IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EDUCAÇÃO PARA O POVO

Anda meio mundo entusiasmadíssimo com o chamado ranking das escolas. As análises e as opiniões são aos pontapés, umas criteriosas outras não tanto, algumas estrambólicas, outras sensatas, enfim, o costume. De notar que, pelo menos que eu tenha visto ou lido, se nota uma certa contenção por parte da geringonça, dos bolchevistas e das maluquinhas do costume.

Não farei “análises”. Só uma verificação histórica, com alguns comentários.

Nos tempos da II República, época em que andei por vários liceus (todos públicos), entrava-se no ensino privado por razões económicas, de convicção religiosa, de falta dela, e de… oportunidade. Explico: algumas famílias que para tal tinham meios, aliados estes ao catolicismo ou ao seu contrário, punham os meninos em colégios do seu agrado. Mas havia outro motivo, quiçá o principal: os colégios privados, de um modo geral, eram menos exigentes. Neles, era mais fácil “passar”. A meio do ano havia um êxodo do público para o privado, êxodo integrado pelos meninos que os papás consideravam já não ter “salvação”, se no público ficassem. Não poucas famílias esticavam os cordões à bolsa e faziam os sacrifícios necessários para evitar os chumbos dos meninos, metendo-os num sistema mais “compreensivo”.

Os tempos mudaram, para bem e para mal. A universalização do ensino é, sem dúvida, positiva. Mas o “pensamento correcto”, a “modernidade”, o “progressismo”, as “teorias educacionais”, o feroz fundamentalismo da “escola pública”, entraram, como caruncho, na mobília da educação. A tal ponto que se deu a inversão total na qualidade do ensino: o que era melhor (o público), passou a pior, o que era pior (o privado), passou a melhor.

Deixemos as atrocidades de que o ensino público tem sido vítima ao longo da III República, património de exércitos de teóricos, glória da esquerda bem pensante, gozo de sindicalistas, cobardia de políticos sem alma, de tudo um pouco, ou um muito. Estamos, agora, a caminho de ainda pior, o que pareceria impossível: os meninos sem exames, os professores à vara larga, meros funcionários sem avaliações nem classificações, o ensino ferozmente estatizado, autonomia zero, descentralização zero, a CGTP a mandar em tudo, a desgraça a deixar de ser só total para ser também totalitária.

As lições do ranking serão mui inteligentemente compreendidas pelo poder e seus adeptos. Mais ou menos assim: o ranking quer dizer que há falta de Estado na educação, que o Estado tem andado a proteger negócios, que essa gente do privado anda a estragar o que é bom, precisa controlada centralmente, até à sua extinção final.

Coitados dos rapazes que aí estão e, por maioria de razão, dos que estão para vir.

 

13.12.15



4 respostas a “EDUCAÇÃO PARA O POVO”

  1. O problema do Estado na Educação é o mesmo do Estado em todo o lado: ineficiência, funcionalismo, emprego garantido, relaxe, tacho, e gestão política – se não dos políticos, então dos pseudo-gestores nomeados por estes. Claro que só podia acabar mal.Mas a Direita finge sempre ignorar outro problema: o de pôr funções essenciais do Estado – Educação, Saúde, ordem pública – nas mãos de privados. Esse problema chama-se GANÂNCIA. As pessoas são gananciosas. Há décadas que a Direita usa esta constatação para justificar o falhanço da comunismo, e da Esquerda igualitária em geral, mas é incapaz de a aplicar a si própria.Além de comprar pulhíticos, e de incentivar a decadência dos serviços públicos (não que estes precisem de ajuda), os privados até podem falsear os resultados – tanto dos alunos, através das facilidades apontadas pelo Irritado, como dos próprios rankings.Isto sempre assim foi, mas piorou na era Passos/Portas – provavelmente o governo mais lacaio até hoje, embora não tão desastroso como o do 44.Por isso, e resumindo: sim, o Estado tem andado a lixar a Escola pública. É verdade.E sim, o Estado tem andado a proteger negócios e mamões. Uma verdade não exclui a outra.

    1. Quanto recebes por este frete?

      1. Frete a quem? Se eu defendesse um dos lados ainda vá; mas malho nos dois… O camarada “Escola pública” deve ser o Tecelão a armar-se em urso, como de costume.

    2. este tipo existe mesmo? ou é mesmo um avatar cómico?

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