IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO EQUILÍBRIO INTERIOR DE FREITAS DO AMARAL

 

Como democrata, também não gostei nada do estilo neoautoritário do primeiro-ministro, que aos poucos conseguiu controlar quase todos os órgãos de comunicação social.

Freitas do Amaral, “Visão”, 10.9.15

 

É sempre difícil julgar as pessoas, fazer apreciações quanto ao carácter de cada um, avaliar da coerência ou da dignidade seja de quem for. A subjectividade impera nestas coisas mais do que seria de desejar.

No entanto, quando as pessoas se expõem, quando as avaliações são feitas a partir das atitudes que tomam e que são propagandeadas pelos próprios, no exercício do direito que, com todo o direito, se atribuem de influenciar a cabeça dos outros, torna-se legítimo fazê-lo com critérios a que assista objectividade q.b..

Vem esta arenga a propósito das muitas afirmações e atitudes que, ao longo duma já longa vida, vêm constituindo a “montra” de uma personalidade como a de Diogo Freitas do Amaral, de que é triste exemplo a declaração acima, totalmente eivada de mentira, raiva, cegueira e primitivismo.

Lembro-me de um almoço de rapazolas em que, bebidos uns copos, dedilhadas umas guitarras, cantados uns fadunchos, a coisa descambou em mais copos e nas ordinarices da praxe. A malta ria, e ia exagerando, como é natural nestas quase infantis manifestações. Diogo não ria. Quando a coisa estava no seu melhor, decidiu ir-se embora. Porquê?, perguntei. Respondeu: “isto prejudica o meu equilíbrio interior”. Confesso que aquela do “equilíbrio interior” me embasbacou.

O futuro, no entanto, viria a demonstrar a fragilidade do tal equilíbrio.

Filho da ala mais conservadora da II República, afilhado intelectual e académico de Marcelo Caetano, Diogo, diz-se, estava interessado em integrar o governo da respectiva “primavera”. Dizem que não terá levado a bem ter ficado de fora, nem sequer sendo convidado para integrar o célebre Secretariado Técnico da Presidência do Conselho, onde pontificavam jovens cérebros da época, tais Xavier Pintado, João Cravinho, João Salgueiro e outros mais que viriam a ser gente na III República.

Não se sabe se foi por isso, mas pode intuir-se já que, muitos anos mais tarde, Marcelo Caetano foi objecto de uma vergonhosa peça teatral da autoria do seu ex-discípulo. Começava aqui a revelar-se a verdadeira face de Freitas do Amaral, ou da sua falta de “equilíbrio interior”.

No auge do período comunista, Freitas do Amaral fundou o CDS, partido da direita democrática nacional que havia de concitar os votos dos descontentes com o fim da II República, e de muitos mais. Intitulado do centro, rotulado de democrata cristão, o CDS, honra lhe seja, era o único partido que dava resposta às ânsias de muita e boa gente e que não se declarava socialista ou social-democrata. Lembro-me de, à época, o considerar à minha direita, sem prejuízo de o achar indispensável ao equilíbrio político do sistema e de funcionar como um tampão ao reacender da extrema-direita.

Sob a sua chefia, o CDS viria a integrar a AD, formação de centro, que havia de triunfar e que viria a acabar depois de decapitada por um atentado, seguido das zangas que fomentou com Balsemão. Mais tarde, Freitas do Amaral seria, como candidato a PR, a referência do centro e da direita. Foi perseguido e insultado por Mário Soares, que acabou por vencê-lo por uma unha negra. Depois da derrota, criou a Fundação século XXI, destinada a continuar a luta, dele e de muitos mais, contra o socialismo. Parecia ter aprendido a lição, não só a da sua luta eleitoral como a da experiência falhada num governo em que se tinha associado ao PS.

Passou o tempo. Um dia, anunciaram os jornais que Mário Soares tinha assistido, na primeira fila, ao casamento de uma filha de Diogo. Os que o tinham apoiado sentiram-se traídos. Então Freitas do Amaral tinha-se tornado amigo pessoal e íntimo de quem o tinha insultado perante o país inteiro? Terá sido mais um sinal público dos seus problemas de “equilíbrio interior”.

Step by step, tais problemas acentuaram-se. Ao ponto de, anos depois, aparecer ao lado de Pinto de Sousa, como seu ministro dos negócios estrangeiros.

O promotor do partido mais à direita do país, o vice de Sá Carneiro, o representante da direita em dramáticas eleições presidenciais, acaba como servo fiel do soarismo e do socretinismo, como lançador de “bocas” do mais ordinário contra o seu partido e o partido a ele aliado. Desculpando-se com a máscara de democrata cristão, acusa, como acima está escrito, o único PM que jamais tocou na fímbria das vestes dos media, de os “controlar” e de ser, valha-nos Deus, “autoritário”. Tanta mentira em meia dúzia de palavras.

 

Talvez, depois daquele almoço numa tasca da Calçada do Sacramento, nunca mais tenha recuperado o tal “equilíbrio interior”. Boa desculpa minha para não lhe definir o carácter.

 

13.9.15



7 respostas a “DO EQUILÍBRIO INTERIOR DE FREITAS DO AMARAL”

  1. Afirma o irritadiço Borges que “…É sempre difícil julgar as pessoas, fazer apreciações quanto ao carácter de cada um, avaliar da coerência ou da dignidade seja de quem for”. Olhe que está absolutamente errado.Na verdade, é fácil fazer apreciações sobre mentiras, mal-feitorias e burlas politicas e daí julgar Passos Coelho.

  2. É curioso como sem saber muito sobre Freitas, e sem o conhecer de lado nenhum, tenho dele uma imagem parecida. Freitas é, e sempre aspirou a ser, um CHULO DO REGIME. E sempre me pareceu também um choninhas narcisista, que se leva demasiado a sério. Nunca bebi copos com ele, mas nota-se. Por outro lado, não parece ser corrupto. E lembro-me de o ouvir denunciar, muito chocado, o regabofe que encontrou no Min. Negócios Estrangeiros. Claro que era fita, mas pelo menos falou do regabofe. Outros limitam-se a mamá-lo e a calá-lo.Quanto ao «único PM que jamais tocou na fímbria das vestes dos media», já se esqueceu do RELVAS e das ameaças a uma jornalista, não é? Pois é.

    1. Será. Mas o Relvas foi à vida. É certo que levou tempo. O Pinto de Sousa esteve lá seis anos… há diferença, não há?

  3. Este post somente tem como objetivo desviar as atenções do importante. Ora, o importante é atemorizar as “criancinhas” (leiam, eleitores) para que a treta de “Pedro – não o Lobo – e o Cordeiro” continue a resultar.ó meu caro “amigo”: na primeira mentira (sócrates) qualquer um cai; na segunda mentira (passos coelho) cai quem quer; na terceira mentira (PàF – passos à falsete) cai quem é BURRO!!!

    1. Plenamente de acordo, desde que não sugira como alternativa o António Bosta… herdeiro sucateiro do 44, e actual padrinho da máfia que rebentou com isto: o PS.

      1. Es mau paca… oh Philipe:)

        1. Ladra Josephvs.Menino bonito e bediente!

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