IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ESTÁ BEM? DESTRUA-SE!

     

    A senda é conhecida e praticada, quase religiosamente.

    Passado um século sobre a destruição e a desertificação humana das cidades, lá se legislou sobre o tristemente célebre bloqueamento das rendas, sobre a liberdade contratual das pessoas, o (relativo) respeito pelo constitucional direito à propriedade privada. Em meia dúzia de anos, as cidades ganharam nova face, milhares de prédios em estado de ruina regressaram a ceitáveis níveis de qualidade, tudo a provar que, em benefício de todos (Estado, particulares, senhorios e inquilinos) havia energias sociais garrotadas que regressavam à vida depois de anos e anos de abandono.

    Veio a geringonça. Anuncia-se o fim do sistema, a “reforma” do RAU, do NRAU, etc., de forma a consolar ideólogos e ideologias, cujos resultados, cá e pelo mundo fora, sempre resultaram em miséria, das pessoas e dos Estados.

    O turismo ressuscitou em resultado do aumento da procura e de alguma liberdade cívica. Com ele os arrendamentos turísticos, a procura externa, a entrada de milhões. Porém… com a geringonça, há que acabar com o movimento. Os tuktuk são uma desgraça. É preciso dar cabo do alojamento local, criar regras e regrinhas, sacar mais dinheirinho ao mercado, dificultar, anquilosar, perder o conquistado, dominar os arranques e as iniciativas da sociedade civil. Os turistas passaram a incómodos invasores, há que “limitar” os que aproveitam com ele, desincentivar o investimento externo, criar mais burocracia, cortar as pernas à coisa, como a tudo o que signifique liberdade, a tudo o que mexa.

    (Um dos mais lídimos adeptos da geringonça, célebre por um dia ter pedido à CML que apressasse o “feixo” da CRIL – rapaz culto, maçon e socialista – quer proibir os tuktuks lá do bairro e mandar fechar o comércio mais cedo, a fim de que tudo fique mais silencioso, e mais pobre).    

    Nos transportes públicos via-se uma luzinha ao fundo do túnel. Veio a geringonça. Destrua-se. Municipalize-se. Estatize-se. Se correr mal, como corre, é “azar”, como decreta um tipo que se diz ministro. Vai haver indemnizações aos prejudicados? Lança-se mais um imposto para pagar a bronca. O socialismo paga-se, pelo menos até acabar o dinheiro emprestado.

    A água está cara? Está. O remédio, como vem sendo anunciado, é aumentar o preço. A geringonça não brinca em serviço.

    A chamada “restauração” queixa-se do IVA a 23%. Abra-se uma excepção, passe a 13. Os preços da restauração sobem três vezes mais que a inflacção em geral, a demonstrar as consequências da genial medida. Não interessa, há quem pague.

    Há petróleo na costa? No mar? Faça-se a respectiva “interrupção voluntária” da procura. As exportações de produtos petrolíferos são fulcrais na balança externa, ainda que trabalhem com matéria prima importada a cem por cento. Passar a ter matéria prima nacional? Que disparate! Cancele-se os contratos. Um porque a outra parte se esqueceu de incluir um papel, mesmo que já tenha passado o prazo para reclamar. Os outros não se sabe ainda porquê. Que importa? Pague-se as indemnizações que os tribunais arbitrais não deixaram de exigir. O socialismo é honesto, desde que as pessoas o paguem. A Noruega (país impecável em matéria ambiental), à custa do petróleo, tem as maiores reservas financeiras da Europa, e das maiores do mundo. Que interessa? Petróleo no Algarve é que não, mesmo que não tenha qualquer influência na qualidade de vida das pessoas. A Escócia queria ser independente para ficar com o petrólio do Reino Unido. Que estupidez! A gringonça é que é inteligente.

    A ADSE estava a correr bem? Estava. Até dava lucro, os seus beneficiários, que bem a pagam, não tinham razão de queixa. Acabe-se com isso. Crie-se um “conselho geral”: 15 marmanjos de alto coturno se sentarão á volta da mesa para vigiar a direcção e ganhar, pelo menos, umas senhas. Os sindicatos rejubilam com novos tachinhos! Dar-se-á à coisa o sonante nome de “instituto público de gestão participada”. Lindo: o social-complicómetro no seu esplendor. Dou-lhe três anos até ir à falência. Não fará mal, lança-se uma taxa qualquer, e pronto.

    Mas nem tudo é mau. Por exemplo, as criancinhas de 10 anos vão ser ensinadas pelo Estado a fazer abortos. Progresso é o progresso, raio!

     

    15.12.16

  • DA LÓGICA DAS COISAS

    Não consta que o Hospital de Cascais seja motivo de reclamações que se vejam por parte das populações que serve.

    O Hospital de Cascais foi objecto de uma PPP e tem gestão privada desde a sua entrada em funcionamento.

    O resultado de tal gestão, em termos financeiros, foi favorável ao Estado em cerca de 40 milhões de euros (gastos a menos em relação às previsões).

    A tendência geral dos gastos do Estado no Hospital de Cascais aponta para uma já verificada redução dos custos anuais.

    Para quem isto vê, pode parecer que as coisas, no Hospital de Cascais, correm bem, sendo uma ilha no mar de buracos e prejuízos dos hospitais públicos.

    Perante estes dados, a “comissão técnica” encarregada pela geringonça de avaliar a gestão do Hospital de Cascais tirou uma importante conclusão: a coisa correu bem porque o risco financeiro foi transferido para a sociedade gestora, uma vez que esta obteve uma rentabilidade inferior à esperada.

    Regozijando-se assim com a menor rentabilidade obtida pelos privados(!) e com a poupança, para o Estado de uns 40 milhões, a distinta comissão do governo entende que “não se verificam os requisitos necessários a uma renovação do contrato de gestão”.

    Venha o mais pintado esclarecer o assunto. Se as PPP’s correm mal, continuem e renovem-se. Se correm bem, o melhor é acabar com elas e fazer um novo concurso (procedimento concursal, como diz a novilíngua).

    É a irrefutável lógica da filosofia triunfante.

     

    14.12.16

     

  • SOMOS OS MAIORES!

     

    É sabido, e geograficamente incontestável, que a Península Ibérica fica a Oeste do meridiano de Greenwitch. Será natural e lógico que a Espanha se integre no respectivo fuso horário.

    Parece que o senhor Rajoy é desta opinião, o que não é de estranhar.

    Os media portugueses embadeiram hoje em arco porque os espanhóis vão “mudar para a hora de Portugal”.

    Contrastando, os media espanhóis falam da hora de Greenwitch.

    Sejamos patriotas, mas não abusemos. A reforma proposta pelo governo espanhol tem a ver com uma data de matérias, os horários de trabalho, a sesta, as horas do almoço e do jantar, etc., tudo coisas quem têm zero a ver comPortugal.

    Por cá, vão ver, há-de vir o Costa gabar-se de mais esta grande vitória diplomática da geringonça!

     

    14.12.16

  • REPISA

    Quando o IRRITADO chama esquerdoidas às raparigas do BE, não está, como é evidente, a passar-lhe um atestado de inimputabilidade psiquiátrica. Bem pelo contrário, elas são imputáveis, a doidice é culposa, sacripanta, não se deve a neurónios defeituosos mas a perigosas opções “morais” fundadas em cartilhas que se mascaram de democracia e são o seu contrário.

    Vem isto a propósito da mais estrambólica de todas as interpretações do PISA de que um ser humano pode ser capaz, vertidas em artigo de uma das citadas criaturas, jóvem engraçadinha por fora, velha e feíssima bruxa por dentro.

    A dita vem “provar”, por a menos b, que os resultados publicados não só não têm nada a ver com Nuno Crato como foram obtidos apesar dele e dos terríveis malefícios que a “direita” provocou ao sistema de ensino, bem ao contrário das maravilhosas reformas introduzidas pelo alter ego do senhor Nogueira, um tal Rodrigues, sediado na 5 de Outubro.

    Não, meus caros, mais uma vez não se trata de matéria do foro psiquiátrico, mas dessoutro que, em meios menos “progressistas”, tem a ver com coisa neles caída em desuso: a honestidade intelectual.

     

    13.12.16

  • ESPÓLIOS

    ESPÓLIOS

    A papelada do bolchevista Saramago, escritor prolixo, chato e inconsequente, foi, com a pompa da ordem, entregue à Biblioteca Nacional, não se sabe se na íntegra se devidamente expurgada das facetas menos nobres do percurso do dito senhor. Aceite-se. Faz parte da correcção literário-política dos tempos que correm.

    Mais difícil de aceitar é oração da benemérita viúva do citado camarada. Prenhe de nacionais prebendas, a dona da Casa dos Bicos fez o natural auto-elogioso discurso, ternurentamente escutado pelo chamado primeiro-ministro e pelos funcionários chamados a integrar a celebração.

    Ao IRRITADO cabe sublinhar o carinho que a lusa gente merece de tal mulher, corporizado na recusa de usar o respectivo idioma. Passados anos e anos de presença entre nós, a estrangeira em causa, qual jogador de futebol, ainda não “desceu” à aprendizagem da língua, antes atira o castelhano à cara de cada um. E os altos representantes da lusa cultura, patriotas de recente data, repenicam-se em agradecimentos, beijinhos e loas.

    Registe-se o ridículo, o patético e o indigno.

     

    13.12.16 

  • MARÇAL GRILO

     

    O mui ilustre, conceituado, honestíssimo, insuspeito, competente, moderado e merecidamente respeitado senhor engenheiro Marçal Grilo veio à televisão comentar os resultados do PISA e do TIMMS apresentados pela OCDE.

    Como é natural, lógico e inevitável, o referido senhor mostrou-se satisfeito com os resultados, tendo tecido inúmeros elogios, sem citar nomes, a todos os ministros da educação que, ao longo dos últimos quarenta anos, se debruçaram sobre as matérias em apreço (incluindo naturalmente o próprio, ex-ministro da pasta por conta do PS). Acrescentou os naturais e merecidos encómios a professores, pais, alunos, já não sei se também aos contínuos (auxiliares operacionais!) e às mulheres de limpeza (agentes higiénico- eco-operativas).

    Esqueceu-se, porém, de duas coisas. Escapou-lhe consultar os gráficos, coisa fácil para qualquer cidadão, a fim de ver o salto dos risquinhos e perceber que o que se passou se deve muito mais aos últimos quatro anos que aos anteriores trinta e seis. Igualmente lhe escapou, grande azar, que o PISA diz respeito a 2013, 2014 e 2015, e o TIMMS a 2012, 2013, 2014 e 2015.

    Por outras palavras, este distinto e activo simpatizante socialista não deu pelo mais importante, isto é, que, para além dos seus elogiados, o maior elogio se deve a Nuno Crato, coisa que, pelo mundo fora (Economist, El Mundo, Time…) não há quem não tenha visto. Não chegou ao ponto de atribuir o caso à geringonça ou ao barbudo, como este fez, mas pouco lhe faltou. Também não chegou ao ponto de verificar que todas as medidas que levaram ao triunfo no PISA/TIMMS já não estarem em vigor, meticulosamente abolidas que foram pelo tal barbudo.

    Uma cegueira muito grave, sobretudo vinda de quem vem.

     

    12.12.16

  • FRASES LAPIDARES, SEGUNDO O “EXPRESSO”

     

    Presidentes e presididos

    Diz o nosso (deles) Presidente que, se fosse presidente do PSD, tal o impediria de ser “presidente de todos os portugueses”, boutade largamente usada pelos seus antecessores, insinuação tendente a meter na cabeça dos incautos e dos ignorantes (que deve ser como consideram a canalha) que há uma ligação institucional ou afectiva entre eles e nós.

    Tanto o actual como todos os outros têm por obrigação respeitar e fazer respeitar a Constituição da III República (não confundir com Constitução Portuguesa, coisa que não existe), a Constitução é da República, não do país. Ora tal Constituição da República diz, preto no branco e sem rodriguinhos ou alíneas, que o presidente é Presidente da República e de nada mais. Razão pela qual a história do presidente de todos os portugueses é inconstitucional e devia ser proibida. Que presida à III República, vá. A mim (nós) não preside de certeza.

    Já agora, como diz Passos Coelho, “ainda bem que ele não é o presidente do PSD”. Já foi, e os resultados foram o que foram.

     

    Acordos e embaraços

    Dando corpo à teoria dos consensos e dos acordos patrióticos por aí tão tidos por necessários, veio o chamado primeiro-ministro lamentar-se por haver uma coisa em que está de acordo com o chefe da oposição. Um “embaraço” disse ele. Aqui temos a expressão sincera do patriotismo do fulano, ou seja, das baias, ou varais, da geringonça.

     

    Feelings

    De volta às presidenciais intervenções, há que notar que já não são só de louvaminhas e ratatés à geringonça; passaram a ser de futurologia. O Presidente tem um feeling – não um dedo que adivinha, não um desejo, só um anglo-saxónico estado de alma – “que as exportações portuguesas em Novembro vão crescer muito”. Não se sabe de que pré-monições ou bolas de cristal se vale sua excelência. Mas, se Outubro serve de exemplo, é de temer que as bruxas que vicejam na santa alma presidencial o tenham enganado.

     

    Cosmologia

    Esse heróico navegador dos mares do nacional-parlapatismo, o camarada Caramba, perdão Galamba, em súbita inspiração cosmológica, veio afirmar que “não há nada escrito nas estrelas que impeça um governo com ministros do BE e do PCP”. Tem carradas de razão: as estrelas estão-se nas tintas para o caramba e para a geringonça. O que fica é o alto e doce sonho do homem: ele, ministro da propaganda, lado a lado com a Mariana, ministra da correcção, e com a Rita Rat…o, ministra dos cabeleireiros. Uma pena que se tenha esquecido da Heloísa, que daria uma óptima ministra da gritaria. Fica a intenção, sobretudo para os que ainda não perceberam para onde vai o barco.  

     

    11.12.16

  • OBRAS DE ARROMBA

    O senhor (dr.eng. arq.?) Cabrita, chamado ministro não sei de quê, veio a público rebelar-se contra o facto de o projecto do TGV ter sido abandonado, um grande objectivo patriótico miseravelmente interrompido por forças reaccionárias e, porventura, ultraneoliberais.

    O chamado ministro julgo que das obras públicas ou coisa que o valha, é de outra opinião: o que devemos fazer de estruturante é construir um grande porto de mar, não se sabe onde, mas grande.

    A conhecida por ministra do mar, dona Ana (julgo) Cabrita – mulher do acima referido Cabrito, perdão, Cabrita, para além de fazer acordos com os estivadores parece não ter projecto nenhum, ou ter encarregado o de cima para tratar dos portos.

    Seja como for, devemos ficar felizes. O chamado governo tem projectos de estalo: o TGV para Badajoz e o grande porto de mar. Ainda que os chamados ministros se dividam quanto às prioridades mais prioritárias e se metam nas áreas uns dos outros, em doce manifestação de coerência, bom senso e visão do futuro!

     

    9.12.16

  • GATO ESCONDIDO…

     

    Os partidos/camaradas da geringonça não são de modas. O que não convém, fica no tinteiro, e ai de quem queira saber mais do que geringonça deixa.

    Nesta ordem de ideias, o último dos muitos feitos dos camaradas foi proibir a ida de um tal Wengorovius ao parlamento, a fim de largar as suas bocas sobre o ex-chefe barba negra.

    O homem zangou-se com o suposto ministro da educação e deu à sola, como é do conhecimento geral.

    Para além das tricas sobre a licenciatura de um tipo qualquer, o homem justificou a saída por incompatibilidade política com as maluquices do barbaças.  A malta gostava de saber quais, como e porquê. Daí que se convidasse o rapaz a esclarecer. A geringonça proibiu, contrapondo que mais esclarecedor seria ouvir, não o queixoso, mas o objecto da queixa. Ou seja, os camaradas querem ouvir uma parte (a que lhes convém), não outra, que poderia dizer da sua verdade.

    É o contraditório à moda social-comunista.

    Para que vá servindo de lição sobre a “transparência” e a sua tradução em social-comunistês.

     

    8.12.16

  • ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO

    Há para aí uma coisa conhecida por PISA, estatística montada com o objectivo de avaliar a qualidade do ensino em cadeiras consideradas fundamentais. Terá a credibilidade da maioria das estatísticas, mas aceite-se enquanto tal.

    Desta vez, parece que o tal PISA não nos pisou, isto é, concluiu que, por cá, o ensino melhorou. Muito bem. As bruxas da “informação”, lado a lado com o governo da geringonça, geringonçaram os mais rasgados elogios. O rapazola barbudo tido por ministro da educação embandeirou em arco e veio à televisão fazer uma feIicíssima paródia sobre mais este colossal triunfo do chamado governo.

    Vistas as coisas com olhos de ver, o PISA não tinha nada a ver com o que disse a “informação”, ainda menos com o barbudo ou com a sua gente.  Referia-se a 2015! Se louros havia, pertenciam 100% a Nuno Crato e a Passos Coelho. É verdade que o chamado ministro disse que se tratava de uma “evolução” relativa à última década, certamente para apanhar uns restos de louros para oferecer ao Sócrates e aos seus. Só que era mentira. Mas que interessa a mentira à tão louvada “estratégia de comunicação” do PS? Nada. O que interessa é aldrabar, desde que aldrabar dê jeito.

     

     6.12.16

  • CONVERSA DE CHACHA

     

    Todo penteadinho e maquilhado, o nosso (deles) chamado primeiro-ministro veio à televisão do Estado (deles), serviço público (deles), dar largas à sua conversa em família (deles).

    59 minutos de beco-beco, sem contar com as bocas no corredor.

    Ficámos a saber que os contratos dos transportes, assinados pelo Estado, nunca existiram. Sim, meus senhores o Estado (deles) dá esse valor às assinaturas do Estado. Explicando, o homem opina (sem que os trabalhadores do serviço público – deles – o contradigam): se ainda não tinham o visto do Tribunal de Contas, os contratos não existiam. O IRRITADO tem a honra de esclarecer que os contratos existiam, sim senhor, precisavam era do tal visto para entrar em vigor, o que é “ligeiramente” diferente de não existirem.

    Ficámos a saber que a culpa de todos os acontecimentos relativos à CGD são do auditor. Sim, meus amigos, não houve mentiras, não houve palavras desonradas, nem trapalhadas ou trapalhices, não houve decretos ilegais, nada, nadinha, tudo limpinho, claro, transparente, cristalino. Não houve créditos marados, nem favores aos amigos do PS, nada, nadinha. O que houve foi uma besta de um auditor que meteu os pés pelas mãos. Um esclarecimento digno do senhor Costa. Acrescente-se e sublinhe-se que o homem, como é evidente, tem a “consciência” tranquila. Outra coisa não seria de esperar.

    Ficámos a saber que, na questão da dívida, quem tem razão é o Bloco de Estrume. Qualquer mal entendido não passa de pormenor de timing. Mais tarde ou mais cedo, não pagamos. O resto é conversa. Consta que as esquerdoidas abriram uma garrafa de vodka.

    Ficámos a saber que a anunciada diferença de 480 milhões – a menos – no investimento não passa de manobra de diversão. É que, fiquem a saber, o investimento subiu nada menos que 7%. Não se sabe em relação a quê, sendo de supor que se trata da compra de novos carrinhos de vendedores de castanhas assadas filiados na geringonça.

    Ficámos a saber que a dívida (o indicador que mais sobe) afinal está em vias de descer vertiginosamente. Para o ano, é claro. E, acrescentemos, se não descer, a culpa é do auditor ou de outro tipo qualquer.

     

    E não vale a pena continuar. Ficámos esclarecidos. Como já estávamos esclarecidos, se vimos a coisa até ao fim mais não fizemos que perder tempo.

     

    6.12.16

  • PROBLEMAS ESTOMACAIS

     

    Afinal, Paulo Macedo foi a “primeira escolha” para a CGD. O segundo vinho é melhor que o primeiro, Marcelo dixit. E mais disse, está tudo nos carris, não houve nada de especial, só um tipo que não queria cumprir a lei e se foi, naturalmente, embora.

    Quem decretou contra a lei, quem, relapsamente, a ignorou, quem promulgou legislação ilegal, quem garantiu impossíveis compromissos, quem aceitou e prometeu o que não podia aceitar nem prometer, é tudo gente que nunca legislou, nunca promulgou , nunca ignorou, nunca aceitou, nunca prometeu, nunca nada: quer dizer, ou nunca existiu ou tratava-se de meros e ilegítimos alter egos dos que, agora, garantem que tudo estava certo,que tudo está certo, límpido, fantástico, só é pena que haja uns canalhas que andam para aí a dizer o contrário.  

    No meio disto tudo, tenho pena do Paulo Macedo, que parece um tipo com espinha. Vai ficar nas mãos desta malta. Não lhe gabo o estômago. O problema não é ele, é o Centeno, o Costa e Sexa MRS.

     

    5.12.16

  • O COMÍCIO

     

    Apesar de há dias com o IRRITADO no frigorífico, o autor não quer deixar que os seus leitores o acusem de deixar passar em branco as comemorações do 1º de Dezembro.

    Com pompa e circunstância que excedem largamente as da II Republica, as mais gradas figuras cá do sítio fizeram rasgada homenagem aos “valentes guerreiros (que) nos deram livre a Nação”. Não se cantou o hino, nem desfilou a Mocidade Portuguesa, mas a Pátria, ora redimida de desmandos do passado recente, retomou velhas e honrosas tradições. Muito bem, mas é mentira. Terão sido honrosas mas não form honradas. Com feriado ou sem ele, sempre a data foi comemorada. O que se acrescentou foi a política, restaurada com a baixeza que já se tornou habitual.

    Explico. Acho muito bem que haja feriado, acho muito bem que se comemore. E até acho muito bem que as tais gradas figuras por lá se apresentem, ao contrário do que mandavam as tradições da III República, consistentes estas em não ligar pevas ao caso, antes o deixando por conta e risco de alguns tradicionalistas cheios de mérito mas olimpicamente ignorados pela moral republicana.   Assim, à primeira vista, tudo nos merecidos conformes.

    O problema é que as gradas figuras presentes se estavam republicanamente nas tintas para o assunto. O que lá as levou foi um comício de oposição à oposição. Os afectos, os consensos, os apelos à concórdia a propósito da indiscutível Pátria, foram metidos no caixote. A substância do acto foi o ódio, a crispação, a divisão, bem vincadas por sound bites críticos ao governo PSD/CDS,  e criteriosamente escolhidos para marcar a diferença entre os “patriotas” da esquerda e os malandros da direita que tinham acabado com o feriado e nem a Pátria merecem. Numa palavra, o que houve foi uma sessão dirigida e interpretada pelos actores do costume: o chefe Costa e o chefe do chefe Costa, o inqualificável Marcelo. Aproveitar, sem escrúpulos, o que devia unir para dividir e acicatar, é de estalo, e bem próprio de quem aproveitou.

    Nunca fui adepto da abolição do feriado. Não achei bem que o PSD estivesse ausente. Mas, dado o evidente e propositado objectivo da coisa, compreendo, aceito e até sou capaz de elogiar que não tivesse coonestado nem dado o flanco à trafulhice.

     

    5.12.16

  • REACÇÕES

     

    Houve ontem várias desgraças a reportar. Mas o que mais interessou aos media foi a descida de 0,1% nos números do desemprego. A coisa, nas palavras que ouvi, assume proporções gigantescas, é uma descida vertiginosa e um triunfo colossal da geringonça.

    Não é preciso ter muita memória para lembrar o que aconteceu, em 2015, perante notícias do mesmo teor, algumas com números bem mais expressivos. Aconteceu a indignada reacção da esquerda: havia manipulação, era tudo mentira, o desemprego não tinha baixado, o que havia era menos gente a receber o subsídio, metiam nos números os estagiários, era emprego sazonal, o diabo a quatro.

    Não faço ideia se o desemprego, realmente, subiu ou desceu, agora ou no ano passado. Mas registo a forma como, uns e outros, reagiram e reagem o mesmo tipo de notícias.

     

    1.12.16  

  • CARROCEIRADAS

    Filipe VI, Chefe do Estado espanhol por investidura parlamentar, e sua mulher, vieram a Portugal em visita de Estado, a convite das autoridades Portuguesas.

    Foram recebidos com as honras protocolares aplicáveis, com o carinho da presença de milhares de portugueses e o respeito dos demais.

    Nem as autoridades fizeram mais que o seu dever, nem o povo, nas ruas, deixou de estar presente, sem formalidades, protocolos, organizações ou obrigações.

    Muito bem.

    E muito mal:

    – O nosso afectuoso presidente, talvez a pensar que estava na feira dos enchidos da Marmeleira, ferrou duas beijocas na coitada da rainha, que fez os possíveis por não exprimir surpresa, troça, rancor ou nojo.  

    – Correspondendo à elegância do Rei, que discursou em português, a SIC (as outras não sei) cometeu a suprema galegada de mostrar o discurso com legendas. Lindo. Como quem diz, ó filho, vai lá falar português para o raio que te parta! Não é possível ser mais ordinário. Se acrescentarmos que o Senhor até falou num português decente, a cavalidade atinge os píncaros.

    – A condecorar estas porcarias, nada melhor que a esmerdada educação dos machos e fêmeas do Bloco de Estrume (BE). Não há adjectivos que possam prestar a devida justiça à atitude. Esta gente, por uns segundos de TV, é capaz de tudo. De uma assentada, falta ao respeito adevido ao chefe constitucional de um país democrático, e suja o nosso país ao insultar um seu convidado de honra.

    Porquê? Dizem eles: porque Filipe VI não foi eleito. Pois não. O que tem a estrumeira a ver com isso? Nada. Os presidentes da Itália, da Alemanha, da Suiça e de tantos outros países europeus também foram instaurados da mesma forma, ou seja, pelo parlamento. A Estrumeira de Esquerda (BE) é isso mesmo: o ódio da trampa ao que é limpo.

     

    30.11.16

  • TAXARIA NACIONAL

    Com grande estardalhaço mediático, os transportes de Lisboa passaram a ser geridos pelo Medina, em vez de pelo chamado ministro da pasta. Fica, pelo menos em parte, explicada a catastrófica situação a que tais transportes têm sido conduzidos pela geringonça. Atira-se agora ao consumo da plebe uma mezinha: a CML, do alto da sua competência, vai tratar do assunto; daí que, como por encanto, passará a haver bilhetes no Metro, os autocarros passarão a não ter avarias, serão mais rápidos, mais frequentes, mais cómodos, etc.

    O “contrato” com a CML estipula que os milhões da dívida da Carris e do Metro serão assumidos pelo Estado, sendo entregue à CML, do ponto de vista financeiro, só galinha da perna. Grande malha!

    Fácil será ver o que se segue. Sem dívidas, fácil será ao senhor Medina voltar ao doce convívio da banca, e re-endividar-se consoante as necessidades e as conveniências. Isto, se calhar, sem prejuízo das habituais “indemnizações compensatórias”. Se não chegar, há sempre, como no exemplar caso da taxa de “segurança”, mais uma taxa – imposto que não precisa de aval parlamentar mas que, chamem-lhe o que quiseram, irá sempre parar à conta dos mesmos.

    Substancialmente, o que se vai passar é que a gestão dos transportes continuará a ser feita pelas mesmíssimas pessoas, só que sob a autoridade de um vereador, ou seja, tudo ficará como está, só que, é de calcular, muito mais caro. Veremos.

     

    27.11.16

  • CARTA ABERTA A ANTÓNIO DOMINGUES

     

    Exmo Senhor António Domingues

     

    Venho cumprimentá-lo pela coragem que teve ao demitir-se, recusando submeter-se a uma das muitas leis celeradas que o politicamente correcto impõe e que, ainda que generalizadas, invertem valores que são, ou eram, consubstanciais ao Direito e à Moral.

    Mais, e mais importante, a sua demissão corresponde à denúncia pública da alcateia de aldrabões que lhe prometeram o que prometeram, que não assumiram a respectiva responsabilidade e que, em vez de se retratar, lhe atiraram à cara com o odioso das suas próprias acções. Não é demais destacar os nomes dos principais culpados: Centeno, Costa e Marcelo.

    Não sei se, nalguma democracia estabilizada (e honrada!), gente do calibre desta resistiria à condenação pública e política dos seus actos, bem como às respectivas quão óbvias consequências. Outros há ainda que, infelizmente, cederam à tentação de o condenar, assim contribuindo para isentar quem mais censura merecia. Em melhores panos também caem nódoas.

    Não lhe peço mais do que tal denúncia. Mas digo-lhe que, se fosse comigo, não ficava por aqui. Convocava uma conferência de imprensa, punha os pratos sujos em cima da mesa e atirava à cara de toda a gente a sua declaração de rendimentos. Seria a mais merecida e violenta de todas as bofetadas.

     

    Saudações irritadas

     

    27.11.16

  • EXÉQUIAS

    Há muitos anos, alguém, na Assembleia Municipal de Lisboa, propôs um voto de pesar pela morte de Marcelo Caetano, ocorrida no seu exílio brasileiro. Com inigualável cinismo e alguma piada, depois de votar, um deputado fez a seguinte declaração: “aprovei esta moção porque, como dizia Caracala, aos mortos deve-se sempre a maior das homenagens, desde que tenhamos a certeza de que estão bem mortos”.

    Morto o galego das Caraíbas, nem imitando “Caracala”, prestarei tributo ao seu cadáver. Pela mesma razão que não me curvo perante a memória de Hitler, de Estaline, ou de qualquer outro tirano.

    Talvez o maior atraso moral, educacional e político da civilização em geral seja o de, perante a morte, esquecer o que os mortos fizeram, quando muito mal fizeram. Entre nós, pior ainda. Já os mais crentes do bolchevismo, por essa Europa fora (Itália, França, Espanha…) “acordavam” perante as evidências, “reciclavam” as suas ideias e reconheciam os seus repugnantes efeitos, e ainda, entre nós, sobrevivia, em toda a sua “pureza”, a fé no estalinismo. Pior ainda: testemunhando o nosso atraso, tal fé ainda existe; os que lutaram pela sua implantação continuam a ser tratados como “combatentes da liberdade”; os seguidores do mais primário sovietismo, mascarados de democratas, nunca abjuraram da sua fé, sequer se propuseram qualquer reciclagem.

    Por tudo isto e muito mais, sinto uma imensa vergonha pelas lamentações e homenagens que, segundo me dizem, fazem caminho, hoje, no meu país. Sinto uma imensa vergonha por ter visto o Presidente da minha triste República, há poucos dias, ir prestar, pessoalmente e em meu nome, os seus respeitos ao tirano de Cuba, sem que, ao menos, qualquer alegação de realpolitik o justificasse.

    Nem “bem morto”, Fidel merece qualquer estima.

    Bem vivo, Marcelo também não.

     

    26.11.16    

  • O VERDADEIRO CHEFE DA VACA VOADORA

    Longe da mãe pátria, fora das marés das notícias (ou da espuma dos dias, como se diz agora), alguém me convida e me põe a ver a SIC internacional. Não que eu quisesse, já que tinha prometido fazer uma “limpeza”, isto é, passar duas semanas como se a geringonça não existisse, nem o Trump, nem as doidas da Bloca, nem o Benfica, nem o Ronaldo, nem os doutores da bola, nem outras figuras menores de que o Costa é bom exemplo.

    Mas lá cedi. Vi e ouvi o que me deram a ver e a ouvir. Fiquei de rastos. Há coisas que ultrapassam não só a nossa imaginação mas também qualquer raciocínio lógico, ético ou político. Diante dos meus olhos, um senhor que ajudei a eleger Presidente da minha triste República fazia um comício, ele que tinha prometido não fazer comícios e até tinha sido eleito sem eles. Perante distintíssima assistência, não sei onde, Sua Excelência fazia o panegírico da geringonça (ou vaca voadora, no parecer oficial), metia-se a fundo a colaborar com a máquina de propaganda do chamado governo, abandonava qualquer sombra de independência, daquela independência que alguém julgaria ser própria do cargo.

    Não é criticável que o Presidente tenha, para com o governo, a tão propalada “cooperação institucional”. Não merece reparos, pelo contrário, que o Presidente, enquanto mais alto representante do Estado, acompanhe o governo em questões internacionais, na chamada diplomacia económica ou em matérias não por demais controversas. Não se espera do Presidente que, por acção ou omissão, se oponha ao governo ou lhe dificulte a acção, pelo menos por sistema.

    O que não é politicamente aceitável é que se transforme em arauto da facção no poder, que seja mais geringonço que a geringonça, que ribombe os maravilhosos feitos do chamado governo, que esqueça os juros que sobem mais que os dos outros, a dívida a caminho da estratosfera, as desonestidades evidentes de casos como o da CGD (com as quais colaborou activamente) que contribua para adensar as cortinas de fumo com que somos brindados, que sublinhe com retumbantes encómios as vanglórias governamentais.

    Sendo certo que é aceite (embora absurdo) que o PR o é “de todos os portugueses”, não seria demais que Marcelo Rebelo de Sousa se lembrasse de quem o elegeu: sem excepção, gente que abominava os que ora são poder, gente que o preferia por não ser adepto de tal orquestra e gente que nele votou por exclusão de partes, sendo as partes excluídas aquelas que, sem pudor nem vergonha, ele agora serve com fidelidade e propalada admiração.

    Não se compreende esta presidencial “filiação”. A não ser… a não ser que se trate do verdadeiro líder de quem diz governar-nos.

    Pensem nisto. Por mim, vou fazer os possíveis por, durante uns dias, não ter mais notícias.

     

    24.11.16

  • ALDRABOLOGIA

     

    Haverá alguma coisa em que o camarada Centeno não nos tenha enganado? Duvido. Disse que a economia ia arrancar com o aumento do consumo que o dinheiro (emprestado) que ia entregar aos funcionários públicos e outros clientes provocaria, e o consumo não aumentou coisíssima nenhuma. Disse que as exportações não iam subir porque a crise lá de fora o impediria e as exportações subiram (no terceiro trimestre!), via turismo e falta de energia em França. Disse que o défice não era tão importante como se dizia e transformou o défice na sua primeira prioridade. Disse aos tipos da CGD que iam ter estatuto de gestores privados e não vão. Diz que na CGD só entrará dinheiro público, mas que tal dinheiro público não vai parar às contas – por isso não foi orçamentado. Como entra então? Talvez usando a “engenharia” de desorçamentação em que o PS do Pinto de Sousa se notabilizou com os resultados que se conhece. Disse que ia controlar e baixar a dívida e a dívida é a coisa que mais sobe e menos se controla.E por aí fora, cada cavadela cada minhoca, cada afirmação cada aldrabice.

    O vício da mentira é acompanhado por outro ainda pior: o da pusilanimidade polítca. Centeno nada confessa, mente aos deputados, mente ao país, mente à UE, mente aos tipos da CGD, mente a quem se lhe puser à frente. Não assume um único erro de previsão nem uma só das trapalhadas em que é perito.

    Consegue, não direi ultrapassar, mas ser tão ordinário como o Costa. É obra. Até quando continuará esta gente a tratar da vidinha dela e a cavar o abismo dos demais?

     

    18.11.16