O mui ilustre, conceituado, honestíssimo, insuspeito, competente, moderado e merecidamente respeitado senhor engenheiro Marçal Grilo veio à televisão comentar os resultados do PISA e do TIMMS apresentados pela OCDE.
Como é natural, lógico e inevitável, o referido senhor mostrou-se satisfeito com os resultados, tendo tecido inúmeros elogios, sem citar nomes, a todos os ministros da educação que, ao longo dos últimos quarenta anos, se debruçaram sobre as matérias em apreço (incluindo naturalmente o próprio, ex-ministro da pasta por conta do PS). Acrescentou os naturais e merecidos encómios a professores, pais, alunos, já não sei se também aos contínuos (auxiliares operacionais!) e às mulheres de limpeza (agentes higiénico- eco-operativas).
Esqueceu-se, porém, de duas coisas. Escapou-lhe consultar os gráficos, coisa fácil para qualquer cidadão, a fim de ver o salto dos risquinhos e perceber que o que se passou se deve muito mais aos últimos quatro anos que aos anteriores trinta e seis. Igualmente lhe escapou, grande azar, que o PISA diz respeito a 2013, 2014 e 2015, e o TIMMS a 2012, 2013, 2014 e 2015.
Por outras palavras, este distinto e activo simpatizante socialista não deu pelo mais importante, isto é, que, para além dos seus elogiados, o maior elogio se deve a Nuno Crato, coisa que, pelo mundo fora (Economist, El Mundo, Time…) não há quem não tenha visto. Não chegou ao ponto de atribuir o caso à geringonça ou ao barbudo, como este fez, mas pouco lhe faltou. Também não chegou ao ponto de verificar que todas as medidas que levaram ao triunfo no PISA/TIMMS já não estarem em vigor, meticulosamente abolidas que foram pelo tal barbudo.
Uma cegueira muito grave, sobretudo vinda de quem vem.
12.12.16

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