IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • REAIS RECORDAÇÕES, REAIS ACTUALIZAÇÕES

     

    Há para aí trinta anos, este bloguista (ainda não havia blogues) foi, com mais umas cem pessoas, recebido no Plalácio de Buckingham por S.M. Isabel II.

    À porta do salão,um tipo engalanado batia com um pau no chão e anunciava os nomes da malta, escritos nos convites que lhe mostrávamos. Depois, em bicha, lá íamos, respeitosos e emocionados, cumprimentar a Senhora. O protocolo era feroz. Devíamos estender a mão, dizer, Ma…am, e seguir sem mais delongas ou bitates. Jamais beijar a mão de Sua Majestade, jamais lhe tocar, para além do aperto de mão. Compreende-se.

    À minha fente ia Jaime Gama e, antes dele, um outro amigo, que já lá vai e cujo nome, por isso, não citarei. Este, curvou-se profundamente, apertou a mão à Senhora e, com um inglês do Bulhão, perguntou-lhe: “Vossa Majestade lembra-se das sardinhas que comeu no Porto em 1954?” S.M. sorriu profissionalmente,sem perceber patavina, julgo eu. Mas o nosso amigo não arrancava. Jaime Gama, discretamente q.b., dava-lhe com a biqueira do sapato nas canelas e sussurrava: anda pá, mexe-te. E foi preciso agarrá-lo pelo cotovelo para o arrancar do estado de encantamento em que estava.

    Lembrei-me desta história ao ver o nosso Presidente a) beijar a mão à Rainha e b) desatar a dizer que a tinha visto no Terreiro do Paço quando era pequenino e também, já crescido, no Britania, nos anos 80.

    Mutatis mutandis, o ridículo é o mesmo. Uma tristeza. Ainda bem que o resto da conversa não foi filmado, o que nos poupou a mais vergonhas.

     

    18.11.16

  • FUTEBÓIS

     

    Não sei se alguma vez fiz observações futebolísticas, a não ser para manifestar o meu ódio primário aos intelectuais, técnicos, palhaços e palhaças de várias ordens e origens que, 26 horas por dia, ocupam o nacional espaço televisório. Estarão no seu direito de assim ganhar a vida, as televisões é que usam e abusam da coisa sem respeito por nada nem ninguém.

    Hoje, porém, não resisto a dizer mais umas coisas.

    É do conhecimento geral que Confúcio, filósofo chinês muito citado, viveu uns 500 anos antes de Cristo, época em que, como também toda a gente sabe, a fotografia, a rádio e a televisão (para não falar das redes sociais) eram técnicas de uso corrente, a preto e branco e a cores, com e sem photoshop, e em que as selfies se expandiam como cogumelos.

    Por isso, é de elogiar a douta o opinião de uma das mais altas figuras do nosso universo futebolístico, académico de indiscutível valia, membro de várias sociedades científicas da especialidade e, last but not least, cultor ilustre da língua de Camões: o senhor Jesus, treinador do SCP (seportem, nas suas palavras). Ao fazer nobres considerações sobre acontecimentos controversos em que preponderou sua excelência o chefe Carvalho (não é meu primo), disse ele que umas gravações televisivas já transmitidas 3829 vezes nos media apropriados demonstravam que, “como dizia Confúcio, uma imagem vale mais que mil palavras”, frase que, por certo, terá ouvido na televisão a cores da dinastia Ming.

    Feliz Pátria que tem um Jesus como este! Curvemo-nos, com o devido respeito. Afinal, ao contrário do que tenho vindo a pensar, nem tudo é mau no telefutebol. Também lá há cultura, e da boa.

     

    18.11.16

  • BOAS NOTÍCIAS

    1. O chamado primeiro-ministro declarou em Madrid que o sistema financeiro português saiu do impasse em que se encontrava, presume-se que há um ano. “Tenho registado ao longo deste ano que saimos, precisamente, do impasse”, disse ele. Assim, com “precisamente” e tudo. Também acho. Essas coisas do Banif, do BES e, sobretudo, da Caixa, não passam de histórias da carochinha, sem importância nenhuma, empoladas por reaccionários, neoliberais e outros que tais. Pormenores. Quem não se sentirá aliviado depois de ouvir mais esta verdade de tão autorizada bocarra?
    2. O magnífico novo presidente do chamado Conselho Económico e Social, senhor Campos (professor, diz-se, mas não sei de quê), associou-se às doutas diligências do senhor Presidente da III República no que diz respeito aos seus projectos de consensos vários e geniais acordos para o futuro de médio e longo prazo. Muito bem. “Seria um erro muito grave cada um ficar encolhido no seu canto”, disse ele. Quem diria que tão sensatas palavras sairiam da boca dum homem que, durante quatro longos anos, em frequentes investidas televisivas, se dedicou a criticar, anatemizar, condenar, com a virulência dos injustos, toda e qualquer proposta ou iniciativa de consenso? Diz-nos agora que “um acordo… é uma ideia que faz todo o sentido”! O hábito, muitas vezes, faz o monge, como é sabido. Ou foi isso, ou foi a varinha mágica de Belém que lhe endireitou o toutiço. Ou, mais provavelmente, o que ele quer dizer é que consensos e acordos só fazem sentido nos termos e sob as ordens da vaca voadora. Aí sim, camaradas, será lindo!
    3. O camarada Arménio comunicou à Pátria duas fantásticas verdades. A primeira é que o aumento de dez euros em certas pensões é mais uma maravilhosa benesse da vaca voadora. A segunda é que os mesmos dez euros de aumento no salário mínimo são, e cito, “miseráveis”. Saude-se a coerência, o sentido de justiça e a alta inteligência do ilustre bolchevista.

     

    15.11.16

  • VACARRICES

     

    Um grupo de figurões resolveu propor à Nação e ao povo que o chamado governo deixasse de se ser conhecido por geringonça, passando à ternurenta designação de vaca voadora. Não estou a brincar, é verdade!  Os figurões em causa justificam a nova designação com pesados argumentos: a geringonça, como anda, não é geringonça nenhuma, é vaca porque voa,e a grande altura.  

    Da lista dos rapazes consta o inaturável André Freire, ao que se diz adepto de uma defunta organização chamada Livre – livrámo-nos do Livre mas não do André -, a inenarrável e gasta pespineta Roseta, o Vascocelos, coitado, o da TAP “nossa”, o Nunes da Silva que se zangou com o Medina, e mais uma longa série de gente de utilidade mais ou menos desconhecida, mas unida na propaganda da geringonça, perdão, da vaca – que deve voar a abanar as tetas.

    A coisa, como é de calcular, não interessa a ninguém, nem ninguém daria por ela, não fora o jornal “Público” lhe ter dedicado nada menos que duas páginas inteirinhas. Sabem porquê? Porque, como diz o Freire “há um clima adverso na comunicação social porque a Solução política é nova”. Assim. Dado o tal “clima adverso” à vaca (o contrário da verdade, como é próprio de gente desta), decidiu o dito jornal dar-lhe justa publicidade.

    Espremido o limão “informativo”, o que a publicação do Engº Belmiro pretendia era comunicar aos indígenas o endereço de um blog dirigido por tais e tão importantes cidadãos, a fim de aumentar as suas influências vacuns.

    E o IRRITADO, que julgava que a mudança de direcção daquela coisa ia ter um efeito positivo… Burro!

     

    14.11.16

  • MARCELICES

     

    No que a Cohen diz respeito já todos os elogios fúnebres foram feitos, e bem merecidos.

    Todos e mais um, o de Sua excelência o Presidente da III República. Cito: “como Presidente da República tenho que admitir que Leonard Cohen foi um nome importante da música a nível mundial”.

    Marcelo “tem que admitir”. Não admite, é obrigado a, não deixa de, faz o frete. Não acha, admite. “Foi” um nome importante. Já não é. Bolas.

    Homens da importância e do estatuto de Marcelo não deixam créditos por mãos alheias!

     

    13.11.16

  • RIO RIACHO

     

    Há para aí duas semanas, um jornal teve a lata de pôr na primeira página que um tal Rui Rio andava a contar espingardas com o nobre objectivo da apear Passos Coelho.

    Mentira!, apressou-se o fulano a proclamar, prenhe de indignação.

    Quinze dias depois, o mesmíssimo fulano desata a dar entrevistas e a fazer palestras em que declara que é isso mesmo, que quer apanhar o combóio lá do partido e que aspira por uma clara derrota eleitoral nas atárquicas para ter um bom pretexto. Nem mais. Um tipo leal, um tipo fixe! (Conceda-se que mais leal e mais fixe que o Costa, que esperou por duas vitórias do Seguro para o apear e para, perdendo, fazer mão baixa ao poder).

    Grande novidade das declarações do Rio é a de que é adepto de políticas “disruptivas”, seja lá isso o que for. Talvez as de calar os jornais, a quem “não permitirá” que “atropelem tudo e todos em nome da liberdade”. Talvez as de que a justiça defendia melhor os direitos do cidadão durante a II República. Como houve quem o classificasse, é uma espécie de Trump à portuguesa, diz o que lhe vier à cabeça desde que ache que o que lhe vem à cabeça pode dar votos. Politicamente falando, Rio é um riacho, daqueles cheios de lixo tóxico.

    Mas é perigoso. Não percebe que atingiu os limites do princípio de Peter enquanto autarca. Ao ponto de ter dito que desistia de uma candidatura a Presidente da República porque isso não era dado a um tipo do Porto (se calhar só aos de Boliqueime), assim provando, como noutras oportunidades, que não passa de um bairrista de segunda, pequenote e limitado.

    É adepto do estralhaçamento do país em regiões, com a respectiva multiplicação de cargos e carguinhos, taxas e taxinhas, tachos e tachinhos.

    Em matéria de populismo, faz inveja às esquerdoidas.

     

    13.11.16

  • 5 DE OUTUBRO PROGRESSISTA

     

    Uns senhores, talvez julgando ser gente nestes tempos de geringonça, resolveram, que topete!, escrever uma carta ao chamado ministro da educação, conhecido agente da intersindical na avenida 5 de outubro.

    São eles os dirigentes de sociedades científicas, designadamente de matemática, de química, de física e de filosofia.

    Qual o teor de tal carta? Nada menos que um protesto contra o facto de terem sido excluídos de um processo de revisão curricular em curso no chamado ministério, versando as matérias em que se dizem, ou são mesmo, especialistas. Pediam uma auduência urgente, a fim de expor as suas razões.

    Como é óbvio, foram liminarmente deixados à porta. Porquê? O chamado ministro, através de um funcionário, explicou que já ouvia gente que chegasse: as associações profissionais. As científicas, nem vê-las. Dito de outra maneira, a geringonça, tratando-se de currículos escolares, ouve os tipos da CGTP e quejandos, e mais ninguém. E, democraticamente, explica mais: é que “o trabalho em curso é um trabalho (sic) integrado, relacionando todas as disciplinas”.

    Estão a ver? Para este trabalho, que interessam os tipos que sabem das matérias a relacionar? Nada, como é evidente.

    O Nogueira fica satisfeito, coça a bigodaça e apresenta ao comité central o relatório de mais este triunfo. Não recebe a medalha de honra da união soviética por que já não há união soviética. Mas marca pontos.

     

    12.11.16

  • BURDEN SHARING

    Não me tem parecido valer a pena tecer considerações sobre a eleição de Trump. Está tudo dito, redito e glosado em todos os sentidos e sobre todos os temas, por uma multidão de jornalistas, professores, filósofos, astrólogos, politólogos, etc. etc., à esquerda, à direita e ao centro.

    (Não faço futurologia, a não ser sobre os caminhos da geringonça e da palavra dada palavra desonrada.)

    Apraz-me, no entanto, fazer um comentário sobre uma matéria que é universalmente considerada como novidade: os desfios, ou provocações, de Trump quanto ao papel dos EUA na defesa da Europa. O homem ribomba que a Europa está encostada à América em termos de defesa e segurança, afirma que ela não passa de um pendura que não gasta dinheiro que se veja nem cuida de si em tais matérias, e diz que não está disposto a deixar continuar tal pendurice. Inquietante novidade!

    Não, meus senhores, pode ser inquietante, mas não é novidade nenhuma. Há muitas décadas que os EUA dizem o mesmo. Há muitas décadas que a Europa não investe o que devia em defesa e segurança. À excepção do Reino Unido, a Europa é um tigre de papel. Já Kenedy desafiava a Europa a tornar-se no “pilar europeu da NATO”, exprimindo exactamente o mesmo que Trump, ainda que por palavras mais doces. Esta postura continuou sempre a ser tema a nível diplomático e militar, com maior ou menor intensidade. O chamado burden sharing é tema constante da posição americana em todos os fora de defesa. Trump fala do mesmo (deve ter ouvido algum zumzum…), usando a primitiva brutalidade que o caracteriza e deixando-se de rodriguinhos, pelo menos em termos de campanha eleitoral.

    Nada de novo. Tem sido interessante ouvir inúmeros inimigos da NATO, ou seus ferozes críticos, normalmente conotados com a esquerda folclórica, mostrar a sua inquietação, tremer como varas verdes, dizer que a Europa tem que tomar uma atitude e aceitar “novas” responsabilidades por causa da ameaça trumpista.  Afinal, é tudo mais do mesmo, do lado americano. Esta malta é que não dá por isso…

     

    12.11.16

  • O IMBRÓGLIO

    Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa promulgou o decreto-lei do chamado governo que conferia aos administradores da CGD o estatuto de gestores privados. Não vetou tal diploma, não enviou qualquer mensagem ao governo ou ao  parlamento sobre o assunto, não pediu ao Tribunal Constitucional a apreciação, preventiva ou sucessiva, da constitucionalidade. Nada. Ao contrário do que é seu hábito fazer sobre tudo e mais alguma coisa, sequer teceu qualquer consideração a tal respeito. Numa palavra, concordou com o chamado governo sobre a natureza privada da gestão e dos gestores da CGD.

    O chamado primeiro-ministro, bem como o chamado ministro das finanças, reiteraram as disposições do decreto-lei, reafirmando a natureza privada da gestão da CGD.

    Uma vez “descoberta” uma lei em vigor desde 1983 que contraria o decreto-lei do chamado governo, todos assobiaram para o ar e, em desespero de causa, chutaram para cima, ou seja, para o Tribunal Constitucional. O próprio PR veio à liça declarar, em substância, que tinha promulgado um decreto ilegal.

    O Presidente do TC, interrogado sobre o assunto, disse que o dito só se pronuncia quando excitado (não sei se é esta a expressão, mas é qualquer coisa da equivalente), significando que alguém, para tal competente, terá que lhe pedir que julgue, estando na lei quem o pode fazer e como. É de presumir que o declarante se tenha enganado, uma vez que veio a notificar os “arguidos” por não terem apresentado as suas declarações de rendimento. Implicitamente, o TC considera que os gestores nomeados pelo chamado governo são públicos, o que correponde a uma sentença de inconstitucionalidade do decreto, sentença que nenhum dos órgãos para tal competentes lho pediu.

    Os nomeados para a administração da CGD não têm estado pelos ajustes: prometeram-lhes coelho, servem-lhes gato. Foram enganados pelo chamado governo. Agora, o PR, que promulgou o engano, bem como o TC, estão ao lado dos enganadores.

    Estando o imbróglio neste belo estado, Sua Excelência o PR, fazendo jus ao seu afecto pela geringonça, veio em socorro da tramóia. Aperta com o maior dos enganados. Do aperto nada foi comunicado aos indígenas, o que faz supor que não resultou.

    De tudo isto se conclui que: os ilustres chefes da geringonça e seus satélites não fazem ideia do que sejam as leis em vigor; O PR também não; o TC age, aparentemente, sem mandato; todos, sem excepção, enganaram os que nomearam com laudas e parangonas. Todos, sem excepção, sacodem a água do capote, tiram os cavalos da chuva, não dão explicações, ficam-se em tábuas. A malta que se lixe.

    Diga-se que, quanto à matéria substantiva, o IRRITADO não tem opinião. Quanto ao resto, valha-nos Santa Rita pintor.

     

    10.11.16

  • MÁS NOTÍCIAS PARA A FILOSOFIA TRIUNFANTE

    A Universidade Católica, estabelecimento cientificamente prestigiado e credível, estudou a questão dos hospitais PPP, tendo concluído que o Estado, nos dois estudados, poupou nada menos que 200 milhões de euros. Más notícias para as esquerdoidas da Bloca, para os soviéticos do PC e para os socialistocretinos do PS – não contando, como é de justiça, com os quasimodos dos “Verdes”, que são irrelevantes por inexistentes.

    Esperem lá. Uma “entidade” (uma das toneladas delas cuja contraproducência custa fortunas), tida por vigilante destas coisas, chegou à conclusão socialista da inoperância económica dos hospitais PPP, assim minorando o desgosto das agremiações acima referidas, e não podendo deixar de ser tida em conta nas negociações da geringonça para avaliação dos contratos. 

    A ver vamos o desenrolar de tais negociações, certos de que o Estado não deixará de privilegiar as opiniões da “entidade”.

     

    7.11.16

  • POBRE CONDESTÁVEL

    Demonstrando alta dose de patriotismo, o Medina, o chamado primeiro-ministro e o nosso afectuoso Presidente inauguraram, com discreta pompa, uma estátua de Dom Nuno Álveres Pereira numa colina lá para o Restelo.

    O indiscutível, incontroverso e bem merecido prestígio e valor do homenageado foi, em recuados tempos, “indigitado” morador entre as colunas triunfais do Parque Eduardo Sétimo. Por falta de estátua ou estupidez da II República, as colunas ficaram sem inquilino. A III República foi mais longe: pôs lá um hediondo falo que, rodeado de pedregulhos, mija orgulhosamente em cima da cidade 24 horas por dia. Dizem, sabe-se lá com que lógica, que se trata de uma homenagem ao 25 de Abril.

    Com esta inauguração as nossas inteligentes autoridades põem um ponto final no assunto. Quais colunas triunfais qual carapuça, vais para o Restelo, ó Álvares, e estás com muita sorte!

    Ditosa Pátria, que tais filhos tem.

     

    7.11.16

     

     

  • DAS BOCAS DO ARMÉNIO

     

    O “Público” (recauchutado mas pouco) dedica hoje quatro ou cinco páginas a essa grada figura, imperador absoluto da CGTP, agitador de eleição, vigoroso condotieri, figura impar do sovietismo, a quem a República, devota, ouve e presta vassalagem, Arménio de seu nome.

    Como é sabido, a criatura representa cerca de 2,7% dos assalariados, os mais deles pendurados no Estado. Nesta conformidade, e com evidente lógica, o referido Estado confere-lhe a representatividade de milhões de pessoas que jamais foram por ele representadas. Uma questão de “democracia participativa”, não é?

    Pois o nosso homem vem, no tal “Público”, tecer as mais rasgadas loas à geringonça e deixar pelo meio, de acordo com o Comité Central, uma série de exigências, todas elas computadas em muitos, muitos milhões, sem dizer onde é que os vai arranjar.

    O que vale, para nosso descanso, é que, em coerência com o “pensamento” do artista, a CGTP não deixará de financiar a cratera. Está mesmo a ver-se, não está?

     

    7.11.16

  • ONDE CHEGA A PROPAGANDA

    Vítimas de universal parvoíce, os algarvios andam preocupadíssimos com a hipótese de se abrir uns buracos no mar, a 30 milhas da costa, ou em inóspitas montanhas, para a prospecção de petróleo e gás. Certamente inspirados pelas bocas, de carácter indiscutivelmente “científico”, que por aí ribombam em trombones oficias e particulares, os zelotas em causa conquistam páginas de jornal e tempos de antena, a convencer os portugueses (como já aconteceu com o nuclear) dos malefícios da iniciativa, execranda a coisa que, certamente, é fruto de mentalidades capitalistas, de mamões, de exploraores do povo e de coveiros do planeta.

    Gostaria de lembrar a esta gentinha o que acontece, por exemplo, na Escócia (que até quer ser independente para ficar com o petróleo), ou com as astronómicas reservas financeiras da Noruega, obtidas via petróleo e gás num país que é exemplo de respeito ambiental, mas não é parvo.

    Por cá impera o politicamente correcto, quer dizer, faz-se de nós parvos.

     

    7.1.16

  • DESGRAÇADA GRAÇA

    O IRRITADO tem-se farto de rir com as palhaçadas do Trump, gajo que o Circo Chen deve estar em vias de contratar. Noutros tempos, também o IRRITADO ouvia o Berardo em aparições televisivas que metiam num chinelo o Herman e quejandos.

    Uma e outra destas criaturas muito contribuíram para aliviar, via degradação do cómico, as irritações do autor.

    Pena é que um se prepare para rebentar com a civilização, como o outro contribuiu para enterrar o BCP.

    Patético é que se goze (peço desculpa) com as opiniões de tais humoristas.

    Acrescente-se que a dona Hilária talvez seja um mal menor. Sem deixar, por isso, de ser um mal, como é evidente.

     

    7.11.16

  • DA ABRANGÊNCIA DA COLIGAÇÃO

     

    Está provadíssimo que o chamado primeiro-ministro e o seu testa de ferro Centímetro, perdão, Centeno, enganaram o Domingues, por duas razões de fundo: primeiro, não conheciam as leis aplicáveis (pelo menos duas) e, segundo, achavam-se indiscutíveis proprietários do poder, neste caso com alguma razão.

    A marosca causou um sururu dos diabos. De todos os lados se levantaram clamores: o malandro do Domingues não quer cumprir a lei e, pecado maior, quer ganhar uma pipa de massa, coisa que o nacional-invejismo não tolera. Até as bengalas parlamentares, habitualmente tão certinhas, não contiveram a sua indignação.

    O chamado primeiro-ministro, entalado e sem saída, quis atirar o assunto para o Constitucional. Mas, como o Presidente do dito muito bem avisou, o TC só age se excitado, e ninguém o excitou. Uma chatice.

    Pôs-se então em funcionamento a poderosa máquina do socialismo dito democrático. Como descalçar esta bota? O chefe chamou o César e lá combinaram a coisa. Primeiro, fizeram constar que, no respectivo grupo parlamentar, havia muitas opiniões discordantes. A seguir, o César declarou que ele mesmo, imagine-se, não estava de acordo com o chefe.

    Estavam criadas as condições políticas para a aceitação pública de um recuo do Costa. Não seria um recuo, mas a simples e mui democrática verificação da “vontade popular”.

    Só faltava o morango no chantilly. Conversada a coisa ao mais alto nível, chegou a voz de Belém para dar uma ajudinha. A partir daí, o Costa passou, em nome da estabilidade e da cooperação institucional, a estar protegido por todos os lados. Fim da crise. O amigo do peito da geringonça, o guru da Pátria falou, está falado, resolvido, é o triunfo da abrangência, da “paz” e do afecto.

    A batata fica agora a queimar a boca do enganado. Ou se despe ou se lixa.

    Não sei o que o homem vai fazer. Como já disse, o que deve fazer é pôr os pontos nos is, denunciar quem o aldrabou e bater com a porta.

    Faça o que fizer, já não há nada que salve a “solução” da geringonça para a CGD. Enganados somos nós.

     

     5.11.16

  • BURRICES

    Aqui há uns anos, o inteligentíssimo Costa, à altura candidato à Câmara de Loures, resolveu fazer uma corrida entre um burro e um Ferrari, para sublinhar os problemnas do trânsito local. E lá fez a sua rábula, sem que ninguém o chateasse.

    Os tipos do PSD da Câmara de Lisboa decidiram agora fazer o mesmo, para ilustrar a monumental bagunça pré-eleitoral em que o Medina (merdina, para os críticos) mergulhou a cidade. Só que… só que a coisa foi liminarmente proibida pelo supracitado Medina. Aqui temos um exemplo gritante da “autoridade democrática” do socialismo. Registe-se.

    Igualmente digna de registo é a posição da Provedora dos Animais (???), que “deu fé da sua preocupação com o bem-estar do burro”. Donde se prova que os burros não são só os de quatro patas. Também integram bípedes, a saber, medinas, “provedores” animalescos e quejandos.

     

    4.11.16

  • RECOMENDAÇÃO

     

    Aos meus leitores, recomendo que ouçam os discursos de hoje (afinal não resisti à coisa), sobretudo os de Passos Coelho e os do Costa.

    Depois, usem os neurónios que Deus lhes deu, comparem bom-senso com demagogia barata, e pensem duas vezes sobre o que aí vem.

     

    4.11.16

  • JUSTIÇA SOCIAL

     

    Parece que os fornecedores de serviços de “medicina” alternativa, tais os massagistas, os acupunctores, os chinocas, os personal trainers, as tarólogas e o professor Karamba, vão ficar, por lei da geringonça, isentos de IVA.

    E mais. A magnífica lei é retroactiva, isto é, os profissionais envolvidos não só passam a ter o direito de não pagar como o têm de receber de volta o que pagaram ao longo das suas estimáveis carreiras “médicas”.

    Tudo isto é uma estupidez, como é evidente. Mas, dado que a estupidez vem ganhando direito de cidade, comentários para quê?

    Resta uma questão muito simples, ou muito complicada. O IVA recebido a devolver foi pago pelos pacóvios que frequentam os “consultórios”. Mas o dinheirinho vai ser devolvido aos que o receberam, não aos que o pagaram. Mais um passo na justiça social da geringonça.

     

    4.11.16

  • CENTENO E O CARRO ELÉCTRICO

    Tive o “privilégio” de assistir a uma parte do debate do orçamento.  Um debate sui generis, já que se defrontaram duas oposições: a oposição ao chamado governo e a oposição ao governo anterior.

    Explico: o camarada Centeno, que eu tenha ouvido, e ouvi quase tudo, não respondeu a uma só das questões que lhe foram postas. Limitou-se a dizer coisas sobre os “malefícios” da coligação e a dizer o que aconteceria se ela – de acordo com os resultados eleitorais – fosse governo. Numa palavra, argumentou com base na velha expressão popular que diz que “se a minha avó tivesse rodas era um carro eléctrico”. A astrologia preencheu praticamente tudo o que o fulano encontrou para, usando um imaginário futuro, defender o indefensável presente.

    Muito interessante foi também o extremoso entusiasmo com que as meninas da Bloca e os soviéticos do PC alinharam na filosofia do Centeno. Foi vê-los a tremebundar exactamente a mesma narrativa, mostrando que estão tão empenhados, tão devedores da geringoncial “solução”, como a maralha do PS, composta esta, em exclusivo, pelos adeptos da geringonça e pelos vira-casacas.

    Parece que a encenação continua hoje, já sem a minha presença. Estou esclarecido. E, ao contrário do Centeno, não preciso de imaginar coisa nenhuma. Ficou tudo claro, límpido, explicado. Não há volta a dar: não existe governo, o que existe são duas oposições entre as quais o diálogo é impossível. De certa forma, ainda bem.

     

    4.11.16

  • TRAMPA

    Isto de ter de voltar à farsa da CGD é uma chatice, mas não há outro remédio.

    Punhamos alguns pontos nalguns is, para saber onde está o gato.

    – Querendo recuperar das diversas broncas que levaram a CGD à exaustão, o chamado governo arranjou umas catracas para financiar o buraco sem financiar o buraco, ou seja, para meter os custos da injecção de dinheiros em locais que não entrassem nas contas, fazendo assim calar, Bruxelas, ou com que os respectivos trutas fingissem não perceber. Uma claríssima operação contabilística, como se percebe. Oficialmente, o Estado, metendo dinheiro na CGD, não mete dinheiro na CGD, como é fácil de compreender para os adeptos da geringonça mas poderá escapar ao entendimento do cidadão comum, normalmente mal intencionado.

    – Bom, demos isto de barato, ainda que caríssimo. Uma vez garantido o financiamento privado com dinheiro público, havia que dar à CGD um estatuto que, sendo público, fosse privado. Nesta ordem de ideias, estão a perceber, havia que encontrar gestores privados que, ainda que públicos, não deixassem de ser privados. Uma filosofia clara, incontestável, prudente e realista, como se está mesmo a ver.

    – Nesta ordem de ideias, o inigulável Centeno, muito conhecido pelos rotundos e fatais fracassos de todas as suas teorias macro-económicas (sem excepção), decidiu contactar um craque privado para o banco público, com funções privado/públicas, ou publico/privadas, consoante os gostos de cada um. Conversaram, e compreenderam-se como Deus com os anjos. O craque privado, que passava a público sem deixar de ser privado, pôs as suas condições. Foram elas aceites e garantidas pelo inigualável Centeno, mais uma vez se verificando a luminar circunstância de a CGD passar a privada sem deixar de ser pública, ou vice-versa – mais uma vez a gosto. E lá fizeram um claríssimo contrato, tudo estabelecendo com a maior das transparências. Para que ficasse ainda mais claro, o chamado governo legislou: o novo homem, sendo público, tinha tratamento privado, ordenado excepcional e dispensa de andar a despir-se no Tribunal Constitucional, o que quer dizer em público, como é sabido.

    – De posse dos compromissos do Centeno e da cobertura legal ndecessária, o craque, de acordo com o Centeno e com o chamado primeiro-ministro, convidou vinte e tal senhores e senhoras para o acolitarem. Vai daí, o BCE (uns ditadores por conta do Schäuble) lembraram ao chamado governo que a lei portuguesa não aceitava a coisa e que os nomeados que viessem a ficar tinham que ir para a educação de adultos, em Fontainebleau. 

    – Passada esta fase, crítica mas cheia de dignidade, como é evidente, as coisas acalmaram, até que o famoso craque resolveu meter-se em politiquices e pôr-se a desmentir políticos. Pé na argola, mas perdoável a um principiante.

    – Depois, azedaram outra vez: a lei do chamado governo sobre o estatuto do craque era uma treta ilegal, isto é, esqueceu-se de abolir outra lei que postula ao contrário, ficando as duas em vigor, preto e branco no mesmo saco.

    – Agora, como diria o velho dramaturgo, ser ou não ser o craque obrigado a despir-se, eis a questão. Ninguém sabe a resposta. Só se sabe que o chamado governo não faz, relapsamente, a menor ideia de que são as leis em vigor.

    – Azedado o caldo ao ponto a que azedou, há duas soluções: a) o Domingues dobra a espinha e nunca mais terá prestígio – a CGD com ele – e b) o Domingues não dobra a espinha e dá com os pés à geringonça.

    Declaração de interesses: o IRRITADO é adepto da solução b).

    Uma última, tristíssima observação: é uma pena que o PSD e o CDS andem metidos, como andam, na trampa que a geringonça cagou.

     

    2.11.16