Antigamente, quando as asneiras eram feitas por mulheres, dizia-se que eram “asneiras de saias”. Com o andar dos tempos, a asserção deixou de fazer sentido, já que o belo sexo passou a andar de calças.
É o caso da segunda figura do Estado, a nossa preclara Presidente do Parlamento, Srª Drª Esteves.
A seguir, umas citações de entrevista recentemente concedida pela ilustre senhora à Rádio Renascença:
«O meu medo… eu formulá-lo-ia de modo abstracto… é o do inconseguimento.»
«O inconseguimento é o estar no centro da decisão fundamental, a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional.»
«E tenho medo do não conseguimento ainda mais perverso: o da Europa se sentir pouco conseguida… e de não projectar para o mundo o seu soft power sagrado.»
É de pôr as mãos na cabeça. De troça? Não. De piedade. De desgosto. Com um irreprimível sentimento “frustracional”. De vergonha, como diria um português com a instrução primária ainda viva no bestunto, ou que ainda não chegou às frustracionais alturas.
Então uma cidadã, jurista, deputada, ex-juiz do Tribunal Constitucional e não sei mais quê, hoje à frente do Parlamento, representante nº 2 da III República – não do país, da III República – exprime-se, ou espreme-se, desta maneira?
Dê-se, caritativamente, o benefício da dúvida: é que o inconseguimento é abstracto: ainda pior.
Então a dita anda mesmo às voltas com problemas de “inconseguimento”? Anda com frustracionalidades por não se alçar a um nível mais alto que o social frustracional?
Então a senhora, quiçá em estremeções ascéticos, acha que o sagrado soft power europeu – tão soft diria o IRRITADO, que deixou de ser power – está com falta de projecção?
Nem o velho amigo banana, nem figura alguma dos livros do velho Eça, nem os palhaços do circo, seriam capazes de se exprimir com tal propriedade.
Terá sido algum programa de manipulação informática do discurso quem pôs na boca da tão insigne criatura palavras que jamais terá dito? Parece que não, não houve desmentido, nem processo judicial nem nada.
Resultado: ela disse mesmo aquelas coisas.
Numa palavra: a rapariga é parva.
6.2.14
António Borges de Carvalho

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