O senhor Pinto de Sousa, a nadar na sua (ou da ex-mulher Fava, ou do novo marido da ex-mulher, ou seja de quem for) piscina interior, ditou uma mensagem aos seus áulicos para que a propagandeassem, urbi ert orbe: Eu apoio o Costa! Eu quero que o Costa ganhe! Eu sou (d)o PS!
Ficamos assim a saber que o amor é mútuo. Costa, como Ferro, como César, como Soares, como tantos outros por Costa reconduzidos ao galarim do partido, adoram Pinto de Sousa. Pinto de Sousa retribui. Será? No não saber está o gato.
Graves dilemas pesam nas costas do Costa. Este tipo, deve ele pensar, ainda não percebeu que, se quer ajudar-me, o melhor é estar calado. Ou então dá-lhe uma branca nos neurónios e, pensando outra vez, acha que o tipo é um gajo porreiro que até na prisão o apoia. O que vão pensar os eleitores? Que fica demonstrada a grande solidariedade socialista, tão evidente em casos do género, como o da Casa Pia? Atribuirão à tal solidariedade alta classificação, ou acharão que somos uma cambada que se auto-protege a fim de tapar a buracaria que vai abrindo? Que fazer, senhores, camaradas, amigos? O tipo é um miserável traidor, não percebe que o quero a milhas? O tipo só quer o meu bem?
Como reagir? Não reagir? Costa arrepela as cãs, peripatético, entre o quarto e a casa de banho. Estou só, ai, estou só. Ninguém quer nada comigo. Como não é certo ganhar as eleições – se calhar até as perco, c’um raio – esta malta já só está comigo para inglês ver. Se perco, caem-me em cima. Se ganho penduram-se em mim. Facto é que todos querem é o Pinto de Sousa de volta, para os acarinhar, proteger, resguardar das investidas da lei. Estou feito.
Faz-me uma pena terrível, como é de calcular, esta triste situação daquele que, há meses, se apresentava como salvador da Pátria e corria com o oco Seguro, o qual tinha o defeito de ser, ou parecer, um tipo sério.
As voltas que o mundo dá!
8.9.15

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