo mundo fora, mais vergonhas nos fará passar.

    De tudo se saindo com ar de triunfo.

     

    Não é difícil imaginar as repercussões morais que a simples existência deste homem no lugar que ocupa tem nas desprevenidas, ou não tanto, cabeças dos portugueses.

    O Estado, do Presidente da República aos parlamentares, dos ministros ao mais obscuro dos políticos ou dos funcionários, o Estado no seu todo, ao mesmo tempo que diz querer combater a corrupção, a fuga ao fisco e outras práticas que classifica de imorais e criminosas, dá, através da forma como actua em relação ao primeiro-ministro e à sua trupe, monumentais exemplos da mais impune imoralidade que imaginar se possa.

    Isto passa, queira-se ou não, para a consciência de cada um.

     

    O senhor Pinto de Sousa, para além dos erros políticos, às centenas, que cometeu, é culpado de algo muito mais grave: a destruição, a redução ao ridículo, de valores essenciais da cidadania.

     

    4.7.10

     

    António Borges de Carvalho

  • EXPRESSA CONFUSÃO

     

    Com altas parangonas, o “Expresso” exprimiu a sua opção (ou será oção?) de adoptar (ou será adotar?) o acordo ortográfico.

    Tudo bem, cada um come do que gosta, competindo aos leitores, no caso vertente, reagir como tiverem por bem.

     

    Interessante é o editorial com que o semanário “justifica” ou “desculpa” a sua opção.

    Começa por, modestamente, afirmar que há quem diga que o “Expresso” é “uma instituição”. A seguir, recusa tal qualificação. Não é uma instituição. Logo a seguir, afirma que “esta instituição”… doravante “adota” o acordo ortográfico. Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de verdade, que não interessa a ninguém saber se o “Expresso” é ou deixa de ser uma instituição. Que se lixe.

    Mas, opina o “Expresso”, “A nova ortografia entra nestas páginas à parte.” Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de má-língua, que o autor do editorial se deitou tarde na véspera de escrever.

    Explicando melhor, a instituição informa que não sabe se “o acordo é bom” e que não o “adota” por “não ter outro remédio”. Perceberam? Eu também não. Então “adota-se” uma coisa que se admite ser má, sem se ser obrigado a tal?

    Ajunta então que se trata da “defesa da língua portuguesa”. Ou seja, a língua portuguesa é defendida pelo “Expresso” com uma arma que não se sabe se é boa. Notável.

    O editorialista vai mais longe ainda na sua panóplia de argumentos, certamente tirados a ferros depois de uma noite de farra.

    É que a língua portuguesa “nos liga a cinco continentes”! E esta? O inglês também. Há mais de vinte versões do inglês e não há um só cidadão britânico que se preocupe com isso. Pelo contrário, acham óptimo que assim seja. Além disso é abusivo falar em cinco continentes. Que eu saiba, a maioria dos PALOPS está-se nas tintas para o acordo ortográfico.

     

    Mas o “Expresso” é um jornal “com um grande futuro”. Como tal, acha que é preciso escrever como no futuro, não como escrevia o Camilo ou o Eça antes da reforma de 1911. Esquece-se o “Expresso” que a reforma de 1911 foi feita por portugueses para portugueses segundo uma lógica portuguesa, não como absurda cedência aos brasileiros.

     

    Mas o “Expresso” “pensa para a frente”.

    Diz o farrista que “O passado é lugar que abandonámos”.

    É pena. Quem se borrifa no passado dá cabo do futuro.

     

    27.6.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O BLÁBLÁ

     

    O camarada Alegre habituou-nos, desde há longos anos, ao fogo-fátuo das suas tonitruantes declarações.

    Bláblá para a esquerda, bláblá para a Pátria, bláblá para o povo, zero de conteúdo, bláblá e pronto, está tudo dito.

     

    Ficava-lhe bem a alcunha de Bláblá. O IRRITADO desde já a propõe.

     

    Agora que é, ou vai ser, candidato presidencial, o bláblá do Bláblá intensificou-se.

    Como ser PR é uma coisa que, a começar pelos candidatos, ninguém sabe para que serve, nem que poderes tem, nem o que é suposto fazer ou dizer, sejamos justos, bem merece o bláblá do Bláblá.

     

    Uma eleição que confunde as pessoas com “mensagens” miríficas, ribombantes declarações de princípios e de “promessas” que jamais poderão ser cumpridas, é uma estúpida forma de enganar as pessoas, de as fazer ir votar exclusivamente por simpatia pessoal, ou para evitar o pior – julgam elas – , ou por ter “sentimentos” de esquerda ou de centro ou de direita, ou a benefício de inventário, na certeza que, para além de escolher um estilo, tal voto para pouco serve. Ressalve-se o caso do Dr. Sampaio e do seu golpe de Estado.

     

    Quando surgirá o menino a dizer que o imperador vai nu, isto é, que o PR jamais devia ser eleito por sufrágio universal e que devia representar (atenção, só representar) a República (atenção, só a República) a partir de uma eleição parlamentar, ou colegial? 

    Ao menos não se gerava esta abominável confusão a que há quem chame coabitação quando o Presidente vem de um lado e o governo do outro, nem a horrível concentração de poder quando vêm os dois do mesmo.

    Acabava-se com a dupla legitimidade popular, coisa que não é preciso ser muito inteligente para perceber que não pode funcionar e é de duvidosa legitimidade.

     

    Bom, deixemo-nos de teorias, porque esta é sobre o camarada Bláblá.

    Veio o nosso poeta à televisão dizer de sua justiça. Foi magnífico. Primeiro, entreteve-nos com especiosíssimos pensamentos sobre a profunda diferença entre “cooperação estratégica” e “cooperação institucional”. Como ninguém terá percebido, desatou a dizer que o presidente não pode meter-se com o governo, como faz o actual, mas tem a obrigação de se meter com o governo quando for caso disso, isto é, quando o Bláblá for presidente. Depois, lá vai ele de longada a atacar o Doutor Cavaco a torto e a direito, ou esquerdo, certamente porque lhe estava a faltar o bláblá.

    Enfim, o nosso Bláblá blablou em conformidade com o que se espera dele.

     

    Não é possível acabar estas singelas palavras sem um referência elogiosa ao que foi o clou da entrevista, o verdadeiro coroar do raciocínio político do nosso tão sonoro Bláblá.

    Disse ele que há uns canalhas, uns tipos de inspiração neo-liberal, que desataram a emprestar dinheiro a quem lho pedia. Agora, calcule-se, os mesmos canalhas andam para aí a querer que lhes paguem o que devem! Notável. Então não querem lá ver que os fulanos, lá porque emprestaram a massa, a querem de volta? Era o que faltava! Gangsters!

    Já o Amin Dádá já dizia o mesmo, porque não há-de o fazer o Bláblá?

     

    25.6.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CRETINICES CONSTITUCIONAIS

     

    Grande celeuma se levanta por aí com a história de parecer haver quem queira alterar a Constituição em sede “limites materiais da revisão constitucional”. Alegadamente, tal gente pretende alterar o normativo que estatui como um de tais limites “a forma republicana de governo”, transformando-o em “a forma democrática de governo”.

    Dando de barato o conceito de “forma republicana de governo”, coisa discutível em termos de ciência política, teremos que o republicanismo bacoco dos constituintes, que vai ao ponto de, a abrir o discurso normativo da Constituição, definir Portugal como “uma República”, como se, antes dela, não houvesse nada a que se pudesse chamar Portugal, vai ao ponto de, nessa coisa estúpida e anti-democrática que são os “limites materiais de revisão constitucional, preferir “salvar” a República a salvar a Democracia.

    Isto, perante o mar de repúblicas totalitárias, tirânicas e ditatoriais que por aí vegetam, diante dos exemplos democráticos de primeira ordem que são dados pelas monarquias europeias e tido em conta o exemplo de república que foi o Estado Novo em Portugal.

     

    A norma constitucional em apreço deriva do ódio visceral à História (representada pela Dinastia) que serviu de base à implantação da república, golpada que nada teve a ver com a defesa do constitucionalismo, do liberalismo político e das liberdades públicas, coisas, segundo os mais avançados conceitos da época, há muitas décadas já vigorosamente existentes entre nós.

    Nunca ninguém perguntou a ninguém se queria mudar de regime. É esta a génese “democrática” da nossa república, ora tão “principescamente” comemorada.

    Tal ódio transmitiu-se às gerações do poder através do século XX, salazarismo incluído, e provocou a eructação republicana de que a Constituição é testemunho.

     

    O limite material em discussão

     

    (vi, ontem, na televisão, o olhar desvairado e protuberante do Vicente Jorge Silva a tonitruar aleivosias sobre a eventual proposta de alteração, o que, por si, é marcante do tipo de sentimentos que animam o nacional-republicanismo)

     

    não passa, como todos os outros, de miserável redundância de uma Constituição que, com medo de si própria e dos seus fantasmas, tem que criar ferrolhos, como se não bastassem os seus mais válidos princípios para se saber que, sendo abolidos, de outra república se trataria, e de outra constituição.

      

    Assim, usando da mais radical estupidez, os próceres do militantismo republicano preferem desdemocratizar a Constituição, desde que assegurem a república.

    É, pelo menos, monstruoso.

     

    21.6.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DICAS DO DIA

      

    TAXADICES

     

    A Câmara costo-roseto-fernadesca andava para aí a sacar taxas pelos painéis de publicidade que os donos dos prédios deixavam pôr nas paredes. O raciocínio devia ser mais ou menos este: se os malandros dos proprietários, aberrante classe, ganha dinheiro com a coisa, nós também temos que ir buscar algum, para além do custo da licença.

    Esqueceram-se, apesar de dois dos pés da trempe serem juristas, do que é uma taxa. Taxa é uma coisa se lhe deve por serviços prestados. Como não prestavam serviço de nenhuma espécie, aquilo não era uma taxa, era um imposto. Como as câmaras não são competentes para lançar impostos, os tribunais caíram em cima do admirável trio e proibiram-no de sacar mais.

    Não se sabe se as “taxas” já cobradas vão ter que ser devolvidas. Assim seja, de preferência com juros.

     

    De um modo geral, as câmaras, e a de Lisboa em particular, são inimigos públicos, ogres de burocracia, de extorsão e de armadilhas. Têm poderes inimagináveis para dar cabo da vida das pessoas, a benefício dos “critérios” de qualquer funcionário ou, ainda pior, dos senhores vereadores e presidentes.

    É bom que, de vez em quando, alguém os meta na ordem.

     

     

    TRANSUMÂNCIAS

     

    O professor Freitas do Amaral teve um dos seus habituais ataques de transumância política.

    Depois de ter sido o chefe da direita, transitou para o apoio feroz a Sampaio e a Pinto de Sousa, ao ponto de chegar a ministro deste. Vem agora dar o seu altíssimo apoio ao Professor Cavaco.

    Se não se tratasse de pessoa inegavelmente inteligente, era de perguntar o que tem dentro da cabeça.

    Infelizmente, inteligência não é sinónimo de coerência.

     

     

    O MAMARRACHO

     

     Com direito a parangonas de jornal, foi dada por acabada a extraordinária, monumental e cubista, ou cobosta, obra de arte arquitectónica que passa a ornamentar a costa do Estoril em substituição do defunto Estoril-Sol.

    Não fora a sua esmerada educação, o IRRITDO não resistiria a propor aos tipos que roubaram 500 quilos de explosivos que aplicassem o fruto do seu trabalho na implosão da inenarrável vergonha que o mamarracho é para todos nós.

    Consta que a maior parte dos clientes dos luxuosos apartamentos é integrada por milionários angolanos. Razão pela qual almas mesquinhas e racistas puseram a circular a terna alcunha com que querem que a coisa passe a ser conhecida: o musseque.

     

     

    TRIPEIROS EM FESTA

     

    O São João do Porto, este ano, vai conhecer alta variedade de martelos. Haverá o martelo colorido, o martelão e a marreta, todos com os respectivos apitos, coisa que, culturalmente, mete as vuvuzelas num chinelo.

    Por outro lado, cientistas encartados da universidade do Bolhão chegaram à etnográfica conclusão que “os alhos-porros são eróticos”, o que, diz-se, levará a Juventude Socialista a fazer mais uma das habituais distribuições de preservativos à multidão, para prevenir e apoiar a  erotização das massas graças aos alhos-porros.

    Os mesmo sábios, ou outros, descobriram também que “os balões do São João “são culto ao Sol”, por certo introduzido nos idos do século XXII, quando se inventou o plástico insuflável e o papel vegetal às cores.

    Calcule-se o que vai ser a turbamulta, aquecida pelo Sol e cheia de luxúria por causa dos alhos-porros! Ponham-se a pau!  

     

     

    NÃO HÁ CULPAS

     

    Os médicos do hospital em que duas criancinhas foram sedadas com ácido enganofúrico vieram já informar o povo que a culpa não foi deles. Isto, segundo um relatório preliminar.

    Os farmacêuticos, por seu lado, estão seguros de que culpas nenhumas lhes cabem, aduzindo argumentos de monta.

    É evidente que os enfermeiros estão também acima de qualquer suspeita.

    Quando, daqui a nove semanas (é o que está previsto!), vier o resultado final das investigações, toda a gente ficará a saber que a culpa foi da empregada da limpeza, do polícia de giro ou do Pedro Álvares Cabral.

    Entretanto, o pai de uma das pobres crianças veio já pedir vinte e cinco mil euros pela ofendida tripa do filho. Não há fome que não dê em fartura.

     

     

    BOCAS DA ALFURJA

     

    Pinto de Sousa, segundo um tal Junqueiro, “é um exemplo para a Europa”, além de “uma oportunidade para o país”.

    E esta, hem!

    Fui à procura de sinais de “oportunidade” e de “exemplo”.

    Passo a citar Mena Mónica: “após ter obtido um diploma em circunstâncias estranhas, ficou engenheiro… assinou, na Guarda, projectos arquitectónicos que não eram de sua autoria… no último conselho de ministros de António Guterres alterou os limites da ZPE do Tejo; a forma como foi feita a adjudicação da obra da central de tratamento de lixos da Cova da Beira levanta dúvidas; comprou um andar, na Rua Braancamp, em Lisboa, por um preço menor do que outros… finalmente, entre 1999 e 2002, não declarou os rendimentos ao Tribunal constitucional”.

    Já depois de a investigadora ter escrito estas linhas, ainda é possível acrescentar as magníficas oportunidades e os belos exemplos de coisas como a da PT/TVI, do Figo, do Tagus Park e não sei que mais.

    De que o homem percebe de oportunidades, não há dúvida. Em matéria de exemplo, também tem o desgraçado do Junqueiro toda a razão: é que não acrescenta se os exemplos são bons ou maus…      

     

    22.6.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ELITES DE XAXA

     

    O deputado comunista ao parlamento europeu Sr. Tavares (“independente” do BE) vem hoje ao “Público” fazer o obrigatório elogio de Saramago, o prosador, o poeta, o homem, etc.

    Só lhe fica bem. Se não houvesse cinquenta e dois mil fulanos a fazer exactamente a mesma coisa ao mesmo tempo, as loas do homem até podiam ser interessantes.

     

    É politicamente correcto dizer maravilhas do escritor, não só enquanto tal como em trezentos e cinquenta e oito outros aspectos, qual deles mais rebuscado. Se um membro da esquerda que temos, neste momento de luto e comovida saudade, não se manifestasse em conformidade, poderia sujeitar-se aos maiores aborrecimentos. Não é?

     

    Conta-nos o rapaz que estava de férias em Espanha, aos 15 anos, com uma irmã e uma sobrinha. Para marcar bem a diferença em relação às galinhas, o homem informa que foi a uma livraria enquanto elas andavam nas lojas. Postas assim as coisas no seu sítio, somos iluminados pelo fortuito encontro que teve com uma “mulher de cabelos negros” (como a dona Pilar antes de os pintar), que falava com um sotaque andaluz cerrado. Veja-se a cultura castelhana do nosso ilustre representante. Com 15 anos já conhecia tão bem a língua de Cervantes que bastava que alguém se lhe dirigisse para ele perceber de que região procedia! Formidável!

    Vê-se bem que não é da escola de castelhaguês do senhor Pinto de Sousa.

    O panegirista confessa que não percebeu patavina do que a mulher lhe disse mas que, admiravelmente, conversou com ela durante três minutos!

    Sobre quê? Sobre Saramago, como é lógico.

     

    Depois, lá vem o Saramago tradutor, escritor, copiador, revisor, apaixonado por “literatura menor, gazetas antigas, sermões de Vieira ou ficção científica”. Não, não estou a brincar, é mesmo assim que o homem classifica Viera. Um escritor menor!

    Depois, sugere que Saramago terá ido buscar a ideia da cegueira a um escritor qualquer que construiu cenário semelhante muito antes dele. Mas, é claro, melhorou muito a ideia que terá copiado.

    Lá vêm, então, as loas do costume, todas elas perdoáveis.

     

    O verdadeiro clou do elogio é este: Saramago era sabedor porque “Um escritor aprende muito nascendo e vivendo num país onde as elites são medíocres e mesquinhas”.

    Tem toda a razão. Parabéns. Se as elites – a que ele pertence – não fossem, para além de ridículas, medíocres e mesquinhas, não se teria assistido à monumental diarreia de loas, despesas, homenagens, lutos nacionais, guardas de honra, aviões, horas de televisão, horas de rádio, toneladas de papel de jornal, macacadas na net, “ameaças” de Panteão e outras parvoíces a que vimos assistindo sem parar desde sexta-feira passada.  

     

    Como modesta homenagam do IRRITADO ao extinto, diga-se que é de acreditar que o próprio Saramago, apesar de não poder ser mais pedante, se pudesse,  se irritaria com tanta e tão funérea paspalhice. 

     

    Uf!

     

    21.6.10

     

    António Borges de Carvalho

  • A GAIOLA DOS MARICAS

     

    Quando o senhor Pinto de Sousa aparece a exigir que lhe peçam desculpa pelos resultados da comissão de inquérito, tem carradas de razão. Na sua posição de primeiro-ministro, o engenheiro relativo está no seu direito de exigir que os parlamentares peçam desculpa às instituições e ao país pela borrada que fizeram.

    É claro que não são essas as desculpas que ele pede. Especialista em fazer o mal e a caramunha, como tudo lhe tem sido permitido e continua a ser, é capaz de achar, a partir das pobres meninges com que foi contemplado pela criação, que os que o chateiam lhe devem desculpas, como se não fosse ele, morto o Saramago, o mais chato de todos os portugueses.

     

    Vejamos o que, substancialmente, se passa:

     

    O presidente da comissão opõe-se a que sejam utilizados os elementos de prova que ele próprio mandou vir e que lhe foram fornecidos por quem de direito, obviamente para ser utilizados.

    Maricas!

    O plenário da comissão não impugna a decisão do presidente.

    Maricas!

    O relator da comissão escreve que o senhor Pinto de Sousa sabia, mas disse que não sabia. Mas recusa-se a escrever que mentiu, e jura a pés juntos que nunca disse tal coisa.

    Maricas!

    O mesmo senhor escreve que o governo estava metido na marosca da PT/TVI, mas acha que não há suficiente matéria probatória.

    Maricas!

    O Passos acha que é evidente que o engenheiro relativo sabia e disse que não sabia e que o governo estava nos bastidores da urdidura, mas não considera que a coisa seja de molde a fazê-lo cair.

    Maricas!

    O PSD aprova o relatório que diz que o homem sabia e disse que não sabia, mas não tira daí conclusão alguma.

    Maricas!

    O Pacheco diz que está tudo provadíssimo nas escutas, mas não deita cá para fora as provas de que dispõe.

    Maricas!

    O Presidente da República finge que não vê.

    Maricas!

     

    Agarrados à barriga, os eméritos trafulhas riem como se ria a corte perante o cadáver do filho da Duquesa de Brabante. Ri o Rodrigues, ri o Canas, ri o Pereira e outros mais. Ri o engenheiro relativo.

    Cambada de maricas, deixaram-se enganar, hi, hi!

     

    Só a duquesa chora. A duquesa, neste caso, é Portugal, entregue que está à mesnada dos maricas e aos palhaços de serviço.  

     

    21.6.10

     

    António Borges de Carvalho