IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ALIANÇAS

    Duas novas alianças estão em curso.

    A primeira, entre as-miúdas-mais-o-careca e o Costa, como ficou evidente no pedido de namoro feito pela Catarina, ao qual Costa, babadíssimo, disse “nim”. Se contarmos com a rapaziada do Livre, sequiosa de poder, teremos um ménage à trois. E se Joana, a Despida, tivesse alguma hipótese, facilmente passaria a um ménage à quatre. Bonito!

    A segunda é mais sofisticada, ou ainda mais triste. Dona Manuela, se continuar a ter a distinta lata de se manter filiada do PSD, jogará na vitória do PS, a fim de apear o Passos e voltar a grandes voos, leia-se a apoiar o Costa. Dando largas aos bons sentimentos que tem vindo a propagandear, vale tudo. Veja-se a desmesurada ternura demonstrada, com o Centeno (o das contas imaginárias), ao sinistro Adão e Silva e à sua colega Trigo Pereira (filha). Não é comovente?

     

    16.9.15

  • A CONFISSÃO

    Desculpem se volto ao assunto. Mas vale a pena.

    Os grandes cérebros do socracretinismo costista não se calaram. Possuídos do mais profundo terror, desataram a espernear contra o Prós e Contas. O zero à esquerda, Lelo de seu nome, o histriónico berrador de serviço, chamado Caramba, ou Galamba, ou lá o que é, o Ascenso que, em vez de ascender, de incomptência descendeu, e alguns outros, exigiram a demissão do Dentinho, e só não se queixaram à polícia por que não se lembraram disso. Porquê? Porque tremeram como varas verdes com a hipótese de alguém vir ao programa falar das manobras do Pinto de Sousa, do Ferro ou do Costa, entre outros, para dominar a Justiça. Ainda por cima, na véspera, tinha o Costa mostrado que é igualzinho ao preso, insultando um jornalista que lhe perguntou uma coisa qualquer que ele não tinha no guião. Neste como noutros aspectos – quase todos – ao Costa só falta as asas para ser igualzinho ao seu antigo PM e chefe – que não precisa de imitar por ser igual.

    Mas o mais importante não foi a descoberta da careca que os cérebros do PS mostraram. Foi a confissão. Foi dizer a toda a gente “temos culpas no cartório, não queremos a as mostrem ou falem delas”. Uma confissão com todas as letras.

     

    E, afinal, o Prós e Contras foi um mijarete. Nada foi denunciado, nada foi posto a nu, nada se ouviu que interessasse ao grande público. A dona bastonária dedicou-se às suas habituais manifestações de ódio à ministra da justiça, coisa que, de tão primitiva não merece comentários; isto, sem deixar de pedir mais dinheiro para tudo e mais alguma coisa. Tivemos também dois advogados, um ilustre desconhecido, outro conhecido por ter sido um dos mais salientes áulicos de Jorge Sampaio, o que muito diz. Mas nada disseram de interessante. Interessante foi o duelo de Sousa Tavares com o director do Correio da Manhã, em que ambos tiveram e não tiveram razão. Havia também um intelectual respeitável, mas que não entusiasmou ninguém. Os colegas não lhe deram atenção, a confirmar a impressão de que ninguém está interessado em discutir a Justiça fora dos meandros das corporações.

    Concluindo, o debate foi uma decepção para toda a gente. Mas teve a vantagem de ver os representantes do socra-costimo borrados de medo, a dar largas às culpas que toda a gente conhece, mas que, até agora, nunca tinham reconhecido com tanta clareza.

     

    15.8.15

  • LINDO!

    A inteligentsia do PS entrou em estado de choque com a história do “prós e contras” sobre a célebre questão levantada por Paulo Rangel: “se o PS estivesse no governo é imaginável que houvesse um PM na cadeia?”.

    “Figuras” da laia de um Lelo, de uma Estrela, de um Ascenso, para não citar outros membros da banda, estremecem de indignação e fazem o que podem para travar a emissão.

    O que pode a má consciência!

    Sabem o que foi o tempo em que mandavam. Sabem das conversas de Ferro e Costa no caso Casa Pia para “dominar” os magistrados que tratavam do assunto. Sabem o que significou a queima das escutas e a cobertura que foi dada, ao mais alto nível da Justiça, ao 44, seu líder e farol. Sabem muito mais, muito mais do que é dado saber ao público em geral.

    Por isso temem. Por isso tremem. Se tivessem a consciência tranquila, achavam que o tal “prós e contras” era mais uma ocasião para mostrar a sua “inocência”. Mas, dada a quantidade de esqueletos que têm no armário, tremem como varas verdes. E resolvem dar à casca, assim confirmando as mais vergonhosas suposições e as mais que evidentes certezas. Um inteligentsia nada inteligente.

    Fazendo um prognóstico, direi que um programa onde vai brilhar a desgraça de bastonária dos advogados que por aí anda vai ser uma seca sem pés nem cabeça.

     

    14.9.15

  • DO EQUILÍBRIO INTERIOR DE FREITAS DO AMARAL

     

    Como democrata, também não gostei nada do estilo neoautoritário do primeiro-ministro, que aos poucos conseguiu controlar quase todos os órgãos de comunicação social.

    Freitas do Amaral, “Visão”, 10.9.15

     

    É sempre difícil julgar as pessoas, fazer apreciações quanto ao carácter de cada um, avaliar da coerência ou da dignidade seja de quem for. A subjectividade impera nestas coisas mais do que seria de desejar.

    No entanto, quando as pessoas se expõem, quando as avaliações são feitas a partir das atitudes que tomam e que são propagandeadas pelos próprios, no exercício do direito que, com todo o direito, se atribuem de influenciar a cabeça dos outros, torna-se legítimo fazê-lo com critérios a que assista objectividade q.b..

    Vem esta arenga a propósito das muitas afirmações e atitudes que, ao longo duma já longa vida, vêm constituindo a “montra” de uma personalidade como a de Diogo Freitas do Amaral, de que é triste exemplo a declaração acima, totalmente eivada de mentira, raiva, cegueira e primitivismo.

    Lembro-me de um almoço de rapazolas em que, bebidos uns copos, dedilhadas umas guitarras, cantados uns fadunchos, a coisa descambou em mais copos e nas ordinarices da praxe. A malta ria, e ia exagerando, como é natural nestas quase infantis manifestações. Diogo não ria. Quando a coisa estava no seu melhor, decidiu ir-se embora. Porquê?, perguntei. Respondeu: “isto prejudica o meu equilíbrio interior”. Confesso que aquela do “equilíbrio interior” me embasbacou.

    O futuro, no entanto, viria a demonstrar a fragilidade do tal equilíbrio.

    Filho da ala mais conservadora da II República, afilhado intelectual e académico de Marcelo Caetano, Diogo, diz-se, estava interessado em integrar o governo da respectiva “primavera”. Dizem que não terá levado a bem ter ficado de fora, nem sequer sendo convidado para integrar o célebre Secretariado Técnico da Presidência do Conselho, onde pontificavam jovens cérebros da época, tais Xavier Pintado, João Cravinho, João Salgueiro e outros mais que viriam a ser gente na III República.

    Não se sabe se foi por isso, mas pode intuir-se já que, muitos anos mais tarde, Marcelo Caetano foi objecto de uma vergonhosa peça teatral da autoria do seu ex-discípulo. Começava aqui a revelar-se a verdadeira face de Freitas do Amaral, ou da sua falta de “equilíbrio interior”.

    No auge do período comunista, Freitas do Amaral fundou o CDS, partido da direita democrática nacional que havia de concitar os votos dos descontentes com o fim da II República, e de muitos mais. Intitulado do centro, rotulado de democrata cristão, o CDS, honra lhe seja, era o único partido que dava resposta às ânsias de muita e boa gente e que não se declarava socialista ou social-democrata. Lembro-me de, à época, o considerar à minha direita, sem prejuízo de o achar indispensável ao equilíbrio político do sistema e de funcionar como um tampão ao reacender da extrema-direita.

    Sob a sua chefia, o CDS viria a integrar a AD, formação de centro, que havia de triunfar e que viria a acabar depois de decapitada por um atentado, seguido das zangas que fomentou com Balsemão. Mais tarde, Freitas do Amaral seria, como candidato a PR, a referência do centro e da direita. Foi perseguido e insultado por Mário Soares, que acabou por vencê-lo por uma unha negra. Depois da derrota, criou a Fundação século XXI, destinada a continuar a luta, dele e de muitos mais, contra o socialismo. Parecia ter aprendido a lição, não só a da sua luta eleitoral como a da experiência falhada num governo em que se tinha associado ao PS.

    Passou o tempo. Um dia, anunciaram os jornais que Mário Soares tinha assistido, na primeira fila, ao casamento de uma filha de Diogo. Os que o tinham apoiado sentiram-se traídos. Então Freitas do Amaral tinha-se tornado amigo pessoal e íntimo de quem o tinha insultado perante o país inteiro? Terá sido mais um sinal público dos seus problemas de “equilíbrio interior”.

    Step by step, tais problemas acentuaram-se. Ao ponto de, anos depois, aparecer ao lado de Pinto de Sousa, como seu ministro dos negócios estrangeiros.

    O promotor do partido mais à direita do país, o vice de Sá Carneiro, o representante da direita em dramáticas eleições presidenciais, acaba como servo fiel do soarismo e do socretinismo, como lançador de “bocas” do mais ordinário contra o seu partido e o partido a ele aliado. Desculpando-se com a máscara de democrata cristão, acusa, como acima está escrito, o único PM que jamais tocou na fímbria das vestes dos media, de os “controlar” e de ser, valha-nos Deus, “autoritário”. Tanta mentira em meia dúzia de palavras.

     

    Talvez, depois daquele almoço numa tasca da Calçada do Sacramento, nunca mais tenha recuperado o tal “equilíbrio interior”. Boa desculpa minha para não lhe definir o carácter.

     

    13.9.15

  • CONTAS À MODA DO PS

    Certamente por encomenda oriunda do Largo de Rato, a distinta TVI acaba de apresentar um “estudo” (é de imaginar que elaborado pelos economistas do “documento macro económico”) em que se diz que os bancos que, no seu conjunto, entraram com mil milhões para o fundo de resolução do BES se arriscam a perdê-los.

    A primeira estranheza que isto causa é a do ponto de partida do “raciocínio”, isto é, para que se verificassem tais perdas preciso seria que o Novo Banco fosse vendido por zero euros, única forma de os outros perderem os tais mil milhões. Demos de barato esta piada, ou estes ardentes desejos do PS/TVI.

    O “estudo” vai mais longe. É que, feitas as contas, os seus autores concluem que a CGD perderia 870 milhões, o BCP 580 e o BPI 300. O que, salvo melhor opinião, soma 1750. Como é possível que a perda dos 1000 milhões – é bom não esquecer que vencem juros – pode ser de 1750? Milagre?

    Acrescenta o “estudo” que, indirectamente, “os contribuintes” vão pagar, via CGD, os tais 870 milhões.

    É difícil explicar como é possível que um canal de TV nos impinja estas “contas”. Arrisco uma hipótese: não se trata de um estudo, nem de uma reportagem, muito menos de uma notícia. É pura propaganda do Partido Socialista ou para o Partido Socialista, organização que não hesita nem jamais hesitou em mentir, nem em, leninisticamente, em insistir na mentira as vezes que achar útil.

    Desta vez os números denunciaram a marosca. Noutros casos não será tão evidentre.

    Facto é que desta feita, pelo caminho, lá foi ficando a mensagem para consumo dos incautos, e incautos há para aí com fartura.

     

    12.9.15

  • BATER NO DEBATE

    Para quem procurou ver o debate com a imparcialidade possível, é difícil aceitar o coro de “análises” que por aí se espraiam em quantidades industriais, a ver quem mais dá na cabeça de Passos Coelho e mais acha que Costa marcou pontos.

    No que diz respeito ao esquema montado pelos cérebros das televisões  já as coisas parecem mais objectivas: se tirarmos os auto-elogios dos três “profissionais” de serviço, ainda nada li que os elogiasse, e ainda bem. Aquilo foi uma vergonha sem nome, para eles, para os chefes deles e para os media em geral, a revelar a indigência jornalística em que vegetam. Apostados em mostrar-se em vez de cooperar para que os outros dois o fizessem, ofereceram-nos o espectáculo deprimente da sua jactância e fome de antena.

    Adiante.

    Frente a frente estavam dois homens de características opostas. Um, conhecido por não fazer demagogia, por ter um estilo sóbrio, por viver a realidade, boa ou má, melhor ou pior, apostado em explicar-se no debate, sem que os “comandantes” o deixassem fazê-lo uma vez que fosse. Outro, muito mais o que se chama um “politicão”, apostado no ataque, a fazer lembrar os seus “deuses” – Soares e Pinto de Sousa -, para tal não hesitando na mentira descarada, na promessa sem fundamento nem viabilidade, na “boca” destrutiva, na insinuação infundada mas sonora, com o extremoso apoio do trio que, ao outro, ia cortando voz e as pernas.

    Os tristemente célebres “números” do PS, como não haverá quem não tenha notado, não passam de suposições imaginativas, fundadas em variáveis inventadas, seguindo à risca o princípio que postula que “se a minha avó tivesse rodas…”. Mesmo assim, quando foi instado a dizer um ou outro “número” concreto, tendo tantos, fugiu com o rabo à seringa. Mas atacou, que é do que a malta – como os “moderadores” – mais gosta. Daí, a “vitória” que é atribuída a Costa pela acefalia dos comentadores. Ganhou, de facto, em promessas mirabolantes, em demagogia, em pugilismo verbal. De resto, ao rever o debate, ganhou em coisa nenhuma.

    Posso, sem surpresa mas com tristeza q.b., perceber as reacções que por aí se esperneiam. Mas, que diabo, um bocadinho de senso que ultrapassasse e desse o ao trauliteirismo do Costa o seu real “valor”não faria mal a ninguém.

    Baixar a TSU durante 3 anos, para exigir a sua reposição a seguir, mais que demagogia é aldrabismo militante.

    Relançar o consumo para aumentar a produção é negar as evidências e viajar com a Alice, como se estivéssemos no país das maravilhas.

    Descapitalizar a Segurança Social para relançar e proteger o nacional patobravismo “reabilitador”, é coisa de doidos.

    Recusar qualquer hipótese de diálogo sobre a segurança social é traição a todos nós.

    Repor de um momento para o outro os salários, as pensões, as prestações sociais e, ao mesmo tempo, baixar os impostos, é uma impossibilidade financeira e um erro de consequências catastróficas, além de uma mentira política desbragada e sem escrúpulos.

    Pôr as culpas do memorando da troica nas costas do PSD ultrapassa todos os níveis da canalhice.

    Culpar o PM por ir “além da troica” exibindo gráficos lagarderianos é pura banha da cobra. Não sabemos ao certo se Passos Coelho foi ou não além da troica, nem sabemos ao certo o que é isso de ir “além da troica” mas, se foi, pensem onde estaríamos a esta hora se não tivesse ido. Além disso, não sabemos ao certo quantos milhares de milhões de dívida o PS deixou debaixo do tapete, razão para que Passos Coelho não tenha podido cumprir o que tinha prometido em campanha. Mas isso não conta, não se reconhece. É indecente e desonesto que se não reconheça.

    Em tirada paroquialista, Costa gaba-se dos seus feitos financeiros na CML, sem dizer quem para tal lhe deu o dinheiro (Passos Coelho!).

    Enfim, o debate, ou a ausência dele por obra do terceto de “jornalistas”, foi o que foi: um confronto entre uma realidade honesta e um saco de promessas irrealizáveis, de mentiras descaradas, de tiradas ultramontanas.

    Espera-se que os portugueses percebam o que se passou e sejam capazes de ir mais fundo que os comentadores, os jornalistas, os lelos e os marcelos da nossa praça.

     

    11.9.15

  • UM SERÃO DESINTERESSANTE

    Os artistas das televisões descobriram uma nova forma de se dirigir ao primeiro-ministro e ao pretendente ao cargo. Passos Coelho, António Costa. Nem senhor, nem senhor doutor, nem nada. Quase como se tivessem andado na escola uns com eles ou estivessem os cinco no café. É claro que o doutor é uma saloiice nacional. Os políticos em causa, como toneladas de portugueses, são doutores até Badajoz. Mas aceite-se, está nos costumes. Se as coisas se passassem civilizadamente, um seria Senhor Primeiro-ministro, ou Senhor Presidente (do PSD), o outro Senhor Secretário Geral (do PS). Mas nem uma coisa nem outra: os artistas devem ter decidido tratá-los pelo nome sem nada atrás. Um desrespeito consentido? Talvez. Uma manifestação da nacional possidoneira levada ao extremo? Com certeza.

    No mesmo sentido (da possidoneira), veja-se o que decidiram as comadres das TV’s : pôr lá três fulanos, calcula-se que para evitar ciúmes corporativos. Quer dizer, um terço do tempo foi ocupado com as exibições do terceto, cujas opiniões não não interessam a ninguém. O restante foi generosamente concedido aos dois que sobravam e que, por acaso, eram os que as pessoas queriam ouvir. A Passos Coelho não foi concedida a graça de acabar fosse que explicação fosse. Costa não andou longe disso. 

    Não ouvimos nada de especialmente interessante porque, na cabeça dos três artistas, os dois políticos estavam ali não para se confrontar com a indispensável liberdade mas para se manter nas baias das exigências dos fulanos. Se quisermos ser caridosos, digamos que o trio, como não sabe o que é um debate, julgava-se numa entrevista.

    Substância? Pouca. Costa ao ataque, com as tretas do costume: acusações e mais acusações, as mesmas de sempre, o desemprego aumenta, a economia não anda, todos os números, estatísticas, etc., ou estão errados ou são mentira, só os inventados pelo plantel do “documento” estão certos, não os reais, o país é o que consta da cabeça do Costa, não o do mundo das pessoas. Passos, com paciência de Job, lá foi explicando umas coisas. Não valia a pena: Costa tem a sua narrativa para repetir, acha que a segurança social é para pagar reabilitação urbana, acha que emprestando uns tostões às pessoas (para pagar daqui a uns anos!) relança a economia, quer exponenciar o consumo privado, enfim, repetir (com a eventual excepção das obras públicas), tim tim por tim tim, a política do seu antecessor. Gaba-se de ter saneado as contas da CML – quem pagou foi o governo de Passos Coelho – e é quase tudo. Do que fez no governo, do que fez o governo em que foi número dois, não fala. Pudera, não fosse alguém resuscitar coisas como a manipulação da Justiça e outros feitos que o celebrizaram!

    Um serão desinteressante. Parece que, a seguir, como antes, houve dezenas de comentadores a bitaitar. Disso já estou farto.

     

    10.9.15

  • UM DEBATE A TRÊS

    Segundo a propaganda dos debates eleitorais na televisão, seriam estes entre dois líderes partidários, com a moderação de um profissional.

    No entanto, no debate de ontem, entraram dois dos tais líderes (a dona Catarina e o Dr. Portas) e uma terceira pessoa, cujo nome não cito por questões de higiene.

    Esta, em vez de moderar – vigiar tempos, passar a palavra, e nada mais – como era a sua função, resolveu intervir no debate, disparando interrupções, perguntas descabidas e impróprias, raivinhas histéricas, armada em participante no contraditório. Enfim, resolveu dar uma ar da sua desgraça, devendo julgar-se genial.

    De assinalar, para gáudio dos interessados, que o objecto das interrupções, perguntas descabidas e impróprias, e raivinhas histéricas, foi sempre o Dr. Portas. Dona Catarina jamais foi interrompida, perguntada a despropósito, ou mandada calar.

    Mais uma cabal demonstração da qualidade dos nossos jornalistas, ou como tal chamados.

     

    9.9.15

  • AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

    O senhor Pinto de Sousa, a nadar na sua (ou da ex-mulher Fava, ou do novo marido da ex-mulher, ou seja de quem for) piscina interior, ditou uma mensagem aos seus áulicos para que a propagandeassem, urbi ert orbe: Eu apoio o Costa! Eu quero que o Costa ganhe! Eu sou (d)o PS!

    Ficamos assim a saber que o amor é mútuo. Costa, como Ferro, como César, como Soares, como tantos outros por Costa reconduzidos ao galarim do partido, adoram Pinto de Sousa. Pinto de Sousa retribui. Será? No não saber está o gato.

    Graves dilemas pesam nas costas do Costa. Este tipo, deve ele pensar, ainda não percebeu que, se quer ajudar-me, o melhor é estar calado. Ou então dá-lhe uma branca nos neurónios e, pensando outra vez, acha que o tipo é um gajo porreiro que até na prisão o apoia. O que vão pensar os eleitores? Que fica demonstrada a grande solidariedade socialista, tão evidente em casos do género, como o da Casa Pia? Atribuirão à tal solidariedade alta classificação, ou acharão que somos uma cambada que se auto-protege a fim de tapar a buracaria que vai abrindo? Que fazer, senhores, camaradas, amigos? O tipo é um miserável traidor, não percebe que o quero a milhas? O tipo só quer o meu bem?

    Como reagir? Não reagir? Costa arrepela as cãs, peripatético, entre o quarto e a casa de banho. Estou só, ai, estou só. Ninguém quer nada comigo. Como não é certo ganhar as eleições – se calhar até as perco, c’um raio – esta malta já só está comigo para inglês ver. Se perco, caem-me em cima. Se ganho penduram-se em mim. Facto é que todos querem é o Pinto de Sousa de volta, para os acarinhar, proteger, resguardar das investidas da lei. Estou feito.

     

    Faz-me uma pena terrível, como é de calcular, esta triste situação daquele que, há meses, se apresentava como salvador da Pátria e corria com o oco Seguro, o qual tinha o defeito de ser, ou parecer, um tipo sério.

    As voltas que o mundo dá!

     

    8.9.15

  • PENSEM DOIS MINUTOS

     

    Respigado de um artigo publicado em 1986 no Zeit (fonte – Observador):

    O estado da finanças do estado grego é motivo de preocupação. As despesas do senhor Papandreou cresceram ainda mais depressa que as do seu antecessor. Muitas firmas em dificuldades foram mantidas vivas só para evitar o crescimento do desemprego, e o Estado nacionalizou cerca de 40 empresas. Muitos que, de outra forma, teriam perdido o emprego, tornaram-se subitamente servidores do Estado. Quase metade de todos os postos de trabalho públicos foi preenchida duas vezes, sem aumento da produtividade estatal. Tais medidas são, sem sombra de dúvida, a mais cara forma de lutar contra o desemprego. Por isso, não espanta que o Estado tenha a seu cargo à volta de 50% de todos os pagamentos domésticos.

    A Grécia continuaria por este caminho até aos dias de hoje, com as consequências que toda a gente conhece. Quando, finalmente, surgiu um governo que tentou começar a endireitar as coisas, foi apeado em eleições e substituído por outro cuja principal mensagem, substancialmente, consistia em querer agravar o problema, com base em demagogia esquerdista. Viu-se no que deu.

    Entre nós, o que faz lembrar o texto acima? O socialismo nacional, que, com Guterres, entrou em delírio, e que, com Pinto de Sousa, perdeu definitivamente a cabeça. Sabe-se o resultado. Quando ouvimos os herdeiros desta política (coisa que nunca criticaram e cujas culpas nunca assumiram) querer agora coisas tão elementarmente estúpidas – ou demagógicas – como o relançamento da economia via consumo privado ou como a descapitalização da Segurança Social (uns seis mil milhões) para financiar… a recuperação urbana (!!!), que pensar?

    Quem tiver dois dedos de testa, dirá: nunca mais! Esta gente, na versão PS, ou em versões ainda piores (PC, BE mais a série de minhocas que por aí andam), tudo socialistas, nunca mais!

    Os que isto ainda não interiorizaram, que pensem dois minutos.

     

    8.9.15

  • PEQUENO CONSELHO

     

    Excelentíssima Comissão Nacional de Eleições

     

    Tendo tomado conhecimento, pelos jornais, das metafísicas dificuldades em que essa digna Comissão se encontra para resolver o ingente problema de como proporcionar ao cidadão José Pinto de Sousa condições para votar no próximo dia 4, sou a aconselhar seja cumprida a lei, isto é, que o preso em causa, uma vez que o local de detenção não dispõe das necessárias facilities, seja, como todos os seus “colegas”, conduzido, em veículo celular devidamente escoltado, a um estabelecimento prisional que delas disponha.

    Estranhando que as dúvidas surgidas se refiram só a este detido e não aos demais, o que dá a sensação que este é diferente deles, ou mais que eles, e a fim de dissipar quaisquer dúvidas e especulações acerca da capacidade de decisão ou das preferências político-prisionais da CNE, decidi ajudá-la com este pequeno conselho.

    Com os melhores cumprimentos

     

    IRRITADO

     

     PS. Estando a Câmara de Lisboa disposta a reservar especiais instalações para o exercício do direito de voto por este detido, parecer-me-ia curial que VExª denunciasse a descriminação positiva que está nas intenções político-partidárias da autarquia em causa.

  • E SE A COISA PEGA?

    Em tempos, uma senhora, soarista, bloquista, ex-bloquista, outra vez soarista e não sei mais quantos istas, aparecia com regularidade numa televisão qualquer. Bom machista, como se dirá, eu achava que a senhora, importantíssima e convencidíssima, só dizia asneiras. Mas era um pedaço! Até que, um dia, a vi a conversar com outras pessoas numa esquina e, mantendo a opinião sobre as asneiras, no uso da minha mentalidade falocrática deixei de achar que era um pedaço.

    Esqueci-me da existência da personagem.

    Até que, ao abrir os jornais de hoje, dou com a senhora toda nua, grávida, com um tipo por trás, agarrado a ela. Uma cena patética, tristíssima, como é de compreender.

    Normalmente, há mulheres – e homens! – que se fazem fotografar todos nus para ganhar umas massas. Não sei se é o caso. Mas, como sou um tipo antiquado, ou antigo, como queiram, acho que isto de gravidez é uma coisa íntima da mulher, ou da mulher e do homem – quando há homem identificado e confesso, o que hoje em dia já não é indispensável nem até desejável – não é coisa que deva servir de mote a cenas menos dignas.

    O caso, desta vez, é grave, ou interessante, como queiram. É que a dita grávida, dizem os jornais, é candidata a deputada por uma agremiação qualquer, não bloquista, não soarista, talvez gravidista, ou grevista, não faço ideia.

    Por conseguinte, é de presumir que a fotografia da senhora grávida com um tipo agarrado pelas costas mais não é que um outdoor de propaganda política. De borla! Ou, quem sabe, pelo contrário, a render uns chavos (para a candidatura, claro). Genial!

    A senhora, apesar de tudo, quiçá graças ao fotógrafo, até nem está mal na fotografia. O problema é se a coisa pega. Já imaginaram o que seria se a Exmª senhora doutora Maria de Belém adoptasse o sistema? Ou a dona Helena? Ou, horribile visu!, o camarada Costa?

    Há limites, que diabo!

     

    6.9.15

  • JUSTIÇA POPULAR

    Mal o senhor Pinto de Sousa passou de encarceramento propriamente dito para prisão domiciliária, logo se ergueu o coral dos indignados, preocupadíssimos que estão com o estado do Estado de Direito, com o exagero da estadia em Évora, com os julgamentos na praça pública. Foi uma ternura ouvir a bastonária dos advogados, o Adão (e Silva), o Lopes (Marques) e outras altas figuras do nacional-comentarismo. Nenhum deles percebeu, ou quis perceber, que o Estado de direito que está a funcionar, e com toda a perfeição, quer dizer, nos termos da lei. Tremebundos, manifestaram-se aflitos com o tempo das investigações, a prisão preventiva, etc.. Aqui d’el Rei que estão a abusar!

    Não se lembram, isto é, não se querem lembrar que tudo se tem passado no mais estrito respeito da lei, curiosamente de uma lei (a da processo penal) assinada pelo próprio Pinto de Sousa e feita pelo camarada Costa, com certeza convencidos que tal lei era para aplicar só a terceiros…

    Aflitos, acham que o senhor Pinto de Sousa está, contra a moral e a justiça, a ser julgado no pelourinho popular. Esquecem, isto é, querem esquecer que o povo não precisa para nada do que é jurídico ou jurisdicional para julgar o arguido. Basta o que o próprio já disse e escreveu para se ter uma ideia clara sobre a personalidade em causa. Querem mais, para ajuizar de quem se trata?

    Das mordomias do seizième, do andar de superluxo de no Trocadero, do prestigioso prédio da Braancamp, o pobre senhor passou a um andarzinho num bairro de segunda. Coitado, um rapaz honrado, que, depois de ser PM, tinha todo o direito a viver como um lorde, sem fazer nada, que achava, com todo o direito e toda a moral, que isso de bancarrota era óptimo para Nação – coisa que os portugueses devem pagar, não ele, que a austeridade era coisa para o vulgo – não para ele, e que o declara publicamente, não tem direito a julgamento popular? Claro que tem. O povo já o julgou e, se há quem o absolva, é porque não regula dos neurónios.

    A Justiça continuará o seu caminho, nos termos da lei. Dará no que der.

    Para o comum dos mortais, o julgamento está feito, exclusivamente a partir das confissões do arguido.

     

    5.9.15

  • RECEBER OS MIGRANTES

     

    Andamos todos chocados, horrorizados, com a migração dos sírios. Às centenas de milhares, correndo riscos enormes, conduzidos quantas vezes por contrabandistas de carne humana, a pé, em frágeis barquinhos, de qualquer maneira, fogem à carnificina em que o seu país mergulhou. Nunca as gerações europeias dos últimos setenta anos tinham visto algo de parecido. Os fugitivos têm que ser acolhidos. Toda a gente o sabe, mesmo os que têm tido imperdoáveis reacções.

    Não é fácil organizar uma operação desta natureza e magnitude. Mas não é impossível. Por cá, recebemos os “retornados”, empurrados pela barbárie que se seguiu à tão celebrada descolonização, e absorvemo-los quase sem sentir. Éramos nove ou dez milhões. Recebemos uma mole humana de quase um milhão. Mutatis mutandis (os nossos eram portugueses, da mesma cultura, com as mesmas raízes, os de agora são estrangeiros, outra cultura, outras raízes), o que se passa é que os duzentos e cinquenta milhões de europeus tentam organizar a recepção de, para já, cerca de um terço dos que nós recebemos. E têm dificuldades para se entender. Quando surgem problemas novos, as soluções não aparecem, nem de um dia para o outro nem por artes mágicas.

    Não entro na contrição generalizada que o politicamente correcto tem vindo a fabricar. Em Portugal chega-se ao ponto de o PS usar os migrantes como arma eleitoral! Não me passa pela cabeça, como soe fazer-se por aí, culpar a Europa do que se passa. Sabe-se de quem é a culpa e, se a Europa, ou a chamada comunidade internacional, cometeu erros políticos graves a partir do surgimento das chamadas primaveras árabes, fê-lo porque a natureza do fenómeno parecia de saudar e apoiar. A Europa e os demais países civilizados têm dificuldade em compreender aqueles para quem a liberdade não é um valor!

    A Hungria, dos países da União, é tida pelo pior exemplo de xenofobia. Não direi o contrário. Mas, ao ouvir ontem o negregado líder desse país dizer, não sei se com sinceridade, que mais não fazia que guardar as fronteiras de Schengen, ou seja, documentar os migrantes antes de os deixar passar, já não sei se o homem, pelo menos aparentemente, não tem razão. Nada que justifique muros, arame farpado e cargas policiais. Mas documentar os que chegam não será um mau serviço, para eles e para a União.

    A Alemanha, por muito que custe à vociferante legião de inimigos da senhora Merkel, é, de todos os países europeus, o que tem tido resposta mais pronta e mais humanitária.

    Portugal prepara-se, com rapidez, para responder também, por muito que custe ao senhor António Costa e às suas hostes.

    Atirar pedras, vociferar acusações, mimar “arrependimentos”, não só não serve para nada como, em face do problema, é de uma cobardia sem nome.

     

    4.9.15

  • ATITUDES

     

    Aqui há uns anos, era PM Durão Barroso e ministra das finanças Manuela Ferreira Leite. Esta senhora era, em meios socialistas, conhecida por “bruxa”, “velha feia” e por outros epítetos do mesmo jaez. Pinto de Sousa zurzi-a, semanalmente, nos seus confrontos televisivos com Santana Lopes. O jornal do PS dedicava-lhe terríveis críticas. Persona entre todas non grata nos meios afectos ao Largo do Rato, Ferreira Leite aumentava impostos, criava o PEC (pagamento especial por conta), dizia que não havia dinheiro para SCUTs e outros luxos, alertava para os perigos que se acastelavam no sistema de pensões, etc.. Pinto de Sousa e seus amigos acusavam-na de dar cabo do crescimento, de ser mera cobradora de impostos, sei lá de quantas mais malfeitorias.

    Veio o PM Pinto de Sousa, conhecido por Sócrates, depois da saída de Barroso para o estrangeiro e do golpe de Estado do Presidente da República para derrubar Santana Lopes a tempo de não lhe dar tempo.

    Manuela Ferreira Leite foi estando mais ou menos calada, ou entretida com a substituição de Santana no partido, o que viria a conseguir. Não se aguentou, vindo a ser substituída por Passos Coelho, a quem muito mal tratara e que, naturalmente, não contou com ela.

    Vítima do seu inegável mau perder, com a preciosa ajuda da TVI e do “Expresso”, entre outros, a senhora passou a dedicar a vida à demolição do seu sucessor no partido. Poderia ter, como seria lógico, criticado internamente, preparando um eventual regresso à liderança. Poderia reunir tropas e chefiar alguma “tendência” de oposição dentro do PSD. Poderia – era o mais sensato – ir para casa, uma vez que já tem idade para tal.

    Nada disso. Manuela resolveu corporizar pública oposição, de forma insistente, sem baias, verrinosa. Numa palavra, tornou-se socialista por empréstimo.

    Os mesmos que lhe tinham, anos atrás, chamado todos os nomes, passaram a endeusá-la, a tecer elogios à sua “independência”, à sua “liberdade de espírito”, num mar de qualidades e razões. A senhora agradece, passando, não só a continuar a sua cruzada pública contra o partido que liderara e de que continua a ser membro, como, pior que isso, a apoiar com unhas e dentes o partido rival. Possivelmente não lhe ocorreu que, para tomar tais atitudes, e reiterá-las dia sim dia sim, deveria desfiliar-se do PSD. Falha de memória, ou puro ódio, dor de cotovelo, patético despeito?

    Last but not least, vemos que, não contente com o que já fez, vai lançar, com um dos mais sinistros aparatchiks do PS, Pedro Adão e Silva, e com a filha de outro, não sinistro mas equivocado, um livro de propaganda económica do programa do PS e do ameaçador pensamento do seu plantel de econo-politicões.

    É difícil, sem entrar em indesejáveis adjectivos, classificar a atitude da senhora. Deixo isso ao cuidado de quem isto ler.

     

    3.9.15

  • UMA QUESTÃO DE DIGNIDADE

     

    Não sei se o juiz Rangel está, por lei, impedido ou não de julgar o recurso do senhor Pinto de Sousa. As leis que tratam destes casos são passíveis de várias interpretações. Não será esta a via para apreciar a questão.

    É facto que o dito juiz gosta de aparecer nos media a comentar casos de justiça, o que, de um modo geral, não é bonito – para dizer o menos – nem parece deontologicamente aceitável. Também é facto que o mesmo senhor, como o seu já falecido irmão, é, para quem de há muito o ouve, um evidente, ainda que não abertamente confesso, adepto do PS e do seu ex-líder.

    Por isso, a questão só deve ser posta em termos de consciência individual e de rigoroso respeito pela profissão que exerce e pelos seus concidadãos.

    Espero, como esperamos todos, que o juiz Rangel, já que não teve a coragem ou o escrúpulo de, imediatamente após conhecer o resultado do sorteio, se declarar impedido de julgar o caso, o venha a fazer ainda a tempo. Em nome do seu self respect e da dignidade da Justiça.

    Cá estaremos para aplaudir.

     

    3.9.15

  • NOTA

    A não perder o artigo de Paulo Rangel que vem hoje no “Público”.

     

    1.9.15

  • PARABENS À PRIMA

    Parece que, com pompa e circunstância, vão ser lançadas as obras de reabilitação da piscina do Campo Grande.

    A antiga, cuja manutenção, tal como era, foi objecto de inúmeros ataquinhos da dona Roseta, a qual, sem ligar aos tempos, se fartou de gritar em sua defesa, vai ser simplesmente arrasada e substituída por coisa totalmente diferente, agora sob o olhar ternurento e o aplauso da mesma senhora.

    Mas isto é fait divers. O IRRITADO, de braço dado com a ilustre senhora, aplaude.

    Alguns pormenores haverá que referir, para memória das gentes. Logo que foi eleito, o presidente Costa mandou pôr, no Campo Grande, um gigantesco cartaz propagandeando a reconstrução da piscina. Quantos anos passaram? Já nem sei. O cartaz, talvez por vergonha – o que é raro, vinda de onde vem – acabou por ser retirado. A malta deixou de pensar no assunto. Mas as diligências camarárias parece que foram retomadas. Parabéns à prima.

    A nova piscina vai ser um complexo de serviços públicos de fitness. De acordo. Parabéns à prima. À revelia dos mais sagrados princípios do socialismo nacional, vai ser privada. Parabéns à prima. Os mesmos tipos que clamam contra toda e qualquer privatização, privatizam. Mais, fazem uma espécie de PPP, coisa que lembra os tempos gloriosos do socretinismo. Parabéns à prima. Frei Tomás deve estar contente. Mais. Esta tão alfacinha gente, que critica acerbamente a entrada de qualquer estrangeiro na nossa economia, contrata a coisa com espanhóis. Mais. A horda socialista, que se revolta contra todos os monopólios, mete uns espanhóis que já têm a piscina dos Olivais e mais não sei quantas. Parabéns à prima.

    Ponhamos os pontos nos is. O IRRITADO está de acordo com a demolição do que existe, com a construção de uma coisa nova, actual, funcional, lucrativa, nas mãos de espanhóis ou seja de quem for (privado!), que ponha a coisa a funcionar com rentabilidade, sucesso e boa oferta pública. Mais. Saúda a incoerência do Costa, do Medina, da Roseta, de Frei Tomás, de todos os que levaram (levarão?) a coisa por diante. Parabéns à prima.

    Só espera que as novas obras não tenham o mesmo destino que teve o cartaz do Costa e as urgentíssimas quão imediatas obras que anunciava.

     

    1.9.15

  • A VERDADE É UMA CHATICE

    Por unanimidade, o pelotão da nacional inteligentsia ergue-se, altaneiro e indignado, contra as dúvidas levantadas por Paulo Rangel quanto ao que se passaria em certos casos de justiça se o PS mandasse. Sindicatos, magistrados, bastonárias, não há “figura” que não se revolte contra as dúvidas do Rangel.

    Não se percebe porque será que o ilustre pelotão não se indignou quando o primeiro-ministro Pinto de Sousa foi “ilibado” por um PGR seu amigo e por um alto juiz, os quais, contra o parecer de quem investigava, mandaram queimar as escutas que o envolviam num processo-crime.

    Mesmo estando um dos seus ministros alegadamente envolvido no assunto, este governo levou à justiça casos de licenciaturas duvidosas que a justiça, em toda a independência, investiga e punirá quando disso for caso.

    Não se percebe porque será que todo este ilustre pelotão não se indignou quando, na mesma história, estava envolvido o líder do PS.

    E a fantástica série de “casos”, no tempo do PS, que não motivaram a indignação do pelotão?

    E o pelotão não dá porque, com este governo, jamais houve a mais leve intromissão no trabalho da Justiça, nem sinais disso?

    Então onde está a verdade senão no que Rangel disse?

    Porquê tanta indignação? É que, meus senhores, há verdades e verdades. Quando são incómodas, como a do Rangel, as do INE, e tantas outras, o pelotão, com o PS à cabeça, diz que são mentiras ou que foram manipuladas!

    O pelotão indigna-se em vez de, em acto de contrição, reconhecer em silêncio que o Rangel é capaz de ter razão.

    Rangel não meteu a justiça na campanha. Meteu o PS, e fez muito bem. Se houve, para além do PS (que devia ter ficado caladinho como um rato) quem desse à casca é, mais uma vez, porque o Rangel disse a verdade. Dar à casca só o confirma.

     

    31.8.15

  • RANGER OS DENTES

    Ontem, o senhor Rangel disse que, no tempo dos socialistas, seria inimaginável a prisão do 44 e do Dr. Salgado.

    Teria razão?

    Vejamos. Os tempos em que a Justiça e a finança afinavam com o poder acabaram. Agora, já não há procuradores amigos nem altos juízes a mandar destruir os elementos de prova que os colegas encarregados do assunto achavam incriminatórios. Agora, já não há governantes que nacionalizem bancos falidos e lá metam milhares de milhões. Agora, já não há um Banco de Portugal aberto às malandrices da política. Agora, já não há governo que persiga jornalistas incómodos, nem que se meta em jogadas empresariais ao serviço sabe-se lá de quê.

    É isto verdade, ou não? É, sim senhor. Uma verdade brutal, evidente, sem contestação política possível. O Rangel tem carradas de razão.

    Mas o PS, no seu inacreditável e desavergonhado socratismo, em vez de se calar, deu à casca como um doido. Veio exigir, no uso de uma lata ao cubo, que o PM se retrate das afirmações do tal Rangel. Fantástico, não é?

    Mal a notícia correu, logo a SIC tratou de destacar a reacção oficial do Rato (coitado do Assis!) e de, logo a seguir, entregar o microfone a um tipo conhecido por “cabeça de porco” (juro que não fui eu que inventei esta), que corrigiu e aumentou a indignação socialista. Julgo que outros o terão feito, ou farão.

    Por mim, mudei de canal e fui ver um filme de porrada, muito mais moral que a revolta dos adeptos do Costa (e do outro!).

    Espero que Passos Coelho dê ao caso a atenção que merece, isto é, atenção nenhuma. Em alternativa, que diga que o Rangel tinha toda a razão. Os outros que ranjam com as bocas do Rangel.

     

    30.8.15