Posso não ser exacto nos pormenores, mas, no essencial, foi assim: dona Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da educação do governo do senhor Pinto de Sousa, mercê, ao que diz, de vários pareceres, contratou um advogado do partido para a feitura de um trabalho jurídico. Para tal, pagou ao dito cidadão várias centenas de milhar de euros.
Acontece que o contratado, tendo recebido a massa, não fez o trabalho.
A partir destes factos, houve quem começasse a levantar problemas jurídicos de vária ordem. A senhora podia contratar como contratou? A senhora beneficiou um fulano só para dar algum a ganhar a um tipo do partido, cujo irmão, ex-ministro do partido, andava metido numas histórias esquisitas? Houve peculato? A senhora recebeu comissões? Enfim, quando se começa a escarafunchar, aparece de tudo, verdade ou mentira.
Fiquemos pelo que é dado por certo e ninguém desmente: um tipo com ligações políticas à ministra é contratado por ela e, adiantadamente, é pago por um trabalho que jamais se deu ao trabalho de levar para a frente, sem prejuízo de recebar o taco (ando à roda com o português, mas é o que o caso merece).
Vistas as coisas e julgado o assunto, a senhora é condenada a uns anitos com pena suspensa. Recorre para a Relação. Quem a julga? Uma juíza habituée em comícios do PS, casada com um deputado do PS, etc. do PS. Dona Maria é absolvida.
Não sei se haverá quem veja nisto algo de estranho. Eu não. É mesmo assim.
Aqui há tempos, um recurso do senhor Pinto de Sousa é julgado na Relação. Juiz relator: um senhor pública e notoriamente adepto do PS e do senhor Pinto de Sousa. Pensariam os mais incautos que tal magistrado, em natural honestidade profissional, recusaria julgar. Mas não. Julgou mesmo e, como é natural, o senhor Pinto de Sousa saiu vencedor desta prova.
Não sei se haverá quem veja nisto algo de estranho. Eu não. É mesmo assim.
Para quem ainda não deu por isso mas já há quem tenha sentido, entrámos numa “nova fase” da nossa vida colectiva. Que bom! É mesmo assim.
3.12.15

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