IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UM FARTOTE

    Os esquemáticos líderes das diversas maltas que dizem governar-nos estão loucos de alegria. É que parece que arranjaram um tema sumarento para se vingar dos tempos em que estiveram longe do poder.

    Vistos os jornais, o caso Banif custava 700 milhões. Nas doutas palavras do chamado Primeiro Ministro, passou a bastante mais de 2000. Ele lá sabe. Acresce que, com ar solene, declarou que a “solução” que arranjou consiste em que o dinheiro que houve quem confiasse ao Banif está garantido pelo Estado. Por outras palavras, que o buraco vai ser pago por quem não tem nada a ver com o assunto. Tanto criticaram a resolução do BES para agora vir a fazer pior.

    Dizem que o arrastar do assunto foi justificado pela necessidade de obter uma saída limpa da tutela da troica. Facto é que tal saída se conseguiu. Sendo assim, restará saber o que era preferível: sair do domínio da troica e ficar com o buraco do Banif, ou deixar a troica andar por cá mais uns anos. Cada um que opine.

    Na minha óptica, diz uma sã regra do capitalismo que, ao confiar o dinheiro a um banco, cada um sabe ou devia saber que pode vir a ficar sem ele se as coisas correrem mal. Há uma almofada, representada por uma garantia do Estado, mas só até um certo montante. A partir daí, cada um que se desenrasque.

    Lembro-me de um meu conhecido, cidadão britânico, reformado, que foi apanhado na tempestade que assolou o Lloyds vão passados uns quinze anos. O homem tinha a sua casa no Reino Unido, mas vivia a maior parte do ano, confortávelmente, numa moradia de que era dono no Sul de Espanha. As pensões, dele e da mulher, e mais não sei quê, foram à viola. O homem vendeu a casinha espanhola e foi viver num modesto apartamento nos subúrbios de uma cidade qualquer do Norte de Inglaterra. Injustiça? Com certeza. Trafulhice? Dizem que não. O que se sabe é que o grupo financeiro foi reformado, reestruturado, e só há pouco voltou a deitar a cabecinha de fora. Pelo caminho ficaram dezenas de milhares de trabalhadores, as poupanças de centenas de milhares, talvez milhões de cidadãos. Foi o diabo. Terríveis são as consequências do capitalismo, quando as coisas correm mal. Resta a consolação de saber que as do socialismo são piores. Facto é que, no Reino Unido, quem sofreu com os problemas do Lloyds foi quem estava ligado à organização, não passando pela cabeça de ninguém que pagassem os que não tinham nada a ver com o assunto.

    Por cá, não é bem assim, ou nada assim. O PM, de um dia para o outro, declara que o problema é três vezes pior do que era na véspera. E acrescenta que quem vai pagar são suspeitos do costume: os 16% dos portugueses que pagam impostos.

    O mais importante, o que alegra a malta do poder, é saber que vai subir o pano para as exibições das actrizes em voga. Nada melhor do que uma comissão parlamentar especializada para muito parlapatar, baralhar, tornar a dar, vir no jornal, e nada resolver.

    Um fartote.

    Bom Natal.

     

    21.12.15

  • DAS MARAVILHAS DO MULTICULTURALISMO

    Os jornais estão caladinhos como ratos – ai medo a quanto obrigas! – mas quem vai andando pela net sabe o que são os resultados do multiculturalismo vigente um pouco por toda a Europa, maxime em França. Hordas de muçulmanos, alguns pacíficos, vêem protegidos os costumes que trazem dos lugares de origem e passam-nos aos seus sem qualquer sombra de consideração pelas leis e práticas dos países de acolhimento, provocando a insuportável situação de um país com duas leis, de total ausência de coabitação civilizacional ou meramente cívica, de confusão entre práticas de inspiração religiosa e comportamento civil, de privilégios dos guetos voluntariamente formados pelos seus membros… tudo com catastróficos efeitos humanos e sociais – para não falar dos económicos – e, last but not least, dos problemas de segurança de que o Ocidente sofre e para os quais não há soluções à vista.

    Pode dizer-se, talvez com razão, que, de um modo geral, os muçulmanos são gente pacífica. Mas é sabido que as grandes catástrofes de origem humana foram sempre causadas por minorias totalitárias, não pela generalidade dos membros de uma sociedade.

    Por cá, como é costume, a estupidez, a ignorância e a imprudência são levadas ao mais alto grau. Uma coisa chamada Direcção Geral de Saúde publicou uma “directiva” sobre a forma de receber os migrantes que aí vão chegando. Questões de saúde? Zero. Trata-se da mais cobarde, da mais ordinária, da mais anti portuguesa submissão ao fundamentalismo muçulmano que imaginar se possa: um “guia inovador”, segundo as palavras dos bandidos que o escreveram. Algumas disposições da “directiva”: alimentos, só os prescritos pela lei islâmica, o ramadão acompanhado por receitas especiais, animais só os abatidos segundo os ditames do profeta, as mulheres examinadas exclusivamente por mulheres, etc., etc.. Quanto à necessidade de se adaptar à sociedade que os recebe, zero.

    Já agora, seria de recomendar que o director geral de saúde lançasse uma nova polícia destinada a vigiar se os portugueses protegem devidamente os hábitos islâmicos, tais a burca e outros atavios, se asseguram a perseguição dos homossexuais, a execução sumária dos hereges, a lapidação das adúlteras, a regra das chicotadas, as mãos decepadas aos ladrões, a poligamia, etc., tudo para garantir as maravilhas do “multiculturalismo”.

    Não se sabe se o governo está a par da “directiva”. Mas, a avaliar pela estupidez galopante e ruinosa que por aí medra, tudo leva a crer que a conhece e adopta.

     

    20.12.15

  • DA HONESTIDADE DO ESTADO

     

    Qualquer pessoa de bom senso percebe que, se a TAP voltar às mãos do Estado, ou vai à falência em três tempos, ou passa a ser a uma companhiazinha local, com um terço dos empregados e sem importância nenhuma.

    O Estado contratou a venda da maioria do capital em condições que dificilmente podiam ser melhores. A coisa, até ver, até está a correr bem, dentro do previsto.

    Agora, por razões meramente ideológicas, estatismo psiquiátrico, pura incompetência ou nacionalismo bacoco (digno da Le Pen), o mesmo Estado quer dar o dito por não dito.

    Os tarados que dominam o Parlamento sabem que a trafulhice, ou não vai resultar, ou, se resultar, custará largos milhões.

    Que importa? Nada. Na insensata ânsia de afirmação, o actual poder quer pôr-nos a pagar os seus preconceitos, as suas birras, as suas limitações mentais.

    A ver vamos? Não, já estamos a ver. Esta, até um cego já vê. Só o governo é que não.

     

    19.12.15

  • PERGUNTAS INOCENTES

    Para um observador externo, este governo deve ter descoberto uma mina de ouro. Para o indígena, há fortes probabilidades de voltar à vaca fria, isto é, de mergulhar outra vez num triste buraco, virtualmente pior do que o herdado do senhor Pinto de Sousa.

    De qualquer maneira, para já, anuncia-se um bodo que os calculadores vão estimando em várias centenas (as mulheres do Centeno?) de milhões de euros, que não sabem de onde sairão, e que os calculistas sabem que sairão, mais tarde ou mais cedo, dos exauridos bolsos dos 16% de pagantes de impostos.

    Para já, os serventuários do gargantuesco Estado vão ver os ordenados repostos. Óptimo!

    Os pensionistas, esses não. Deixem-se estar que estão mal. Porquê? Os pensionistas são portugueses de segunda? As tontas não vêem isso? O inigualável Jerónimo também não? Então isto não é uma “política de direita”, digna da tenebrosa ex-coligação? Então o grande reformador Vieira da Silva, especialista em aumentar o buraco, não pode reformar outra vez? Durava pouco mas, enquanto durava, os pensionistas não eram menos que os outros dependentes do Estado.

    Que diabo, já que vamos para o buraco, já que vamos pagar mais impostos, não é verdade que tanto faz? Podiam repor as pensões! Ao menos, enquanto o pau vai e vem, tratava-se todos por igual.

    Fica a questão, que parece não incomodar ninguém. Depois, venham cá falar no abandono dos idosos, no fosso entre gerações e noutras patacoadas do estilo.

     

    19.12.15

  • O AVATAR

     

    Há, num canal qualquer, uma exibição periódica onde, sob a excitada direcção da dona Constança, pontificam o Rangel bom, o beicinho Pereira e aquele ser do BE com penteado de menina de Odivelas.

    O Rangel lá vai debitando umas coisas de bom senso, coisas que se percebe por ser mais ou menos evidentes.

    O que sai da boca do senhor do BE também se percebe, ou seja, percebe-se que o dito não percebe nada de nada e se limita a papaguear a pen (já não há cassetes) do Usurpador & Associados (as tontas e o Lenine de Sacavém).

    O beicinho, esse, meus senhores, é tão palavrosamente patético que se torna difícil opinar. É que, ao ouvi-lo, se fica na incerteza de saber se o homem existe ou se não passa de um alter ego do camarada Pinto de Sousa. Mais do que uma imitação, um avatar da criatura. Os gestos, o tom, os argumentos, a “convicção”, tudo leva a pensar que ali há marosca, que o infeliz é comandado à distância. Vale a pena, por uma vez, ouvi-lo papaguear as teses em que foi formatado: as da cabala, as do fiel amigo, as do PEC4, as da mãezinha, todas as que o telecomando lhe for clicando nas meninges. Na comédia de ontem só uma falhou: quando o Rangel lhe perguntou onde é que o Usurpador ia buscar o dinheiro para pagar as maluquices, a coisa avariou, o beicinho tremeu, o avatar atrapalhou-se, balbuciou inanidades. Pareceu, finalmente, ter encontrado personalidade própria, ou quase: recorreu às inanidades do Centeno. O problema ficou resolvido, isto é, a médio prazo os impostos serão aumentados aos 16% dos portugueses que já suportam 80% dos ditos.

     

    18.12.15

     

     

     

     

     

     

     

  • MARINE MARISA, ANTÓNIO!

    A Madame Le Pen foi a mais votada. Não ganhou, mas subiu que se fartou e ameaça a direita tradicional e a esquerda moderada (PSF).

    A sua parceira portuguesa, dona Marisa Matias, a mais fiel deputada europeia quando se trata de votar com a extrema direita, essa já vai à frente, isto é,o seu partido não precisou de andar anos a trabalhar para ser o mais votado. Pendurou-se no PS do Usurpador, e aí está, indiscutível, no poder.

    Les bons esprits se rencontrent. Unidas na mesma luta, as Marines, as Marisas, as Marianas e outras perigosíssimas tontas ressuscitam o mais primário nacionalismo, cavalgam problemas sociais para pôr em causa o que ainda vai valendo alguma coisa, pregam o isolacionismo, oferecem o que não têm dinheiro para pagar, criam o inimigo externo como é próprio dos extremos, borrifam nas liberdades tradicionais, exaltam a soberania totalitária do Estado-Nação. Os Jerónimos rejubilam: o seu projecto de destruição da democracia liberal vai de vento em popa.

    Mais uma vez com a diferença de que já falei: por cá, vão muito mais à frente que em França. É que os franceses ainda têm um partido socialista que lhes resiste. Por cá, o Partido Socialista claudicou. Entregou-se nos braços da maluquice e até já faz declarações sobre a sua viagem para fora do sistema mental em que vivia. Já se coloca, abertamente, nos braços das tontas.

    Factos são factos. Não tarda oiçamos o Usurpador dizer que, se os factos não prestam, que se lixem. Facto é que já há muitos sinais disso.

     

    15.12.15

  • HOJE HÁ PALHAÇOS

    Ontem, durante uma quantitade indeterminada de horas, essa coisa chamada TVI presenteou a Nação com histriónica exibição do Donald Trump em versão lusa: o senhor Pinto de Sousa, conhecido por engº Sócrates, ex PM actualmente a contas com a Justiça. Tal exibição foi seguida por inúmeros debates, ao longo dos quais perorou uma série de figurões da nossa advocacia e arredores, todos muito preocupados com o funcionamento da Justiça, e sempre, como é evidente, sem – que ideia! – aplicar as suas profissionalíssimas preocupações a qualquer “caso concreto”.

    Os talentos do entrevistado, aliás larganente demonstrados em inúmeras exibições públicas, confirmam as opiniões dos que pensam tratar-se de um palavroso saloio, de um pendura profissional, de um provinciano que vendia projectos, ou assinaturas, em ignotos municípios, que esteve referido, ou indiciado, em larga série de suspeitosos casos e que, depois de ter, com maluquices e aldrabices várias, arruinado o país, se retirou para um vidaço parisiense à custa de terceiros, segundo noticiado e confirmado pelo próprio.

    A ter razão nas queixas que produz, trata-se, sem dúvida alguma, do cidadão, português e universal, que foi vítima inocente da maior quantidade cabalas e conspirações por centímetro quadrado de que há memória. Um caso digno do Guiness. Daí, com certeza, a importância cósmica que a si próprio atribui e que a TVI, servidora e obrigada, coonesta e divulga.

    Estejam preparados: esta noite há mais. O indivíduo em apreço vai voltar à prestimosa TVI. A seguir a ele, aposto, voltarão com os especialistas, os advogados – o dele incluído –, os politólogos, os escarafunchadores, os jornalistas, os pataratas, tudo minha gente paga para se “debruçar” sobre a importante personalidade, seus feitos e qualidades, e sobre os malefícios da Justiça.

    Quem gostar de ser comido por parvo não perca a noite de palhaços que a TVI, a troco de uns tostões, não deixará de lhe proporcionar outra vez esta noite.

     

    15.12.15

  • UM RATO DOS CANOS

    Parece que há quem sugira que o repugnante Pacheco Pereira deve sair do PSD. Daqui lanço um angustiado grito de alarme; que ninguém o expulse, que ninguém lhe mova um processo, que ninguém premeie a moral rasca que o anima dando-lhe tal cavalaria!

    Diria: deixem-no apodrecer por aí, se ele não estivesse já podre, tão podre que o facto de não sair do PSD por sua livre vontade, ou por algum resto de dignidade que ainda não tenha com ele apodrecido, chega para denunciar o mau cheiro.

    Deixem-no andar a lamber os tamancos da tipa do BE, deixem-no dançar a conga nos comícios do Nóvoa, deixem-no representar o PS na administração de Serralves, deixem-no arrastar-se por onde gosta. Cada passo que dê, cada passo que dá, cada fidelidade que insinua, só contribuirão para o pôr onde merece: nos canos onde procura as ratazanas que o louvam. Deixem-no nos braços do Comité Central (quem diria?), a tecer loas ao Cunhal.

    É bom que não seja corrido do PSD, não porque não o merecesse, mas porque nem isso merece. É difícil ignorá-lo, como não se ignora o anofeles, a drosófila melanogaster ou a hiena.

    Mas façam o possível por considerar que, como pesssoa humana, não existe, já que é tão difícil aceitar que pertença à espécie.

     

    14.12.15

  • NOMEAÇÕES

    Dando largas à democraticidade cultural que o anima, o camarada Soares João, ministro do governo do Usurpador, acaba de nomear uma sua antecessora no pelouro (a obra dela é desconhecida, mas foi ministra cultura) administradora da Fundação de Serralves, lado a lado com o camarada Pacheco.

    Desde a mais tenra idade que esta fundação foi pasto de eleição para inúmeros camaradas do género, em cargos, felizmente não executivos, isto é, que só servem para ir reuniões receber senhas de presença, ajudas de custo e despesas.

    É de louvar a inteligência socialista destas nomeações: põe-se dois apaniguados num poleiro relativamente barato, faz-se um brilharete e, felizmente, nem um nem outro vão lá fazer coisíssima nenhuma. As pessoas ficam a julgar que há poupanças, não lhes passando pela cabeça que a dita fundação é, sobretudo, financiada pelo Estado. Um detalhe sem importância, dados os serviços prestados.

     

    14.12.15

  • UM FIGURÃO

     

    Quando se dedicava a parir bocas ditas académicas, o camarada Centeno, “especialista em matérias laborais”, dizia que o aumento do salário mínimo provocava uma onda de desemprego, desincentivava o progresso económico e tinha não sei mais quantas catastróficas consequências.

    Não sei se a patética criatura tinha razão ou não. O que sei, e deve ser referido, é que, desde que está ao serviço do Jerónimo, das maluquinhas e da geringonça, mudou de opinião. Os seus “estudos” sobre o assunto afinal não valiam um caracol.

    Já não é a primeira vez que o camarada faz figuras destas. O que dá para perguntar: quem é este gajo? Um economista diplomado em Harvard, tido por “liberal”, ou um revolucionário mascarado de sacristão, à espera de oportunidade para mostrar a verdadeira face?

     

    13.12.15

  • EDUCAÇÃO PARA O POVO

    Anda meio mundo entusiasmadíssimo com o chamado ranking das escolas. As análises e as opiniões são aos pontapés, umas criteriosas outras não tanto, algumas estrambólicas, outras sensatas, enfim, o costume. De notar que, pelo menos que eu tenha visto ou lido, se nota uma certa contenção por parte da geringonça, dos bolchevistas e das maluquinhas do costume.

    Não farei “análises”. Só uma verificação histórica, com alguns comentários.

    Nos tempos da II República, época em que andei por vários liceus (todos públicos), entrava-se no ensino privado por razões económicas, de convicção religiosa, de falta dela, e de… oportunidade. Explico: algumas famílias que para tal tinham meios, aliados estes ao catolicismo ou ao seu contrário, punham os meninos em colégios do seu agrado. Mas havia outro motivo, quiçá o principal: os colégios privados, de um modo geral, eram menos exigentes. Neles, era mais fácil “passar”. A meio do ano havia um êxodo do público para o privado, êxodo integrado pelos meninos que os papás consideravam já não ter “salvação”, se no público ficassem. Não poucas famílias esticavam os cordões à bolsa e faziam os sacrifícios necessários para evitar os chumbos dos meninos, metendo-os num sistema mais “compreensivo”.

    Os tempos mudaram, para bem e para mal. A universalização do ensino é, sem dúvida, positiva. Mas o “pensamento correcto”, a “modernidade”, o “progressismo”, as “teorias educacionais”, o feroz fundamentalismo da “escola pública”, entraram, como caruncho, na mobília da educação. A tal ponto que se deu a inversão total na qualidade do ensino: o que era melhor (o público), passou a pior, o que era pior (o privado), passou a melhor.

    Deixemos as atrocidades de que o ensino público tem sido vítima ao longo da III República, património de exércitos de teóricos, glória da esquerda bem pensante, gozo de sindicalistas, cobardia de políticos sem alma, de tudo um pouco, ou um muito. Estamos, agora, a caminho de ainda pior, o que pareceria impossível: os meninos sem exames, os professores à vara larga, meros funcionários sem avaliações nem classificações, o ensino ferozmente estatizado, autonomia zero, descentralização zero, a CGTP a mandar em tudo, a desgraça a deixar de ser só total para ser também totalitária.

    As lições do ranking serão mui inteligentemente compreendidas pelo poder e seus adeptos. Mais ou menos assim: o ranking quer dizer que há falta de Estado na educação, que o Estado tem andado a proteger negócios, que essa gente do privado anda a estragar o que é bom, precisa controlada centralmente, até à sua extinção final.

    Coitados dos rapazes que aí estão e, por maioria de razão, dos que estão para vir.

     

    13.12.15

  • ESTAMOS FEITOS

    Li hoje num jornal qualquer que os ordenados até seiscentos e tal euros vão ser aumentados em 0,4 por cento. Não sei se os felizes contemplados são empregados do Estado ou não, uma vez que o Estado que passámos a ter já decretou o fim de toda e qualquer liberdade contratual. Ainda há restos disso mas, step by step, lá chegaremos.

    Não é isso o que me traz. Vejam o que segue.

    Imaginem que o aumento anunciado era obra de Passos Coelho. A estas horas, batalhões ululantes da CGTP inundavam as ruas aos gritos contra mais esta ofensa ao povo trabalhador. A Catarina já tinha organizado trinta e duas conferências de imprensa para denunciar o torpe abuso. O Jerónimo berraria contra as políticas “de direita” que, mais uma vez, vinham evidenciar o mais radical desprezo pelas massas trabalhadoras. O Usurpador iria à Quadratura do Círculo vituperar a demagogia da coligação.

    Outra. O camarada Centeno foi, há dias, cumprimentar o doutor Schäuble (Chobél ou Xuble, em RTPêguês).

    Imaginem a dona Maria Luís a fazer o mesmo. Não, não tinha ido falar com ele, diria o coro do Usurpador. Pelo contrário, tinha ido prestar vassalagem ao imperialismo tudesco, submeter-se, de mão beijada, aos ditames da hedionda Merkel. As miúdas aos guinchos, o Arménio a fazer discursos no Rossio, o Usurpador a dizer “não à submissão, não aos diktats, não à austeridade!”.

    E mais uma. O camarada Centeno, afivelando a sua indesmentível cara de parvo, vai fazer umas economias “para cumprir” o défice combinado com os credores, coisa que a coligação pôs em causa. As miúdas ficam todas contentes e desatam a aldrabar: o Centeno, coitadinho, vai ter que adiar pagamentos porque a coligação gastou as reservas de que fazia alarde. Não havia reservas nenhumas, os cofres cheios, etc., era tudo mentira. A malta ouve, e acredita. Ou seja, a propaganda do Usurpador, a cargo das miúdas, é desonesta mas funciona. Trocar alhos por bugalhos é fácil. Porquê? Primeiro, porque cumprir a meta do défice nunca esteve em causa; segundo, porque os tais cofres cheios (18 mil milhões) lá estão, sossegadinhos, e não têm nada a ver com o défice.

    Estamos nisto. Se o governo do Usurpador e apaniguados continuar a austeridade, a austeridade deixará de se chamar austeridade. A ver vamos como se chamará. A Liberdade, aos poucos, irá desaparecendo, vítima de decretos, contratos colectivos, corporativismo galopante, censura (que já começou), ditadura parlamentar, etc.

    Quando acordarmos estaremos no comboio do terceiro mundo, tudo disfarçado de democracia. Se o governo do Usurpador fizer o contrário, isto é, fizer a política dos apaniguados de uma forma menos disfarçada, acabará por cair, por falta de dinheiro.

    Para já, irá pelo caminho das pedras, uma no cravo da “Europa”, outra na ferradura da obediência às miúdas.

     

    Estamos feitos!

     

    13.12.15

  • HOMENAGEM AOS PC’s

     

    Quando a camarilha autárquica em vigor (Salgado, Roseta, Vaz Pinto, Avatar do Usurpador…), sob a direcção dessa desgraça que sobre os alfacinhas se abateu, Sá Fernandes de seu nome, decidiu lançar um concurso para a “renovação” do jardim da Praça do Império, os pêcês da CML, opondo-se à marosca, opinaram que “a História é algo que existe e que não podemos mudar”.

    O IRRITADO comunica aos ilustres bolchevistas a expressão do seu apreço.

    Expliquemo-nos. O tal jardim anda, há anos, votado ao abandono. Porquê? Para quê? A inacreditável explicação é que dele fazem parte botânicos brasões do Império e das cidades de Portugal, em pequenos canteiros. Como o Fernandes & Cª querem, até nos jardins, acabar com a memória das gentes, havia, primeiro, que deixar ao abandono o floral testemunho histórico. Depois, com a desculpa da “renovação”, acabar com ele. Esta nobre e patriótica intenção da camarilha foi, na CML, criticada por todos os que da camarilha não fazem parte, PC incluído. A camarilha, vendo-se assim criticada, fugiu em frente: inventou um “concurso de ideias” para a “renovação do jardim”. A intenção é simples: dar a volta. E a volta é escolher uma “ideia” onde não constem, na Praça do Império, os brasões do Império. A culpa não será da camarilha, mas do autor da “melhor ideia”… genial, não é?

    Já agora, sugere o IRRITADO ao Fernandes, porque não acabar com o nome da praça? Podia, por exemplo, passar a chamar-se Praça António Costa. E, em boa coerência, porque não demolir o Padrão dos Descobrimentos, nefanda obra do fascismo e do imperialismo? Não ficava lá bem melhor uma estátua do Mário Soares?

     

    Até os pêcês percebem que o Fernandes é uma besta!

    12.12.15

  • “PRETENDENCIAL” LANÇAMENTO

    Com devida pompa, respeitosa circunstância e alto patrocínio do insuportável Sampaio da Nóvoa, reuniu, nos Paços do Concelho de Lisboa, a brigada do reumático. Está no seu direito de se reunir e, no parecer do Medina, de o fazer em tão solene sede.

    Objectivo? “Lançar” uma autobiografia de Mário Soares… em castelhano!

    Dá a impressão que tal coisa deveria ser lançada em Madrid, capital de Castela e centro da língua em causa. Possivelmente, dada a certeza de que castelhano algum comprará ou, sequer, lerá a badana do produto, talvez se trate de pôr a obra à disposição da dona Pilar del Rio e do senhor Coquetogui (o do FCP), bem como de outros falantes da língua de Paco Franco, fulanos que, residindo há anos em Portugal, ainda não são capazes de dizer uma em português. Tirada esta nobre intenção, restará pensar que a sessão foi inútil, sem consequências, ou meramante cretina.

    E daí, talvez não. Pensando um pouco mais além, deve ter-se tratado de um pretexto para fazer aparecer o tão desinteressante Nóvoa nos jornais, coisa que lhe dá um trabalhão, sem resultados que se vejam. Apoiado pela brigada e pelo autor da obra, lá o vemos no jornal, todo ufano e contente. Ainda há quem diga que lhe falta “planeamento”!

     

    10.12.15

  • A NOVA REPÚBLICA

    Perante o silêncio da corte de Pirescoxe e a esfusiante alegria de senhoras várias, tais a dona Helena, a menina Moreira e a pescada com todos, de Setúbal, as miúdas de São Bento estão ao ataque. É de presumir que, mais cedo do que tarde, as portarias e os despachos interpretativos tomem forma de Lei. A nova república (das bananas, mas vermelhas) a tomar forma, que é o que o usurpador quer.

    Já lá vai o tempo dos exames da 4ª classe, que valiam 100%, dos do 4º ano, que valiam 30%. Por douta decisão parlamentar, passaram a não existir, ou seja, nem 0% valem. Fica tudo ao soberano critério dos professores, gente de tal qualidade que a ninguém será legítimo pôr em causa os seus altíssimos critérios. Temos, até, no governo – na Cultura! – uma jovem secretária de Estado que deve ter sido ensinada segundo o sistema das miúdas e que dá largas, nas redes sociais, ao mais acendrado amor pelo analfabetismo governamental que a anima.

    Para evitar quaisquer dúvidas, as miúdas também trataram de acabar com essa manifestação de proto-fascismo que era a avaliação dos professores. É que, por definição, os professores são da mais alta qualidade. Se não, não eram professores, não é? Temos aí, à disposição do povo, o claro exemplo da citada secretária de Estado, que deve ter sido ensinada a ler e a escrever por um desses letradíssimos funcionários.

    E há mais. Parece que, amanhã, vai ser votada a nova lei do salário mínimo, introduzindo uma clara expressão da liberdade segundo a nova república: deixa de haver negociação, substituida pela vontade das miúdas.

    A corte está cheia de bobos, mas de bobos de pernas para o ar. Em vez de fazer rir, fazem chorar. E, a avaliar pela alegria do usurpador, a procissão ainda nem saíu do adro.

     

    10.12.15

  • BLACKOUT

     

    Há uns quatro dias sem televisão, não me tenho dado mal. Uma sensação inesperada, nem boa nem má, uma espécie de indiferença. Talvez isto prove que podemos viver sem ela (a TV), se calhar melhor que com essa intrusa a que abrimos a porta e nos faz reféns.

    Adiante. A estas horas, vejo, sem som, na tasca onde janto, Marcelo a desdobrar-se em televisivas considerações sobre o nobre e almejado cargo presidencial. Como tenho a noção do ridículo e sou monárquico, é-me quase indiferente o que Marcelo diga. Já se sabe. Marcelo deixará bem demonstrada a sua independência. É capaz de tudo, até – entre outros defeitos – de ser independente. Detesto tipos independentes, isto é, fulanos que têm a mania que são mais que os outros, como é o caso dos presidentes desta triste república, dos pretendentes também. Pairam acima da plebe, mesmo se foi a plebe que, por maioria, os pôs lá, ou lá os vai pôr.

    Neste particular, as minhas homenagens ao Marcelo. Quando se declara independente, é sincero. Eu é que não acho que a independência seja uma qualidade. Perder a cara, ou, por conveniência, deitá-la fora, não é uma qualidade.

    Os outros, ao contrário de Marcelo, quando clamam independência mentem com quantos dentes têm na boca. O Sampaio da Nóvoa, primário e palavroso esquerdoide a dizer-se independente, só se estiver a gozar connosco. A Marisa, balofa e patareca, a dizer que é de todos, só se for por piada de mau gosto. O caceteiro despadrado do PC, independente? Mesmo que quisesse (não quer), o politburo não deixava. A dona Maria Roseira? Acabadinha de ser presidente do PS, dizer-se independente?

    Por quem são, ó gentes, mostrem o que são, deixem-se de independências aldrabonas. Eu sei que o cargo a que se candidatam é uma triste originalidade desta III República. Mas, que diabo, um mínimo de respeito pela malta não lhes ficava nada mal.

     

    Posto isto (estou sem televisão, mas compro uns jornais), interessante é olhar as primeiras páginas do DN e do Público, que são as que aqui tenho. Nas duas, fotos parangonais: o Costa numa, a Marine noutra. Ocorre-me um pensamento iconoclasta.

    Serão parecidos? Serão sinal do mesmo fenómeno? No fundo, serão a mesma coisa? Uma diferença: ela vem subindo aos poucos, mas não lhe passa pela cabeça chegar ao poleiro sem votos; ele foi descendo aos poucos, mas isso de votos, para ele, é conversa fiada. Dona Marine é um perigo, como já era o papá. Costa não era, mas passou a ser quando prestou vassalagem ao Jerónimo e às tontas.

    Os efeitos da crise, o fim anunciado e inevitável da social-democracia, a indústria chinesa a substituir a europeia, a globalização, têm efeitos com expressões diversas, mas a mesma raiz. Em França, com a Marine, os efeitos têm um sinal, na Grécia, com o Tripas, sinal oposto. Mas, como diria o grande filósofo Hieronimus Pirescoxensis, são farinha do mesmo saco.

    Em Portugal dá-se o mesmo, só que sem votos. Uma especificidade lusitana que, inevitavelmente, dará os seus frutos…

     

    Nota: não tenho internet, como não tenho TV. O post vai sair com dois dias de atraso. Que perda para a humanidade!

     

    7.12.15

  • DE QUEM É A CULPA?

    Anos atrás, os tipos que pintavam paredes eram tidos por anti sociais, gente que emporcalhava as cidades, condenável por falta de respeito por terceiros, etc. A polícia tinha instruções para os apanhar e lhes confiscar os materiais com que sujavam as paredes.

    Os tempos foram passando. Passou a haver cada vez mais porcaria, fruto de algum impulso terceiromundista ou de mera selvajaria. Os sociólogos começaram a procurar, e a encontrar, as costumeiras “justificações”.

    Até que ficou tudo de pernas para o ar. Por obra desse grande luminar da cultura autárquica que dá pelo nome da António Costa, Lisboa tornou-se exemplo a seguir. Os pinta paredes passaram a ser “homologados” pela CML, a ter à disposição as gruas da CML e a ser protegidos pela polícia da CML, quem sabe se pagos pela CML. Os resultados estão à vista por toda a cidade, por todo o país, nos locais mais inesperados, com as “mensagens” mais estrambólicas e os horrores pictóricos mais agressivos. É a porcaria oficializada, tornada “arte”.

    Três rapazes morreram num concurso de “pintura” de carruagens de caminho de ferro. Sob o alto patrocínio das autoridades – por omissão, é certo – andam os comboios a itinerar intoleráveis mamarrachos.

    Não direi que a culpa destas mortes seja do Costa. Mas é, com certeza, do ambiente favorável à selvajaria que teve nele o primeiro e principal impulsionador e mecenas.

     

    9.12.15

  • É MESMO ASSIM

    Posso não ser exacto nos pormenores, mas, no essencial, foi assim: dona Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação do governo do senhor Pinto de Sousa, mercê, ao que diz, de vários pareceres, contratou um advogado do partido para a feitura de um trabalho jurídico. Para tal, pagou ao dito cidadão várias centenas de milhar de euros.

    Acontece que o contratado, tendo recebido a massa, não fez o trabalho.

    A partir destes factos, houve quem começasse a levantar problemas jurídicos de vária ordem. A senhora podia contratar como contratou? A senhora beneficiou um fulano só para dar algum a ganhar a um tipo do partido, cujo irmão, ex-ministro do partido, andava metido numas histórias esquisitas? Houve peculato? A senhora recebeu comissões? Enfim, quando se começa a escarafunchar, aparece de tudo, verdade ou mentira.

    Fiquemos pelo que é dado por certo e ninguém desmente: um tipo com ligações políticas à ministra é contratado por ela e, adiantadamente, é pago por um trabalho que jamais se deu ao trabalho de levar para a frente, sem prejuízo de recebar o taco (ando à roda com o português, mas é o que o caso merece).

    Vistas as coisas e julgado o assunto, a senhora é condenada a uns anitos com pena suspensa. Recorre para a Relação. Quem a julga? Uma juíza habituée em comícios do PS, casada com um deputado do PS, etc. do PS. Dona Maria é absolvida.

    Não sei se haverá quem veja nisto algo de estranho. Eu não. É mesmo assim.

    Aqui há tempos, um recurso do senhor Pinto de Sousa é julgado na Relação. Juiz relator: um senhor pública e notoriamente adepto do PS e do senhor Pinto de Sousa. Pensariam os mais incautos que tal magistrado, em natural honestidade profissional, recusaria julgar. Mas não. Julgou mesmo e, como é natural, o senhor Pinto de Sousa saiu vencedor desta prova.

    Não sei se haverá quem veja nisto algo de estranho. Eu não. É mesmo assim.

    Para quem ainda não deu por isso mas já há quem tenha sentido, entrámos numa “nova fase” da nossa vida colectiva. Que bom! É mesmo assim.

     

    3.12.15

  • DA PRESTAÇÃO DO CENTENO

     

    Tenho estado a ouvir alguns dos 3.899,74 comentários que, no espaço de umas três horas, já foram feitos sobre a parlapatice parlamentar hoje produzida a propósito do chamado Programa de Governo das três minorias (não conto com a do o PEV, porque acho o PEV não existe nem jamais existiu).

    O exército dos comentadores, entrevistadores, pivôs, etc., anda à procura das “novidades” do debate, esfarrapando-se em diligências mentais para as descobrir. Para mim, que sou um ignaro espectador destas exibições, não houve novidade nenhuma ou, melhor dito, ninguém deu pela única novidade realmente importante: a prestação do Centeno.

    Esta ave de arribação, laureada com altas “qualificações” e não menos grandíssima esperança de muita gente, foi um flop dos antigos. Espalhou-se ao comprido, sem apelo possível. É esta a grande novidade. Poder-se-ia dizer que isto é um elogio, na medida em que é natural que um principiante não tenha traquejo para se aguentar no Parlamento, sem prejuízo da solidez do seu pensamento. Mas não se trata de um problemna de traquejo, que seria o menos. É uma questão de “substrato”, de substância, de coerência, de firmeza de ideias, de lógica mental. De um mínimo de sabedoria, se quiserem. Defendendo-se com um sorriso alvar, quase diria mongolóide, não respondeu a uma só das questões que lhe foram postas. Zero! As evidentes contradições entre o seu “pensamento” e o programa do governo não lhe mereceram o mais pequeno esclarecimento, fugiu aos encartes como o profeta do toucinho.

    Aqui temos um exemplo, aliás presente noutras novidades deste governócrates, do que é um “académico” que é só académico, isto é, que jamais esteve em contacto com a vida, que não conhece o mínimo da alma humana e que, por isso, acha que as reacções pessoais e sociais às “políticas” estão plasmadas em programas informáticos academicamente certíssimos.

    Diz-se que deve a sua formação à universidade de Harvard, entidade rigorosamente privada, sem endowements do Estado, coisa que, na cabeça do homem, não deve fazer sentido, ou que nem sequer percebeu. Usando a sua lógica “positiva”, acha que, pois então, se o consumo aumentar, a economia progride, ou seja, o progresso económico e o emprego são fruto do consumo, não o consumo e o emprego consequência do crescimento económico. Acha que, mantendo ou aumentando as taxas aos agentes económicos, estes “compreendem” a douta intenção e se põem a investir à maluca.

    É claro que as pessoas, as sociedades, as empresas, quem se quiser “defender”, borrifa nestas teorias. Se se sentem ameaçadas pelo imposto sucessório que o homem inventou, tratam de doar o património, de o dividir, de o expatriar. Se vêem as coisas a dar para o torto no IRC e têm poder para tal, mudam-se para o Luxemburgo ou para a Irlanda – desde o início da crise, a Irlanda já deu as boas vindas, fiscais e não só, a inúmeras organizações, representando muitos, mas muitos milhares de milhões de dólares, enquanto por cá ainda se discute as minhoquices dos vistos gold.

    Enfim, o senhor Centeno, armado em ministro das finanças, navega no mundo onírico das receitas informáticas, à espera que a vida lhes obedeça. Um tipo desta qualidade jamais devia passar dos gabinetes de estudo. Um tipo desta qualidade jamais devia fazer parte de um governo. Mas parece que a vil “glória de mandar” é tão forte que nem dá por que quem manda é o Costa, e que o Costa se está nas tintas para as suas teorias: Centeno ou as vai adaptando à narrativa e à demagogia governamentais, ou é despejado. Mas ele, como não quer ser despejado, comerá o que for preciso, aplicará ou “desaplicará” os seus achados com o critério do poleiro.

    Não é de admirar que a sua prestação parlamenar tenha sido tão pobre e tão “fugidia”.

     

    2.12.15

  • MESMO AGORA

    São dezassete horas e trinta minutos. Acabo de ouvir três minutos do debate do programa de governo. Chegou para assinalar a entrada de mais uma senhora deputada para o pelotão da cultura, até agora ocupado, e chefiado, pela respectiva ex-ministrra Canavilhas, a tal que escreve que vai hà Assembelia da República, e integrado por uma ministra, cujo nome ignoro, mas que já é célebre por ser contra os sensores, bem como por outros literários mimos que a História não deixará de consagrar. Como dizia, entrou mais um membro (ou “membra”) na agremiação: a deputada Inês de Medeiros, alto e reconhecido expoente da cultura socialista, celebérrima pelas suas idas a Paris. Disse ela: na primeira vez que entrevenho nesta debate gostaria de saber quais são as estratégicas do governo para… 

    A cultura está bem entregue.

    A cultura está bem entregue, como se vê.

     

    3.12.15