Aqui há uns anos, era PM Durão Barroso e ministra das finanças Manuela Ferreira Leite. Esta senhora era, em meios socialistas, conhecida por “bruxa”, “velha feia” e por outros epítetos do mesmo jaez. Pinto de Sousa zurzi-a, semanalmente, nos seus confrontos televisivos com Santana Lopes. O jornal do PS dedicava-lhe terríveis críticas. Persona entre todas non grata nos meios afectos ao Largo do Rato, Ferreira Leite aumentava impostos, criava o PEC (pagamento especial por conta), dizia que não havia dinheiro para SCUTs e outros luxos, alertava para os perigos que se acastelavam no sistema de pensões, etc.. Pinto de Sousa e seus amigos acusavam-na de dar cabo do crescimento, de ser mera cobradora de impostos, sei lá de quantas mais malfeitorias.
Veio o PM Pinto de Sousa, conhecido por Sócrates, depois da saída de Barroso para o estrangeiro e do golpe de Estado do Presidente da República para derrubar Santana Lopes a tempo de não lhe dar tempo.
Manuela Ferreira Leite foi estando mais ou menos calada, ou entretida com a substituição de Santana no partido, o que viria a conseguir. Não se aguentou, vindo a ser substituída por Passos Coelho, a quem muito mal tratara e que, naturalmente, não contou com ela.
Vítima do seu inegável mau perder, com a preciosa ajuda da TVI e do “Expresso”, entre outros, a senhora passou a dedicar a vida à demolição do seu sucessor no partido. Poderia ter, como seria lógico, criticado internamente, preparando um eventual regresso à liderança. Poderia reunir tropas e chefiar alguma “tendência” de oposição dentro do PSD. Poderia – era o mais sensato – ir para casa, uma vez que já tem idade para tal.
Nada disso. Manuela resolveu corporizar pública oposição, de forma insistente, sem baias, verrinosa. Numa palavra, tornou-se socialista por empréstimo.
Os mesmos que lhe tinham, anos atrás, chamado todos os nomes, passaram a endeusá-la, a tecer elogios à sua “independência”, à sua “liberdade de espírito”, num mar de qualidades e razões. A senhora agradece, passando, não só a continuar a sua cruzada pública contra o partido que liderara e de que continua a ser membro, como, pior que isso, a apoiar com unhas e dentes o partido rival. Possivelmente não lhe ocorreu que, para tomar tais atitudes, e reiterá-las dia sim dia sim, deveria desfiliar-se do PSD. Falha de memória, ou puro ódio, dor de cotovelo, patético despeito?
Last but not least, vemos que, não contente com o que já fez, vai lançar, com um dos mais sinistros aparatchiks do PS, Pedro Adão e Silva, e com a filha de outro, não sinistro mas equivocado, um livro de propaganda económica do programa do PS e do ameaçador pensamento do seu plantel de econo-politicões.
É difícil, sem entrar em indesejáveis adjectivos, classificar a atitude da senhora. Deixo isso ao cuidado de quem isto ler.
3.9.15

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