Num bom filme que por aí anda, história passada no dealbar dos anos 60, o herói da fita vai dar com um filho pequeno a encher a banheira até ao cimo. Pergunta-lhe porquê. O miúdo responde que é por causa da guerra nuclear. Disseram-lhe na escola que, estando iminente o ataque nuclear dos sovietes, era bom haver muita água de reserva.
O autor do IRRITADO ralhou com uma neta, dizendo: a menina, quando fizer xixi, não se esqueça de dascarregar o autoclismo. A pequena respondeu: não se pode desperdiçar água, avô, há muitos meninos em África que precisam de água e não a têm.
Quando da independência de São Tomé, os poderes instituídos encorajavam as pessoas a ir para as praias vigiar a aproximação da esquadra americana, a qual, capitalista e imperialista, vinha apropriar-se das ilhas.
Não se riam, que não tem piada nenhuma.
Ora vejam. Por razões de natureza análoga:
– milhões de seres humanos andam por aí em nobres e generosas actividades – partir vidros, atirar coqueteiles molotov, dar gritinhos, agitar bandeiras, brandir matracas, insultar polícias – tudo por causa do aquecimento global provocado pela horrível espécie a que pertencemos;
– líderes mundiais juntam-se em Paris, sob a égide da ONU, para discutir o aquecimento global e as alterações climáticas adjacentes, e para tomar importantíssimas medidas para arrefecer o planeta e acabar com o CO2 ou lá o que é;
– a mando da ONU ou coisa parecida, televisões do mundo inteiro passam horas a publicitar aterrorizantes documentários, mostrando gelos a derreter, criancinhas a lamentar o desaparecimentos das praias ou outros terrores com que lhes dão cabo da infância, tudo por causa dos homens maus, que somos todos nós.
Esta gente, líderes mundiais incluídos, anda a aterrorizar o orbe e a gastar triliões à humanidade. Porquê? Ao que se diz, porque, na última meia dúzia de anos, a temperatura global vem subindo umas décimas. Aplicando o facto, se é que é facto, a um século, ou dois (junte-se-lhe uma progressãozinha geométrica, que dá imenso jeito), porque não mil anos, ou um milhão, tão fácil que é chegar à conclusão que, para já, as crianças vão ter que deixar de ir à praia, a curto prazo milhares de espécies vão desaparecer e há ilhas que serão rapidamente engolidas pelo mar, que os desastres naturais se vão multiplicar, mais furacões, mais terramotos, mais cheias, mais, mais, mais… tudo por causa dos traques das vacas, dos escapes dos automóveis e de uma inumerável série de causas, todas fruto da inconsciência humana e da sua falta de respeito pelo planeta e pelas condições necessárias a nele vivermos.
Tudo isto “cientificamente” garantido com o indiscutível carimbo da ONU, tudo calculado por um grupo de agentes políticos expressamente contratados para fazer as mais catastróficas previsões. Se o rapazinho da banheira, a minha neta e os infelizes santomenses são risíveis, que dizer desta universal aldrabice? Não faz rir, não tem graça nenhuma, é um nefando crime, digo eu. Com a agravante de ser cometido pelos chefes da humanidade, eleitos ou não eleitos.
A idade do planeta mede-se em milhares de milhões de anos. Nada que tenha a ver com as meias dúzias de que por aí se fala. As “subidas de temperatura” de hoje são tão importantes na vida da terra como um dedal de água doce o seria se despejado no Oceano Pacífico. Veja-se o gráfico seguinte:

Em onze mil anos, a tempreatura atingiu máximos entre os sete e os oito, depois teve uma linha de arrefecimento com altos e baixos que atingiu o mínimo há uns quinhentos, foi subindo e descendo uns poucos e está, nesta escala, ainda em fase descendente. Mais importante que isto é verificar que a resultante nada tem a ver com as concentrações de CO2, nem na subida nem na descida das temperaturas!!!
Veja-se agora o que aconteceu às previsões dos “cientistas” da ONU (IPCC). As projecções determinadas para 7 anos (2002/2009), determinadas pelos modelos informáticos inventados ad hoc, estão todas erradas em face do que se veio a verificar:

Para os mesmos anos, veja-se a “influência” do CO2, quase sempre em contraciclo com as diferenças de temperaturas:

E agora, trinta anos de temperatura global (1979/2009). Vejam bem:

E, noutro critério, como segue:

Onde o tal aquecimento?
Isto visto, como há quem tenha autoridade para afirmar a inevitabilidade “científica” com carácter catastrófico de qualquer subida de temperatura? Como há quem atribua qualquer antropogenia a tais alegadas subidas? Como há quem possa considerar estarmos perante um fenómeno inevitavelmente crescente?
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Punhamos alguns pontos nos is:
É útil ao ar que respiramos que se consuma menos hidrocarbonetos? É.
É importante que haja preocupações com a qualidade do ar, da água, da terra? É.
A conservação, melhor dizendo, a gestão da Natureza é um assunto que merece toda a atenção? É.
A descoberta e desenvolvimento de tecnologias que aproveitem, em condições economicamente sustentáveis, novas fontes energéticas é importante? É.
Então para quê inventar catástrofes globais, culpas inacreditáveis, teorias sem fundamento, em vez de tratar do assunto honradamente?
Haverá duas explicações, talvez simplistas, talvez “conspiracionais”. A primeira é que o monstruoso volume de negócios que as patranhas em vigor sustentam é tão grande que se gerou o medo universal de o pôr em causa. A segunda é que há, à escala planetária, uma efectiva e inconfessada tendência para criar uma autoridade mundial que, a começar na “pegada de carbono”, se estenda a toda a vida de toda a humanidade – autoridade de que a ONU seria o embrião.
Pouco há quem resista a isto. O IRRITADO, ao fazê-lo, cumpre o que acha ser sua obrigação. Sem ilusões, mas com muito orgulho.
30.11.15