IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TAPAR FRINCHAS

 

Quando se diz que  alguém tem muita massa em acções, quer dizer-se que teria muita massa se vendesse as acções. Enquanto as tiver, massa não tem.

Vem isto a propósito dos quadros do Miró, lindíssimos para quem gosta, valiosos no mercado.

Subitamente, o proprietário dos quadros, nacionalizados com o BPN por inteligentíssima decisão do senhor Pinto da Sousa, resolveu vendê-los.

Subitamente também, uma chusma de patriotas decidiu que não podiam ser vendidos. Ninguém sabia, até agora, que a colecção existia, se calhar a chusma também não. Jamais fosse quem fosse se deleitou – sendo o caso – com as admiráveis pinturas do catalão. Mas, já que o governo resolveu ir buscar às ditas uns milhões, gota de água no oceânico buraco do BPN, há que Deus que se está a delapidar o património nacional! Nacional de quem?

Convenhamos que seria pena a saída das obras, se elas constituíssem património de quem gosta delas. Mas, no caso, não se perde o que já se não tinha. Que diabo, esta malta reage como se se tratasse da Custódia de Belém ou dos sinos de Mafra!

 

Numa raríssima demonstração de bom senso, um tribunal decidiu que sim senhor, a colecção podia ser vendida.

 

Resta fazer votos para que seja bem vendida e que, sem por uma vez fazer diferença seja a quem for, se tape, com o resultado, alguma frincha dos buracos do BPN.         

 

4.2.14

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “TAPAR FRINCHAS”

  1. Pois é, batatas: a Christie’s cancelou o leilão, alegando não querer meter-se nestas confusões tugas. O Sec. Estado da Cultura veio logo dizer que «leiloar as obras não é uma prioridade do governo». Ficámos assim a saber que leiloar as obras É uma prioridade do governo. Disse também que «o Estado precisa dos 35 milhões que espera obter com o leilão». Curiosamente, não vimos o mesmo zelo nos largos milhões que o Estado despejou no BPN, já DEPOIS deste governo ser eleito; nem no preço de saldo a que o despachou ao compincha Mira Amaral; nem a reaver as mais-valias mafiosas que muitos graúdos de lá sacaram; etc. Acresce que o valor esperado do leilão continua muitíssimo aquém de avaliações anteriores… ou seja, algum graúdo há-de meter ao bolso a diferença dos 35 milhões para os 150 ou 90 milhões (já li ambos), ou quantos forem os milhões que a porcaria das obras realmente vale. Quem será o graúdo? Eis a questão. Certo, certinho, é que o governo esperava fazer a coisa pela calada, atropelando até umas quantas leis. Quando a malta desse pela marosca, já aquilo estava vendido! Um governo «sério e transparente» é mesmo outra coisa… né?

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