O nosso bem-amado Presidente já apelou a consensos pelo menos quatrocentas vezes. O seu antecessor fartou-se de falar na mesma coisa, com diferente sucesso, ou seja, sem sucesso de espécie nenhuma.
Agora é diferente: há fartura de consensos.
Por exemplo, se, em 2011/2015, faltasse uma seringa no SNS, o Arménio e a sua malta já tinham apupado o Primeiro-Ministro pelo menos cem vezes, o dr. Silva da OM já tinha feito não sei quantas declarações públicas de repulsa e repúdio. Agora, o SNS está afogado em dívidas, para comprar um rolo de papel higuénico num hospital é preciso um despacho do chamado ministro das finanças, os anestesistas deram à sola, não há cirurgias, não há enfermeiros, as 35 horas já custaram vinte e tal milhões e vão custar ainda mais, e por aí fora, num nunca acabar de chatices.
Mas há consenso. Há consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o Silva e tutti quanti, de acordo com os desejos do nosso Presidente.
Outro exemplo: se, em 2011/2015 houvesse aulas a começar fora de horas, aqui d’El-Rei que estão a dar cabo do sacrossanto Estado Social, que o Primeiro-Ministro não tem “sensibilidade”, que as criancinhas é que sofrem, que é o neoliberalismo… os professores estavam na rua aos pinotes com o bigodes, imperial, no comando e todos os dias na televisão a vociferar cobras e lagartos, o PS, o PC, a BE davam conferências de imprensa a dizer coitadinhos de nós nas mãos desta gente. Agora, que há uma data de escolas paradas, que andam a fechar as privadas (resquício liberal a abater), que a confusão dos manuais é mais que muita, que não há empregados (auxiliares operacionais!) nem dinheiro para lhes pagar, o que acontece?
Acontece que há consenso, meus amigos, o consenso entre o governo, o PS, o PC, a BE, o Arménio, o bigodes, está tudo no melhor dos mundos, o futuro é risonho.
De consensos destes, há exemplos aos pontapés.
E ainda há quem diga que o povo, os políticos, a Nação, não ouvem os consensuais apelos do senhor Presidente!
19.10.16

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