IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DA DEFESA DA CULTURA

     

    É verdade que a história dos mirós já pouco interessa. Mas a da aldrabice, do aproveitamento político, do tripudiar com a verdade, essa cheira mal, muito mal.

    A dona Canavilhas, que foi ministra da cultura, não mandou classificar os quadros. A dona Canavilhas, quando soube que iam ser leiloados, não requereu a sua classificação. A dona Canavilhas sabia de ciência certa que bastava um requerimentozinho de qualquer cidadão para abrir um processo de classificação que impediria a venda, suspendendo todas as respectivas diligências. A dona Canavilhas sabia, desde os tempos em que se sentava na cadeira do poder, que a empresa que o mesmo governo criou para “rentabilizar” o património do BPN tinha intenção de vender os quadros e mais o que fosse vendável.

    Donde se conclui que, sabendo tudo o que sobre o assunto se podia saber, a dona Canavilhas não mexeu uma palha para impedir a venda, agora proclamando que jamais a autorizaria. Se a minha avó tivesse rodas… Donde se conclui que, desde a primeira hora, a dona Canavilhas tem vindo a preparar cascas de banana para o governo, a fim de se “projectar” nos mal informados ou mal intencionados media como grande senhora, muito preocupada com os mirós. Coisa que jamais a preocupou. Se fosse no tempo dela, o governo já teria tomado a decisão, cheia de bom senso e de savoir faire, de empandeirar os quadros.

    Gente fina, honesta, defensora da cultura…     

     

    10.2.14

     

    António Borges de Carvalho     

  • MAU AMBIENTE

     

    Parece que está em discussão uma Lei de Bases do Ambiente. Destina-se a substituir a Lei Quadro do Ambiente aprovada em 1987. Tal lei era uma amálgama de disposições ou declarações de princípio, que pouco ou nada de jeito enquadravam, mal sistematizada, confusa, sem nenhuma preocupação científica. Fora imposta, contra toda a lógica, pelo bloco central, sob a égide do PS e a batuta do inacreditável Pimenta, hoje empresário de moinhos de vento – ao que consta com sede na Austrália. Foi acarinhada pelo PC.

    Águas passadas.

     

    Parece que os actuais proponentes não sabem a diferença entre uma lei quadro e uma lei de bases, nem que uma não substitui a outra. Este tipo de confusão é costumeiro. Dê-mo-lo de barato.

    Interessante é sublinhar a grande oposição que o actual projecto suscita. É que os suspeitos do costume queriam que a tal lei proibisse as concessões privadas das águas. Ou seja, queriam que estabelecesse a política a seguir pelos governos eleitos, impedindo-os de programar para um lado. Nada  a ver com ambiente, gestão dos recursos hídricos, etc. Tudo a ver com ideologia. A única questão de base que os distintos deputados que temos levantam é a de defender o monstro estatal e os monstrinhos autárquicos: pôr o monstro e os monstrinhos a fiscalizar-se a si mesmos. A “base” não é decretar os limites e as formas de gestão da água, mas saber quem a faz. Como se vê, os vícios constitucionais têm tentáculos.

    Pode ser-se contra ou a favor das concessões a privados dos serviços de abastecimento de água às populações. O que não se pode, ou não devia poder, é proibir uma ou outra das soluções.

    E eis como um assunto muito sério é discutido. Se apostarmos que os deputados se estão nas tintas para o essencial, e nem sabem o que isso é, ganhamos. Não é aprimeira vez, nem será a última.

     

    10.2.14

     

    António Borges de Carvalho     

  • ANEDOTA DE MAU GOSTO

     

    História velha: um tipo cai de um segundo andar. Fica esparramado no passeio, todo partido. Uma pequena multidão junta-se à sua volta. Alguém pergunta: “dói-lhe muito?”. O homem responde: “dói, dói, principalmente quando me rio”.

     

    Os serviços de saúde, sobre a assistência a idosos, dizem: “temos muitas quedas de idosos, em especial nos tempos da cereja e da azeitona, quando sobem às árvores”.

     

    10.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • JANUARADAS

     

    Em mais uma das suas habituais quão primitivas palinódias, o demagogo canónico Januário pôs, finalmente, o rabo de fora. Começando por dizer “não sou político”, prova a seguir que outra coisa não é. Político, politicão que, a coberto da sotaina, se dedica exclusivamente à diatribe. Com que fim? Diz ele:  “isto (Portugal!) não é uma quinta do arco governativo”. Por isso, as eleições europeias só correrão bem se o “arco governativo não for representado nas eleições”.

    De uma assentada, o gato pôs o rabo de fora. O objectivo “democrático” do tonsurado é substituir os partidos do “arco da governação” pelo PC/BE e outros minhocas adjacentes.

     

    O chamado coronel Vasco Lourenço ficou de tal maneira emocionado com esta ridente hipótese, que até lhe deu um fanico.

    O IRRITADO deseja-lhe rápidas melhoras.

    A ele, como ao desbocado bispo, deseja também um bocado de juízo e, já agora, um cházinho.

     

    7.2.14

     

    IRRITADO

  • UM JORNAL MUITO “SENSÍVEL”

     

    O jornal socialista do amigo Oliveira, antigo órgão oficioso da ditadura e, pós 25,  porta voz de eleição do PC, ficou ofendidíssimo com a utilização de primeiras páginas suas, com mais de trinta anos, na capa de um livro que, segundo se diz, faz a história dos “saneamentos” “democráticos” levados a cabo pelos bolchevistas da casa sob a batuta desse miserável inimigo da liberdade que se chamou José Saramago, e de um outro soviético da época, cujo nome já não sei.

    A capa do tal livro reproduz uma primeira página do Diário de Notícias que reza: “Firmeza e coragem moral”… “não respoderei jamais aos autores dos insultos de que sou alvo”… “afirmou Vasco Gonçalves em Almada”. Mais abaixo: “Os trabalhadores do DN suspenderam trinta jornalistas”.

    En vez de bater com a mão no peito e tentar o perdão das gentes, o DN fica muito ofendido por lhe destaparem uma careca que, se houvesse um mínimo de honestidade, assumiria como indesculpável erro de um passado já longínquo.

    A coisa, porém, é mais sofisticada: o DN não nega a veracidade, material e formal, da página reproduzida. Acha, sim, que há direitos de autor a respeitar e que a editora do tal livro tinha que pedrir licença (ou pagar) os direitos da capa. Algo diz, mesmo ao menos avisado, que o que o DN não queria era que ressuscitassem a repugnante primeira página e o seu conteúdo de polícia política ressuscitada de pernas para o ar.

    E se a editora tivesse pedido autorização? Parece evidente lhe lhe não seria dada. A coisa estava escondidinha e quase esquecida! Uns chatos, estes editores.

     

    Assim vai a “informação” em Portugal.

     

    7.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA DESGRAÇA DE CALÇAS

     

    Antigamente, quando as asneiras eram feitas por mulheres, dizia-se que eram “asneiras de saias”. Com o andar dos tempos, a asserção deixou de fazer sentido, já que o belo sexo passou a andar de calças.

    É o caso da segunda figura do Estado, a nossa preclara Presidente do Parlamento, Srª Drª Esteves.

    A seguir, umas citações de entrevista recentemente concedida pela ilustre senhora à Rádio Renascença:

    «O meu medo… eu formulá-lo-ia de modo abstracto… é o do inconseguimento.»
    «O inconseguimento é o estar no centro da decisão fundamental, a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional.»
    «E tenho medo do não conseguimento ainda mais perverso: o da Europa se sentir pouco conseguida… e de não projectar para o mundo o seu soft power sagrado.»

     

    É de pôr as mãos na cabeça. De troça? Não. De piedade. De desgosto. Com um irreprimível sentimento “frustracional”. De vergonha, como diria um português com a instrução primária ainda viva no bestunto, ou que ainda não chegou às frustracionais alturas.

    Então uma cidadã, jurista, deputada, ex-juiz do Tribunal Constitucional e não sei mais quê, hoje à frente do Parlamento, representante nº 2 da III República – não do país, da III República – exprime-se, ou espreme-se, desta maneira?

    Dê-se, caritativamente, o benefício da dúvida: é que o inconseguimento é abstracto: ainda pior.

    Então a dita anda mesmo às voltas com problemas de “inconseguimento”? Anda com frustracionalidades por não se alçar a um nível mais alto que o social frustracional?
    Então a senhora, quiçá em estremeções ascéticos, acha que o sagrado soft power europeu – tão soft diria o IRRITADO, que deixou de ser power – está com falta de projecção?

     

    Nem  o velho amigo banana, nem figura alguma dos livros do velho Eça, nem os palhaços do circo, seriam capazes de se exprimir com tal propriedade.

    Terá sido algum programa de manipulação informática do discurso quem pôs na boca da tão insigne criatura palavras que jamais terá dito? Parece que não, não houve desmentido, nem processo judicial nem nada.

    Resultado: ela disse mesmo aquelas coisas.

     

    Numa palavra: a rapariga é parva.

     

    6.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA JOGADA DE MESTRE

     

    Os rapazes de leiloeira retiraram os mirós, apesar de já ter sido decidido que não havia impedimento judicial.

    Que quer isto dizer? Que acham que a nacional piolheira não é de confiança? Nem pensar, isso é o que dizem, não o que pensam. Não é preciso ser adepto da teoria da conspiração para imaginar o que se passou na cabecinha dos bifes.

    Vejamos. A leiloeira não é uma instituição preocupada com patrimónios, privados ou públicos, coisa para que se está nas tintas. É uma máquina de ganhar dinheiro com eles.

    Qual a melhor maneira de ganhar (mais) dinheiro com as maluquices da Cavilhas e quejandos? Pensaram pensaram, e descobriram a solução. Cancela-se o leilão com a desculpa das “dúvidas jurídicas” sobre a legitimidade da venda. Depois… depois é o maná: antes de mais, a piolheira tem que pagar todas as despesas até agora incorridas, às quais até se pode, “justificadamente”, acrescentar uns pós sem que se dê por isso; depois, há que ressarcir a empresa da não realização das verbas que, legitimamente, adviriam do leilão; além disso, há a importante questão dos danos morais, isto é, não pode ser de borla que o universal prestígio da uma instituição como a leiloeira seja ofendido, já que os seus clientes ficarão a pensar que a caríssima preparação do leilão não passou de teasing para os atrair a uma armadilha.

    Quanto vale tudo isto? Não se sabe, mas o IRRITADO não se espantaria se a coisa chegasse a uns dez milhões, mais as custas judiciais, as arbitragens, os juros, etc.

    A procissão vai no adro. A ver vamos o que aí vem. De certeza, certezinha, só podemos dizer que ficamos a dever mais um favor à Cavilhas.

     

     5.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • VIVA A ALBERTA, MORRA O CRESPO!

     

    Ontem, sem querer, dei comigo a ver um programa onde peroram  dois impossíveis figurões da nossa praça: Rui Rangel e Marinho Pinto.

    O que disseram, o que discutiram, no que se engalfinharam, não interessa. Mas notei com agrado que a dona Alberta Marques Fernandes, pivô da coisa, os deixou falar sem se meter onde não era chamada. Muito bem! Parabéns! Viva!

     

    Um tipo como o IRRITADO costuma ficar possesso com as “intervenções” dos fulanos das televisões, tais uma senhora cujo nome me escapa e que era casada com o Seara, e o intolerável Crespo.

    Aquela, vai metendo bitates forçados, mais ou menos a despropósito, julga-se que só para que julguemos que existe, o que dificilmente é o caso. Dêmo-la de barato.  

    Este, mete-se na conversa, não deixa os outros falar, dá as suas opiniões – como se estivéssemos ali para as ouvir – dá largas à sua informada ignorância, chacina uns com fúrias de vilão, dá abébias aos outros como fiel servo.

     

    Dito isto, parafreseemos o grande Almada, quando se zangou com o Dantas:

     

    MORRA O CRESPO! PUMBA! PIMBA! ZÁS!

     

    4.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • TAPAR FRINCHAS

     

    Quando se diz que  alguém tem muita massa em acções, quer dizer-se que teria muita massa se vendesse as acções. Enquanto as tiver, massa não tem.

    Vem isto a propósito dos quadros do Miró, lindíssimos para quem gosta, valiosos no mercado.

    Subitamente, o proprietário dos quadros, nacionalizados com o BPN por inteligentíssima decisão do senhor Pinto da Sousa, resolveu vendê-los.

    Subitamente também, uma chusma de patriotas decidiu que não podiam ser vendidos. Ninguém sabia, até agora, que a colecção existia, se calhar a chusma também não. Jamais fosse quem fosse se deleitou – sendo o caso – com as admiráveis pinturas do catalão. Mas, já que o governo resolveu ir buscar às ditas uns milhões, gota de água no oceânico buraco do BPN, há que Deus que se está a delapidar o património nacional! Nacional de quem?

    Convenhamos que seria pena a saída das obras, se elas constituíssem património de quem gosta delas. Mas, no caso, não se perde o que já se não tinha. Que diabo, esta malta reage como se se tratasse da Custódia de Belém ou dos sinos de Mafra!

     

    Numa raríssima demonstração de bom senso, um tribunal decidiu que sim senhor, a colecção podia ser vendida.

     

    Resta fazer votos para que seja bem vendida e que, sem por uma vez fazer diferença seja a quem for, se tape, com o resultado, alguma frincha dos buracos do BPN.         

     

    4.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • LEMBRAR O INESQUECÍVEL

     

    Faz hoje 112 anos foi cometido em Lisboa um nefando crime. As alfurjas de Lisboa mandaram assassinar o Rei e o seu filho mais velho. Distintíssimo diplomata, cientista inovador e de alto mérito, artista talentoso, amante da terra pela qual muito sofreu, Dom Carlos assassinado é bem a imagem do que se passa numa Nação que perdeu por completo a noção de si própria, e para quem o patriotismo se transformou em arma demagógica da mais repugnante política.

    O futuro viria a demonstrar, pelo caos político e pela mais acéfala repressão (neste aspecto, a I República deu lições à ditadura que acabaria por provocar) quais são os resultados dos “princípios” que inspiraram o regicídio.

     

    O que nunca é demais recordar.

     

    1.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • GALAMBA, CARAMBA!

     

    Esta estrela de primeira grandeza do PS, super nova ou buraco negro, quem sabe, veio declarar à Nação que prefere aumento de impostos a corte na despesa. Está no seu direito o super desagradável cidadão, munido de brinquinho na orelha e de ar de fera da Reboleira.

    Está no seu direito, como sempre esteve, de ribombar alarvidades e ameaças. Só que, desta vez, tem direito, mais que a uma boa risota, a um curioso espanto. Então não é que este luminar do PS, há anos a gritar que não se faz cortes na despesa e só se carrega nas receitas, conclui, de repente, que o melhor é aumentar impostos? Vá lá perceber-se.

    Será que o Oco sabe disto? Não sabe, como não sabe praticamente de coisa nenhuma, a não ser da melhor maneira de inventar bocas inconsequentes, exigências balofas e promessas mirabolantes.

    Venham mais impostos!, opina o rapaz. Toda a gente, a começar pelo Oco, acha que não é possível aguentar mais impostos. Este aparatchique, porém, talvez na louca esperança de chegar ao governo, trata de preparar as coisas.

    Ficamos a saber que, se nos cair em cima a desgraça de o poder lhe chegar às mãos, o PS vai aumentar os impostos. No fundo, é uma boa notícia, a bem da chamada transparência.

    Vai ser assim: o PS vai prometer aumentos de salários, compensados pelo consequente aumento de impostos. A melhor maneira, será, logicamente, estender os impostos àqueles que os não pagam, isto é, à enorma massa de gente que hoje escapa a todos os impostos pessoais e patrimoniais, o que consistirá num serviço de alta monta ao país.

    O homem diz também que, mais tarde ou mais cedo, teremos que re-estruturar a dívida. Talvez tenha razão, mas corresponde a dizer-nos que o que temos sofrido até agora não serve para nada, e que a culpa é do PSD. No fundo, é o maior desejo do PS. Que tudo corra o pior possível. Nisto, o PS não se distingue da chusma de partidos, novos e velhos, que pululam à sua esquerda. Quanto pior melhor. O patriotismo em versão socialista.

    O rapaz queixa-se amargamente do Hollande. O Hollande caiu na real. Apesar de limitado – coisa que se vê desde a primeira hora, uma espécie de Oco em versão gaulesa – parece que percebeu no que estava metido. Traíu!, diz o nosso Galamba, o PS jamais fará o mesmo. Pois não. Não é preciso ser bruxo para perceber que fará muito pior. 

     

    Caramba, galamba!

     

    1.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • FAZER NADA?

     

     

    O ilustre presidente da chamada TV de “serviço público”, senhor Fontes, ou Pontes, parangona-se no jornal: “há gente na RTP que não faz puto”, como se tal coisa não fosse do conhecimento geral.

    Na RTP? Por todo o lado, diz o IRRITADO. É, aliás o que significa, por exemplo, a “lei” da limitação dos cães domésticos e um sem número de outras iniciativas igualmente parvas.

    Quem não faz puto arranja truques para mostrar serviço. Quem complica a vida às pessoas – milhares e milhares de gente ansiosa por fazer o que não precisa ser feito – está a justificar não ter que “fazer puto” e ganhar o ordenadinho na mesma. E os professores que não têm alunos mas acham que são utilíssimos? E os tipos das entidades, das autoridades e quejandos, que não servem para nada? E os que inventam “normas” para dar que fazer a parasitas que enfernizam a vida de cada um?

    Se todos os inúteis, redundantes, extra-numerários, penduras, falsos trabalhadores, da função pública ou dela dependentes, fossem despedidos (já imaginaram?) o desemprego subia em flecha, não é? Mas não podem ser despedidos, diz o Tribunal Constitucional, do alto da sua preponderância política, a que há quem chame “independência”.

    É a pescadinha de rabo na boca: corre-se com eles, aumenta o desemprego; não se corre, a despesa é insustentável. Que fazer?, diria o camarada Ulianov. O camarada Ulianov tinha um remédio santo: mandava matar os que fosse preciso. Nós não o fazemos porque somos civilizados, prezamos os direitos humanos, e não somos comunistas.

     

    Mas, como diz o Pontes, que tal começar pela RTP? Viva o Pontes!

     

    1.2.14

     

    António Borges de Carvalho

  • PARLAPATICES


    O  inigualável Magalhães (não confundir com o computador nem com o Fernão de) veio a terreiro defender que se um parlamento se guiar pela “disciplina cesárea”, será “uma aberração”.

    Haverá que traduzir esta tão esclarecida opinião: o que o homem queria dizer é que os deputados do PSD, se votaram em bloco a história do referendo sobre a “co-adopção”, não passam de aberrações com pernas.

    Demos de barato as diversas opiniões sobre o assunto. O que nos trás é a coerência deste alto socialista.

    O homem foi ínclito deputado comunista, tonitruando as teses do PC como se fossem a verdade absoluta. Fosse qual fosse o assunto, não há memória de alguma vez ter votado sem respeitar a disciplina do comité central.

    Depois, apagado o “farol” soviético, o fulano achou que tinha que se “aggiornare”. Meteu-se no PS, e lá foi parar ao Parlamento outra vez. Continuou a exercitar ribombantes oratórias, desta vez a favor do “socialismo democrático”. Também não consta que, uma vez que fosse, tivesse rompido a disciplina partidária, tivesse feito uma declaração de voto que fosse menos alinhada com o poder do partido. Até chegou a secretário de Estado não sei de quê. Teve assento na “Quadratura do Círculo”, local onde não fez história nem consta que alguma vez tivesse feito considerações menos convenientes ou menos alinhadas com o poder instalado no partido.

    E é este parlapatão que, agora, vem chamar aberração aos que fazem, ou fizeram, exacatmante o mesmo que ele passou a vida a fazer!

    Para que conste.

     

    27.01.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DIÁLOGOS DO CANECO

     

    -Olá, Pedro, tudo bem?

    -Cá vamos, Marcelo, cá vamos..

    – Tenho andado a pensar nesta história das presidenciais.

    – E…

    – É que, sabes, isto tem muito que se lhe diga

    – Ai sim? E então?

    – Então, olha. As sondagens dão-me primazia, pelo menos dentro da nossa área. Estou à frente!

    – Ainda bem.

    – Pois. Mas não vai chegar. É que, mesmo que os nossos habituais eleitores votem em mim, não chega, preciso de mais.

    – Mas isso é a tua especialidade. Não é por isso que passas a vida a dar uma no cravo outra na ferradura?

    – Pois, pá, mas hás-de reconhecer que tenho, por toda a parte, muitas simpatias. Isso deve-se à minha imparcialidade. Não é o que a malta espera de um presidenciável?

    – Pois pois. Vá, desembucha.

    –  A ideia é zangar-me contigo.

    – Tens cada uma! Diz lá o resto.

    – Precisava da tua colaboração.

    – Quer dizer, tenho que te dar uma boa razão para te zangares, não é?

    – Ora vês? Não há dúvida que és um tipo inteligente.

    – Pois pois, diz lá mas é o resto.

    – Olha: aí num discurso qualquer, vais arranjar maneira de dizer que eu não sou bom para candidato. Depois, eu zango-me, e desisto da candidatura.

    – Continuas um maquiavelzinho do caneco!

    – Nem mais.

    – Mas, se desistes, como é que queres candidatar-te?

    – Isso é fácil. Arranja-se uma vaga da fundo!

    – Uma vaga de fundo?

    – Sim, o Barroso já se pôs de fora. O Rio é para São Bento, quando te fores embora. Quem fica? O Marcelo, quem havia de ser? Eu! É o que a malta vai exigir.

    – E como é que voltas com a palavra atrás?

    – Palavra atrás? Nem pensar. A minha desistência foi anunciada num momento de confusão emocional, em estado de choque. Então não viste o que o Portas fez ao irrevogável, e até foi promovido? Nada estárá perdido. Pelo contrário. Os teus eleitores só me terão a mim para votar. E haverá uma data de gente de outras zonas a votar também, porque são contra ti. Percebes?

    – Não percebo, mas não faz mal. Se assim o queres, vamos a isso. Depois não venhas dizer que tiveste azar, ou que eu é que sou o mau da fita. E não te garanto nada.

    – Não precisas. Os acontecimentos é que determinarão o desfecho desta história. E, como sabes, quem faz os acontecimentos sou eu!

    – Bom, ‘tá bem. Eu digo qualquer coisa. Depois logo se vê.

    – Assim é que é falar.

    – Bai bai. Beijinhos à prima.

    Clik.

  • DA PRESIDENCIAL COMPLICAÇÃO

     

    A propóstito do aniversário da presidência de Cavaco Silva tem-se ouvido os mais extraordinários disparates.

    Para o efeito deste post, não interessa saber se o mandato tem sido positivo ou negativo. Para o IRRITADO, que não é admirador de Cavaco Silva, ainda menos dos seus antecessores, importante será pensar no que é o presidente da Republica em Portugal, se é que se trata de alguma coisa que se possa definir.

     

    A discussão a que recorrentemente assistimos sempre que há uma eleição presidencial, sobre o que é ou deixa de ser o cargo, é mais que esclarecedora a este respeito: revela que ninguém sabe nem deixa de saber o que faz um senhor que somos obrigados a eleger sem saber para quê.  Ao certo, sabe-se que vai ocupar um Palácio Real, ter um numeroso staff, ganhar umas massas (não muitas) e que tudo isto, mais a eleição, mais a reforma, custa à Nação um ror de dinheiro. O PR, em Portugal, não tem poder mas tem poder. Não manda, mas quer mandar. Há quem ache que devia fazer mais, como quem diga o contrário. A discussão nunca terá fim.

     

    Não há é quem ponha o dedo na ferida, quem se atreva a dizer que o rei vai nu, que o sistema não presta, não funciona, e será sempre, em vez do factor de união que há quem veja no chamado Chefe de Estado, uma fonte de quesílias, pasto ideal de discussão para demagogos, “constitucionalistas”, comentadores e oportunistas.

    Na Europa que nos é próxima, todos os regimes são parlamentares e bi-camerais. Um único regime há que se intitula “semi-presidencial”, e onde o PR é eleito por sufrágio universal: o francês. Em França, o Presidente é o verdadeiro chefe do governo e o representante formal e executivo do país em política externa e de defesa. A V República, criada à imagem e semelhança de De Gaule, destinava-se a fazer do Presidente o chefe político número 1, mesmo nos raros casos de “cohabitação”.  As coisas são claras q.b..

    Entre nós, elege-se um PR directamente, mas o poder não lhe pertence. É do parlamento e, por incumbência parlamentar, do governo. O presidente, expressamente, tem como único poder efectivo a bomba atómica da dissolução do parlamento, entendida esta de utilização em circunstâncias especialíssimas. De resto, goza de poderes meramente formais. Ninguém de boa fé duvida que Sampaio se armou em comandante militar, dando conteúdo político a uma função formal, e dissolveu o parlamento através de um indiscutível golpe de Estado constitucional, isto é, usou um poder de que dispunha em oposição radical ao espírito e à letra da Constituição. Mesmo quem defenda as razões que para tal alegou não pode deixar de ver que se tratou de evidentes abusos.

    Depois, há inacreditável falácia do “presidente de todos os portugueses”. O PR é Presidente da República e nada mais. Tal falácia leva, por extensão, a que se julgue o Presidente como alguém “independente” “apartidário”, “árbitro”, etc. Ora alguém que é eleito por um lado do eleitorado contra o outro, jamais é, nem é desejável que seja nada disso, em abono do bom funcionamento das instituições.

    A “independência” presidencial levou a que tenhamos tido um presidente militar que se opôs a todos os governos, dois  presidentes civis claramente contrários aos governos (desde que não fossem socialistas…), e um, o actual, que, depois de aturar até à exaustão os desmandos do senhor Pinto de Sousa, tem, recentemente, dado uma no cravo outra na ferradura. É, apesar disso, quase universalmente acusado de estar “feito” com o governo! Como se, sendo verdade, não fosse a mais elementar obrigação do Presidente apoiar o governo que o povo elegeu! Num sistema minimamente são não pode haver legitimidades concorrentes ou contraditórias.

     

    A estúpida originalidade do nosso sistema tem terríveis consequências no funcionamento das instituções. Mas isto, até entre aquela gente que passa a vida a louvar o que se passa “lá fora”, não faz parte do debate.

     

    24.1.14

     

    António Borges de Carvalho

  • MAGNO ALMOÇO

     

    Esse produto indigno de saneamento básico que se chama Basílio resolveu almoçar com os amigos. Nada mais natural. Só que a coisa foi preparada com requintes, comunicada a hora e o local à chamada “comunicação” social, todas as facilities à disposição. Temerosa e ordinária, como é de estilo, a tal comunicação fez-se representar em tal e tão grandioso acontecimento, com todos os meios técnicos necessários

     

    A que se destinava o almoço? A comer? A conviver? A estudar problemas e soluções? Nada disso. Destinava-se a pôr os convivas a papaguear aleivosias, para gozo e lucro dos comunicantes.

    Distinguiu-se o papagaio Freitas, de longe o mais eficaz na satisfação da encomenda do tal Basílio. Como dizem os hediondos liberais, não há almoços grátis. No caso do inacreditável Freitas, foi caro, mas pago com gosto. Soares foi menos “assertivo” que de costume. Saiu-lhe mais em conta. Sampaio tirou o cavalo da chuva, não pagou o repasto. Caloteiro, deve pensar o Basílio.

     

    Atingido o objectivo, voltaram ao cano. Uma aula magna em petit comité.

     

    24.1.14

     

    António Borges de Carvalho

  • DO RIDÍCULO INSTITUCIONAL

     

    Viram, na primeira página dos jornais, a carinhosa doutora Maria apoderar-se um braço do Cristiano Ronaldo, ao mesmo tempo que o seu estremoso consorte segurava no outro? Não ficaram comovidos?

     

    A coisa não tem importância nenhuma. O que tem inportância, de um ponto de vista institucional, é isto de a senhora andar permanentemente agarrada ao Presidente da República, como se fizesse parte de algum inseparável ticket. Não se percebe porque não haverá algum chefe do Protocolo de Estado que não intervenha, ou se, intervindo, os seus conselhos não são seguidos pelo destinatário. Contra todas as normas de todos os protocolos, contra o mais elementar bom senso, a senhora não pára de se passear ao lado do marido.

    Nem aquelas que, por tradição, têm o “direito” a ser “primeiras damas” o fazem. Nem os príncipes consorte andam atrás das respectivas rainhas, nem as rainhas por casamento andam permanentemente atrás dos reis, nunca ninhuém viu o marido da Merkel, nem o da Tatcher, pelo menos em actividades das respectivas agendas oficiais.

     

    Em matéria protocolar, tanto no Estado como entre amigos ou amigas, se os convites são para um, são para um, se se quer o consorte, diz-se. É uma tristeza ver a senhora atrás do marido, num mar de fulanos e de fulanas que não levaram os consortes, nem tinham que levar.

    O PR não percebe isto? Não manda lá em casa? Não há, no palácio real que ocupa, quem o aconselhe? Não percebe o ridículo da coisa? Que mensagem pretende passar? Uma de saloiismo?

     

    22.1,14

     

    António Borges de Carvalho   

  • OMELETES E OVOS

     

    Quando se vê uma senhora do PS, já de certa idade, bem arranjada, acabadinha de sair do cabeleireiro, a comandar as hostes de uma coisa que se chama “apre!”, o cidadão comum tem o direito de se perguntar até que ponto esta senhora foi reduzida à miséria pelos cortes nas pensões. Não foi.

    Muito boa gente, IRRITADO incluído, que sente no seu dia a dia a hecatombe de impostos e cortes que lhe caiu em cima, bem como a impiedade dos funcionários públicos com quem tem a desgraça de ter que lidar, vai dando tratos à moleirinha para saber como vai aguentar, isto não falando nas despesas que já teve de cortar e na quebra de “conforto” a que está a ser sujeita. A tal senhora e seus aderentes e anexos, ainda que presos nas malhas da crise, não foram reduzidos à indigência. Têm que mudar de vida, como todos os que tinham um pouco, ou um muito, mais que o mínimo. Os que estavam no mínimo – infelizmente grande parte dos portugueses – nada sentiram. Pelo contrário, há preços desceram e, nalguns casos, até recebem um pouquito mais do que antes. Também há os que têm que ajudar filhos e netos desempregados. Mas não será isso o normal nas famílias no estado em que nos meteram?

    Enfim, tudo é mau, mas não é tão mau como o pintam. A senhora que serviu de mote, por ser exemplar, usa e abusa da velha história do “contrato” que fez com o Estado para que este lhe garantisse um xis de pensão de reforma. Quer receber o resultado das suas poupanças, expressas em descontos e taxas. O problema é que, se tivesse havido tal contrato, se tinham “alterado as circunstâncias que levaram à sua subscrição” e, como diz a lei, o contrato teria que ser revisto, e ia tudo dar no mesmo. Mas não houve contrato. O que houve foi descontos para um fundo que o Estado usou para o que muito bem lhe aprouve, incluindo a “protecção social” dos que nunca descontaram um cêntimo ou descontaram tão pouco que, num sistema capitalista, pouco ou nada teriam a receber.

    É enganoso, demagógico ou irrealista, sejam quais forem os ditames socialistas da Constituição, defender princípios de capitalização quando, ao mesmo tempo, ideologicamente, se exige que eles não sejam a regra! Ou seja, o socialismo impõe que se respeite regras contra as quais se bate, e grita que é devido às pessoas o que o capitalismo lhes garantiria. Por outras palavras, a ideologia oficial da Constituição e da senhora do PS propõe que se coma a omelete e se fique com os ovos. E, perante a crise que o socialismo criou, berra contra os que apanharam com ela em cima, com a incumbência de, melhor ou pior, a ultrapassar!

    Facto é que a contestação se limita às senhoras como a penteadinha do PS e a dona Manuela, outro exemplo marcante. Não chega, ao contrário dos ardentes desejos do dr. Mário Soares e das inconfessas esperanças do Oco, à esmagadora maioria da população que, ou não está pior do que estava ou tem bom senso. Não há a desejadíssima violência, como não há espiral recessiva nem outras desgraças maiores. Bem pelo contrário, há uma ténue luzinha ao fundo do túel. Prouvera que não venha o PS dar cabo disto outra vez.

     

    22.1.14

     

    António Borges de Carvalho

  • AINDA AS BOLSAS

     

    Um grupo de auto intitulados cientistas, ou a tal candidatos, manifestou-se nas ruas contra a diminuição do número de bolsas que lhes vinham sendo concedidas. Terão razão para o protesto.

    A manifestação vem no seguimento de uma polémica que o IRRITADO já comentou. No entanto, como a confusão persiste, talvez valha a pena voltar ao assunto.

    Anda por aí um coro a chamar ao governo os mais extraordinários nomes, que promove a ignorância, que favorece a emigração, que condena a Pátria a um negro futuro, que tudo submete a considerações orçamentais, que garrota o desenvolvimento, isto para citar as observações mais doces.

    Ora a verba orçamentada para a ciência, ao contrário do que naturalmente se passa na generalidade da despesa do Estado, é mais alta que em 2013. O que, desde logo, destrói a argumentação do coro. É mentira, evidentemente, que estejamos perante as tais considerações orçamentais.

    Mas há menos bolsas. Parece que isto é verdade, tal como haver mais dinheiro. Em que ficamos? Os críticos não esclarecem. Ouvi ontem um tipo que, apesar de socialista, costuma tecer comentários mais ou menos lógicos: António Vitorino. Neste caso, porém, ficou-se pelos argumentos do coro, sem, sequer, os sofisticar. O inexistente corte é um ataque político à ciência feito por um governo incompetente, e pronto. É prático, barato e as audiências gostam, não é?

    Sendo verdade que, se falamos de dinheiro, está demonstrado que não há ataque nenhum, concluímos estar perante a habitual crítica pela crítica, a habitual verrina, própria de oposicionistas desonestos. Nenhum deles levantou a questão de fundo: se há mais dinheiro e menos bolsas, que aconteceu? Os critérios de atribuição foram mais exigentes? Houve descriminação política ou social? Houve selecção de candidatos com critérios duvidosos?  Um deles dizia à televisão, a coberto do anonimato, que aquilo das bolsas era o seu emprego, e que não sabia como ia sustentar a família, o que expressa bem o que vai nalguns espíritos.

    O IRRITADO  está há que tempos à espera, ou por uma crítica com pés e cabeça, ou por um esclarecimento cabal do assunto por parte de quem de direito. Quem de direito, no caso, parece não ser o eterno culpado Crato. Ele deu a massa, quem a aplica é uma tal Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Parece que esta organização gasta menos dinheiro com bolsas e mais com outras coisas. Com razão? Sem ela? Triste é que toda a gente se fique pela rama “orçamental”, mentindo, em vez de ir à matéria de facto.

     

    Não percebo lá muito bem porque há-de o IRRITADO ser tão sensível a esta história. Talvez porque ela seja o exemplo ideal do que há de acéfalo, quando não desonesto, na chamada luta política.

     

    22.1.14

     

    António Borges de Carvalho

  • UM ESCOL, UM PROBLEMA

     

    Várias senhoras e um senhor, pelo menos, fiéis serventuários do contumaz Pinto de Sousa, declararam à Nação estar dispostos a continuar a servi-la nas árduas tarefas a que se dedicaram em muitos anos de sacrifício no Parlamento Europeu. Que bom!

    Dona Edite Estrela quer continuar o estrelato, de que há dez anos merecidamente goza, sobretudo, diz ela, para que não páre a sua cruzada a favor do aborto universal e ilimitado, quem sabe se com prémios crescentes, segundo as repetições.

    Dona Ana Gomes está na mesma posição: o seu projecto de fundação de uma polícia política europeia, de que seria a indiscutível chefe, veria os dias contados na sua ausência. Além disso, viajaria muito menos.

    O inefável Capoulas, coitado, ameaça com a paragem da reforma da Política Agrícola Comum, coisa a que há dez anos se dedica em Bruxelas e Estrasburgo, e que ainda não teve ocasião de mostrar ao mundo, isto é, ainda não deu nada.

    Dona Elisa Ferreira, ainda que só com um mandato, coitadinha, também se considera indispensável às bancadas da União, por razões certamente atendíveis.

    O IRRITADO comunga da inquietação de tão ilustre gente. Que seria de nós se este escol, a fazer lembrar os violinos do SCP, deixasse de tratar do nosso destino nas distantes plagas onde ele se joga? Sim, que seria de nós sem os abortos da Estrela, sem a polícia da Gomes, sem os insondáveis mistérios da PAC do Capoulas, sem não sei quê da dona Elisa? É difícil imaginar maior desgraça. Mais. Que seria de nós se, via despedimento do escol, o senhor Pinto de Sousa perdesse tão egrégios e bem colocados colaboradores?

     

    Calcula-se o dilema, o trilema, o quadrilema em que, pobrezinho, vive o nosso Seguro, o Oco, segundo o IRRITADO, ao tratar de tão ingentes problemas, coisa que, se ceder às suas (deles) justas reivindicações, pode vir a prejudicar outros pretendentes a servidores da Pátria, tais o astuto Assis, o intragável Zurrinho ou a doce e espernéfica Maria de Belém, mesmo sem os respectivos pastéis!

    Que se passará na cabeça deste grande líder, a quem a Nação tanto deve não se sabe o quê, mas lá que deve, deve. Aproveitará para se livrar de tantos pretendentes, pensará que é bom mantê-los lá longe, terá tanto medo do Pinto de Sousa que lhes fará a vontade? Compreenda-se que a ansiedade do povo a este respeito não tenha limites.

     

    Não. O IRRITADO não está a brincar. Pois não é este o verdadeiro problema de todos nós? Que mais importante questão nos ocupa nestes dias, agora que o Rebelo de Sousa já não é candidato a PR – problema igualmente importante, mas que, até ver, está resolvido?

     

    20.1.14

     

    António Borges de Carvalho