IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NAS MALHAS DA BANCA PÚBLICA

 

O chefe Costa declarou de sua justiça que a CGD era pública e, tal III Reich, seria pública mil anos, pelo menos. Mas (nunca é verdade o que o chefe Costa diz), não é tão pública como isso, ou seja, é pública mas. No fundo, o chefe Costa é capaz de ter as suas dúvidas quanto à utilidade de ser pública ou não. Calcule-se, coitado, as voltas que dá às meninges para se auto-justificar, acabando por dar primado à ideologia em prejuízo do bom senso. É lá com ele. Seria  bom que olhasse para o espelho e visse o que qualquer cidadão verá: que é um saco cheio de ratos e de paleio, sendo paleio o mais importante.

Voltando ao tema, teremos que a filosofia triunfante acaba por ceder a alguma realidade, isto é, que tudo o que é público acaba em burocracia, ineficácia e/ou trafulhice, coisas que no privado também acontecem, mas não são generalizáveis. Assim, o homem deu voltas e reviravoltas e concluiu que, se queria livrar-se da desgraça da CGD, tinha que ir ao privado buscar um craque. Muito bem.

Mas a coisa está a correr pelo pior. Antes de mais, mal habituado, o craque começou por desatar a fazer convites sem título para tal nem conhecimento dos absurdos e não absurdos da lei. Mandados para casa os convidados e passados os trambolhões que se seguiram, havia, finalmente, um chefe da CGD que não tinha, diz-se, nada a ver com a política nem com os partidos, um tecnocrata puro e duro. O problema é que o homem ainda não tinha aquecido o lugar e já andava metido em polémicas, desmentidos e outras politiquices nos jornais. Não sabe onde se meteu. Ingénuo ou parvo, é escolher.

Mimosiou-se com um invejável salário, assim como aos executivos e aos não executivos. Não sei nem me interessa o que ganham os colegas do privado, à excepção de um caso que conheço de um não executivo bancário que ganha cerca de um sexto do vencimento dos novos da CGD. É obra.

Tudo bem, ou quase. Só que as coisas foram postas de pernas para o ar. O poder da geringonça tirou os limites aos vencimentos do craque e colocou-os nos prémios. Quer dizer que, indo a CGD para o buraco, o novo todo-poderoso ganha o dele; se a CGD for um sucesso, grande ou pequeno, os prémios estão plafonados, como se diz agora em galo-português.

O senhor também se enganou quanto ao poder imenso da inveja nacional. Ele, que não é gestor público, ainda que seja gestor público, ganha como privado mas tem que ser público: tem que se despir na praça pública, uma vez que, sendo público ainda que privado, terá que deitar cá para fora todos os seus tostões, propriedades, acções, os seus investimentos em gravatas, quantas casa de banho tem lá em casa, e outros elementos a que temos direito. Não sendo público mas sendo público, tem que se submeter ao que é tido por “transparência”, o que quer dizer que, segundo a nacional bempensância, é suspeito de tudo e mais alguma coisa e vítima da inversão do ónus da prova sob a doce vigilância do Tribunal Costitucional, da dona Catarina e de alcateias várias.

Nada de novo, ou quase. Só é pena que o PSD se dê ao trabalho de entrar na jogatana, alinhando com a dona Catarina e outros inquisidores da nossa praça.

 

26.10.16



4 respostas a “NAS MALHAS DA BANCA PÚBLICA”

  1. Ó António, a sua Dona ainda tem o domínio do comando?

  2. Ah, novamente o mito do “gestor”… por onde começar?Todos os gestores das grandes empresas, públicas e sobretudo privadas, ganham mais do que deviam. Na maioria dos casos, como neste da CGD, obscenamente mais. É absurdo. É imoral. É inaceitável. Um simplório pensa: se gerir uma pequena empresa dá trabalho, gerir uma grande dá muito mais! Claro que dá; mas é distribuído por muito mais pessoas. Cada gestor destes tem um batalhão de assessores, directores, consultores, técnicos, secretárias, assistentes, advogados, contabilistas, um mar de gente que lhe faz a papinha toda. Até na vida pessoal, onde o comum cidadão tem de se preocupar com as tarefas da casa, com a escola dos filhos e com a revisão do carro, tudo isto antes e depois de ir trabalhar, os míticos gestores têm staff às ordens. Qual trabalho? Que faz esta canalha a mais que os outros? O simplório pensa a seguir: mas assumem tanta responsabilidade! Outra asneira. Ao contrário de um empresário, não é o dinheiro deles que está em jogo. Jamais são responsáveis por nada. Corre bem? Mamam mais. Corre mal? Mamam na mesma. No limite, vão-se embora com um “golden parachute” de mama vitalícia. Até quando há uma bronca grave, como recentemente na PT ou na Volskwagen, o CEO sai com o rabo cheio de milhões. Qual responsabilidade? E se isto é verdade em qualquer grande empresa, é duplamente verdade na Banca. O dia deste chulo da CGD é mandar marcar reuniões, ler umas tretas pré-digeridas, assinar uns despachos e jogar golfe. Não faz rigorosamente mais nada. E pronto, toma lá mil euros – fora bónus e alcavalas. Enquanto isso o banco inventa dinheiro do ar, como todos os bancos, faz uns fretes ao governo, saca umas massas aos clientes, saca outras nos “mercados”… e continua a loucura. Até ao inevitável estouro. Quando estourar, lá irá o chulo para novo tacho. Fresquinho como uma alface. Apenas uns milhões mais rico.

  3. Mas o pior do post do Irritado nem é o mamão da CGD; é o «poder imenso da inveja nacional».Vejam só o enxovalho, a afronta, a espantosa lata desta gente que lhe paga a mama, que até querem que ele declare quanto mama! Intolerável… «Tem que se despir na praça pública», diz o Irritado, como se uma multidão mórbida quisesse ver-lhe as cuecas. Sempre me meteu asco esta moral bafienta, estes segredinhos hipócritas, que é má educação perguntar quanto se ganha, que gente de bem não fala do que tem, e lérias do género. Por isso tudo caladinho, cheio de respeitinho… Todos os dias cinco milhões de portugueses, mais milhão menos milhão, saem de casa para ter dinheiro para comer. Levantam-se cedo, apanham transportes, apanham trânsito, aturam pessoas, puxam pela mioleira, pelas mãos, pelas pernas, pelo que tiver de ser. Todos os dias, todos os anos, toda a vida. A maioria não ganha mil euros por mês. E ganhará ainda menos quando se reformar. Este bandalhos – não distingo agora entre “gestores” ou pulhíticos, pseudo-cantores ou futeboleiros – ganham isso num dia. Alguns em menos. E quase sempre trabalhando menos. Por alma de quem? Com que direito? Só se vive uma vez; não se conhece outra existência além destes 70 a 90 anos, se correr bem, neste planeta. Com que direito alguém vive com trinta, cem, mil vezes mais do que 99% das outras pessoas, na mesma vida finita, que produzem tudo o que consome – e ainda se queixa quando o questionam? Nem tem de ser uma grande fortuna: ontem ao chegar, após um dia chato, liguei a TV e apareceu o compincha do Irritado – o Santana Lopes. A mandar bitaites, claro. Durante o dia tive chatices para receber certa factura, que não chegava a dois mil euros. Quanto recebe este Lopes em subsídios vitalícios? E quanto lhe pagam para debitar as suas lérias improdutivas? Três, quatro, cinco mil euros? Suponhamos que seja só isso: com que direito este bandalho os mama garantidos, enquanto eu tenho de correr atrás de dois mil euros para pagar salários, impostos… e a mama dele?Com que direito, enquanto milhões de almas penam todos os dias para ganhar 700 ou 800 euros? Falar de dinheiro é tabu? É tabu para chulos, trafulhas e mamões, que gostam de mamar às escondidas. É tabu para quem se sabe privilegiado, sortudo ou oportunista. É tabu por vergonha; ou por falta dela.Para quem trabalha, para quem merece o que tem, jamais deve ser tabu. Falar disto é invejoso, é mesquinho? Admitamos, como o Irritado, que sim. Continua a ser uma única vida; continua a não ser repetível. Não há tempo, nunca consegui entender como pode haver tempo, para estes segredinhos, para este respeitinho, para tanta cabeça baixa. Como carneiros em fila, modestos e caladinhos, à espera da morte.

    1. Bom texto. Só é pena ser tão primitivo.

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