Outro dia assisti a uma cena verdadeiramente extraordinária: o senhor Crespo (Mário) a entrevistar, na SIC Notícias, um respeitável senhor, conhecido por “super-polícia”.
O senhor Pinto de Sousa cometeu a galegada de ter atribuído a si próprio a tutela de tudo o que é polícia neste país, assim cilindrando os seus próprios ministros que, veneradores e obrigados, não tugiram nem mugiram quando se deviam ter ido imediatamente embora.
Para disfarçar no seu inusitado e estranho poder, o senhor Pinto de Sousa resolveu inventar este espantoso cargo. O “super-polícia” actua na dependência directa e com mandato conferido pelo primeiro-ministro.
Ora o super-polícia espetou-se a 130 à hora na Avenida da Liberdade, acidente de trágicas consequências. Até aqui, tudo bem, ou tudo mal. Ainda pior, porém é que o super-polícia veio à televisão dizer, a) que não se lembra de nada, dada a trancada que levou e b) que jamais deu ordens ao motorista para andar a 130 à hora na Avenida da Liberdade.
Acreditemos na alínea a).
Quanto à alínea b) pode ser que haja quem acredite, o que só prova que há atrasados mentais.
A pergunta que fica é esta: por que carga de água vem este senhor – que, repito, presumo respeitável – “justificar-se” assim à televisão?
Fica a impressão de que alguém o mandou. Seria?
No fim de contas, dizem os jornais, parece que quem vai pagar as favas é o motorista, aliás largamente elogiado pelo super-polícia.
O mexilhão é um desgraçado, diz o povo, e com razão.
10.7.10
António Borges de Carvalho

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