Por unanimidade, o pelotão da nacional inteligentsia ergue-se, altaneiro e indignado, contra as dúvidas levantadas por Paulo Rangel quanto ao que se passaria em certos casos de justiça se o PS mandasse. Sindicatos, magistrados, bastonárias, não há “figura” que não se revolte contra as dúvidas do Rangel.
Não se percebe porque será que o ilustre pelotão não se indignou quando o primeiro-ministro Pinto de Sousa foi “ilibado” por um PGR seu amigo e por um alto juiz, os quais, contra o parecer de quem investigava, mandaram queimar as escutas que o envolviam num processo-crime.
Mesmo estando um dos seus ministros alegadamente envolvido no assunto, este governo levou à justiça casos de licenciaturas duvidosas que a justiça, em toda a independência, investiga e punirá quando disso for caso.
Não se percebe porque será que todo este ilustre pelotão não se indignou quando, na mesma história, estava envolvido o líder do PS.
E a fantástica série de “casos”, no tempo do PS, que não motivaram a indignação do pelotão?
E o pelotão não dá porque, com este governo, jamais houve a mais leve intromissão no trabalho da Justiça, nem sinais disso?
Então onde está a verdade senão no que Rangel disse?
Porquê tanta indignação? É que, meus senhores, há verdades e verdades. Quando são incómodas, como a do Rangel, as do INE, e tantas outras, o pelotão, com o PS à cabeça, diz que são mentiras ou que foram manipuladas!
O pelotão indigna-se em vez de, em acto de contrição, reconhecer em silêncio que o Rangel é capaz de ter razão.
Rangel não meteu a justiça na campanha. Meteu o PS, e fez muito bem. Se houve, para além do PS (que devia ter ficado caladinho como um rato) quem desse à casca é, mais uma vez, porque o Rangel disse a verdade. Dar à casca só o confirma.
31.8.15

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