Um estrangeiro que aqui chegasse e não conhecesse o país, ao ler os jornais concluiria que uma tal Catarina Martins (que ele não sabe quem é) seria uma espécie de Tatcher, ou Merkel, a líder máxima da política portuguesa, por isso a mais desejada presença na “informação”. Conclusão razoável e legítima de quem a vê em quatro debates, sendo que os políticos menores, como Costa ou Jerónimo, não passam de três, e os ainda mais insignificantes, como Passos e Portas, se ficam pelos dois.
Desde o meu último post sobre o assunto já houve várias alterações ao mapa “debatitório”. Mas a “correlação de forças” continua na mesma. Justifica-se. Não é verdade que, de todos os políticos de serviço na TV, a rapariga é única que aparece todos os dias, por uma razão ou outra, ou por razão nenhuma? A mais desejada, pelo menos pelos jornalistas, assim demonstrando justa atenção às necessidades informativas do povo.
Mantêm-se além disso as devidas proporções. Não é verdade que os partidos da esquerda proliferam por aí como formigas com catarro, e que os outros são só dois? Por isso que, pelos distintos critérios informativos em vigor, é perfeitamente lógico e natural que os primeiros tenham garantido dez presenças nos debates, e os segundos quatro. 71% para uns, 29% para outros. Não é lógico? Mais que lógico, é admirável e muito democrático. Usando outro critério, teremos a esquerda com duas vezes e meia as presenças do centro e da direita (250%).
Como no faduncho, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é caca.
29.8.15

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