Ontem, o senhor Rangel disse que, no tempo dos socialistas, seria inimaginável a prisão do 44 e do Dr. Salgado.
Teria razão?
Vejamos. Os tempos em que a Justiça e a finança afinavam com o poder acabaram. Agora, já não há procuradores amigos nem altos juízes a mandar destruir os elementos de prova que os colegas encarregados do assunto achavam incriminatórios. Agora, já não há governantes que nacionalizem bancos falidos e lá metam milhares de milhões. Agora, já não há um Banco de Portugal aberto às malandrices da política. Agora, já não há governo que persiga jornalistas incómodos, nem que se meta em jogadas empresariais ao serviço sabe-se lá de quê.
É isto verdade, ou não? É, sim senhor. Uma verdade brutal, evidente, sem contestação política possível. O Rangel tem carradas de razão.
Mas o PS, no seu inacreditável e desavergonhado socratismo, em vez de se calar, deu à casca como um doido. Veio exigir, no uso de uma lata ao cubo, que o PM se retrate das afirmações do tal Rangel. Fantástico, não é?
Mal a notícia correu, logo a SIC tratou de destacar a reacção oficial do Rato (coitado do Assis!) e de, logo a seguir, entregar o microfone a um tipo conhecido por “cabeça de porco” (juro que não fui eu que inventei esta), que corrigiu e aumentou a indignação socialista. Julgo que outros o terão feito, ou farão.
Por mim, mudei de canal e fui ver um filme de porrada, muito mais moral que a revolta dos adeptos do Costa (e do outro!).
Espero que Passos Coelho dê ao caso a atenção que merece, isto é, atenção nenhuma. Em alternativa, que diga que o Rangel tinha toda a razão. Os outros que ranjam com as bocas do Rangel.
30.8.15

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