IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA ABRANGÊNCIA DA COLIGAÇÃO

 

Está provadíssimo que o chamado primeiro-ministro e o seu testa de ferro Centímetro, perdão, Centeno, enganaram o Domingues, por duas razões de fundo: primeiro, não conheciam as leis aplicáveis (pelo menos duas) e, segundo, achavam-se indiscutíveis proprietários do poder, neste caso com alguma razão.

A marosca causou um sururu dos diabos. De todos os lados se levantaram clamores: o malandro do Domingues não quer cumprir a lei e, pecado maior, quer ganhar uma pipa de massa, coisa que o nacional-invejismo não tolera. Até as bengalas parlamentares, habitualmente tão certinhas, não contiveram a sua indignação.

O chamado primeiro-ministro, entalado e sem saída, quis atirar o assunto para o Constitucional. Mas, como o Presidente do dito muito bem avisou, o TC só age se excitado, e ninguém o excitou. Uma chatice.

Pôs-se então em funcionamento a poderosa máquina do socialismo dito democrático. Como descalçar esta bota? O chefe chamou o César e lá combinaram a coisa. Primeiro, fizeram constar que, no respectivo grupo parlamentar, havia muitas opiniões discordantes. A seguir, o César declarou que ele mesmo, imagine-se, não estava de acordo com o chefe.

Estavam criadas as condições políticas para a aceitação pública de um recuo do Costa. Não seria um recuo, mas a simples e mui democrática verificação da “vontade popular”.

Só faltava o morango no chantilly. Conversada a coisa ao mais alto nível, chegou a voz de Belém para dar uma ajudinha. A partir daí, o Costa passou, em nome da estabilidade e da cooperação institucional, a estar protegido por todos os lados. Fim da crise. O amigo do peito da geringonça, o guru da Pátria falou, está falado, resolvido, é o triunfo da abrangência, da “paz” e do afecto.

A batata fica agora a queimar a boca do enganado. Ou se despe ou se lixa.

Não sei o que o homem vai fazer. Como já disse, o que deve fazer é pôr os pontos nos is, denunciar quem o aldrabou e bater com a porta.

Faça o que fizer, já não há nada que salve a “solução” da geringonça para a CGD. Enganados somos nós.

 

 5.11.16



8 respostas a “DA ABRANGÊNCIA DA COLIGAÇÃO”

  1. Duvido que alguma vez consiga entender, mas vou tentar mais uma.A mama do Domingues é indecente logo pelos valores envolvidos: se milhões de portugueses não ganham num ano o que ele ganha em 15 dias, algo está muito errado numa sociedade que o permite. Mas não é indecente só por isso.O Domingues não trabalha mais que os outros; pelo contrário, trabalha menos. Está rodeado de staff que lhe faz tudo. E o mérito do seu trabalho, a existir, pertence primeiro a esse staff e só depois, numa ínfima parte, a ele. Dirá: mas ele “gere” muito bem, põe-nos a trabalhar muito bem. Acredita sinceramente nisso? Numa empresa deste tamanho? Com centenas de técnicos séniores para fazer tudo, que conhecem o trabalho melhor do que ele jamais conhecerá?Estas empresas até podem precisar de um testa-de-ferro, de uma figura para as câmaras; vivemos num mundo primitivo que se baseia em aparências. Talvez o Domingues sirva para isso; mas estes valores jamais serão justos.E que responsabilidades assume o Domingues? A que objectivos se compromete? O que acontece se os falhar? O que acontece se, além disso, a situação da CGD ainda piorar?Zero. Acontece zero. O Domingues mama na mesma. Se calhar ainda mais, no pacote de saída.Se dissessem assim: a correr mal o Domingues devolve tudo o que recebeu; e ainda mete do bolso dele. Bom, havia pelo menos uma lógica mínima de risco e recompensa. Mas não. É o exacto oposto: o Domingues não é responsável por nada; mamará sempre; o seu risco é zero. Então, por que carga d’água é que os outros, que arriscam todos os dias, com consequências claras se falharem, se se baldarem ou se tiverem azar, têm de pagar a mama obscena e garantida do Domingues?

    1. Custa-me vê-lo cada vez mais limitado.O problema político, no caso, é o de um governo se ter comprometido, ilegalmente, na contratação de uma pessoa que, como toda a gente que se preza, pôs condições para aceitar um emprego. Essas condições, apesar de ter, até, sido objecto de um decreto do patrão, não foram respeitadas por ele respeitadas. O patrão acha que um decreto pode derrogar uma lei. Não pode. O patrão do patrão promulga um decreto nulo por vício de derrogar implicitamente uma lei hierarquicamente superior. O patrão diz que o TC resolve. O patrão do patrão concorda com o patrão, isto é, pisa, mais uma vez, a lei e o direito de que diz ser especialista e é duplamente responsável. O empregado acha, com toda a razão, que foi aldrabado, e não se verga à aldrabice. Resultado: o FB acha que o mau é o empregado!Tudo o resto é lateral. Competiria ao FB, que não é parvo, separar as coisas: uma é a eventual inaceitabilidade pública das condições do contrato. Outra é a responsabilidade de quem mente, os atropelos da lei cometidos por aldrabões incompetentes, sendo um PM e outro MF. Pior ainda é a coonestação da aldrabice pelo patrão do patrão.Isto preocupa-me mais que o resto, por muito justo que o resto possa ser.Finalmente, as suas palavras querem dizer que, lá na sua empresa, v. se considera um verbo de encher, o que não deixa de ser muito interessante.

      1. Tem doda a razão acerca das aldrabices. Apenas uma questão: quem quer esconder aguça a curiosidade geral. Daí…Porém, acerca de aldrabices, tenho pena que continue a defender o maior aldrabão politico (Passos Coelho), que mentiu e destruiu contratos com FP e reformados e que, agora, não apresenta uma só ideia para construir um país melhor, apenas usa a sua verrinosa”má lingua”.Passe bem

      2. Entendo tudo isso, concordo com tudo isso. Mas isso, para mim, é que se tornou lateral.Já aqui o resumi assim: «O acordo entre a gerimbosta e o Domingues foi uma trafulhice à revelia da lei e da decência, feita em cima do joelho por canalhas sem vergonha na cara». V. chama ao Bosta e ao Centeno aldrabões incompetentes; eu acrescentei canalhas sem vergonha. Neste governo sucateiro, sempre que V. disser mata, eu direi esfola. Só que o Irritado continua a branquear o Domingues; e continua a meter a indignação no saco do «invejismo».Foi o Domingues que exigiu este acordo. Ele e os compinchas dele são uns chulos, uns pulhas. Agora até já admitem declarar a mama ao TC, «desde que o conteúdo não seja revelado públicamente».Eis a mentalidade destes FDP. Quem lhes paga o tacho, as mordomias e a vidinha de lorde, só lhes merece desprezo.

        1. É muito mais simples. Convidaram o homem. O homem pôs condições, como qualquer outro faria. Aceitaram as condições, boas ou más, não interessa para o caso. Só que aldrabaram o homem. Neste aspecto, compreendo-o. Não podiam aceitá-las. Por isso tenho defendido que o homem devia bater com a porta, denunciando os aldrabões. De qualquer maneira, o processo da “salvação da CGD está há muito inquinado. Já não tem salvação, seja qual for o fim da novela. É isso o mais preocupante.

      3. Outra coisa: «lá na minha empresa» não tenho 389 pessoas para fazer o meu trabalho, nem motorista(s) para me ir buscar a casa, nem 24 assessores para me limpar o rabinho.Na minha empresa, tal como em 98% das empresas em Portugal, não há disso. E se a coisa correr mal, sou eu que pago: não me limito a trocar de tacho com uma indemnização milionária. Pago o prejuízo do meu bolso, e se ficar a dever ao Estado até me penhoram as cuecas. É nos grandes mamões, com a Banca à cabeça, que o mito do gestor-maravilha mais floresce – e com menos razão para isso. P.S. No comentário anterior não pus o meu nome, como sempre o Sapo deixou passar.

  2. Sobre o «nacional-invejismo». O Irritado é monárquico. Isto, entre outras coisas, significa que acha lindamente que uma casta de privilegiados viva no luxo, enquanto 99% da população vive para trabalhar, para os aclamar e para os sustentar.É (também) por isso que defende a mama dos Domingues da vida. Esta mama faz parte do seu mundo, da sua escala de valores.Quem não partilha dela, quem protesta a mama vitalícia dos monarcas ou dos seus primos plebeus, os Domingues, é invejoso. Além de ser monárquico, defende a classe política – outros parasitas. E ao ser de direita louva sempre o grande capital; tal como muitos americanos (e direitalhas pelo mundo fora) vê no dinheiro um fim em si mesmo e uma medida do valor de quem o tem. Pouco importa como o obtêm; só importa que o têm.Aquilo a que chama inveja tem outro nome. Chama-se justa indignação.

  3. Nada a ver com o chulão Domingues, ou com nada disto.Se tiver um quarto de hora livre e lhe apetecer ler em Inglês: https://www.theguardian.com/us-news/2016/nov/05/the-big-con-what-is-really-at-stake-on-election-dayO artigo não é sobre Hillary ou Trump: é um retrato dos últimos 80 anos da América, em particular da América rural, que abarca a dicotomia esquerda/direita, Estado/laissez-faire, Roosevelt/Reagan. Muito do que já debatemos, o Irritado e eu, é confrontado neste artigo. Discordo do autor na prosperidade americana do pós-guerra: o autor ignora o papel da guerra e da implosão da Europa nessa prosperidade. As guerras mundiais foram o melhor que já aconteceu aos EUA. Aposto que o Irritado vai discordar de bem mais. Este artigo ataca frontalmente muitas das suas convicções.

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