O jornal socialista do amigo Oliveira, antigo órgão oficioso da ditadura e, pós 25, porta voz de eleição do PC, ficou ofendidíssimo com a utilização de primeiras páginas suas, com mais de trinta anos, na capa de um livro que, segundo se diz, faz a história dos “saneamentos” “democráticos” levados a cabo pelos bolchevistas da casa sob a batuta desse miserável inimigo da liberdade que se chamou José Saramago, e de um outro soviético da época, cujo nome já não sei.
A capa do tal livro reproduz uma primeira página do Diário de Notícias que reza: “Firmeza e coragem moral”… “não respoderei jamais aos autores dos insultos de que sou alvo”… “afirmou Vasco Gonçalves em Almada”. Mais abaixo: “Os trabalhadores do DN suspenderam trinta jornalistas”.
En vez de bater com a mão no peito e tentar o perdão das gentes, o DN fica muito ofendido por lhe destaparem uma careca que, se houvesse um mínimo de honestidade, assumiria como indesculpável erro de um passado já longínquo.
A coisa, porém, é mais sofisticada: o DN não nega a veracidade, material e formal, da página reproduzida. Acha, sim, que há direitos de autor a respeitar e que a editora do tal livro tinha que pedrir licença (ou pagar) os direitos da capa. Algo diz, mesmo ao menos avisado, que o que o DN não queria era que ressuscitassem a repugnante primeira página e o seu conteúdo de polícia política ressuscitada de pernas para o ar.
E se a editora tivesse pedido autorização? Parece evidente lhe lhe não seria dada. A coisa estava escondidinha e quase esquecida! Uns chatos, estes editores.
Assim vai a “informação” em Portugal.
7.2.14
António Borges de Carvalho

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