IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CHAMAR PAI A OUTRO

    Então não é que os britânicos andam a roubar os filhos aos portugueses? As notícias não se calam, a explorar uma série de dramas humanos.

    O que causa estranheza é que ainda não tenha havido quem disto tenha passado, isto é, que não haja qualquer luz sobre as causas de tão triste fenómeno.

    Será uma questão de xenofobia britânica? Uma consequência do brexit? Uma questão de crueldade mental? Uma cruzada contra as mães portuguesas? Ninguém sabe, ninguém diz.

    Mas custa a crer que os britânicos, sem mais nem menos, se ponham a roubar criancinhas aos seus progenitores. Conviria que o chamado governo se informasse e nos informasse sobre o assunto, já que os media se ficam pela choradeira e pela recusa de informação credível.

     

    12.10.16

  • INSTITUIR A BAGUNÇA

    Como já tenho dito, não percebo nada de informática, nem de sites nem de bits nem de bites nem de rams nem de clouds, nem de etc.. Não sei o que são cookies, não abro mensagens de redes sociais, não quero saber se o senhor Seixas da Costa “postou” uma fotografia ou “alterou o seu estado”. Acho piada a ter um blog, e fico por aí.

    Dito isto, verifico que, no caso de uma guerrinha qualquer entre o Sporting e o Benfica, uma dica ordinária (como é de timbre), foi bloqueada pelo fornecedor do serviço. Consta que, em muitas circunstâncias, os bloqueamentos são prática comum. Ou seja, entre nós como em toda a parte, é tecnicamente possível retirar plataformas digitais da net, nos limites da legalidade.

    Por cá, as uberes e os não sei quantos são declarados ilegais pelos tribunais e pelo governo. Mas nem os tribunais nem os governos bloqueiam as respectivas geringonças digitais, quiçá em nome de novos deuses, tais a “inovação”, “as startups” ou outras martingalas da praxe, da moda ou do “futuro”. O chamado governo coopera com o que considera ilegal, isto é, contradiz-se a si próprio, desobedece aos tribunais, colabora activamente na ilegalidade e patrocina a instabilidade social. Essa coisa do Estado de Direito é para aplicar à la carte.

    Ao contrário do que possam pensar, não venho pôr-me do lado das arruaças dos taxistas, malta por demais conhecida pela sua tradicional falta de chá, a ombrear com intersindicais e outras funestas organizações. Mas reconheço que, no fundo e à superfície, têm razão. Quem não tem razão é o chamado ministro do ambiente, que devia ser perseguido pela justiça por andar a fugir a ela.

    Se eu quiser abrir uma tasca tenho que respeitar quinhentas e trinta e duas leis, três mil regulamentos, requerer trezentas vistorias e, é claro, pagar, pagar, pagar. À la limite, até é de pôr a hipótese de contribuir para o bem estar dos fiscais da câmara, a fim de não me fecharem a porta. Mas, se quiser fazer um negócio “uberizado”, não tenho leis nem regulamentos nem vistorias nem fiscais. Nem limites nem contingentes, como é o caso.  Tudo de borla e à fartazana. Não vou contra. Mas, ou há moralidade ou comem todos.

    Não é o caso. Nem o ministro, que é hipócrita, nem a geringonça, que é aldrabona, são desta opinião. Nem os chefes dos taxistas, que são selvagens e burros, percebem que andam a dar tiros no pé.

     

    11.10.16

  • CONSELHOS PARA A “MOBILIDADE” E A JUSTIÇA

    Parece que o chefe dos táxis – aquele que prometeu porrada e, hoje, cumpriu a promessa – teve a amabilidade de pedir desculpa às pessoas pelos atrasos que a distinta classe lhes vem causando.

    Antes de mais, os meus cumprimentos. Nunca tinha ouvido tal coisa, nem dos tipos da Carris, nem dos do Metro, nem dos da CP, nem dos de Cacilhas, nem dos demais clientes do Arménio que nunca pediram desculpa a ninguém pelos problemas que causam, dia sim dia sim, a reboque das suas principescas exigências.

    Isto dito, dada a elevada consideração que tenho pelos taxistas e pelas suas “estruturas representativas”, passo a dar-lhes um conselho, a ver se acordam.

    Considerando que:

    A.Por várias razões, entre as quais as adiantadas pelo politicamente correcto, pela “inovação” e pela tecnologia, a Uber e quejandos são inevitáveis;

    B. Não vale a pena, nem espernear, nem chatear o indígena;

    C.“Se não os podes vencer, junta-te a eles”,

    A solução, que está nas vossas mãos, desde que todos alinhem, é a seguinte:

    1. Pintem os carros com as cores que lhes der na gana;
    2. Deitem fora os taxímetros e outras antiqualhas;
    3. Lancem um portal como o da Uber, com tarifas atraentes;
    4. Paguem os mesmos impostos que a concorrência pagará um dia;
    5. Para já, não paguem nada;
    6. Seis meses depois os vossos investimentos chegarão ao break even;
    7. Daí em diante é ganhar o vosso, muito mais que a concorrência electrónica.

    Têm é que fazer isto todos ao mesmo tempo, a fim de pôr a geringonça de cócoras, o que será um inestimável contributo para a nossa felicidade.

    E pronto, este conselho é gratuito.

    Este também: não se esqueçam de apagar a telefonia.

     

    10.10.16

  • C’EST LA VIE

     

    É natural que os governos, quando estão à rasca, lancem uma medidas para ver se compõem as contas antes do fim do ano. É o caso dos perdões fiscais. Não se pode levar isto a bem, mas também não se poderá levar muito a mal.

    O que não se pode é chamar carro eléctrico a um perdão fiscal. Ainda menos pode ou deve um governo dizer ao meio dia que há um perdão fiscal, às duas da tarde que não há perdão nenhum, às quatro que há sim senhor e, no telejornal, que não há não senhor. Que diabo, assumam que a coisa está fora dos carris e que é preciso sacar uns mil milhões ou coisa que o valha se quisermos ter contas aceitáveis.

    Pior ainda (esta é de há horas) o chamado governo vem anunciar uma das mais rocambolescas medidas de que há memória histórica, ou fiscal. Nada menos que aumentar os impostos às empresas, declarando que, daqui a três anos, recuperarão a massa, correcta e aumentada. É uma aldrabice que não cabe na cabeça, nem dos estúpidos nem dos inteligentes, só dos parvos, dos cobardes e dos banha-da-cobra, tenham a inteligência que tiverem. O governo saca já; na próxima legislatura, quem cá estiver que tenha a despesa da reversão!

    Não é fácil comentar mais esta. Mas não faltará quem o faça, com ditirâmbicos elogios.

    C’est la vie.

     

    9.10.16

  • FMC

    Se há sigla que defina os “nossos” canais de informação, é ela, há quase um ano, o FMC (Futebol, Marcelo e Costa). Nos generalistas, o panorama não é muito diferente.

    Aqui há tempos, pus-me a contar os intelectuais da bola que, em simultâneo, debitavam as suas bocas nos vários canais: uns quatorze. Se acrescentarmos a esta porcaria o saltapocinhismo beijoqueiro do senhor Presidente da III República e o aldrabismo militante e alvar do chamado primeiro-ministro, teremos a manhã, a tarde e a noite devidamente preenchidas, natural e salutarmente, com o acervo de informação disponível.

    Nesta ordem de ideias, haverá que agradecer ao santo António Guterres ter vindo a ocupar, durante cerca de 29 horas por dia – estatísticas do IRRITADO – o espaço informativo em apreço. Só que… o problema é que já não se pode ver o santinho alimentador do orgulho pátrio, calado, a falar, a passear em Nova Iorque, na Beira Alta (ou Baixa?), pequenino, estudante, mais crescidinho, a falar do pântano, de braço dado com a Angelina, de cu para cima, de cu para baixo, rodeado de criancinhas famélicas ou de chusmas de grandes deste mundo, hoje, há vinte anos, há trinta, não sei quando, no liceu Camões, no Técnico, no Uganda, na Musgueira, a dar explicações de borla, elogiado por centenas de altas criaturas, de amigos, de não-amigos-que-passaram-a-amigos, até parece que o homem já morreu e, como tal, é o máximo.

    Coitado, ele até tem valia, até ganhou aquela coisa, pôs Portugal na agenda (dizem), está na maior das mós de cima. Chapeau!

    Sublinhe-se também os apanhadores de combóios que por aí se acantonam, batalhões de ajudantes, presidentes, ministros, diplomatas… todos a reivindicar os méritos do António, uma fatiazinha do mérito de António, se não fôssemos nós que seria feito do António, se não fosse eu, as minhas diligências, o meu prestígio global, a minha influência, sim, eu, eu tanbém ganhei à Merkel, eu dei a volta ao Putin, eu isto, eu aquilo.

    O António teve, além de tudo o mais, o mérito de nos livrar do FMC durante uns dias. Mas já chega. Senhor, estou farto! O mérito do António, nesta matéria, não é pouco. Valeu a pena. Basta! Não que eu fique contente com o regresso, a galope, do FMC, mas porque foi, continua a ser, o mais prejudicado pelo António.

    Passada a onda de gutérrico patriotismo, o António vai ter a mesma influência que tiveram os seus antecessores no que respeita às nações de cada um. A Áustria, o Gana, o Egipto, a Coreia e outros, passaram a ser faróis da humanidade depois de ter tido um tipo no trono da ONU. Não foi?

    Depressa voltaremos, ou ficaremos, onde estávamos: no FMC, quer dizer, no pântano, ora mais eutrofizado e escorregadio, que o António criou e denunciou como se aculpa não fosse dele e que vários dos seus seguidores e camaradas tanto amam.

     

    9.10.16

  • DO ENTUSIASMO POPULAR

    Apesar de tudo, há coisas que correm bem.

    Por exemplo, Paços do Concelho, 5 de Outubro de 2016. Uma multidão de 17 pessoas (5 assistentes e 12 passantes) assistiu entusiasmada ao içar da bandeira da República. Ficou claramente demonstrada a enorme alegria do povo pelas benesses da coisa, pela moral republicana e pelo alto significado patriótico da data.

     

    6.10.16

     

  • OUTUBRO ARTÍSTICO

    Na ânsia de tecer loas ao jacobinismo, o DN resolveu dedicar várias edições à ominosa data de 5 de Outubro. Para tal, nada melhor do que louvar a queda das monarquias europeias ocorrida no século XX. Apesar da gloriosa marcha das novas repúblicas, o DN reconhece que houve uma dezena da monarquias que resistiram pela Europa fora. Esquece, como é de timbre em propagandas do estilo, que tais monarquias são, por esmagadora maioria, as mais avançadas democracias do continente e as que melhor funcionam, os mais sólidos regimes, as nações onde os direitos das pessoas são mais respeitados. Esquece que, nas nações europeias que têm problemas de nacionalismos internos e de rivalidades linguísticas, são as respectivas monarquias o melhor, e quase único, garante da unidade. Esquece que os respectivos povos não põem em causa, antes respeitam, amam e apoiam as suas dinastias e seus representantes. Esquece o que foi a I República em Portugal, a sua feroz iniquidade, o seu nacionalismo parolo, o seu visceral desprezo pelo direito e pela liberdade. Esquece que, depois dela, a II República foi o que foi, mais de quarenta anos de autoritarismo. E esquece no que deu, e está a dar, a III República.

    Ao longo dos dias, tem o DN vindo a publicar facsimiles da propaganda gráfica do 5 de Outubro. Se outro sinal não houvesse da “qualidade” cultural e política do que foi impingido ao povo português a partir daquela data, aí temos bem expresso o que ela foi: primitivismo saloio, gosto miserável, nacionalismo pacóvio, pobreza artística e popularucha bem expressa em imagens dignas de saloios e mentecaptos.

    Fica tudo registado, e ainda bem.

     

    5.10.16

  • BENEFÍCIO DA DÚVIDA

    Foi com muito prazer que o IRRITADO recebeu a notícia da substituição da directora do “Público” por um jornalista que, ao que tudo indicava, seria capaz de dar alguma independência jornalística à publicação, bem como de lhe mudar a cara que há tanto vinha vigorando – a mal disfarçada cara de um instrumento do PS e apaniguados, com um ou outro opinador de diversa origem a título de raminho da salsa.

    Quando penso nestas coisas, vem-me à cabeça a memória das caricaturas de Balsemão, desenhadas julgo que pelo Cid: as características melenas do homem a encimar um rosto sem cara. Tinham um significado evidente, ainda que injusto. Podem, no entanto, aplicar-se à generalidade dos nossos jornais ditos “de referência”, entre os quais o “Público”. Caracterizam-se a si mesmos como “pluralistas”, isto é, abdicam, ou fingem abdicar (é o caso) de qualquer tendência política, o que não é hábito dos grandes jornais europeus. Toda a gente sabe que, em Espanha, o ABC é de direita e o El País de esquerda, como em França o Figaro e o Le Monde, por exemplo.

    Na minha óptica, os jornais deveriam ter duas missões: a de informar com objectividade e a de formar com opinião. As salganhadas de opinadores ditos independentes sem disso nada ter impedem as escolhas de cada um. O “Público” é, há anos e anos, um evidentíssimo mas inconfesso jornal de esquerda, o que só contribui para baralhar a cabeça dos menos avisados.

    Boa razão para saudar a mudança de director. No entanto, a avaliar pelas intenções hoje por ele reveladas, parece que vamos ficar mais ou menos na mesma.

    Independência e pluralismo, sim, mas com apertados limites, fora dos quais há muito o jornal navega. Não parece, infelizmente, ser o caso.

    Enfim, demos a David Dinis o benefício da dúvida, que bem merece. E esperemos que o vírus de o jornal que enfermava tenha os dias contados.  

     

    3.10.16

  • POLÍTICA EXTERNA

    Na propaganda da geringonça, anda a dita muito preocupada com a sorte das instalações da Terceira. Fala-se em negociações com os EUA, em novas e ecológicas facilities a pagar pelos americanos, no diabo a quatro.

    É sabido que, nisto de negociações, há que mostrar alguma força. Daí que a subida inteligência do chamado governo tenha desencantado a “ameaça amarela”, de que Salazar já falava. Nada melhor que mandar vir um grandalhão da China para “combinar a visita do Costa a Pequim”. Estão a ver, não é? Portugal (e o Costa) são de tal maneira importantes que o grandalhão, venerador, se mete no seu jumbo e vem encontrar-se com o Santos Silva nos Açores. Nada de diplomatas, nada de gabinetes, nada de protocolos: para tal, só a presença física do tal grandalhão. Gente importante é assim!

    A esperteza saloia tem um preço, desta vez corporizado por seis caças americanos a mostrar os dentes.

    Nada do que é absurdo, ou estúpido, ou aldrabão, está fora dos horizontes intelectuais da geringonça. Por um lado, enchem a boca com a importância estratégica dos Açores. Por outro, sugerem entregar aquilo aos chineses, a julgar que os EUA estremecem de pavor com tal “sugestão”.

    Que mais estará para nos acontecer?

     

    2.10.16

  • SANCHOSTA

    O camarada Sanchez olhou para o Oeste e viu a oportunidade da sua vida. Portugal era a prova provada de que não é preciso ganhar eleições para subir ao poder. Viu o triunfo do Costa, viu como se põe no poleiro, não um, mas todos os que as perderam, e como se defenestra os que as ganharam. Percebeu que isso de vontade popular é uma treta se comparada com contas parlamentares, moral e politicamente ilegítimas mas burocraticamente praticáveis. Se, em Portugal, os partidos comunistas eram capazes, a troco do poder, de pôr de lado as suas propagandeadas convicções, porque não havia ele de conseguir que o jagodes do rabo de cavalo se esquecesse da Catalunha e de outros chavões eleitorais?

    Assim, provocou duas eleições legislativas, e estava disposto a provocar terceiras. Que interessava que o PP subisse, e ele descesse? Que importava que os espanhóis, como os portugueses, apontassem nas urnas um rumo que, uma vez posto de pernas para o ar, o pudesse levar à Moncloa? Nada. Se Costa “ganhou”, porque não havia ele de fazer o mesmo, com os mesmos métodos?

    Enganou-se num pormenor, que distinguirá o que resta do PSOE dos seus hermanos da Lusitânia. É que, por cá, a honra democrática do PS foi substituída pelo oportunismo, o respeito pela vontade popular, salvo tímidas excepções, foi para o cesto dos papéis. No PSOE, pelo contrário, parece que houve quem preferisse ser sério e não aparasse os golpes do Sanchosta. Os antigos líderes revoltaram-se e vieram dizê-lo na praça pública. Por cá, atente-se no silêncio do Sampaio, no entusiasmo do Ferro, ex-líderes, teoricamente democráticos, mas praticamente pró-radicais de esquerda. Atente-se na honradez de uns e na miséria moral de outros.

     

    Sanchez caíu. Não se sabe o que se seguirá. De uma coisa podemos estar certos: se houver eleições, o PP ganhará outra vez, os outros perderão, como de costume. Se não houver, é possível que, sem o Sanchosta, o PSOE tome juízo.

     

    2.10.16      

  • DA MEDIÁTICA PORCARIA

    A esquerda sempre achou muito bem que o doutor Cavaco aturasse o senhor Pinto de Sousa (vulgo Sócrates) durante anos e anos, e muito mal que não tenha dado cabo de Passos Coelho enquanto pode. Os critérios do costume, nada de novo.

    O doutor Cavaco sacaneou muita gente, maxime o dr. Santana Lopes e o PSD, como toda a gente sabe. Nunca sacaneou a esquerda, antes a levou ao colo até à bancarrota, e acabou por, em vez de renunciar ao cargo, empossar a geringonça, com prejuízo do regime e da democracia, pondo de lado tudo o que, honestamente, se poderia ler nos resultados eleitorais.

    Posto isto, haverá que lhe reconhcer qualidades institucionais e deixá-lo em paz na sua doce reforma, lado a lado com os seus colegas Eanes, Soares e Sampaio.

    Não, não pode ser, diz o mais lídimo representante do PS nos media, a saber, o jornal do engº Belmiro. Há que zurzir os costados do homem. Daí, uma manchete a várias colunas, mais duas páginas de acusações totalmente descabeladas, as quais, espremidas, não têm outro significado que não seja manipular dados e insinuar “pecados” que, a haver, são fruto da nacional-buroctacia, não do cidadão Cavaco.

    O ódio, de tão evidente, de tão rebuscado, de tão porco, denuncia-se mais a si próprio do que ao seu objecto.

     

    2.10.16  

  • DIÁLOGO À ESQUERDA

    – António, meu caro, temos que dar uma ripada das boas nesta malta.

    – De acordo, Mariana, se tu e a Catarina acham… e a que malta te referes?

    – Aos acumuladores de capital.

    – Acho bem, mas quais?

    – Quais? Já reparaste que andam para aí montes de tipos que chegam ao fim do ano com 50.000 euros no banco? E se a gente obrigasse os bancos a deitar cá para fora o que eles andam a fazer?

    – Se calhar não sacávamos muito com a história…

    – Talvez, mas dava-se o exemplo. Aos poucos, íamos sacando e amedrontando. O dinheiro é do Estado, o Estado somos nós!

    – Lá isso é verdade. Mas precisamos de uma justificação, enfim, uma lei qualquer, para poder começlar a vasculhar.

    – Está tudo planeado. Há para aí umas directivas da Europa…

    – Pois, mas é só para estrangeiros cá, e para portugueses lá de fora.

    – E o que é que isso interessa? Fazes uma discursata, dizes que a culpa á da Ângela, do Junker ou de outro gajo qualquer da direita, e pronto.

    – Minha querida Maraina, isso é que é cabecinha, vamos a isso! Quem tiver 50.000… pumba!

    – E se alguém te destapa a careca?

    – Filha, não penses nisso. Com duas patacoadas na TV dou cabo deles, como de costume.

    – Então, força. Se quiseres eu ajudo.

    – OK. Combinado. E o imposto do património?

    – Isso é de caras. Acima de 500.000, porrada neles!

    – E os tipos que tiverem património valioso mas improdutivo, arruinado, ou tiverem buracos nos bancos, ou estiverem falidos e ninguém lhes der um tostão pelos anéis?

    – António, António, deixa-te de pruridos, o que interessa é metê-los nos varais. O que interessa é a revolução socialista. Não podemos impô-la à cacetada, vai aos poucos. De outra forma nem terás dinheiro para pagar à função pública, aos teus eleitores, que é quem nos interessa.

    – Carradas de razão. Vamos arranjar um grupo de trabalho para baralhar as coisas. Diz-se que ainda não está decidido, entretem-se o pagode e, no meio de três mil linhas do orçamento, a coisa acaba por passar, não achas?

    – Isso é que é falar, viva o socialismo revolucionário! Até logo.

    – Viva! Sempre ao dispor. Um beijinho. Chau.

     

    30.9.16  

  • AVALIAÇÕES

     

    Um especialista em arruinar empresas como os estaleiros de Viana do Castelo e em alugar barcos aos gregos, surfou das salsas ondas ao continente, logo se alcandorando à presidência do PS e do seu rebanho de deputados. Um tipo desagradável, para dizer o menos, demagogo, desbocado, insultuoso, pelo que se vai vendo na TV.

    Além disso, tem-se notabilizado pelos seus geringôncicos entusiasmos, roçando a graxa pelos meandros do bolchevismo e do esquerdoidismo.

    Nada faria imaginar que viria a tomar uma atitude absolutamente contrária à filosofia da coligação de esquerda e tão pouco adequada aos seus proclamados princípios.

    É sabido que a geringonça é contra os exames dos estudantes, contra a avaliação dos professores, contra tudo o que possa servir para testar a performance de cada um, a fim de não lhes prejudicar o equilíbrio interior.

    À revelia de tudo isto, a criatura em apreço resolveu avaliar os seus serventuários do Parlamento. Em luzido relatório, produziu as suas apreciações: quantos requerimentos fez o deputado A, quantas intervenções fez o B, quantas faltas deu o C, tudo preto no branco, a pôr a malta em histéricos frenesis.

    Por um lado, é evidente que este tipo de relatóro não tem ponta por onde se lhe pegue, uma vez que é sabido que a maioria dos deputados não tem, do chefe, autorização para falar, requerer, perguntar, sendo-lhe vedada qualquer iniciativa e não lhe sendo aplicável qualquer critério quantitativo. Mas o açoriano, dando largas à sua sede autoritária e à sua básica falta de inteligência, resolveu pôr cá fora as suas “avaliações”.

     

    Que dirá a isto o gerente da geringonça, bem como o chamado ministro da educação? Que dirão a isto as raparigas do bloco? E o sindicatos, o Arménio, o xarroco?

    Que incoerência, que desplante, avaliar ou examinar seja o que for!

     

    30.9.16     

  • CICLOPARVOÍCE

    O Fernandes (José Sá), indivíduo conhecido pelos seus intintos pidescos, que já custou aos lisboetas umas centenas de milhão – e muito mais vai custar – em atrasos, idemnizações, prejuízos comerciais, etc., aparece agora, pletórico de sentimentos urbanoides, a anunciar a aquisição de 1.410 bicicletas municipais. Bonito. Acrescente-se que tais maquinetas vão custar, está decidido, a módica quantia de 16.300 euros cada uma, isto é, uns míseros 23.000.000 no total.

    Entretanto, o mesmo depredador municipal, com o doce apoio e sob a distinta direcção do Medina, propõe-se dotar a cidade de 150 quilómetros de “ciclovias” destinadas – quais auto estradas do Sócrates – a ser frequentadas por 10 bicicletas por semana, ou coisa que o valha. Tudo à custa da circulação das pessoas normais, do estacionamento e de outras utilizações menos “ecológicas” do espaço público. Entretanto, os transportes públicos são um mar de problemas e de mau serviço, os passeios fedem de porcaria, as sargetas continuam entupidas à espera do inverno, a calçada portuguesa está no estado que todos sabem, etc.

    Mas alegrem-se. O separador central da Avenida da República foi alargado(!), com sacrifício das faixas de rodagem e, imagine-se, foi relvado! Nas laterais, as ciclovias roubarão mais espaço, desta vez tanto à circulação como aos peões.

    E assim por diante, um mar de asneiras e de atentados aos interesses das pessoas. O socialismo eco-parvo na sua mais alta expressão.

     

    30.9.16   

  • TRAFULHAS AO PODER!

    É-me mais ou menos indiferente que o célebre Guterres seja ou não seja eleito secretário geral da ONU. Se for, pois, porreiro. Se não for, que se lixe.

    Posta esta “declaração de interesses”, vejamos:

    O homem fartou-se de trabalhar no pelouro dos refugiados. Muito bem. Os resultados não foram brilhantes, mas, com tanto refugiado, que poderia o homem fazer? Por cá, as coisas foram diferentes. Guterres não é mau homem, apesar de socialista. Porém, lembram-se? Com tanto “diálogo”, tanto palavreado, fartou-se de gastar dinheiro, acabou no “pântano” e deu à sola na primeira oportunidade (quando perdeu as autárquicas!). Fugiu. Classifique quem quiser.

    É mais que evidente que, mais que não seja pelo discurso e pelo currículo, parece ser o melhor candidato. O problema é que está a ser vítima de um processo do género geringonço. Qual Seguro, tem à perna uma fulana que parece do calibre do Costa (a tal Kristalina, vinda de um dos países mais “suspeitos” da UE), que apanha o comboio à última da hora. Diz-se que é o patarata Junker e a dona Ângela quem a meteu ao barulho utilizando uma calçadeira ao estilo oportunista e burocrático do gerente da geringonça. Uma trafulhice pegada, como é evidente. A gorda búlgara até vai ter uma “audição privada”. Só para ela, tudo legal. Até tem, do Junker, a novidade de uma “licença sem vencimento”, coitada.

    Ao ver este tipo de processos a tão alto nível uma pessoa lembra-se, por exemplo, dos processos “democráticos” em vigor no PREC e dos que levaram a geringonça ao poder. O mesmo escrúpulo, o mesmo respeito pelas instituições e pelas pessoas. Se tais processos derem resultado na ONU como deram por cá, meus amigos, está tudo torto.

     

    29.9.16   

  • O QUE RESTA

    Por muito que se diga, o problema principal que as declarações da doida Mariana revelam não é o de saber quanto dinheiro será sacado pelo novo imposto ou quantas pessoas serão por ele atingidas, se serão da classe média, média alta, média baixa ou média média, ou ainda por outra classe qualquer. O verdadeiro problema (tão grave como se ela se declarasse apologista do nazismo) é o da mentalidade que preside às suas posições “filosóficas”. O problema é o da instilação de ideias absolutamente contrárias à liberdade, à civilização e à democracia próprias de uma sociedade aberta e plural. Os “princípios” formulados sem vergonha pela perigosa harpia são a declaração oficial, sim, oficial, que a mulher é membro destacado do poder político em vigor, de uma orientação política que foi, é, e continuará a ser – porque lhe é essencial – a negação de todos os valores políticos ocidentais, a condenação da liberdade individual, do direito de propriedade, do capitalismo, do bem-estar e da justiça. É de lembrar que, sem o respeito por estes valores, nunca houve liberdade propriamente dita, nem respeito pela natureza humana.

    Mais grave ainda é que Costa, gerente da geringonça, venha, dias depois, fazer-se eco exactamente das mesmas ideias, na versão um dia formulada por Marx, e depois praticada pelas mais nojentas tiranias da História.

    É claro que a tal Mariana veio deitar água na fervura, convencendo os ignaros que só tinha falado num impostozinho sem grande importância (acha ela) e esquecendo o resto. E convenceu ignaros como os galambas e as mendes desta vida, em representação de hordas de basbaques e de estúpidos que se deixam conduzir por gente desta.

    Por isso que o “coro” que se ergueu contra os anunciados “novos caminhos”, e que tão atacado tem sido, seja, afinal, formado por quem, à direita e à esquerda, resta para defender o que resta de honrado na III República.

     

    26.9.16

  • O POLVO

    No geringôncico ambiente em que vivemos, não é preciso ser adepto de teorias da conspiração. As coisas passam-se à nossa frente, não as ver é cegueira mental.

    A menina Mortágua resolveu debitar as suas teorias da luta de classes, pondo o PS, histérico, a aplaudir. Diz aos ouvintes que terão que perder a vergonha – ela já não a tem, ou nunca a teve – e caminhar para as doçuras do socialismo real. Os ouvintes entram em delírio, evidentemente ansiosos por perder os restos de vergonha que os impedem de seguir avante!

    O sem vergonha Costa, cita, ipsis verbis, pletórico de orgulho, o seu santo padroeiro Karl Marx e a teoria da “distribuição” que formulou num dos seus escritos mais extremistas. A malta do PS exulta de incontido entusiasmo.

    Falando dos media, mormente televisivos, é fantástico ver como proliferam as não notícias, as horas dedicadas ao futebol e outros truques “informativos” destinados a distrair a plebe do que interessa.

    Entretanto, o camarada Pinto de Sousa, vulgo engenheiro Sócrates, é incensado por umas dezenas de foliões e ribombado em primeiras páginas, telejornais e afins, como se tivesse enchido o Terreiro do Paço e dito fosse o que fosse de interessante. As mulheres do PS ficam augadinhas de frenéticos entusiasmos. A juventude do PS abraça o orador, a quem deseja um futuro brilhante. No jornal socialista chamado Público, a respectiva directora chega à brilhantíssima conclusão de que o reaparecimento do tal chamado Sócrates é feito “contra” o Costa, coitadinho do Costa.

    Ao mesmo tempo, é lançada uma campanha contra o juiz Alexandre, com vários arautos e aderentes, todos a merecer os mais largos encómios e a mais vasta propaganda. Já faltou mais para prender os juízes e mandar os ladrões em paz.

    O Saraiva meteu a pata na poça, e de que maneira. Gerou-se um clamor universal. Fosse o Saraiva afecto à geringonça e algo me diz que não haveria clamor nenhum, como já aconteceu com outros denunciantes de questões de alcova.

    Concluindo:

    A máquina está montada, o PS tem o cérebro “lavado”, o país está a adormecido, o “contra” é sibilinamente silenciado.

     

    Quando acordarmos será tarde demais.

     

    25.9.16  

  • ERRO!

    O post SARAIVADAS foi apagado por incompetência do autor. Peço desculpa a quem comentou e reafirmo o que nele foi escrito.

    23.9.16

  • MORTADELA COM PIMENTA

    De uma penada, a odiosa Mortágua pôs o PS de joelhos e tomou conta dos jornais.

    Filha de violento revolucionário (indivíduo que, com a democracia, jamais teve seja o que for a ver e que, para vergonha da III República, foi condecorado pelo tenebroso golpista chamado Sampaio), a rapariga deu à costa recheada da paternal cartilha, coisa que vai metendo aos poucos na cabeça oca e ignorante da elite socialista. De nada lhe serviu o que diz ter aprendido na escola. De nada lhe serviu a inteligência que, dizem, terá. Quando se parte de premissas erradas ou motivadas por mero ódio e pela sede de poder, para nada serve a escola, para nada serve a tal inteligência. O que por aí não tem faltado é a emergência de tiranos inteligentes e cultos.

    Chocante, mais do que a existência de uma criatura do calibre desta, é a reacção da tal elite. Perante a proclamada ressurreição do mais abjecto leninismo, criaturas representantes de um partido (ex?) democrático, rebolam-se, entusiasmadas, nas cadeiras da sala… e do poder. É a descida aos infernos, o mergulho na contradição de si próprios… ou é o socialismo que regressa à sua verdadeira natureza de doutrina que só é “realmente” praticável em ditadura?

    Mortágua, de um dia para o outro, alcandorou-se ao trono de ideóloga da geringonça. Com uma ou outra honrosas excepções, não há, no PS, quem a contradiga ou a trave. Até o PC, que é tão totalitário como ela mas não é estúpido, se declara cauteloso perante o avanço da mulher, que não só lhe está a tomar conta da doutrina como dá passos imprudentes.

    A subserviência informativa honra-a com um ror de primeiras páginas ou equivalente. O PS, medroso como todos os ignorantes, amocha, ou gosta e volta aos tempos do camarada Serra com a maior das alegrias.

    A geringonça, filha da desonestidade de uns e do oportunismo de outros, foi, de nascença, um mal. Podia, ao menos, ser um mal menor. Mas não é. Como o que aí vem demonstrará até a quem não gosta de verdades.

     

    20.9.16        

  • REGRESSO AO PASSADO

     

    A gloriosa marcha da geringonça a caminho dos amanhãs que cantam conhece sinais claros da inspiração leninista que postulava “um passo atrás, dois adiante”. É sabido que os passos em frente do camarada Vladimir Ilitch foram o caminho seguro para dezenas de milhões de assassínios e para misérias sem descrição.

    Por cá, com a gloriosa gestão da geringonça, vai ser diferente. Os tempos são outros e, salvo nos mais dourados sonhos do Jerónimo, do Arménio e das esquerdoidas do Louçã, não chegaremos, é de esperar, aos assassinatos. Mas à miséria…

    Olhem estes passinhos atrás: os juros a dez anos estão no triplo dos de Espanha, o risco da nossa dívida galgou para máximos de sete meses, o nosso yeld está de pernas para o ar em relação aos dos parceiros (o deles desce, o nosso sobe), a dez anos os espanhóis estão com 1,07%, os italianos com 1,31, nós com magníficos 3,49.

    Aqui temos mais um sinal do passo atrás. Os que forem dados em frente, como os do Lenine, vão por mim, serão piores.

    Mas o abutre ri e, como diria a Sophia, “alisa as penas. Os seus discursos fazem ficar as almas mais pequenas”.

     

    18.9.16