IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EXPRESSA CONFUSÃO

 

Com altas parangonas, o “Expresso” exprimiu a sua opção (ou será oção?) de adoptar (ou será adotar?) o acordo ortográfico.

Tudo bem, cada um come do que gosta, competindo aos leitores, no caso vertente, reagir como tiverem por bem.

 

Interessante é o editorial com que o semanário “justifica” ou “desculpa” a sua opção.

Começa por, modestamente, afirmar que há quem diga que o “Expresso” é “uma instituição”. A seguir, recusa tal qualificação. Não é uma instituição. Logo a seguir, afirma que “esta instituição”… doravante “adota” o acordo ortográfico. Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de verdade, que não interessa a ninguém saber se o “Expresso” é ou deixa de ser uma instituição. Que se lixe.

Mas, opina o “Expresso”, “A nova ortografia entra nestas páginas à parte.” Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de má-língua, que o autor do editorial se deitou tarde na véspera de escrever.

Explicando melhor, a instituição informa que não sabe se “o acordo é bom” e que não o “adota” por “não ter outro remédio”. Perceberam? Eu também não. Então “adota-se” uma coisa que se admite ser má, sem se ser obrigado a tal?

Ajunta então que se trata da “defesa da língua portuguesa”. Ou seja, a língua portuguesa é defendida pelo “Expresso” com uma arma que não se sabe se é boa. Notável.

O editorialista vai mais longe ainda na sua panóplia de argumentos, certamente tirados a ferros depois de uma noite de farra.

É que a língua portuguesa “nos liga a cinco continentes”! E esta? O inglês também. Há mais de vinte versões do inglês e não há um só cidadão britânico que se preocupe com isso. Pelo contrário, acham óptimo que assim seja. Além disso é abusivo falar em cinco continentes. Que eu saiba, a maioria dos PALOPS está-se nas tintas para o acordo ortográfico.

 

Mas o “Expresso” é um jornal “com um grande futuro”. Como tal, acha que é preciso escrever como no futuro, não como escrevia o Camilo ou o Eça antes da reforma de 1911. Esquece-se o “Expresso” que a reforma de 1911 foi feita por portugueses para portugueses segundo uma lógica portuguesa, não como absurda cedência aos brasileiros.

 

Mas o “Expresso” “pensa para a frente”.

Diz o farrista que “O passado é lugar que abandonámos”.

É pena. Quem se borrifa no passado dá cabo do futuro.

 

27.6.10

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “EXPRESSA CONFUSÃO”

  1. Deixo de ler no mesmo minuto

  2. Não sou entendido no assunto mas não consigo perceber qual a vantagem de passar a escrever “homem” sem “h” porque uns quantos assim decidem fazer. É para poupar papel e tinta ou será só “para facilitar”? Mas facilitar o quê, a instalação da confusão? Percebo que as línguas evoluam, duvido muito que o façam a esta estonteante velocidade. O Dicionário da Academia, que demorou uma dúzia de anos para se completar, não tem ainda 10 anos.Parece-me tratar-se de um fenómeno semelhante à lusa soltura legislativa que empeça a vida dos advogados em conhecer a lei e por isso mesmo dificulta que ela seja cumprida. Cícero dizia que “quanto mais leis menos justiça” e podemos constatar diariamente que ele tinha toda a razão. Mas o nosso governo e parlamento têm que fazer pela vida…Hão-de existir portanto outros interesses em jogo que obviamente não se mostram e portanto a maioria das pessoas, entre as quais me incluo, de todo desconhece. O amor à língua é que não é com certeza. Olha quem!

    1. Não se recorda daquele presidente de Câmara que, a pretexto de “poupar” (?) uns !milhares de contos” (?- de fadas? dizia ele: em tinta!)) propôs que Viana do Castelo passasse a ser só (?!) CASTELO?São estes idiotas que cultivam a idiotice apenas para serem notados e falados.Estúpidos da merda.

      1. Caro XXI,Sempre houve e há-de existir gente estúpida, temos que aceitá-lo de boa mente, na medida do possível. Só que por cá e hoje, eles estão em maioria na posição de mandar.Para lhe dar só um exemplo, muitos dos novos comandantes de uma unidade militar, assim chegavam por lá recorriam à táctica de “personalizar” o regimento e que consistia em fazer sentir a todos que se iniciara um novo ciclo. Como? Bem, numa instituição tão hierarquizada como é/era a militar, a criatividade não é propriamente olhada como uma qualidade e o amor à rotina só era igualado pela resistência à sua mudança.Por isso o neófito chefe mandava dispor que a formatura do rancho – que anteriormente ocorria às 5.00 pm, na parte sul da parada – passasse para as 5.10 da tarde e reunida na parte norte. Que as companhias 1, 2 e 3 fossem doravante denominadas A, B e C.O barbeiro que abria de manhã passava a funcionar de tarde e os caixotes do lixo, anteriormente de cor azul, eram drasticamente pintados de amarelo. E assim, durante umas semanas, os taratas viviam atarantados sem saber onde se encontrarem para jantar, ignorando a que companhia pertenciam, com o cabelo comprido e a farda salpicada de tanto pintarem. A única pessoa feliz era o comandante.Do mesmo modo o presidente da câmara que julga que mudar o nome da cidade é “deixar obra”, o desaparecido Sócrates também pretendeu impingir-nos o desaparecido TGV.Com este novo acordo ortográfico, os jornalistas – que anteriormente já escreviam muita tolice – vão passar a escrevê-las com erros de ortografia.E muito contentes, por serem “modernos”.Afinal, tudo isto obedece a uma estratégia, independentemente de outras considerações. De cada vez que a língua se altera, as obras clássicas ficam mais distantes, mais difíceis de ser lidas.Neste ritmo, a próxima geração olhará para “Os Maias” como nós consideramos as trovas de D. Diniz.Como dizia Brodsky, não é preciso queimar livros, basta não os ler. Tudo o que seja destruir, arrancar as nossas raízes (pessoais, familiares, patrióticas) facilita a manipulação pelos governantes.E é esse o objectivo desta gente sem vínculos de qualquer espécie: aquilo que não alcançam, não conseguem entender – estragam.A língua é só uma dessas coisas.

        1. Não podia estar mais de acordo. Aos comentários certíssimos do Irritado e do Manuel, acrescento o seguinte: se a estupidez fosse um barco, esses dois motivos identificados pelo Manuel – deixar obra feita, e ser moderno – seriam das velas mais eficazes que existem. O primeiro, pertence a todos os Sócrates e Comandantes recém-eleitos da vida. A sua ânsia de imortalidade, de “deixar a sua marca”, impele-os a fazerem asneiras – e quanto maiores, melhor. O segundo, é o vírus que transmitem à populaça: quem não adere, não é moderno. Esta ânsia de se ser absolutamente moderno, de estar sempre na crista da onda, justifica qualquer absurdo cultural ou estético, qualquer parolice ou imbecilidade. Isto é duplamente verdade nos povos incultos e basbaques, como o nosso: ainda me lembro quando os telemóveis eram novidade, há uns 14-15 anos, e não havia alminha que não colocasse o seu em cima da mesa do café, como um troféu de modernidade, ou andasse com ele ao cinto como um operário leva a ferramenta. Depois foram os blogs, hoje é o Facebook ou o Twitter: não podemos “ficar de fora da revolução”! Porquê, para dizer o quê? Não sabemos, mas temos de lá estar. As operadoras sempre souberam jogar com isto: “fale mais!” “fale a dobrar!”, “envia 1000 SMS pelo preço de 100!”, etc. Os cabos e os satélites vibram com tanta comunicação de chacha, numa voragem de banalidades cada vez mais ineptas e repetidas, em que a quantidade é inversamente proporcional à qualidade. Excepto, claro, para as contas bancárias das operadoras e dos fabricantes dos “gadgets”. —————————– Voltando ao “Acordo” – curioso nome, para algo que não me lembro de perguntarem a ninguém – será apenas mais um prego no caixão do nosso último património: a Língua Portuguesa. Este prego será oficial e definitivo, mas há muito que a própria sociedade tem vindo a escavacar alegremente o Português. Eu tenho menos de 40 anos, e quando vejo o Ensino actual, e a forma como as pessoas saem de lá a escrever, sinto-me de outra época. Já me dou luxo de dizer que “sou do tempo…” em que levava umas reguadas bem dadas, quando escrevia “à” em vez de “há”, ou “faze-mos” em vez de “fazemos”. Pois há dias recebi um email dum licenciado em Gestão, que fazia ambas as coisas, e muito mais. Aliás, já quase nem reparo nos erros que recebo diariamente, escritos por licenciados de todas as áreas: não pequenos lapsos, mas erros grosseiros. Estou certo que todos aqui sabem do que estou a falar. Já nem falo da malta nova, que deve pensar que o “Q” foi abolido do nosso alfabeto, e que o “X” substitui “ch” em todas as circunstâncias. Para ajudar à festa, só faltava mesmo este “Acordo” de inspiração brasileira, e aplicação portuguesa. Valha-nos o Inglês Técnico, nesse ainda damos cartas…

        2. Avatar de daniel tecelao
          daniel tecelao

          Concordo consigo.Escolheu um òptimo exemplo!De facto onde conheci o maior numero de estupidos a mandarem,foi na tropa.

          1. Então, se fez serviço militar, conhece bem a estirpe dos MFA’s, do Rosa Coutnho ao Otelo, passando pelo Melo Antunes ou o Mário Tomé, seguindo por Corvacho ou Vasco Gonçalves, sem esquecer Costa Gomes e Valentim Loureiro.Claro que havia oficiais de muito valor, a maior parte deles foram emprateleirados, saneados ou presos.Um regime instituído por gente assim (e pelos motivos que foi) só podia desembocar na coisa espúria em que estamos atolados.

  3. Afinal o País chegou à falência porquê?…(Estou a enviar como a recebi, sem comentários, pois nem sei se os valores estão correctos).REENVIANDO… Um pouco do porquê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!VALORES MENSAIS!!!!!PORQUE ESTAMOS NA FALÊNCIA??????420.000,00 € TAP administrador Fernando Pinto371.000,00 € CGD administrador Faria de Oliveira365.000,00 € PT administrador Henrique Granadeiro250.040,00 € RTP administrador Guilherme Costa249.448,00 € Banco Portugal administrador Vítor Constâncio247.938,00 € ISP administrador Fernando Nogueira245.552,00 € CMVM Presidente Carlos Tavares233.857,00 € ERSE administrador Vítor Santos224.000,00 € ANA COM administrador Amado da Silva200.200,00 € CTT Presidente Mata da Costa134.197,00 € Parpublica administrador José Plácido Reis133.000,00 € ANA administrador Guilhermino Rodrigues126.686,00 € ADP administrador Pedro Serra96.507,00 € Metro Porto administrador António Oliveira Fonseca89.299,00 € LUSA administrador Afonso Camões69.110,00 € CP administrador Cardoso dos Reis66.536,00 € REFER administrador Luís Pardal: Refer66.536,00 € Metro Lisboa administrador aquim Reis58.865,00 € CARRIS administrador José Manuel Rodrigues58.859,00 € STCP administrador Fernanda Meneses3.706.630,00 € 51.892.820,00 € Valor do ordenado anual (12 meses + subs Natal + subs férias)926.657,50 € Média Prémios 52.819.477,50 € 900,00 € Média de um funcionário público58.688,31 – nº de funcionários públicos que dá para pagar com o mesmo dinheiroE DEPOIS AINDA QUEREM SABER SE A MALTA ESTÁ DISPOSTA A ABDICAR DO SUBSÍDIO DE FÉRIAS E/OU NATAL PARA AJUDAR O PAÍS…

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