IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • RIO RIACHO

     

    Há para aí duas semanas, um jornal teve a lata de pôr na primeira página que um tal Rui Rio andava a contar espingardas com o nobre objectivo da apear Passos Coelho.

    Mentira!, apressou-se o fulano a proclamar, prenhe de indignação.

    Quinze dias depois, o mesmíssimo fulano desata a dar entrevistas e a fazer palestras em que declara que é isso mesmo, que quer apanhar o combóio lá do partido e que aspira por uma clara derrota eleitoral nas atárquicas para ter um bom pretexto. Nem mais. Um tipo leal, um tipo fixe! (Conceda-se que mais leal e mais fixe que o Costa, que esperou por duas vitórias do Seguro para o apear e para, perdendo, fazer mão baixa ao poder).

    Grande novidade das declarações do Rio é a de que é adepto de políticas “disruptivas”, seja lá isso o que for. Talvez as de calar os jornais, a quem “não permitirá” que “atropelem tudo e todos em nome da liberdade”. Talvez as de que a justiça defendia melhor os direitos do cidadão durante a II República. Como houve quem o classificasse, é uma espécie de Trump à portuguesa, diz o que lhe vier à cabeça desde que ache que o que lhe vem à cabeça pode dar votos. Politicamente falando, Rio é um riacho, daqueles cheios de lixo tóxico.

    Mas é perigoso. Não percebe que atingiu os limites do princípio de Peter enquanto autarca. Ao ponto de ter dito que desistia de uma candidatura a Presidente da República porque isso não era dado a um tipo do Porto (se calhar só aos de Boliqueime), assim provando, como noutras oportunidades, que não passa de um bairrista de segunda, pequenote e limitado.

    É adepto do estralhaçamento do país em regiões, com a respectiva multiplicação de cargos e carguinhos, taxas e taxinhas, tachos e tachinhos.

    Em matéria de populismo, faz inveja às esquerdoidas.

     

    13.11.16

  • 5 DE OUTUBRO PROGRESSISTA

     

    Uns senhores, talvez julgando ser gente nestes tempos de geringonça, resolveram, que topete!, escrever uma carta ao chamado ministro da educação, conhecido agente da intersindical na avenida 5 de outubro.

    São eles os dirigentes de sociedades científicas, designadamente de matemática, de química, de física e de filosofia.

    Qual o teor de tal carta? Nada menos que um protesto contra o facto de terem sido excluídos de um processo de revisão curricular em curso no chamado ministério, versando as matérias em que se dizem, ou são mesmo, especialistas. Pediam uma auduência urgente, a fim de expor as suas razões.

    Como é óbvio, foram liminarmente deixados à porta. Porquê? O chamado ministro, através de um funcionário, explicou que já ouvia gente que chegasse: as associações profissionais. As científicas, nem vê-las. Dito de outra maneira, a geringonça, tratando-se de currículos escolares, ouve os tipos da CGTP e quejandos, e mais ninguém. E, democraticamente, explica mais: é que “o trabalho em curso é um trabalho (sic) integrado, relacionando todas as disciplinas”.

    Estão a ver? Para este trabalho, que interessam os tipos que sabem das matérias a relacionar? Nada, como é evidente.

    O Nogueira fica satisfeito, coça a bigodaça e apresenta ao comité central o relatório de mais este triunfo. Não recebe a medalha de honra da união soviética por que já não há união soviética. Mas marca pontos.

     

    12.11.16

  • BURDEN SHARING

    Não me tem parecido valer a pena tecer considerações sobre a eleição de Trump. Está tudo dito, redito e glosado em todos os sentidos e sobre todos os temas, por uma multidão de jornalistas, professores, filósofos, astrólogos, politólogos, etc. etc., à esquerda, à direita e ao centro.

    (Não faço futurologia, a não ser sobre os caminhos da geringonça e da palavra dada palavra desonrada.)

    Apraz-me, no entanto, fazer um comentário sobre uma matéria que é universalmente considerada como novidade: os desfios, ou provocações, de Trump quanto ao papel dos EUA na defesa da Europa. O homem ribomba que a Europa está encostada à América em termos de defesa e segurança, afirma que ela não passa de um pendura que não gasta dinheiro que se veja nem cuida de si em tais matérias, e diz que não está disposto a deixar continuar tal pendurice. Inquietante novidade!

    Não, meus senhores, pode ser inquietante, mas não é novidade nenhuma. Há muitas décadas que os EUA dizem o mesmo. Há muitas décadas que a Europa não investe o que devia em defesa e segurança. À excepção do Reino Unido, a Europa é um tigre de papel. Já Kenedy desafiava a Europa a tornar-se no “pilar europeu da NATO”, exprimindo exactamente o mesmo que Trump, ainda que por palavras mais doces. Esta postura continuou sempre a ser tema a nível diplomático e militar, com maior ou menor intensidade. O chamado burden sharing é tema constante da posição americana em todos os fora de defesa. Trump fala do mesmo (deve ter ouvido algum zumzum…), usando a primitiva brutalidade que o caracteriza e deixando-se de rodriguinhos, pelo menos em termos de campanha eleitoral.

    Nada de novo. Tem sido interessante ouvir inúmeros inimigos da NATO, ou seus ferozes críticos, normalmente conotados com a esquerda folclórica, mostrar a sua inquietação, tremer como varas verdes, dizer que a Europa tem que tomar uma atitude e aceitar “novas” responsabilidades por causa da ameaça trumpista.  Afinal, é tudo mais do mesmo, do lado americano. Esta malta é que não dá por isso…

     

    12.11.16

  • O IMBRÓGLIO

    Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa promulgou o decreto-lei do chamado governo que conferia aos administradores da CGD o estatuto de gestores privados. Não vetou tal diploma, não enviou qualquer mensagem ao governo ou ao  parlamento sobre o assunto, não pediu ao Tribunal Constitucional a apreciação, preventiva ou sucessiva, da constitucionalidade. Nada. Ao contrário do que é seu hábito fazer sobre tudo e mais alguma coisa, sequer teceu qualquer consideração a tal respeito. Numa palavra, concordou com o chamado governo sobre a natureza privada da gestão e dos gestores da CGD.

    O chamado primeiro-ministro, bem como o chamado ministro das finanças, reiteraram as disposições do decreto-lei, reafirmando a natureza privada da gestão da CGD.

    Uma vez “descoberta” uma lei em vigor desde 1983 que contraria o decreto-lei do chamado governo, todos assobiaram para o ar e, em desespero de causa, chutaram para cima, ou seja, para o Tribunal Constitucional. O próprio PR veio à liça declarar, em substância, que tinha promulgado um decreto ilegal.

    O Presidente do TC, interrogado sobre o assunto, disse que o dito só se pronuncia quando excitado (não sei se é esta a expressão, mas é qualquer coisa da equivalente), significando que alguém, para tal competente, terá que lhe pedir que julgue, estando na lei quem o pode fazer e como. É de presumir que o declarante se tenha enganado, uma vez que veio a notificar os “arguidos” por não terem apresentado as suas declarações de rendimento. Implicitamente, o TC considera que os gestores nomeados pelo chamado governo são públicos, o que correponde a uma sentença de inconstitucionalidade do decreto, sentença que nenhum dos órgãos para tal competentes lho pediu.

    Os nomeados para a administração da CGD não têm estado pelos ajustes: prometeram-lhes coelho, servem-lhes gato. Foram enganados pelo chamado governo. Agora, o PR, que promulgou o engano, bem como o TC, estão ao lado dos enganadores.

    Estando o imbróglio neste belo estado, Sua Excelência o PR, fazendo jus ao seu afecto pela geringonça, veio em socorro da tramóia. Aperta com o maior dos enganados. Do aperto nada foi comunicado aos indígenas, o que faz supor que não resultou.

    De tudo isto se conclui que: os ilustres chefes da geringonça e seus satélites não fazem ideia do que sejam as leis em vigor; O PR também não; o TC age, aparentemente, sem mandato; todos, sem excepção, enganaram os que nomearam com laudas e parangonas. Todos, sem excepção, sacodem a água do capote, tiram os cavalos da chuva, não dão explicações, ficam-se em tábuas. A malta que se lixe.

    Diga-se que, quanto à matéria substantiva, o IRRITADO não tem opinião. Quanto ao resto, valha-nos Santa Rita pintor.

     

    10.11.16

  • MÁS NOTÍCIAS PARA A FILOSOFIA TRIUNFANTE

    A Universidade Católica, estabelecimento cientificamente prestigiado e credível, estudou a questão dos hospitais PPP, tendo concluído que o Estado, nos dois estudados, poupou nada menos que 200 milhões de euros. Más notícias para as esquerdoidas da Bloca, para os soviéticos do PC e para os socialistocretinos do PS – não contando, como é de justiça, com os quasimodos dos “Verdes”, que são irrelevantes por inexistentes.

    Esperem lá. Uma “entidade” (uma das toneladas delas cuja contraproducência custa fortunas), tida por vigilante destas coisas, chegou à conclusão socialista da inoperância económica dos hospitais PPP, assim minorando o desgosto das agremiações acima referidas, e não podendo deixar de ser tida em conta nas negociações da geringonça para avaliação dos contratos. 

    A ver vamos o desenrolar de tais negociações, certos de que o Estado não deixará de privilegiar as opiniões da “entidade”.

     

    7.11.16

  • POBRE CONDESTÁVEL

    Demonstrando alta dose de patriotismo, o Medina, o chamado primeiro-ministro e o nosso afectuoso Presidente inauguraram, com discreta pompa, uma estátua de Dom Nuno Álveres Pereira numa colina lá para o Restelo.

    O indiscutível, incontroverso e bem merecido prestígio e valor do homenageado foi, em recuados tempos, “indigitado” morador entre as colunas triunfais do Parque Eduardo Sétimo. Por falta de estátua ou estupidez da II República, as colunas ficaram sem inquilino. A III República foi mais longe: pôs lá um hediondo falo que, rodeado de pedregulhos, mija orgulhosamente em cima da cidade 24 horas por dia. Dizem, sabe-se lá com que lógica, que se trata de uma homenagem ao 25 de Abril.

    Com esta inauguração as nossas inteligentes autoridades põem um ponto final no assunto. Quais colunas triunfais qual carapuça, vais para o Restelo, ó Álvares, e estás com muita sorte!

    Ditosa Pátria, que tais filhos tem.

     

    7.11.16

     

     

  • DAS BOCAS DO ARMÉNIO

     

    O “Público” (recauchutado mas pouco) dedica hoje quatro ou cinco páginas a essa grada figura, imperador absoluto da CGTP, agitador de eleição, vigoroso condotieri, figura impar do sovietismo, a quem a República, devota, ouve e presta vassalagem, Arménio de seu nome.

    Como é sabido, a criatura representa cerca de 2,7% dos assalariados, os mais deles pendurados no Estado. Nesta conformidade, e com evidente lógica, o referido Estado confere-lhe a representatividade de milhões de pessoas que jamais foram por ele representadas. Uma questão de “democracia participativa”, não é?

    Pois o nosso homem vem, no tal “Público”, tecer as mais rasgadas loas à geringonça e deixar pelo meio, de acordo com o Comité Central, uma série de exigências, todas elas computadas em muitos, muitos milhões, sem dizer onde é que os vai arranjar.

    O que vale, para nosso descanso, é que, em coerência com o “pensamento” do artista, a CGTP não deixará de financiar a cratera. Está mesmo a ver-se, não está?

     

    7.11.16

  • ONDE CHEGA A PROPAGANDA

    Vítimas de universal parvoíce, os algarvios andam preocupadíssimos com a hipótese de se abrir uns buracos no mar, a 30 milhas da costa, ou em inóspitas montanhas, para a prospecção de petróleo e gás. Certamente inspirados pelas bocas, de carácter indiscutivelmente “científico”, que por aí ribombam em trombones oficias e particulares, os zelotas em causa conquistam páginas de jornal e tempos de antena, a convencer os portugueses (como já aconteceu com o nuclear) dos malefícios da iniciativa, execranda a coisa que, certamente, é fruto de mentalidades capitalistas, de mamões, de exploraores do povo e de coveiros do planeta.

    Gostaria de lembrar a esta gentinha o que acontece, por exemplo, na Escócia (que até quer ser independente para ficar com o petróleo), ou com as astronómicas reservas financeiras da Noruega, obtidas via petróleo e gás num país que é exemplo de respeito ambiental, mas não é parvo.

    Por cá impera o politicamente correcto, quer dizer, faz-se de nós parvos.

     

    7.1.16

  • DESGRAÇADA GRAÇA

    O IRRITADO tem-se farto de rir com as palhaçadas do Trump, gajo que o Circo Chen deve estar em vias de contratar. Noutros tempos, também o IRRITADO ouvia o Berardo em aparições televisivas que metiam num chinelo o Herman e quejandos.

    Uma e outra destas criaturas muito contribuíram para aliviar, via degradação do cómico, as irritações do autor.

    Pena é que um se prepare para rebentar com a civilização, como o outro contribuiu para enterrar o BCP.

    Patético é que se goze (peço desculpa) com as opiniões de tais humoristas.

    Acrescente-se que a dona Hilária talvez seja um mal menor. Sem deixar, por isso, de ser um mal, como é evidente.

     

    7.11.16

  • DA ABRANGÊNCIA DA COLIGAÇÃO

     

    Está provadíssimo que o chamado primeiro-ministro e o seu testa de ferro Centímetro, perdão, Centeno, enganaram o Domingues, por duas razões de fundo: primeiro, não conheciam as leis aplicáveis (pelo menos duas) e, segundo, achavam-se indiscutíveis proprietários do poder, neste caso com alguma razão.

    A marosca causou um sururu dos diabos. De todos os lados se levantaram clamores: o malandro do Domingues não quer cumprir a lei e, pecado maior, quer ganhar uma pipa de massa, coisa que o nacional-invejismo não tolera. Até as bengalas parlamentares, habitualmente tão certinhas, não contiveram a sua indignação.

    O chamado primeiro-ministro, entalado e sem saída, quis atirar o assunto para o Constitucional. Mas, como o Presidente do dito muito bem avisou, o TC só age se excitado, e ninguém o excitou. Uma chatice.

    Pôs-se então em funcionamento a poderosa máquina do socialismo dito democrático. Como descalçar esta bota? O chefe chamou o César e lá combinaram a coisa. Primeiro, fizeram constar que, no respectivo grupo parlamentar, havia muitas opiniões discordantes. A seguir, o César declarou que ele mesmo, imagine-se, não estava de acordo com o chefe.

    Estavam criadas as condições políticas para a aceitação pública de um recuo do Costa. Não seria um recuo, mas a simples e mui democrática verificação da “vontade popular”.

    Só faltava o morango no chantilly. Conversada a coisa ao mais alto nível, chegou a voz de Belém para dar uma ajudinha. A partir daí, o Costa passou, em nome da estabilidade e da cooperação institucional, a estar protegido por todos os lados. Fim da crise. O amigo do peito da geringonça, o guru da Pátria falou, está falado, resolvido, é o triunfo da abrangência, da “paz” e do afecto.

    A batata fica agora a queimar a boca do enganado. Ou se despe ou se lixa.

    Não sei o que o homem vai fazer. Como já disse, o que deve fazer é pôr os pontos nos is, denunciar quem o aldrabou e bater com a porta.

    Faça o que fizer, já não há nada que salve a “solução” da geringonça para a CGD. Enganados somos nós.

     

     5.11.16

  • BURRICES

    Aqui há uns anos, o inteligentíssimo Costa, à altura candidato à Câmara de Loures, resolveu fazer uma corrida entre um burro e um Ferrari, para sublinhar os problemnas do trânsito local. E lá fez a sua rábula, sem que ninguém o chateasse.

    Os tipos do PSD da Câmara de Lisboa decidiram agora fazer o mesmo, para ilustrar a monumental bagunça pré-eleitoral em que o Medina (merdina, para os críticos) mergulhou a cidade. Só que… só que a coisa foi liminarmente proibida pelo supracitado Medina. Aqui temos um exemplo gritante da “autoridade democrática” do socialismo. Registe-se.

    Igualmente digna de registo é a posição da Provedora dos Animais (???), que “deu fé da sua preocupação com o bem-estar do burro”. Donde se prova que os burros não são só os de quatro patas. Também integram bípedes, a saber, medinas, “provedores” animalescos e quejandos.

     

    4.11.16

  • RECOMENDAÇÃO

     

    Aos meus leitores, recomendo que ouçam os discursos de hoje (afinal não resisti à coisa), sobretudo os de Passos Coelho e os do Costa.

    Depois, usem os neurónios que Deus lhes deu, comparem bom-senso com demagogia barata, e pensem duas vezes sobre o que aí vem.

     

    4.11.16

  • JUSTIÇA SOCIAL

     

    Parece que os fornecedores de serviços de “medicina” alternativa, tais os massagistas, os acupunctores, os chinocas, os personal trainers, as tarólogas e o professor Karamba, vão ficar, por lei da geringonça, isentos de IVA.

    E mais. A magnífica lei é retroactiva, isto é, os profissionais envolvidos não só passam a ter o direito de não pagar como o têm de receber de volta o que pagaram ao longo das suas estimáveis carreiras “médicas”.

    Tudo isto é uma estupidez, como é evidente. Mas, dado que a estupidez vem ganhando direito de cidade, comentários para quê?

    Resta uma questão muito simples, ou muito complicada. O IVA recebido a devolver foi pago pelos pacóvios que frequentam os “consultórios”. Mas o dinheirinho vai ser devolvido aos que o receberam, não aos que o pagaram. Mais um passo na justiça social da geringonça.

     

    4.11.16

  • CENTENO E O CARRO ELÉCTRICO

    Tive o “privilégio” de assistir a uma parte do debate do orçamento.  Um debate sui generis, já que se defrontaram duas oposições: a oposição ao chamado governo e a oposição ao governo anterior.

    Explico: o camarada Centeno, que eu tenha ouvido, e ouvi quase tudo, não respondeu a uma só das questões que lhe foram postas. Limitou-se a dizer coisas sobre os “malefícios” da coligação e a dizer o que aconteceria se ela – de acordo com os resultados eleitorais – fosse governo. Numa palavra, argumentou com base na velha expressão popular que diz que “se a minha avó tivesse rodas era um carro eléctrico”. A astrologia preencheu praticamente tudo o que o fulano encontrou para, usando um imaginário futuro, defender o indefensável presente.

    Muito interessante foi também o extremoso entusiasmo com que as meninas da Bloca e os soviéticos do PC alinharam na filosofia do Centeno. Foi vê-los a tremebundar exactamente a mesma narrativa, mostrando que estão tão empenhados, tão devedores da geringoncial “solução”, como a maralha do PS, composta esta, em exclusivo, pelos adeptos da geringonça e pelos vira-casacas.

    Parece que a encenação continua hoje, já sem a minha presença. Estou esclarecido. E, ao contrário do Centeno, não preciso de imaginar coisa nenhuma. Ficou tudo claro, límpido, explicado. Não há volta a dar: não existe governo, o que existe são duas oposições entre as quais o diálogo é impossível. De certa forma, ainda bem.

     

    4.11.16

  • TRAMPA

    Isto de ter de voltar à farsa da CGD é uma chatice, mas não há outro remédio.

    Punhamos alguns pontos nalguns is, para saber onde está o gato.

    – Querendo recuperar das diversas broncas que levaram a CGD à exaustão, o chamado governo arranjou umas catracas para financiar o buraco sem financiar o buraco, ou seja, para meter os custos da injecção de dinheiros em locais que não entrassem nas contas, fazendo assim calar, Bruxelas, ou com que os respectivos trutas fingissem não perceber. Uma claríssima operação contabilística, como se percebe. Oficialmente, o Estado, metendo dinheiro na CGD, não mete dinheiro na CGD, como é fácil de compreender para os adeptos da geringonça mas poderá escapar ao entendimento do cidadão comum, normalmente mal intencionado.

    – Bom, demos isto de barato, ainda que caríssimo. Uma vez garantido o financiamento privado com dinheiro público, havia que dar à CGD um estatuto que, sendo público, fosse privado. Nesta ordem de ideias, estão a perceber, havia que encontrar gestores privados que, ainda que públicos, não deixassem de ser privados. Uma filosofia clara, incontestável, prudente e realista, como se está mesmo a ver.

    – Nesta ordem de ideias, o inigulável Centeno, muito conhecido pelos rotundos e fatais fracassos de todas as suas teorias macro-económicas (sem excepção), decidiu contactar um craque privado para o banco público, com funções privado/públicas, ou publico/privadas, consoante os gostos de cada um. Conversaram, e compreenderam-se como Deus com os anjos. O craque privado, que passava a público sem deixar de ser privado, pôs as suas condições. Foram elas aceites e garantidas pelo inigualável Centeno, mais uma vez se verificando a luminar circunstância de a CGD passar a privada sem deixar de ser pública, ou vice-versa – mais uma vez a gosto. E lá fizeram um claríssimo contrato, tudo estabelecendo com a maior das transparências. Para que ficasse ainda mais claro, o chamado governo legislou: o novo homem, sendo público, tinha tratamento privado, ordenado excepcional e dispensa de andar a despir-se no Tribunal Constitucional, o que quer dizer em público, como é sabido.

    – De posse dos compromissos do Centeno e da cobertura legal ndecessária, o craque, de acordo com o Centeno e com o chamado primeiro-ministro, convidou vinte e tal senhores e senhoras para o acolitarem. Vai daí, o BCE (uns ditadores por conta do Schäuble) lembraram ao chamado governo que a lei portuguesa não aceitava a coisa e que os nomeados que viessem a ficar tinham que ir para a educação de adultos, em Fontainebleau. 

    – Passada esta fase, crítica mas cheia de dignidade, como é evidente, as coisas acalmaram, até que o famoso craque resolveu meter-se em politiquices e pôr-se a desmentir políticos. Pé na argola, mas perdoável a um principiante.

    – Depois, azedaram outra vez: a lei do chamado governo sobre o estatuto do craque era uma treta ilegal, isto é, esqueceu-se de abolir outra lei que postula ao contrário, ficando as duas em vigor, preto e branco no mesmo saco.

    – Agora, como diria o velho dramaturgo, ser ou não ser o craque obrigado a despir-se, eis a questão. Ninguém sabe a resposta. Só se sabe que o chamado governo não faz, relapsamente, a menor ideia de que são as leis em vigor.

    – Azedado o caldo ao ponto a que azedou, há duas soluções: a) o Domingues dobra a espinha e nunca mais terá prestígio – a CGD com ele – e b) o Domingues não dobra a espinha e dá com os pés à geringonça.

    Declaração de interesses: o IRRITADO é adepto da solução b).

    Uma última, tristíssima observação: é uma pena que o PSD e o CDS andem metidos, como andam, na trampa que a geringonça cagou.

     

    2.11.16

     

  • BONS CONSELHOS

    VOLTA RELVAS, ESTÁS PERDOADO!

     

    Pois é, Relvas, tu tinhas uma licenciatura, obtida com grande esforço de equivalências e outras marteladas, mas devidamente concedida por uma entidade oficialmente credenciada para o efeito. Uma licenciatura a que se pode chamar administrativa. Mas não foram administrativas tantas outras, até de fulanos que chegaram longíssimo na vida, e que ainda por lá andam?

    Tu não mentiste. Tinhas o canudo, com assinaturas, selos brancos, carimbos e tudo. Mais tarde – isto da política é uma chatice – o canudo foi considerado “expedito” e sacaram-to à má fila. Caíste do governo abaixo e, em matéria que se visse, deixaste de constar. O defeito nem sequer era teu: candidataste-te às equivalências. Deram-te as equivalências. Se há culpados são os quem tas deram. E tu, meu caro, é que pagaste as favas! Ainda por cima por acção do governo de que fazias parte.

    O país está apinhado das mais rebuscadas licenciaturas. É só ler a publicidade das universidades que por aí pastam para se perceber onde a coisa chegou. Centenas de milhar de portugueses são dr., ou eng… até Badajoz, Ayamonte ou Tui. Até o senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, é engenheiro sem que conste que jamais tenha sido admitido na respectiva Ordem.

    Não interessa. Facto é que essa malta toda anda para aí à vontadinha e tu, meu caro, te lixaste.

    A coisa volta agora à tona, desta vez em versão socialista, isto é, por razões muito mais graves do que as que te conduziram à desgraça. Uns tipos do PS, um a dobrar outros em singelo, ao contrário do que tu fizeste, mentiram, por escrito, preto no branco no jornal oficial. Os respectivos chefes, há quem jure, sabiam da marosca e acharam bem.

    Os rapazes deram às de Vila Diogo e, segundo declarou a grande educadora e magnífica líder Catarina, “o assunto está encerrado”. É claro que os grandalhões que coonestaram a aldrabice, esses não se molham, nem sequer se humedecem. Na geringonça, ninguém toca!

    Afinal qual é a diferença, esquecida que seja a existente entre a verdade e a mentira? Só uma. É que tu não és da esquerda e os outros são. Estás a ver? É a moral republicana, estúpido!

     

     

    NÃO DOBRES, Ó DOMINGUES!

     

    Alcateias das mais diversas origens e convicções regougam por aí sobre a tua sacrossanta obrigação de declarar ao Tribunal Constitucional os teus bens, móveis e imóveis, as jóias da patroa, as bicicletas dos miúdos, o diabo a quatro. Tu, que és um chato, dizes não estar para aí virado.

    Ninguém sabe dizer ao certo se és, ou não, a tal obrigado. Mas toda a gente sabe que o Centeno te disse que não eras, e que foi nessa condição que te dispuseste a deixar a relativa paz do BPI para te meteres na barafunda da CGD.

    Também toda a gente sabe que o Centeno confirma o acordo, que o sapo dos Açores desconfirma e que o chamado primeiro-ministro sacode a água do capote. Estás a ver onde te meteste? Com quem te meteste?

    É certo que não andas à vontade no meio desta gente, que já meteste a pata na poça uma data de vezes, que ainda tens muito que aprender.

    Mas, nesta do TC, estou contigo. Não te dispas! Não dobres a espinha. E, se te quiserem obrigar a fazê-lo, bate-lhes com a porta na cara antes que te comam vivo.

     

    30.10.16

     

  • PROBLEMAS DO INQUILINATO

     

    Já se sabia que o nosso tão estimável Partido Socialista, com um passivo acumulado e confessado de 20 milhões, precisa urgentemente de um resgate. Não chegarei ao ponto de dizer que a “reforma” da CGD se destina a financiá-lo, mas de algum lado terá que vir a massa. Comigo não contem.

    Preocupantes sinais exteriores de má gestão, ruína, imparidades, etc., se avolumam no horizonte, o que muito nos deve preocupar.

    Por exemplo, rezam os jornais de hoje que a agremiação deve 47 mil euros ao senhorio de uma casa onde se acoita a respectiva secção do Bairro Alto – coisa de que jamais se tinha ouvido falar, mas que terá existido. Facto é que, segundo o que vem escrito, o partido está a dever nada menos que 34 meses de renda, 3 anos menos dois meses. Ou seja, desde que acertou a renda com o senhorio, em 2013, nunca pagou um tostão ao homem. Agora, a título de desculpa, diz que o homem não fez obras. Não sei se estão a ver a gracinha: deviam querer que o senhorio fizesse obras com os 93 euros por mês que pagavam até à data do novo contrato – que nunca respeitaram.

    Tem este post por fim alertar os portugueses (todos menos um, que eu já disse que não vou no peditório) para este ingente problema: o PS precisa de nós: dinheiro, chá, e honestidade!

     

    28.10.16

  • MAIS UM BANCO

     

    Dada a estremosa, afectuosa, carinhosa, apaixonada e competente forma como Estado vem, desde há muito, tratando o património florestal que detem, resolveu agora alargá-lo. Muito bem! Vai deixar de haver pinhais abandonados, eucaliptais sem dono ou, no limite, expropriações à moda do PREC. Por consequência, diz o chamado governo, vai ficar tudo num brinquinho e nunca mais haverá incêndios na “nossa” floresta à beira mar plantada, além de que se tornará muito mais fácil procurar criminosos em fuga.

    Vamos, finalmente, ter um banco florestal, coisa que muito animará a malta.

    A comemorar esta grande reforma, reuniu algures um mimoso grupo de chamados governantes: pelo menos 23, dos quais 9 ninguém saberá o que fazem, com fotografia para o jornal e vasta cópia de triunfais declarações. Lá estava, note-se a título de exemplo, sua excelência a chamada ministra do mar, entidade com alta competência e avantajadas responsabilidades em matéria florestal.

    Se vivêssemos de retumbantes anúncios, a vida sorrir-nos-ia. Ou talvez não: às vezes, pior do que o anúncio é o que ele anuncia.

     

    28.10.16

  • DOS LIMITES DA MÁ LÍNGUA

     

    Toda a gente, em Portugal, com razão ou sem ela, diz mal de tudo. Um direito inalienável, não é? É, sim senhor. Ainda bem.

    Diz-se mal cá de dentro. Por mim, não me calo.

    Diz-se mal lá de fora. Vale tudo, e de todos os lados: O Trump é uma porcaria, a Hilária uma burocrata, o Putin uma besta, a dona Ângela uma ditadora, o Hollande uma desgraça, a Marine uma fascista, os ingleses uns chatos, os franceses uns lapurdas… Estamos no nosso direito, pois então!

    Vale tudo? Valerá, mas com uma excepção: a do Dr. Schäuble (chaubel, chabel, choubel, chubel, chowbel, etc.), em linguagem dos pivôs da TV e do nacional-comentarismo). O Dr. Schäuble, ao contrário dos que dele dizem cobras e lagartos, não tem direito a ter opiniões. Se não concorda com a geringonça está a meter-se em assuntos internos, é um serventuário da mais repugnante conspiração política e financeira contra os sagrados interesses da Nação portuguesa, está feito com as multinacionais e o Goldman Sachs, quer a nossa ruina, age contra nós sempre que pode e, mais nefando dos crimes, confessa que Passos Coelho levava o país no bom caminho e que Costa o leva para o abismo. Inadmissível! Não se critica nem se contradiz o que ele opina (o chamado governo está calado como um rato cego), o que se proclama é que o homem passa da chinela sem autorização superior – talvez do Santos Silva – quando se trata da geringonça.

    Não é um problema de opinião. É uma questão de direito. E o Schäuble (chaubel, chabel, choubel, chubel, chowbel, etc.) não tem direito ter opinião sobre o que por aqui se passa, sobretudo não tem o direito a não acreditar na excelência da geringonça.

    Isto da democracia tem os seus limites, não é? É sim senhor. Perguntem ao Louçã, que sabe tudo.

     

    27.10.16

  • NAS MALHAS DA BANCA PÚBLICA

     

    O chefe Costa declarou de sua justiça que a CGD era pública e, tal III Reich, seria pública mil anos, pelo menos. Mas (nunca é verdade o que o chefe Costa diz), não é tão pública como isso, ou seja, é pública mas. No fundo, o chefe Costa é capaz de ter as suas dúvidas quanto à utilidade de ser pública ou não. Calcule-se, coitado, as voltas que dá às meninges para se auto-justificar, acabando por dar primado à ideologia em prejuízo do bom senso. É lá com ele. Seria  bom que olhasse para o espelho e visse o que qualquer cidadão verá: que é um saco cheio de ratos e de paleio, sendo paleio o mais importante.

    Voltando ao tema, teremos que a filosofia triunfante acaba por ceder a alguma realidade, isto é, que tudo o que é público acaba em burocracia, ineficácia e/ou trafulhice, coisas que no privado também acontecem, mas não são generalizáveis. Assim, o homem deu voltas e reviravoltas e concluiu que, se queria livrar-se da desgraça da CGD, tinha que ir ao privado buscar um craque. Muito bem.

    Mas a coisa está a correr pelo pior. Antes de mais, mal habituado, o craque começou por desatar a fazer convites sem título para tal nem conhecimento dos absurdos e não absurdos da lei. Mandados para casa os convidados e passados os trambolhões que se seguiram, havia, finalmente, um chefe da CGD que não tinha, diz-se, nada a ver com a política nem com os partidos, um tecnocrata puro e duro. O problema é que o homem ainda não tinha aquecido o lugar e já andava metido em polémicas, desmentidos e outras politiquices nos jornais. Não sabe onde se meteu. Ingénuo ou parvo, é escolher.

    Mimosiou-se com um invejável salário, assim como aos executivos e aos não executivos. Não sei nem me interessa o que ganham os colegas do privado, à excepção de um caso que conheço de um não executivo bancário que ganha cerca de um sexto do vencimento dos novos da CGD. É obra.

    Tudo bem, ou quase. Só que as coisas foram postas de pernas para o ar. O poder da geringonça tirou os limites aos vencimentos do craque e colocou-os nos prémios. Quer dizer que, indo a CGD para o buraco, o novo todo-poderoso ganha o dele; se a CGD for um sucesso, grande ou pequeno, os prémios estão plafonados, como se diz agora em galo-português.

    O senhor também se enganou quanto ao poder imenso da inveja nacional. Ele, que não é gestor público, ainda que seja gestor público, ganha como privado mas tem que ser público: tem que se despir na praça pública, uma vez que, sendo público ainda que privado, terá que deitar cá para fora todos os seus tostões, propriedades, acções, os seus investimentos em gravatas, quantas casa de banho tem lá em casa, e outros elementos a que temos direito. Não sendo público mas sendo público, tem que se submeter ao que é tido por “transparência”, o que quer dizer que, segundo a nacional bempensância, é suspeito de tudo e mais alguma coisa e vítima da inversão do ónus da prova sob a doce vigilância do Tribunal Costitucional, da dona Catarina e de alcateias várias.

    Nada de novo, ou quase. Só é pena que o PSD se dê ao trabalho de entrar na jogatana, alinhando com a dona Catarina e outros inquisidores da nossa praça.

     

    26.10.16