IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


RECEBER OS MIGRANTES

 

Andamos todos chocados, horrorizados, com a migração dos sírios. Às centenas de milhares, correndo riscos enormes, conduzidos quantas vezes por contrabandistas de carne humana, a pé, em frágeis barquinhos, de qualquer maneira, fogem à carnificina em que o seu país mergulhou. Nunca as gerações europeias dos últimos setenta anos tinham visto algo de parecido. Os fugitivos têm que ser acolhidos. Toda a gente o sabe, mesmo os que têm tido imperdoáveis reacções.

Não é fácil organizar uma operação desta natureza e magnitude. Mas não é impossível. Por cá, recebemos os “retornados”, empurrados pela barbárie que se seguiu à tão celebrada descolonização, e absorvemo-los quase sem sentir. Éramos nove ou dez milhões. Recebemos uma mole humana de quase um milhão. Mutatis mutandis (os nossos eram portugueses, da mesma cultura, com as mesmas raízes, os de agora são estrangeiros, outra cultura, outras raízes), o que se passa é que os duzentos e cinquenta milhões de europeus tentam organizar a recepção de, para já, cerca de um terço dos que nós recebemos. E têm dificuldades para se entender. Quando surgem problemas novos, as soluções não aparecem, nem de um dia para o outro nem por artes mágicas.

Não entro na contrição generalizada que o politicamente correcto tem vindo a fabricar. Em Portugal chega-se ao ponto de o PS usar os migrantes como arma eleitoral! Não me passa pela cabeça, como soe fazer-se por aí, culpar a Europa do que se passa. Sabe-se de quem é a culpa e, se a Europa, ou a chamada comunidade internacional, cometeu erros políticos graves a partir do surgimento das chamadas primaveras árabes, fê-lo porque a natureza do fenómeno parecia de saudar e apoiar. A Europa e os demais países civilizados têm dificuldade em compreender aqueles para quem a liberdade não é um valor!

A Hungria, dos países da União, é tida pelo pior exemplo de xenofobia. Não direi o contrário. Mas, ao ouvir ontem o negregado líder desse país dizer, não sei se com sinceridade, que mais não fazia que guardar as fronteiras de Schengen, ou seja, documentar os migrantes antes de os deixar passar, já não sei se o homem, pelo menos aparentemente, não tem razão. Nada que justifique muros, arame farpado e cargas policiais. Mas documentar os que chegam não será um mau serviço, para eles e para a União.

A Alemanha, por muito que custe à vociferante legião de inimigos da senhora Merkel, é, de todos os países europeus, o que tem tido resposta mais pronta e mais humanitária.

Portugal prepara-se, com rapidez, para responder também, por muito que custe ao senhor António Costa e às suas hostes.

Atirar pedras, vociferar acusações, mimar “arrependimentos”, não só não serve para nada como, em face do problema, é de uma cobardia sem nome.

 

4.9.15



10 respostas a “RECEBER OS MIGRANTES”

  1. É interessante como funcionamos: há anos que morre gente aos magotes a (tentar) atravessar o Mediterrâneo. Há décadas que africanos, magrebinos, asiáticos, e até europeus de leste são vítimas de máfias.E no entanto, esses milhões não nos preocupam. Não existem. Só agora, após a foto dum menino morto na praia, é que descobrimos que – choque! – há dois mundos: o dos ricos, quase todos europeus e norte-americanos, e o dos miseráveis, quase todo o resto do mundo.Os sírios não fogem só à guerra, nem é por acaso que vêm para a Europa, apesar do risco. Qualquer pessoa quer viver melhor. Estranho seria preferir África, o Médio Oriente, ou a América do Sul, ou o sudoeste asiático. Graças à celebrada “globalização” e à internet, hoje todos sabem, até numa remota barraca africana, o mesmo que nós sabemos: que eles vivem na merda. E perante a certeza de uma vida de merda, qualquer risco vale a pena.Mas nunca se pergunta: porque é que o mundo é assim? A Europa colonizou a África e a América. Porque não o contrário? Na China e na Índia, países maiores que a Europa, e no Paquistão, Bangladesh, Vietname, Indonésia, etc., a sua pobreza abjecta, as suas bostas e lixo, os seus regimes ditatoriais, a sua corrupção, a sua semi-escravatura… também é culpa da Europa?O Sr. Saraiva, do Sol, sugere criar algures um país para toda esta gente. Absorvê-los, como preconiza o Irritado, deixa a questão: qual o limite? É que haverá sempre mais para vir. O mundo é grande.

    1. Não foi assim que aconteceu com o leão que um tal dentista matou?Não foi assim que aconteceu com o cão abandonado no caixote do lixo em Vila Real?Não é assim que aquele imigrante português na Alemanha disse (acerca da migração dos sírios): “o que eles querem é a boa vida de cá”?

    2. Muito interessante, o seu comentário. O mundo os que v. odeia (os canalhas dos mercados, os”pulhíticos”, etc.) é, afinal, o eldorado de tanta gente! Porque será?

      1. Sugiro-lhe um livro chamado “Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty”.Os autores analisam a história e a economia dos vários países, comparam os ricos com os pobres, tentam compreender como estes se tornaram pobres, e chegam, pasme, à mesma conclusão que eu: a culpa é dos MAMÕES. O livro chama aos mamões “extractive institutions”, instituições que extraem a riqueza produzida no país, e que podem ser de natureza política e económica. Por norma, um ditador e uma oligarquia corrupta, monopólio duma dúzia de figurões do regime.Casos extremos são o Zimbabwe de Mugabe ou a Coreia do Norte, mas é assim em quase todo o mundo, só varia o grau.Portugal, por exemplo, tem políticos corruptos e mamões económicos – EDP, Galp, PT, etc. – mas de forma geral as instituições são inclusivas (i.e. abertas a todos), há ordem e paz – graças ao ESTADO, dizem os autores – e a extracção tem alguns limites. Nos países destes migrantes nem há esses limites; vale literalmente tudo.Todos os países já foram assim, até a Europa: foi o tempo dos seus caros monarcas. Mas na Europa conseguimos libertar-nos melhor e mais depressa dessa extracção – dantes “divina”, hoje apenas mafiosa. Eis a sua resposta.

        1. Parece-me uma leitura interessante.Não me parece é que esteja editado em português.

  2. A Hungria, ao registá-los, isso tem consequências legais. É isso que pretendem porque, como terá dito o chefe de governo: quando tal os europeus são uma minoria. É isso que está em questão para esses senhores. Ao ficarem registados como entrada na Hungria, não podem pedir asilo noutro país, nomeadamente nos países para onde eles querem ir e que estão dispostos a recebê-los (como declarou a Alemanha, p.ex.). Se a Hungria não os quer lá, porque barrá-los? Eles não querem ficar lá. Acredite, é apenas xenofobia.

    1. Não não é. A Hungria tem de os registar. (precisas de aprender o sistema de registo de entrada no espaço Schegen…) Dá-lhes papéis temporários para poderem viajar dentro deste espaço livre de fronteiras. (porque 99% deles não possuem qualquer documento) Depois de chegarem ao país de destino, têm de requer o asilo por uma das razões aceites pelo país. Se lhes for concedido, recebem papeis da embaixada do país de origem (que declararam ao entrar na Hungria), se não for, são enviados para a Hungria que tem de os repatriar. Ora, com mais de 200000 refugiados, alguns irão ser devolvidos. Imagina que 50% não consigam asilo na Alemanha, França ou outro país europeu. É a Hungria que vai ter de arcar com a repatriação para os países de origem. Pior, é que se dizem que as portas estão abertas, agora são 200000, daqui a 6 meses serão 10 milhões… Basta saberes que na Turquia estão mais de 3 milhões, em campos de refugiados. Assim que saibam que a Europa abriu as portas, eles vão seguir o mesmo caminho destes. No Egipto estão mais de 2 milhões de várias proveniências. Na Jordânia estão 3 milhões. No Líbano estão, quase 2 milhões. Se quiseres comparar, basta pensares que se fores dizer, numa rede social, que estás a oferecer jantar grátis a quem aparecer, vais ter uma multidão à tua porta. É isso que é preciso ter cuidado.

      1. O problema não é o procedimento possível é o procedimento utilizado pela Hungria que não lhes emite o documento que refere de trânsito (chama-se autorização de residência provisória), mas os retém em campos. Fazem isso, com base na lei, segundo a qual pode reter-se administrativamente a pessoa na zona internacional de um porto ou aeroporto. Os campos seriam os sucedâneos possíveis face aos números.Mais, segundo as regras do espaço Schegen, eles podem (de outros países) ser repatriados para a Hungria por ser o país de entrada. Sugiro que se informe um pouco mais. Eu não tenho medo da invasão de muçulmanos que parece temer. Aliás, não faz mais sentido proteger quem se opõe e foge do IS como forma de o combater? Mais, a história do mundo demonstra-nos que o que seguirá é precisamente a aculturação dos migrantes nos seus países de acolhimento e não o contrário. Eu conheço os números. e ofereço mais alguns: somos quase 800 milhões de europeusFrancamente, preocupo-me muito mais com as consequências deste ódio em relação aos migrantes. É que o ódio gera ódio e a violência gera a violência.

  3. Concurso Melhor Blog Português Do Ano 2015 – Revista ExtraincrivelLembras-te da Revista Extraincrivel, pois é, ela está de volta e para comemoraro seu regresso em grande estamos a organizar a II edição do concurso Melhor Blog Português Do Ano 2015 e queremos convidar-te a participar desse evento que tanto sucesso fezem 2013. Para participar é muito simples, basta clicar no link abaixo que você será levado para uma página ondecontêm todas as informações do blog.Clica no link para para mais informaçôes:http://goo.gl/gkg9hwContamos com a tua presença!

  4. Esses invasores na Europa são Burros e ainda perversos Sadomasoquistas! Pois estão se enfiando no rabo do “Capitalismo” europeu para “sofrerem” como otários imbecis, em vez de se enfiar no rabo do “paraíso comunista” em Cuba, Angola Socialista, Moçambique Socialista ou Coreia Comunista!

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