IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AINDA AS BOLSAS

 

Um grupo de auto intitulados cientistas, ou a tal candidatos, manifestou-se nas ruas contra a diminuição do número de bolsas que lhes vinham sendo concedidas. Terão razão para o protesto.

A manifestação vem no seguimento de uma polémica que o IRRITADO já comentou. No entanto, como a confusão persiste, talvez valha a pena voltar ao assunto.

Anda por aí um coro a chamar ao governo os mais extraordinários nomes, que promove a ignorância, que favorece a emigração, que condena a Pátria a um negro futuro, que tudo submete a considerações orçamentais, que garrota o desenvolvimento, isto para citar as observações mais doces.

Ora a verba orçamentada para a ciência, ao contrário do que naturalmente se passa na generalidade da despesa do Estado, é mais alta que em 2013. O que, desde logo, destrói a argumentação do coro. É mentira, evidentemente, que estejamos perante as tais considerações orçamentais.

Mas há menos bolsas. Parece que isto é verdade, tal como haver mais dinheiro. Em que ficamos? Os críticos não esclarecem. Ouvi ontem um tipo que, apesar de socialista, costuma tecer comentários mais ou menos lógicos: António Vitorino. Neste caso, porém, ficou-se pelos argumentos do coro, sem, sequer, os sofisticar. O inexistente corte é um ataque político à ciência feito por um governo incompetente, e pronto. É prático, barato e as audiências gostam, não é?

Sendo verdade que, se falamos de dinheiro, está demonstrado que não há ataque nenhum, concluímos estar perante a habitual crítica pela crítica, a habitual verrina, própria de oposicionistas desonestos. Nenhum deles levantou a questão de fundo: se há mais dinheiro e menos bolsas, que aconteceu? Os critérios de atribuição foram mais exigentes? Houve descriminação política ou social? Houve selecção de candidatos com critérios duvidosos?  Um deles dizia à televisão, a coberto do anonimato, que aquilo das bolsas era o seu emprego, e que não sabia como ia sustentar a família, o que expressa bem o que vai nalguns espíritos.

O IRRITADO  está há que tempos à espera, ou por uma crítica com pés e cabeça, ou por um esclarecimento cabal do assunto por parte de quem de direito. Quem de direito, no caso, parece não ser o eterno culpado Crato. Ele deu a massa, quem a aplica é uma tal Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Parece que esta organização gasta menos dinheiro com bolsas e mais com outras coisas. Com razão? Sem ela? Triste é que toda a gente se fique pela rama “orçamental”, mentindo, em vez de ir à matéria de facto.

 

Não percebo lá muito bem porque há-de o IRRITADO ser tão sensível a esta história. Talvez porque ela seja o exemplo ideal do que há de acéfalo, quando não desonesto, na chamada luta política.

 

22.1.14

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “AINDA AS BOLSAS”

  1. Não sei já leu: Site do Público > Ciência > Entrevista: Presidente da FCT quer ciência menos dependente do OrçamentoEu li, e fiquei mais ou menos na mesma… para cientista, o tipo consegue ser bastante vago. Em todo o caso, talvez o ajude a entender o mistério. Recomendo também os comentários.

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