Na ânsia de ir rapando vários tachos, frigideiras e panelas, a mui nobre geringonça acaba de ter uma ideia genial: sacar uns 300 milhões ao Banco de Portugal.
Parece que, dos bancos portugueses, o BdP era o único que ainda não tinha problemas de maior. É claro que, dada a confiança que o governo inspira, ia criando umas provisões para o caso de vir a ter chatices com a dívida pública.
O chefe Costa e o chamado ministro das finanças, vendo por lá uns dinheiros, tiveram a habitual explosão de génio: quais provisões qual carapuça, vamos mas é lá buscar o nosso! O Estado não é o dono do banco? É. Nós não somos os donos de Estado? Somos. Então por que carga de água há-de o BdP andar para aí a fazer provisões em vez de nos entregar o dinheirinho, hem? Ainda por cima, tratando-se de dividendos, não nos podem, nem nos jornais nem em Bruxelas, acusar de andar a sacar receitas extraordinárias. E sacamos 300 dele sem mexer mais nos impostos, nem nas taxas, taxinhas, tachonas, coimas e outras manigâncias do costume. Somos os melhores, os mais altos, os mais inteligentes. Não é o que diz o Presidente?
E assim se vai tratando de saúde ao último banco nacional que tinha a cabecinha de fora.
20.10.16

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