Aqui há uns anos, o jornal “Sol” era, nos textos do IRRITADO, conhecido por “Sólcrates”, tal era a protecção dada ao primeiro-ministro de então, hoje 44. Todas as broncas, todas as falhas de carácter do indivíduo conheciam, da parte do “Sol”, a devida absolvição.
Em abono da verdade, diga-se que este namoro, talvez pueril, felizmente durou pouco. O “Sol” é dirigido por gente inteligente, que depressa percebeu onde se estava a meter.
Perdoado que está o “Sol” deste pecado, eis que comete um novo, ainda mais grave. Inopinadamente, a respectiva direcção vem anunciar que o jornal vai passar a ser escrito, não em português mas em acordoortografiquês, ou seja, em brasileirês de segunda.
Apesar das pressões oficiais, muito do agrado dos editores de livros escolares, para que se aceite tal mergulho no lixo idiomático, nada obriga a que se proceda assim. Um acordo destes, como qualquer compromisso internacional, só é válido após ratificação de todas as partes envolvidas. Não é o caso. Se não é o caso, o acordo não existe, nem pode entrar em vigor. Se as hostes da política e o Tribunal Constitucional aceitam a ilegalidade, compete à sociedade denunciá-la, assim resistindo como pode à subserviência e à indignidade. Pensar-se-ia que a imprensa escrita, tão pródiga que é em encontrar arguelhos nos olhos de toda a gente, seria a primeira a ter a mais estrita obrigação de ser a primeira nessa resistência. Sabemos que não é. Dos periódicos que cá entram em casa, já tenho os miseráveis exemplos do DN e do “Expresso”. O “Sol” seria, a meu ver, o último a embarcar, honra lhe fosse.
Mas não foi. Enganei-me, ou fui enganado.
É triste. Mas ainda mais tristes são as esfarrapadíssimas desculpas com que a direcção do “Sol” tenta justificar a injustificável decisão. Sobre elas, cumpre-me não comentar, porque comentários não merecem.
Enfim, no melhor pano cai a nódoa. Que Deus lhes perdoe. Eu não.
30.8.15

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