Em tempos, uma senhora, soarista, bloquista, ex-bloquista, outra vez soarista e não sei mais quantos istas, aparecia com regularidade numa televisão qualquer. Bom machista, como se dirá, eu achava que a senhora, importantíssima e convencidíssima, só dizia asneiras. Mas era um pedaço! Até que, um dia, a vi a conversar com outras pessoas numa esquina e, mantendo a opinião sobre as asneiras, no uso da minha mentalidade falocrática deixei de achar que era um pedaço.
Esqueci-me da existência da personagem.
Até que, ao abrir os jornais de hoje, dou com a senhora toda nua, grávida, com um tipo por trás, agarrado a ela. Uma cena patética, tristíssima, como é de compreender.
Normalmente, há mulheres – e homens! – que se fazem fotografar todos nus para ganhar umas massas. Não sei se é o caso. Mas, como sou um tipo antiquado, ou antigo, como queiram, acho que isto de gravidez é uma coisa íntima da mulher, ou da mulher e do homem – quando há homem identificado e confesso, o que hoje em dia já não é indispensável nem até desejável – não é coisa que deva servir de mote a cenas menos dignas.
O caso, desta vez, é grave, ou interessante, como queiram. É que a dita grávida, dizem os jornais, é candidata a deputada por uma agremiação qualquer, não bloquista, não soarista, talvez gravidista, ou grevista, não faço ideia.
Por conseguinte, é de presumir que a fotografia da senhora grávida com um tipo agarrado pelas costas mais não é que um outdoor de propaganda política. De borla! Ou, quem sabe, pelo contrário, a render uns chavos (para a candidatura, claro). Genial!
A senhora, apesar de tudo, quiçá graças ao fotógrafo, até nem está mal na fotografia. O problema é se a coisa pega. Já imaginaram o que seria se a Exmª senhora doutora Maria de Belém adoptasse o sistema? Ou a dona Helena? Ou, horribile visu!, o camarada Costa?
Há limites, que diabo!
6.9.15

Deixe um comentário