Toda a gente, em Portugal, com razão ou sem ela, diz mal de tudo. Um direito inalienável, não é? É, sim senhor. Ainda bem.
Diz-se mal cá de dentro. Por mim, não me calo.
Diz-se mal lá de fora. Vale tudo, e de todos os lados: O Trump é uma porcaria, a Hilária uma burocrata, o Putin uma besta, a dona Ângela uma ditadora, o Hollande uma desgraça, a Marine uma fascista, os ingleses uns chatos, os franceses uns lapurdas… Estamos no nosso direito, pois então!
Vale tudo? Valerá, mas com uma excepção: a do Dr. Schäuble (chaubel, chabel, choubel, chubel, chowbel, etc.), em linguagem dos pivôs da TV e do nacional-comentarismo). O Dr. Schäuble, ao contrário dos que dele dizem cobras e lagartos, não tem direito a ter opiniões. Se não concorda com a geringonça está a meter-se em assuntos internos, é um serventuário da mais repugnante conspiração política e financeira contra os sagrados interesses da Nação portuguesa, está feito com as multinacionais e o Goldman Sachs, quer a nossa ruina, age contra nós sempre que pode e, mais nefando dos crimes, confessa que Passos Coelho levava o país no bom caminho e que Costa o leva para o abismo. Inadmissível! Não se critica nem se contradiz o que ele opina (o chamado governo está calado como um rato cego), o que se proclama é que o homem passa da chinela sem autorização superior – talvez do Santos Silva – quando se trata da geringonça.
Não é um problema de opinião. É uma questão de direito. E o Schäuble (chaubel, chabel, choubel, chubel, chowbel, etc.) não tem direito ter opinião sobre o que por aqui se passa, sobretudo não tem o direito a não acreditar na excelência da geringonça.
Isto da democracia tem os seus limites, não é? É sim senhor. Perguntem ao Louçã, que sabe tudo.
27.10.16

Deixe um comentário