IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CONSENSOS

O nosso bem-amado Presidente já apelou a consensos pelo menos quatrocentas vezes. O seu antecessor fartou-se de falar na mesma coisa, com diferente sucesso, ou seja, sem sucesso de espécie nenhuma.

Agora é diferente: há fartura de consensos.

Por exemplo, se, em 2011/2015, faltasse uma seringa no SNS, o Arménio e a sua malta já tinham apupado o Primeiro-Ministro pelo menos cem vezes, o dr. Silva da OM já tinha feito não sei quantas declarações públicas de repulsa e repúdio. Agora, o SNS está afogado em dívidas, para comprar um rolo de papel higuénico num hospital  é preciso um despacho do chamado ministro das finanças, os anestesistas deram à sola, não há cirurgias, não há enfermeiros, as 35 horas já custaram vinte e tal milhões e vão custar ainda mais, e por aí fora, num nunca acabar de chatices.

Mas há consenso. Há consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o Silva e tutti quanti, de acordo com os desejos do nosso Presidente.

Outro exemplo: se, em 2011/2015 houvesse aulas a começar fora de horas, aqui d’El-Rei que estão a dar cabo do sacrossanto Estado Social, que o Primeiro-Ministro não tem “sensibilidade”, que as criancinhas é que sofrem, que é o neoliberalismo… os professores estavam na rua aos pinotes com o bigodes, imperial, no comando e todos os dias na televisão a vociferar cobras e lagartos, o PS, o PC, a BE davam conferências de imprensa a dizer coitadinhos de nós nas mãos desta gente. Agora, que há uma data de escolas paradas, que andam a fechar as privadas (resquício liberal a abater), que a confusão dos manuais é mais que muita, que não há empregados (auxiliares operacionais!) nem dinheiro para lhes pagar, o que acontece?

Acontece que há consenso, meus amigos, o consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o bigodes, está tudo no melhor dos mundos, o futuro é risonho.

De consensos destes, há exemplos aos pontapés.

E ainda há quem diga que o povo, os políticos, a Nação, não ouvem os consensuais apelos do senhor Presidente!

 

19.10.16



4 respostas a “CONSENSOS”

  1. Avatar de Cidadão Urbano
    Cidadão Urbano

    Aborda a questão do SNS e vários dos problemas que afectam o sistema de saúde… permita-me dar-lhe uma achega a este respeito. Há pouco tempo um familiar teve a infelicidade de ter de ser transportado de urgência para o Hospital de Santa Maria. Logo que soube do que se passou lá fui até ao Hospital saber do que lhe tinha acontecido e acabei por fazer de acompanhante do acompanhante, por assim dizer (nas urgências só deixam entrar uma pessoa por cada paciente). Bem, tentando abreviar a história ao que aqui interessa, a determinada altura tive de sair de junto do paciente (por, lá está, só ser permitido um acompanhante) mas enganei-me no caminho até à saída. A bem dizer perdi-me lá pelos corredores das urgências, mas o que vi pelo caminho até encontrar a saída é algo que me pôs a pensar sobre o estado das urgências nos Hospitais pois ao fundo de um dos corredores por onde passei, só numa pequena sala que mais parecia a continuação do corredor vi, sem exagero, umas 20 camas vazias. Na altura não pensei muito nisso nem tinha cabeça para pensar nisso mas agora faz-me confusão ter visto lá tanta cama vazia apenas numa pequena sala (ou corredor alargado, nem sei)! 20 camas vazias só ali naquele pequeno espaço?! Seriam aquelas todas as camas que tinham vazias ou haveria mais noutras salas? Andam a evitar admitir pacientes nas urgências ou é só imaginação minha? Isto no Hosp. Santa Maria em plena Lisboa… mas se aqui é assim então como será noutros Hospitais? Algo de errado parece haver. Os profissionais que lá estão não ponho nem quero pôr em dúvida a sua dedicação, camas parece haver com fartura… mas ainda assim parece-me também que tem de haver algo que está a falhar seja na organização, no financiamento ou falta dele ou seja no que for. Não me queria alongar muito mas pronto, aqui fica o que observei naquele dia junto com a minha própria confusão acerca do que vi.

    1. Falar, falas muito. Agora dizeres alguma coisa perceptível e objectiva, não.o sr António necessita de atrelar melhor “qualidade”. Assim não vai lá.

      1. Sr. Rural, agradeço a crítica certamente construtiva com a esperança de um dia me tornar um melhor e mais digno interlocutor mas penso que não tenha de se preocupar muito com a minha falta de qualidade pois saltarei fora muito antes de me tornar um parasita. Feito o agradecimento, estou convencido que o Sr. Rural não me levará a mal que sugira que a nossa conversa termine por aqui.

        1. sr urbano, nós nunca tivemos qualquer tipo de conversa, pessoalmente considerada. Não o conheço, nem tenho qualquer interesse nisso. Porém, no que diz respeito ao combate às ideias que aqui procurou introduzir, nunca permitirei que termine essa “conversa”. Agora não tenha a veleidade de se imaginar, a si próprio, como centro da minha conversa. A centralidade está em não confundir “parasita” com “qualidade”.

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