IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EXÉQUIAS

Há muitos anos, alguém, na Assembleia Municipal de Lisboa, propôs um voto de pesar pela morte de Marcelo Caetano, ocorrida no seu exílio brasileiro. Com inigualável cinismo e alguma piada, depois de votar, um deputado fez a seguinte declaração: “aprovei esta moção porque, como dizia Caracala, aos mortos deve-se sempre a maior das homenagens, desde que tenhamos a certeza de que estão bem mortos”.

Morto o galego das Caraíbas, nem imitando “Caracala”, prestarei tributo ao seu cadáver. Pela mesma razão que não me curvo perante a memória de Hitler, de Estaline, ou de qualquer outro tirano.

Talvez o maior atraso moral, educacional e político da civilização em geral seja o de, perante a morte, esquecer o que os mortos fizeram, quando muito mal fizeram. Entre nós, pior ainda. Já os mais crentes do bolchevismo, por essa Europa fora (Itália, França, Espanha…) “acordavam” perante as evidências, “reciclavam” as suas ideias e reconheciam os seus repugnantes efeitos, e ainda, entre nós, sobrevivia, em toda a sua “pureza”, a fé no estalinismo. Pior ainda: testemunhando o nosso atraso, tal fé ainda existe; os que lutaram pela sua implantação continuam a ser tratados como “combatentes da liberdade”; os seguidores do mais primário sovietismo, mascarados de democratas, nunca abjuraram da sua fé, sequer se propuseram qualquer reciclagem.

Por tudo isto e muito mais, sinto uma imensa vergonha pelas lamentações e homenagens que, segundo me dizem, fazem caminho, hoje, no meu país. Sinto uma imensa vergonha por ter visto o Presidente da minha triste República, há poucos dias, ir prestar, pessoalmente e em meu nome, os seus respeitos ao tirano de Cuba, sem que, ao menos, qualquer alegação de realpolitik o justificasse.

Nem “bem morto”, Fidel merece qualquer estima.

Bem vivo, Marcelo também não.

 

26.11.16    



14 respostas a “EXÉQUIAS”

  1. Um Marcelo morto e outro Marcelo vivo a merecerem a censura e repulsa do sr. Irritado. Algures em ” O Observador ” um outro analista, também ele detentor de evidências escreve: “Um ditador é sempre um ditador. Ponto final. Parágrafo.” Lindo! As evidências, a superficialidade que transmitem e a ignorância que escondem!Sr. Irritado, os seus democratas adorados são o bem da humanidade. Saliento:- duas bombas atomicas sobre duas cidades japonesas.- intervenção militar na Coreia com bombardeamentos massivos. Centenas de milhares de mortes.- idem no Vietname. Aqui com a variante da pulverização de milhares de km2, zonas agrícolas povoadas, com herbicida forte colorido cor de laranja. Hoje, passados cerca de 50 anos, continuam a nascer e morrer vítimas.- intervenções no Afeganistão, Iraque, Sérvia, Líbia, etc, etc, etc, etc, com centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, transformando o Mediterrâneo num cemitério.- etc, etc, etc, nas Americas Central e do Sul.- rapto e sequestro de pessoas (algumas adolescentes) que eram transportadas para a ilha Fidel onde eram torturadas.Sr. Iritado, fica difícil entender a sua caracterização do bem e do mal.O Índio limita-se a cair do cavalo e fingir de morto. O Cowboy mata que se farta e é o bom. O Índio quando é filmado faz sempre cara de mau e é apresentado como tal.Presumo que o John Waine deve ser o seu ídolo máximo.

    1. Pois. É uma chatice não saber o que se defende, bater com a mão no peito, generalizar os males, etc. Se não fosse os americanos, onde estaria o sr. Picaroto e a sua simpática família?

    2. Mais um comentário, para lhe dizer que o seu ferocíssimo salazarismo lhe fecha os horizontes e o faça confundir o que é claro. O tempo não volta para trás, a UN já acabou, o Império também, os menus, melhores ou piores, que temos agora à disposição são outros, por mais que haja quem lamente.

  2. E no entanto, o Irritado sempre cumpriu a regra de não falar mal dos mortos – ou melhor, dos mortos recentes. É essa a curiosa cortesia do nosso politicamente correcto: quando fulano morre, mesmo que fosse um grande traste, não se pode falar dele. Fica mal. Já dos trastes mortos do passado pode-se falar à vontade. Fica bem.Quando termina o período de imunidade? Após um ano? Dez anos? Cinquenta? Talvez o Irritado possa explicar.Seja quando for, não se aplica ao Fidel: é que o Fidel é esquerdalha. A regra não vale para esquerdalhas.Dirá que não está a falar mal do morto; opõe-se apenas a que este seja homenageado. Mentira: fosse Fidel direitalha e o Irritado falaria de outra forma, ou nem falaria. Mas concordamos que não merece homenagens.Além da carneirada esquerdalha que o louva, porque é que tanta gente é ambivalente quanto ao traste galego? Por um lado, porque era ele o “underdog”: uma pequena ilha resistiu 50 anos ao gigante americano. Todos tendem a simpatizar com o underdog, sobretudo se este for camarada do Che, esse ícone tão chique da angst urbana.Por outro, e é isso que o Irritado jamais verá, porque Cuba representou uma alternativa: saúde e educação gratuitas.Os mamões deste mundo detestam alternativas; convém-lhes que falhem redondamente. Fidel, como todos os ditadores comunas, não era um inimigo dos mamões deste mundo. Era um valioso bicho-papão que se mostrava às crianças – e aos carneiros adultos – para os assustar: estão a ver? não há alternativa!Quanto à vergonha do Irritado, recordo que Fulgêncio Batista, esse compincha de mamões e mafiosos americanos, também ditador, também assassino, teve mais que homenagens: veio terminar repimpado os seus dias aqui mesmo, em Portugal.Mas aposto que isso já não o envergonha… né?

    1. O bla bla do costume. Quanto ao Batista, já disse o que tinha a dizer. V. tem tantos arquivos… mas vai escolhendo consoante as conveniências.

      1. Quanto ao Batista tem razão, falou dele há cerca de um mês: «Vigorava em Cuba, sob o comando de um tal Fulgêncio Batista, uma feroz ditadura. O mundo assistiu então a uma reviravolta. Batista foi para a Madeira e Castro tomou o poder. O mundo civilizado e, com ele, o autor destas linhas, exultou».Ou não li ou esqueci-me. As minhas desculpas.Quanto ao bla bla, fica a saber: – Cuba tem um índice de alfabetização de 99.8%; Portugal tem 95.4%. – a esperança média de vida é 79.4 anos; em Portugal é 80.Isto após 50 anos de embargo da sua estimada canalha americana, e 25 anos após o fim da URSS.A saúde e a educação podem e devem ser gratuitas. Não é uma questão ideológica; é uma questão de decência, de progresso, de futuro.

        1. Veja os números TODOS e compare a Cuba do Castro com a do batista (iguais quanto aos direitos humanos mas, quanto ao resto, bem diferentes, com clara vantagem do batista).

  3. «Se não fossem os Americanos» não teriam havido as chacinas da UPA (mais tarde FLNA) do sr Holden Roberto em Angola sobre a população branca. Vá-se lá saber porquê. Sendo os maus, os bolcheviques do MPLA apoiado por Moscovo, deveriam ter sido eles a executar essas tarefas.Quanto ao aspecto que foca, se as tropas de Hitler tivessem conquistado Moscovo eles não teriam vindo. Não foi para melhorar a minha vida.

    1. Já falei disso várias vezes com o Irritado. Não adianta.Pouco importa que 80% (ou mais) das forças nazis tenham caído frente à URSS. É irrelevante que os EUA só tenham vindo quando a guerra já estava quase ganha, para saquear os despojos. É-lhe igual ao litro que tenham aproveitado as guerras para tomar conta disto tudo, ou que chulem o o mundo há décadas graças ao sagrado dólar. E não lhe faz qualquer confusão que seja a nação mais terrorista do planeta, tendo invadido, bombardeado ou interferido em mais países do que Hitler e Estaline juntos.É assim. Os EUA são os salvadores do Mundo e o farol da Humanidade. Curvemo-nos todos à canalha americana.

      1. Boa filipecomo vão os castelhanos por aí?Já trabalhas ou ainda vives à custa dos teus?Não desanimes que os camaradas ainda te arranjam um subsídio de sobrevivênciaÉ poucochinho mas ajuda.Todos os parasitas têm direito a ele

        1. Já vi que o mario me conhece bem. É isso mesmo.Comecei a trabalhar aos 35 anos, como Passos Coelho.Saquei uns subsídios, também como Passos Coelho.Hoje vivo à conta, como por ex. a Múmia Cavaca.Obrigado mario. Boa sorte a sair do vau.

    2. Não fique triste, ficaram muitas “tarefas” para o MPLA se entreter…

  4. Realmente mais uma vergonha,O galego morre multimilionário e deixa o povo cubano na maior miséria , só gente da mesma estirpe é que lhe pode prestar vassalagem.Uma vergonha

  5. Este seu texto já tem uns dias mas como o assunto continua actual, aqui vai: enquanto andava pelo https://news.google.pt/ no meio de todas as outras notícias estava também a ligação ao seguinte texto sobre as conquistas de Castro e os alegados avanços alcançados em Cuba durante o seu regimehttps://www.portalaz.com.br/blog/blog-do-murilo/385286/cuba-pre-castrista-tinha-saude-e-educacao-como-os-atuais É sempre interessante saber certas estatísticas mesmo que a fonte não seja a oficial e (re)descobrirmos aquilo que no fundo já sabíamos ou, no mínimo, desconfiávamos.

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