Quando se diz que alguém tem muita massa em acções, quer dizer-se que teria muita massa se vendesse as acções. Enquanto as tiver, massa não tem.
Vem isto a propósito dos quadros do Miró, lindíssimos para quem gosta, valiosos no mercado.
Subitamente, o proprietário dos quadros, nacionalizados com o BPN por inteligentíssima decisão do senhor Pinto da Sousa, resolveu vendê-los.
Subitamente também, uma chusma de patriotas decidiu que não podiam ser vendidos. Ninguém sabia, até agora, que a colecção existia, se calhar a chusma também não. Jamais fosse quem fosse se deleitou – sendo o caso – com as admiráveis pinturas do catalão. Mas, já que o governo resolveu ir buscar às ditas uns milhões, gota de água no oceânico buraco do BPN, há que Deus que se está a delapidar o património nacional! Nacional de quem?
Convenhamos que seria pena a saída das obras, se elas constituíssem património de quem gosta delas. Mas, no caso, não se perde o que já se não tinha. Que diabo, esta malta reage como se se tratasse da Custódia de Belém ou dos sinos de Mafra!
Numa raríssima demonstração de bom senso, um tribunal decidiu que sim senhor, a colecção podia ser vendida.
Resta fazer votos para que seja bem vendida e que, sem por uma vez fazer diferença seja a quem for, se tape, com o resultado, alguma frincha dos buracos do BPN.
4.2.14
António Borges de Carvalho

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