– António, meu caro, temos que dar uma ripada das boas nesta malta.
– De acordo, Mariana, se tu e a Catarina acham… e a que malta te referes?
– Aos acumuladores de capital.
– Acho bem, mas quais?
– Quais? Já reparaste que andam para aí montes de tipos que chegam ao fim do ano com 50.000 euros no banco? E se a gente obrigasse os bancos a deitar cá para fora o que eles andam a fazer?
– Se calhar não sacávamos muito com a história…
– Talvez, mas dava-se o exemplo. Aos poucos, íamos sacando e amedrontando. O dinheiro é do Estado, o Estado somos nós!
– Lá isso é verdade. Mas precisamos de uma justificação, enfim, uma lei qualquer, para poder começlar a vasculhar.
– Está tudo planeado. Há para aí umas directivas da Europa…
– Pois, mas é só para estrangeiros cá, e para portugueses lá de fora.
– E o que é que isso interessa? Fazes uma discursata, dizes que a culpa á da Ângela, do Junker ou de outro gajo qualquer da direita, e pronto.
– Minha querida Maraina, isso é que é cabecinha, vamos a isso! Quem tiver 50.000… pumba!
– E se alguém te destapa a careca?
– Filha, não penses nisso. Com duas patacoadas na TV dou cabo deles, como de costume.
– Então, força. Se quiseres eu ajudo.
– OK. Combinado. E o imposto do património?
– Isso é de caras. Acima de 500.000, porrada neles!
– E os tipos que tiverem património valioso mas improdutivo, arruinado, ou tiverem buracos nos bancos, ou estiverem falidos e ninguém lhes der um tostão pelos anéis?
– António, António, deixa-te de pruridos, o que interessa é metê-los nos varais. O que interessa é a revolução socialista. Não podemos impô-la à cacetada, vai aos poucos. De outra forma nem terás dinheiro para pagar à função pública, aos teus eleitores, que é quem nos interessa.
– Carradas de razão. Vamos arranjar um grupo de trabalho para baralhar as coisas. Diz-se que ainda não está decidido, entretem-se o pagode e, no meio de três mil linhas do orçamento, a coisa acaba por passar, não achas?
– Isso é que é falar, viva o socialismo revolucionário! Até logo.
– Viva! Sempre ao dispor. Um beijinho. Chau.
30.9.16

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