IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • GRANDE AVÓ!

     

    Após intermináveis e insuportáveis horas de noticiários sem notícias sobre a fuga do assassino, nada melhor que desaparecer uma criancinha. O fugitivo passou a segundo plano, e nós a ter mais intermináveis e insuportáveis horas de noticiários sem notícias.

    Para nosso gosto e azar das televisões, coitadinhas, a criancinha reapareceu de boa saúde, sem arranhões nem nódoas negras. Não faltarão “jornalistas” a lamentar o esgotamento de mais este acontecimento desejavelmente inesgotável.

    “Está tudo bem, escusam de andar aqui a perder tempo”, disse a avó do menino à alcateia de profissionais da informação. O apelo não fez lá grande efeito, já que a alcateia continua a “informar”. De qualquer maneira, saúde-se a forma imerecidamente delicada como a senhora mandou a chusma àquela parte.

     

    25.10.16  

  • APONTAMENTO

    O sr. Galamba não tem boas maneiras ou educação: ninguém iria jantar com ele ou o convidaria para casa. Como a sua insignificância é absoluta, era bom que se impedisse o indivíduo de maçar as pessoas.

    Em três penadas, Vasco Pulido Valente traça um retrato fiel do estafermo que é digno representante da geringonça, alter ego ordinário do Costa ou dessoutro pesporrente palerma que é um barbaças matulão e bronco, Pedro qualquer coisa.

    O problema é que, ao contrário do que diz VPV, há quem vá jantar com ele e não há quem o  impeça de maçar as pessoas. Este país não tem emenda.

     

    25.10.16

  • FAÇAM FIGAS

     

    Numa entrevista qualquer, Passos Coelho disse que o novo presidente da CGD tinha tido informações sobre a situação da organização sem ter (ainda) título para tal.

    Verdade? Mentira? Ninguém sabe.

    O tal novo presidente, chateado, veio pôr no jornal um desmentido: que não senhor, não tinha tido acesso a nenhuma “informação privilegiada”.

    Verdade? Mentira? Ninguém sabe.

    Engraçado é imaginar as coisas. Se é verdade o que disse Passos Coelho, a crítica só pode ser a de se achar que a informação de que o “acusado” se serviu devia ser pública, o que não parece lá muito razoável. Se é verdade o que diz o desmentidor, então confessa ter aceite o cargo sem fazer ideia nenhuma do que o esperava, o que não se pode dizer que seja lá muito prestigiante.

    A não ser que… o acrescento do adjectivo “privilegiada” traga água no bico. O senhor Domingos estará a dizer que teve onformação não “privilegiada”, sendo que, como é evidente, teve informação que classificou como muito bem lhe deu na bola.

    Neste caso, Passos Coelho passa a ter razão.

    Conclusão: o novo presidente da CGD, que já meteu água uma data de vezes – os seus convidados que o digam -, reincidiu, perdendo uma óptima ocasião para estar calado.

    Enfim, pode ser que que tenhamos a sorte de mais esta descoberta da geringonça dar bom resultado. Mas, para já, as coisas não cheiram nada bem.

    Façam figas.

     

    23.10.16

  • TELECOISAS

    Alinhamento do noticiário da RTP, da SIC e da TVI.

    Abertura: “caça ao homem”

    – Imagens da aldeia onde o presumível assassino roubou um cobertor e dois pares de cuecas (3 minutos);

    – Entrevista com a dona das cuecas (2 minutos);

    – Entrevista com a ex-mulher do cunhado do guarda republicano assassinado (3,5 minutos);

    – Pivô: as movimentações de GNR e da PJ em Carcanhóis de Cima, pondo em destaque a descoordenação de forças;

    – Entrevista com o general da GNR, com o director da PJ e com uma senhora muito importante que ninguém sabe quem é, mas é muito importante (6 minutos);

    – Imagens de carros da polícia com luzes azuis a piscar, ouvindo-se sirenes e buzinas, com vistas das montanhas circundantes (2 minutos);

     – Comentários de dois populares (o homem da tasca de Gerpinhães e a professora de instrução primária que ensinou o perseguido na 1ª classe) sobre o recolher obrigatório e as suas consequências na vida da populações (9 minutos);

    – Pivô: considerações sobre a orografia do terreno, com ênfase nas dificuldades de progressão da brigada cinotécnica (3 minutos);

    Plongée das câmaras sobre o local onde a chamada ministra das polícias, contrita e preocupada, dá conta da perfeitíssima actuação dos seus subordinados (4 minutos);

    – Pivô: anuncia que a chamada ministra da justiça também quer dizer umas coisas (1 minuto);

    – A chamada ministra da justiça diz de sua justiça que está tudo a correr pelo melhor, que a segurança das populações, como muito bem disse a colega, está garantidíssima (3 minutos).

     

    O director de informação aparece no auricular do pivô, e diz: talvez, por hoje, já chegue. Guardem a gravação para transmitir tudo amanhã outra vez. Passem agora para a entrevista com a lavadeira da embaixada do Iraque. Depois, metam a publicidade e guardem 3 minutos para o internacional.

    Parece que a filosofia dos media está centrada em evitar chatices.

     

    21.10.16

  • ORDENADINHOS

     

    Parece que a Bloca, depois de ter votado a favor dos aumentos dos novos administradores da CGD, resolveu entrar em polvorosa por causa disso mesmo. Afinal não está de acordo, acha demais, uma imoralidade, um insulto, talvez uma demonstração de neoliberalismo, como diria Mário Soares.

    O chefe da filarmónica já veio esclarecer que, ou a CGD actuava como banco privado ou não era banco que se visse. E que, ou é o senhor Domingues (que já fez uma data de asneiras) ou não há outro à altura da “missão”.

    Esclareça-se que o IRRITADO se está nas tintas para que o senhor Domingues ganhe mais num ano do que ele em vinte. Não tem inveja nem o culpa, nem quer saber dele para nada.

    O que é digno de nota é mais esta patada na poça do chamado governo. Se o governo fosse esperto, arranjava outro salário para o Domingues e dava-lhe o resto em prémios ou fringe benefits, a fim de calar a Bloca e outros invejosos e moralistas de vão de escada.

    Resta saber duas coisas: a) se há prémios e fringe benefits além do ordenado, escondidos num contrato qualquer, e b) se, por causa das coisas, no caso de tais coisas darem para o torto, o senhor Domingues já tem o dele garantido, e o resto é paisagem. Chapeau!

    De resto, tudo normal. Daqui a um ano falamos.

     

    21.10.16

  • AMIZADES

     

    Há uns sessenta anos, vigorava em Cuba, sob o comando de um tal Fulgêncio Batista, uma feroz ditadura.

    O mundo assitiu então a uma reviravolta. Batista foi exportado para a Madeira e, em Cuba, o galego Fidel Castro, chefe dos revoltosos, tomou o poder. A coisa foi saudada, urbi et orbe. O mundo civilizado e, com ele, o autor destas linhas, exultou, julgando que a democracia tinha chegado à ilha. Fatal engano. O tal Castro era um ditador tão feroz ou mais que o Fulgêncio e, ainda por cima, fiel serventuário da tirania soviética ao ponto de se dispor a abrir o território à implantação de armas nucleares daquela gente. O povo foi esmagado durante infindáveis décadas, transformando-se o país em inviável velharia. Uma tristeza.

    Hoje, metido o Fidel em baixa médica, o regime conheceu alguma “liberalização” – de tal forma que, há dois anos, foi permitido ao povo comprar uma torradeira e de, há pouco, o mano sucessor do homem ter reatado tímidas relações com os EUA.

    Por cá, como é sabido, os cromagnons do PC mantêm a sua profunda amizade, consideração e admiração pelo comunismo cubano e pelos seus santinhos, o Fidel e o Che (outro “democrata” conhecido pela sua competência em torturas, assassínios e prisões arbitrárias), grandes “irmãos” e companheiros do nosso PC no glorioso caminho da distribuição da pobreza.

    Não sei se é por isso que o nosso Presidente faz questão em anunciar uma visita ao ditador, como se de grande honra para todos nós se tratasse. A avaliar pelas notícias que têm vindo a público, pelo menos para já, outro “programa diplomático” não há, ou é de menor importância.

    O IRRITADO sauda entusiasticamente mais este contributo para o prestígio internacional da Nação, que até tem um Presidente que atravessa o Atlântico para visitar um doente.

     

    21.10.16

  • DIABICES

    Anda hoje a malta muito incomodada com a hipótese de um downgrading vindo de terras canadianas de Sua Majestade. Será o diabo que chega com um mês de atraso em relação ao prognóstico de Passos Coelho?

    Não há quem não caia em cima de tal prognóstico e do seu produtor, a começar pelo chefe Costa e respectiva camarilha esquerdoida, e a acabar em certos invejosos lá do partido do Passos, tudo bem reportado pelos media, como é hábito.

    Eu também acho que ele se enganou, isto é, que lançou como prognóstico algo que já tinha acontecido há um ano: a subida ao poder da maior trafulhice política dos últimos 42 anos. Aí é que o diabo chegou, com o assassínio do Seguro, com os perdedores a ganhar e com o que se seguiu e seguirá. O diabo anda por aí desde então. Comprou o país e exigir-lhe-á um inimaginável troco.

    O downgrading, para já, é pouco provável, mas é como as bruxas espanholas.

     

    21.10.16

  • POLÍTICA ORÇAMENTAL

     

    Na ânsia de ir rapando vários tachos, frigideiras e panelas, a mui nobre geringonça acaba de ter uma ideia genial: sacar uns 300 milhões ao Banco de Portugal.

    Parece que, dos bancos portugueses, o BdP era o único que ainda não tinha problemas de maior. É claro que, dada a confiança que o governo inspira, ia criando umas provisões para o caso de vir a ter chatices com a dívida pública.

    O chefe Costa e o chamado ministro das finanças, vendo por lá uns dinheiros, tiveram a habitual explosão de génio: quais provisões qual carapuça, vamos mas é lá buscar o nosso! O Estado não é o dono do banco? É. Nós não somos os donos de Estado? Somos. Então por que carga de água há-de o BdP andar para aí a fazer provisões em vez de nos entregar o dinheirinho, hem? Ainda por cima, tratando-se de dividendos, não nos podem, nem nos jornais nem em Bruxelas, acusar de andar a sacar receitas extraordinárias. E sacamos 300 dele sem mexer mais nos impostos, nem nas taxas, taxinhas, tachonas, coimas e outras manigâncias do costume. Somos os melhores, os mais altos, os mais inteligentes. Não é o que diz o Presidente?

    E assim se vai tratando de saúde ao último banco nacional que tinha a cabecinha de fora.

     

    20.10.16

  • MAIS IMPOSTOS SEM MAIS IMPOSTOS

    Em tempos, um político da nossa praça acusou o governo de criar e aumentar “taxas e taxinhas”.

    Para bom entendedor, meia palavra bastou. O PS, uma vez no poleiro, acaba de seguir o conselho, que não era conselho, era crítica. No caso, tanto faz.

    Consequência: diz o chamado governo que, em 2017, vai cobrar nada menos de cerca de 3.000.000.000 (três mil milhões de euros) em taxas, taxinhas e coimas (vulgo multas). Os aumentos situam-se, segundo as diversas rubricas, entre os 2,7 e os 424%, em relação a 2016.

    Saúde-se a inultrapassável inteligência da geringonça. Sem mexer em impostos, isto é, por via administrativa, vocês, cidadãos incumpridores, malandros, vão ver sair-lhes, direitinhos, dos bolsos, uns três mil milhõesitos, desta vez confessados, preto no branco, pela organização que tomou conta do Estado, a demonstrar as altas preocupações socias da dita.

    Acrescente-se  a facilidade com que, em caso de “azar”, o Estado lhe paga quando se engana, ou quando, por via judicial, tiver lhe devolver uns dinheiros: você esperará entre um e cinco anos, na melhor das hipóteses. É a velha filosofia do cigano: “o que está do lado de cá, não está do lado de lá”. Entretanto, porreiro pá.

     

    19.10.16

  • CONSENSOS

    O nosso bem-amado Presidente já apelou a consensos pelo menos quatrocentas vezes. O seu antecessor fartou-se de falar na mesma coisa, com diferente sucesso, ou seja, sem sucesso de espécie nenhuma.

    Agora é diferente: há fartura de consensos.

    Por exemplo, se, em 2011/2015, faltasse uma seringa no SNS, o Arménio e a sua malta já tinham apupado o Primeiro-Ministro pelo menos cem vezes, o dr. Silva da OM já tinha feito não sei quantas declarações públicas de repulsa e repúdio. Agora, o SNS está afogado em dívidas, para comprar um rolo de papel higuénico num hospital  é preciso um despacho do chamado ministro das finanças, os anestesistas deram à sola, não há cirurgias, não há enfermeiros, as 35 horas já custaram vinte e tal milhões e vão custar ainda mais, e por aí fora, num nunca acabar de chatices.

    Mas há consenso. Há consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o Silva e tutti quanti, de acordo com os desejos do nosso Presidente.

    Outro exemplo: se, em 2011/2015 houvesse aulas a começar fora de horas, aqui d’El-Rei que estão a dar cabo do sacrossanto Estado Social, que o Primeiro-Ministro não tem “sensibilidade”, que as criancinhas é que sofrem, que é o neoliberalismo… os professores estavam na rua aos pinotes com o bigodes, imperial, no comando e todos os dias na televisão a vociferar cobras e lagartos, o PS, o PC, a BE davam conferências de imprensa a dizer coitadinhos de nós nas mãos desta gente. Agora, que há uma data de escolas paradas, que andam a fechar as privadas (resquício liberal a abater), que a confusão dos manuais é mais que muita, que não há empregados (auxiliares operacionais!) nem dinheiro para lhes pagar, o que acontece?

    Acontece que há consenso, meus amigos, o consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o bigodes, está tudo no melhor dos mundos, o futuro é risonho.

    De consensos destes, há exemplos aos pontapés.

    E ainda há quem diga que o povo, os políticos, a Nação, não ouvem os consensuais apelos do senhor Presidente!

     

    19.10.16

  • DEZ VERDADES DO ALDRABOLOGISMO

    1. A culpa da estagnação é do exterior. Mentira: todos os países europeus crescem mais que o da geringonça. Só a Espanha cresce três vezes mais, os outros mais do dobro. E, mesmo nos escritos da geringonça, em 2017 vai ser pior.
    2. Os juros sobem porque sobem lá fora. Mentira: três vezes mais do que em Espanha, e mais altos que em qualquer outro país, à excepção da Grécia.
    3. Com a subida dos salários da clientela da esquerda, a produtividade vai sublr. Mentira: a produtividade está a descer.
    4. IVA da restauração vai baixar os preços. Mentira. Os preços da restauração subiram três vezes mais que os dos outros sectores.
    5. Mais consumo, mais economia. Mentira: menos economia, menos consumo, menos poupança.
    6. Proteger os mais fracos. Mentira: os mais fracos, ou não verão nem mais um chavo, ou verão um aumento de 1,8 euros por mês, e todos pagarão mais impostos indirectos (os directos nunca pagaram, por intervenção de Passos Coelho).
    7. A prioridade é aumentar o investimento. Mentira: desceu estrondosamente.
    8. IRC vai descer. Mentira: ficou na mesma.
    9. A classe média vai ser protegida. Mentira: olhem as tabelas do IRS.
    10. A segurança social não tem problemas até 2040. Mentira: estará falida em 2020.

     

    17.10.16

  • DA GENIAL GERINGONÇA

    PALAVRA DADA

    No programa jurado, na palavra dada e na letra assinada da lei, o chefe Costa não foi de modas: “a sobretaxa acaba a partir de 1 de Janeiro de 2017”. Não acaba. Mentiroso? Nem pensar! O homem disse, jurou, prometeu, escreveu e assinou. Mas é preciso perceber que, tal como se virou a página da austeridade, também se virou a do português pré-geringonça. Só almas oblíquas, desonestas, anti-patrióticas e mal intencionadas podem dizer, sequer sugerir, que o chefe Costa mentiu, ou não honrou a palavra dada.

    Vejam bem: “a partir de 1 de Janeiro de 2017”, em português antigo, queria dizer que, em 1 de Janeiro, acabava a sobretaxa. Mas não é isso o que lá está escrito, não é essa a palavra, a jura, o compromisso. É que, se é “a partir” de 1 de Janeiro de 2017, só quer dizer que é “a partir de”, sem se dizer quando: se for em Dezembro de 2042, quem pode dizer que não é “depois de 1 de Janeiro de 2017”. A expressão “partir”, em geringoçolíngua quer dizer, como é evidente, “depois” de 1 de Janeiro de 2017: pode ser em qualquer altura, como é evidente.

    Calem-se as línguas viperinas que chamam nomes ao homem!

     

    MAGIA

    Lá em casa, se o ordenado baixar e a despesa subir, ou vendemos o carrito, ou vamos pedir emprestado, ou tratamos de dar a volta. Mas o país não é lá em casa, pelo menos nas mágicas mãos da geringonça. Se não, ouçamos as sábias palavras do apoderado do chamado primeiro-ministro, um tal Pedro Nuno: “os impostos vão baixar, as despesas subir, mas o equilíbrio não abana”. Isto, com a economia a patinar. Nem o mágico Merlin seria capaz de tal feito, nem o homem da banha da cobra lá chegaria. Só a poção mágica da geringonça o fará. Confiança, meus amigos, confiança!

     

    OS MAIS DESFAVORECIDOS

    Aqui está uma classe que muito ficará a dever ao chamado governo: a dos mais pobres, ou seja, daqueles que, por obra da “direita”, nunca pagaram IRS. É que, com a subida dos impostos indirectos, tal gente vai passar a pagar mais impostos, os mesmos que toda a gente. É o que se chama redistribuição.

    Mais uma vez, o meu conselho é: sosseguem, confiem, agradeçam: a geringonça vai contemplá-los com mais um euro e trinta cêntimos por mês. É d’homem, caraças!

     

    MISTÉRIO DESVENDADO

    Aqui há tempos, o chefe Costa, lado a lado com o inefável Medina, anunciou que ia financiar a reabilitação urbana com largos milhões que ia buscar ao fundo de estabilização da Segurança Social. Almas danadas que por aí andam, IRRITADO incluído, vociferaram que o chamado governo se preparava para encher uma data de patos bravos à custa de mais um buraco na Segurança Social.

    A coisa, de facto, era estranha, mas foi ontem esclarecida, para bem do povo: a derrama do IMI – uns 170 milhões – vai para o tal fundo de estabilização, ou seja, quem não tem nada a ver com a Segurança Social vai financiar os patos bravos. Depois não digam que o quadrilátero não é genial.

     

    15.10.16    

  • NOBEL IS BLOWING IN THE WIND

    Há coisas que nos fazem pensar que este mundo perdeu o juízo. Ele é o Trump, o Putin, a guerra da Síria, o Sanchez, o Boris, o brexit, o Siriza, a geringonça… Não há manicómio que chegue para tanta maluquice.

    Desta vez, é a academia sueca que entra na “modernidade” e dá o prémio da literatura a um cançonetista que, por muito talentoso  – ninguém o negará – jamais foi conhecido como grande escritor, nem era essa a a sua primeira ou mais distinta vocação ou a sua maior obra. Já tínhamos visito o Nobel da Literatura ser entregue a chatos do calibre do Saramago ou do Modiano. Mas, enfim, eram escritores com vasta obra, goste-se ou não da dita. Ganhar o Nobel da literatura a tocar gaita de beiços e viola country é coisa que não lembraria ao careca.

    Numa próxima oportunidade, será de dar o Pulitzer ao Cristiano Ronaldo, o Goncourt ao Michael Felps e, já agora, o Camões ao Costa. Porque não? Rilhafoles ao poder, já!

     

    13.10.16

  • DA COMODIDADE DA MENTIRA

    Durante o governo formal e politicamente legítimo da coligação PSD/CDS, que acontecia se faltasse um contínuo na escola XS+4 de Badalhufe? E se uma senhora esperasse duas horas para ser atendida no centro de saúde de Carcanhóis de Baixo? E se as máquinas do Metro de Edivolas estivessem avariadas? A resposta é fácil. Por toda a parte se gritaria que o estado social estava, sob os bombardeamentos do ultrahiperneoliberalismo, à beira do colapso final. Professores, médicos, enfermeiros, contínuos, oficiais, sargentos, polícias, bandeiras negras e vermelhas, os exércitos do Arménio, tudo minha gente estaria na rua, bramindo, impedindo o trânsito, agitando as massas, na Assembleia haveria gritinhos da Catarina, insultos do Jerónimo, discursatas apocalípticas dos pêèsses, o diabo a quatro.

    Agora, que temos o governo formalmente legítimo e politicamente ilegítimo dos partidos que perderam as eleições, com a saúde, endividada e caloteira, aos trambolhões, a educção aos papéis, sem bilhetes no metro,  impostos a aumentar, transportes a colapsar, dívidas a aumentar, economia a estagnar… nada se passa! Os arruaceiros, amadores e profissionais, com mais uns cobres no bolso, meteram férias. O Arménio e o comité central acalmam as massas, xiu, bico calado que vamos dando umas ordens ao PS, os gajos ou amocham e obedecem ou até estão de acordo, os moderados, como diz o barbaças, são poucos e estão nos varais do Costa, tudo corre às mil maravilhas, a parva da Mariana até ajuda (depois tratamos-lhe da saúde), o governo mete os pés pelas mãos mas não faz mal, vamos sacando algum, depois se vê quem paga, bem trabalhadas as coisas voltamos às nacionalizações, arranja-se outro Vasco, rapazes, as barricadas já estiveram mais longe, vão ver como os amanhãs cantarão! Avante camaradas, não é todos os dias que se arranja um PS para dar cavalaria!

    A mentira programada vai confundindo as pessoas, mascarando o descalabro, dominando a opinião. Dizer verdades é mal visto, fazer contas está fora de moda.

    Há hordas de parvos a creditar: é o que mais dói a quem tenha um resto de juízo.

     

    13.10.16

  • TAXUBERISMO RADICAL

     

    Muito se tem escrito e dito – eu também – sobre a história dos táxis. Não tencionava voltar ao assunto, mas ontem fui apanhado por uma nova interpretação do fenómeno, que merece referência.

    Dona Ana Drago, défroquée da Bloca mas fiel aos princípios da dita, descobriu as mais profundas causas do problema. Na sua opinião, são elas: a precariedade e a falta de contratos colectivos. Esclareço: acha a rapariga que os uberistas, coitados, são trabalhadores precários e que, tanto eles como os motoristas de táxi, deviam ser englobados num contrato colectivo de trabalho, com as respectivas “garantias” e “protecção social”, ou seja, encarregaria o Arménio de negociar em nome deles, quer da Uber, quer dos táxis, a fim de que todos ficassem iguais e com emprego até à cova.

    Não podia a fulana estar mais fora deste mundo, nem fazer alarde de maior e mais profundo trogloditismo mental. O camarada Louça diz mais ou menso o mesmo, mas por outras palavras, já que é mais cuidadoso, mais sofisticado e mais perigoso que ela.  

    De um ponto de vista intelectual, Portugal continua a ter demasiada gente, ou no século XX, ou no terceiro mundo. Parece que teremos que viver com isto, pelo menos até ao estouro final.

     

    12.10.16

  • CHAMAR PAI A OUTRO

    Então não é que os britânicos andam a roubar os filhos aos portugueses? As notícias não se calam, a explorar uma série de dramas humanos.

    O que causa estranheza é que ainda não tenha havido quem disto tenha passado, isto é, que não haja qualquer luz sobre as causas de tão triste fenómeno.

    Será uma questão de xenofobia britânica? Uma consequência do brexit? Uma questão de crueldade mental? Uma cruzada contra as mães portuguesas? Ninguém sabe, ninguém diz.

    Mas custa a crer que os britânicos, sem mais nem menos, se ponham a roubar criancinhas aos seus progenitores. Conviria que o chamado governo se informasse e nos informasse sobre o assunto, já que os media se ficam pela choradeira e pela recusa de informação credível.

     

    12.10.16

  • INSTITUIR A BAGUNÇA

    Como já tenho dito, não percebo nada de informática, nem de sites nem de bits nem de bites nem de rams nem de clouds, nem de etc.. Não sei o que são cookies, não abro mensagens de redes sociais, não quero saber se o senhor Seixas da Costa “postou” uma fotografia ou “alterou o seu estado”. Acho piada a ter um blog, e fico por aí.

    Dito isto, verifico que, no caso de uma guerrinha qualquer entre o Sporting e o Benfica, uma dica ordinária (como é de timbre), foi bloqueada pelo fornecedor do serviço. Consta que, em muitas circunstâncias, os bloqueamentos são prática comum. Ou seja, entre nós como em toda a parte, é tecnicamente possível retirar plataformas digitais da net, nos limites da legalidade.

    Por cá, as uberes e os não sei quantos são declarados ilegais pelos tribunais e pelo governo. Mas nem os tribunais nem os governos bloqueiam as respectivas geringonças digitais, quiçá em nome de novos deuses, tais a “inovação”, “as startups” ou outras martingalas da praxe, da moda ou do “futuro”. O chamado governo coopera com o que considera ilegal, isto é, contradiz-se a si próprio, desobedece aos tribunais, colabora activamente na ilegalidade e patrocina a instabilidade social. Essa coisa do Estado de Direito é para aplicar à la carte.

    Ao contrário do que possam pensar, não venho pôr-me do lado das arruaças dos taxistas, malta por demais conhecida pela sua tradicional falta de chá, a ombrear com intersindicais e outras funestas organizações. Mas reconheço que, no fundo e à superfície, têm razão. Quem não tem razão é o chamado ministro do ambiente, que devia ser perseguido pela justiça por andar a fugir a ela.

    Se eu quiser abrir uma tasca tenho que respeitar quinhentas e trinta e duas leis, três mil regulamentos, requerer trezentas vistorias e, é claro, pagar, pagar, pagar. À la limite, até é de pôr a hipótese de contribuir para o bem estar dos fiscais da câmara, a fim de não me fecharem a porta. Mas, se quiser fazer um negócio “uberizado”, não tenho leis nem regulamentos nem vistorias nem fiscais. Nem limites nem contingentes, como é o caso.  Tudo de borla e à fartazana. Não vou contra. Mas, ou há moralidade ou comem todos.

    Não é o caso. Nem o ministro, que é hipócrita, nem a geringonça, que é aldrabona, são desta opinião. Nem os chefes dos taxistas, que são selvagens e burros, percebem que andam a dar tiros no pé.

     

    11.10.16

  • CONSELHOS PARA A “MOBILIDADE” E A JUSTIÇA

    Parece que o chefe dos táxis – aquele que prometeu porrada e, hoje, cumpriu a promessa – teve a amabilidade de pedir desculpa às pessoas pelos atrasos que a distinta classe lhes vem causando.

    Antes de mais, os meus cumprimentos. Nunca tinha ouvido tal coisa, nem dos tipos da Carris, nem dos do Metro, nem dos da CP, nem dos de Cacilhas, nem dos demais clientes do Arménio que nunca pediram desculpa a ninguém pelos problemas que causam, dia sim dia sim, a reboque das suas principescas exigências.

    Isto dito, dada a elevada consideração que tenho pelos taxistas e pelas suas “estruturas representativas”, passo a dar-lhes um conselho, a ver se acordam.

    Considerando que:

    A.Por várias razões, entre as quais as adiantadas pelo politicamente correcto, pela “inovação” e pela tecnologia, a Uber e quejandos são inevitáveis;

    B. Não vale a pena, nem espernear, nem chatear o indígena;

    C.“Se não os podes vencer, junta-te a eles”,

    A solução, que está nas vossas mãos, desde que todos alinhem, é a seguinte:

    1. Pintem os carros com as cores que lhes der na gana;
    2. Deitem fora os taxímetros e outras antiqualhas;
    3. Lancem um portal como o da Uber, com tarifas atraentes;
    4. Paguem os mesmos impostos que a concorrência pagará um dia;
    5. Para já, não paguem nada;
    6. Seis meses depois os vossos investimentos chegarão ao break even;
    7. Daí em diante é ganhar o vosso, muito mais que a concorrência electrónica.

    Têm é que fazer isto todos ao mesmo tempo, a fim de pôr a geringonça de cócoras, o que será um inestimável contributo para a nossa felicidade.

    E pronto, este conselho é gratuito.

    Este também: não se esqueçam de apagar a telefonia.

     

    10.10.16

  • C’EST LA VIE

     

    É natural que os governos, quando estão à rasca, lancem uma medidas para ver se compõem as contas antes do fim do ano. É o caso dos perdões fiscais. Não se pode levar isto a bem, mas também não se poderá levar muito a mal.

    O que não se pode é chamar carro eléctrico a um perdão fiscal. Ainda menos pode ou deve um governo dizer ao meio dia que há um perdão fiscal, às duas da tarde que não há perdão nenhum, às quatro que há sim senhor e, no telejornal, que não há não senhor. Que diabo, assumam que a coisa está fora dos carris e que é preciso sacar uns mil milhões ou coisa que o valha se quisermos ter contas aceitáveis.

    Pior ainda (esta é de há horas) o chamado governo vem anunciar uma das mais rocambolescas medidas de que há memória histórica, ou fiscal. Nada menos que aumentar os impostos às empresas, declarando que, daqui a três anos, recuperarão a massa, correcta e aumentada. É uma aldrabice que não cabe na cabeça, nem dos estúpidos nem dos inteligentes, só dos parvos, dos cobardes e dos banha-da-cobra, tenham a inteligência que tiverem. O governo saca já; na próxima legislatura, quem cá estiver que tenha a despesa da reversão!

    Não é fácil comentar mais esta. Mas não faltará quem o faça, com ditirâmbicos elogios.

    C’est la vie.

     

    9.10.16

  • FMC

    Se há sigla que defina os “nossos” canais de informação, é ela, há quase um ano, o FMC (Futebol, Marcelo e Costa). Nos generalistas, o panorama não é muito diferente.

    Aqui há tempos, pus-me a contar os intelectuais da bola que, em simultâneo, debitavam as suas bocas nos vários canais: uns quatorze. Se acrescentarmos a esta porcaria o saltapocinhismo beijoqueiro do senhor Presidente da III República e o aldrabismo militante e alvar do chamado primeiro-ministro, teremos a manhã, a tarde e a noite devidamente preenchidas, natural e salutarmente, com o acervo de informação disponível.

    Nesta ordem de ideias, haverá que agradecer ao santo António Guterres ter vindo a ocupar, durante cerca de 29 horas por dia – estatísticas do IRRITADO – o espaço informativo em apreço. Só que… o problema é que já não se pode ver o santinho alimentador do orgulho pátrio, calado, a falar, a passear em Nova Iorque, na Beira Alta (ou Baixa?), pequenino, estudante, mais crescidinho, a falar do pântano, de braço dado com a Angelina, de cu para cima, de cu para baixo, rodeado de criancinhas famélicas ou de chusmas de grandes deste mundo, hoje, há vinte anos, há trinta, não sei quando, no liceu Camões, no Técnico, no Uganda, na Musgueira, a dar explicações de borla, elogiado por centenas de altas criaturas, de amigos, de não-amigos-que-passaram-a-amigos, até parece que o homem já morreu e, como tal, é o máximo.

    Coitado, ele até tem valia, até ganhou aquela coisa, pôs Portugal na agenda (dizem), está na maior das mós de cima. Chapeau!

    Sublinhe-se também os apanhadores de combóios que por aí se acantonam, batalhões de ajudantes, presidentes, ministros, diplomatas… todos a reivindicar os méritos do António, uma fatiazinha do mérito de António, se não fôssemos nós que seria feito do António, se não fosse eu, as minhas diligências, o meu prestígio global, a minha influência, sim, eu, eu tanbém ganhei à Merkel, eu dei a volta ao Putin, eu isto, eu aquilo.

    O António teve, além de tudo o mais, o mérito de nos livrar do FMC durante uns dias. Mas já chega. Senhor, estou farto! O mérito do António, nesta matéria, não é pouco. Valeu a pena. Basta! Não que eu fique contente com o regresso, a galope, do FMC, mas porque foi, continua a ser, o mais prejudicado pelo António.

    Passada a onda de gutérrico patriotismo, o António vai ter a mesma influência que tiveram os seus antecessores no que respeita às nações de cada um. A Áustria, o Gana, o Egipto, a Coreia e outros, passaram a ser faróis da humanidade depois de ter tido um tipo no trono da ONU. Não foi?

    Depressa voltaremos, ou ficaremos, onde estávamos: no FMC, quer dizer, no pântano, ora mais eutrofizado e escorregadio, que o António criou e denunciou como se aculpa não fosse dele e que vários dos seus seguidores e camaradas tanto amam.

     

    9.10.16