IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA PRESTAÇÃO DO CENTENO

 

Tenho estado a ouvir alguns dos 3.899,74 comentários que, no espaço de umas três horas, já foram feitos sobre a parlapatice parlamentar hoje produzida a propósito do chamado Programa de Governo das três minorias (não conto com a do o PEV, porque acho o PEV não existe nem jamais existiu).

O exército dos comentadores, entrevistadores, pivôs, etc., anda à procura das “novidades” do debate, esfarrapando-se em diligências mentais para as descobrir. Para mim, que sou um ignaro espectador destas exibições, não houve novidade nenhuma ou, melhor dito, ninguém deu pela única novidade realmente importante: a prestação do Centeno.

Esta ave de arribação, laureada com altas “qualificações” e não menos grandíssima esperança de muita gente, foi um flop dos antigos. Espalhou-se ao comprido, sem apelo possível. É esta a grande novidade. Poder-se-ia dizer que isto é um elogio, na medida em que é natural que um principiante não tenha traquejo para se aguentar no Parlamento, sem prejuízo da solidez do seu pensamento. Mas não se trata de um problemna de traquejo, que seria o menos. É uma questão de “substrato”, de substância, de coerência, de firmeza de ideias, de lógica mental. De um mínimo de sabedoria, se quiserem. Defendendo-se com um sorriso alvar, quase diria mongolóide, não respondeu a uma só das questões que lhe foram postas. Zero! As evidentes contradições entre o seu “pensamento” e o programa do governo não lhe mereceram o mais pequeno esclarecimento, fugiu aos encartes como o profeta do toucinho.

Aqui temos um exemplo, aliás presente noutras novidades deste governócrates, do que é um “académico” que é só académico, isto é, que jamais esteve em contacto com a vida, que não conhece o mínimo da alma humana e que, por isso, acha que as reacções pessoais e sociais às “políticas” estão plasmadas em programas informáticos academicamente certíssimos.

Diz-se que deve a sua formação à universidade de Harvard, entidade rigorosamente privada, sem endowements do Estado, coisa que, na cabeça do homem, não deve fazer sentido, ou que nem sequer percebeu. Usando a sua lógica “positiva”, acha que, pois então, se o consumo aumentar, a economia progride, ou seja, o progresso económico e o emprego são fruto do consumo, não o consumo e o emprego consequência do crescimento económico. Acha que, mantendo ou aumentando as taxas aos agentes económicos, estes “compreendem” a douta intenção e se põem a investir à maluca.

É claro que as pessoas, as sociedades, as empresas, quem se quiser “defender”, borrifa nestas teorias. Se se sentem ameaçadas pelo imposto sucessório que o homem inventou, tratam de doar o património, de o dividir, de o expatriar. Se vêem as coisas a dar para o torto no IRC e têm poder para tal, mudam-se para o Luxemburgo ou para a Irlanda – desde o início da crise, a Irlanda já deu as boas vindas, fiscais e não só, a inúmeras organizações, representando muitos, mas muitos milhares de milhões de dólares, enquanto por cá ainda se discute as minhoquices dos vistos gold.

Enfim, o senhor Centeno, armado em ministro das finanças, navega no mundo onírico das receitas informáticas, à espera que a vida lhes obedeça. Um tipo desta qualidade jamais devia passar dos gabinetes de estudo. Um tipo desta qualidade jamais devia fazer parte de um governo. Mas parece que a vil “glória de mandar” é tão forte que nem dá por que quem manda é o Costa, e que o Costa se está nas tintas para as suas teorias: Centeno ou as vai adaptando à narrativa e à demagogia governamentais, ou é despejado. Mas ele, como não quer ser despejado, comerá o que for preciso, aplicará ou “desaplicará” os seus achados com o critério do poleiro.

Não é de admirar que a sua prestação parlamenar tenha sido tão pobre e tão “fugidia”.

 

2.12.15



5 respostas a “DA PRESTAÇÃO DO CENTENO”

  1. De acordo quanto ao Centeno: mais um lacaio, na boa tradição do Teixeira dos Santos, do Gaspar e da Albuquerque. A única diferença significativa é que os laranjas apenas são lacaios dos mamões; os xuxas estão também ao dispor dos desvarios do chefe.No resto são todos parecidos, cheios de canudos e tachos e teorias e Excels. Prática, empresas reais, vida real, zero.Mas tenho de discordar da sua visão do capital, e da sua – mais que tacitamente aceite, quase celebrada – fuga do país.Claro que os mamões querem fugir. Quanto mais mamões, mais chulos e/ou trafulhas, mais fogem. É preciso impedi-los. O problema não está em quem os aperta, em quem os tenta caçar – está em quem que os acolhe e ainda lucra com isso.O problema está nas Irlandas e Luxemburgos, nos offshores e na hipocrisia que os tolera.Como o dinheiro caçado é depois gerido e usado, isso já é outra história… mas assim é que não podemos continuar.

    1. É uma surpresa, nem agradável, nem desagradável. O FB federalista! Unicidade fiscal, e já!

  2. O Centeno já era. Uma gajo que disse o disse ontem em resposta ao “baile” que o Miguel Morgado lhe deu, não dura um mês.Disse ele. “Não tente transpor conclusões de artigos científicos para a legislação nacional, porque se tentar fazer isso é um passo para o desastre.» Ou seja, este pateta está lá para aplicar as teorias dos outros mas não as dele.

  3. Vale a pena ler a entrevista ao FIAMBRE NOBRE no Sol (enquanto há Sol), está disponível no site. É hoje algo injusto chamar-lhe Fiambre: enlameou-se na pulhítica, mas hoje parece um homem decente. E nomeia alguns bois. Ajuda a perceber como funcionam as coisas neste esgoto a que chamamos Parlamento, e Democracia.Segue abaixo o essencial, desculpas pela extensão.– [A falta de currículo político sempre foi] o seu grande estigma.Que sempre me lançaram à cara. Isso faz-me rir, parece que a experiência partidária no nosso país nos últimos 40 anos produziu resultados extraordinários. Há partidos que pensam ter o exclusivo da gestão da República, que mais ninguém se pode meter nisso.– Acha que foi por isso que foi rejeitado?Não tenho a mínima dúvida. Fui o único candidato, proposto por uma maioria, a ser rejeitado. PSD e CDS tinham 132 deputados, fiquei-me pelos 108 votos. Tentei uma segunda vez, tive menos um voto.– É verdade que Passos Coelho o tentou convencer a ir uma 3ª vez a votos?Após o fracasso, o Dr. Passos disse-me que ainda podíamos tentar na manhã seguinte. Mas para mim já bastava.– Nesse dia, lembrou-se do seu pai?Lembrei, sim. O meu pai sempre nos tinha dito para nunca nos metermos na política porque esta era SUJA. Passamos a vida a ouvir dizer que o país precisa de gente independente, mas depois os mesmos que o dizem publicamente são os primeiros a fechar a porta.– Está a pensar em alguém?Em muitos. Repare, falei com quase 20 pessoas antes de me candidatar. Quase todos criticaram o 1º mandato do prof. Cavaco Silva, mas depois quase todos estiveram na comissão de honra da sua candidatura. Nada é linear na política.– Foi uma surpresa para si?O meu mundo era outro, é outro. (…) Não quer dizer que seja o paraíso, há concorrência para financiamentos, mas nada que se pareça com a vida política partidária. Não estava habituado.– Se pudesse voltar atrás teria recusado o convite de Passos Coelho?Refazer a história é sempre fácil. O convite foi-me feito pelo Dr. Passos num jantar em casa de um amigo comum.Perguntei-lhe se estava consciente dos problemas. Disse-me que do partido trataria ele. Pedi-lhe uma semana para pensar.– Confirma que recebeu um contacto do PS?Fui abordado no dia a seguir, para jantar com dois elementos do governo de Sócrates. Primeiro, já sabiam que tinha tido a conversa com o presidente do PSD, o que me deixou muito triste. Depois, o Dr. Vieira da Silva deu a entender que sabia que eu já aceitara. E disse-me que podia pedir o que achasse dever pedir. — Recordo que leccionou a cadeira de Anatomia, que apela à memória.Tenho boa memória, há datas que me ficaram marcadas a ferro. Um independente começa por ser tolerado, depois ostracizado e por fim rejeitado. Acabei rejeitado. Mas sei por quem. Sei quem tramou tudo aquilo.– Quem foi?Quer nomes?– Quero.O Dr. MOTA AMARAL, por exemplo. No dia 18, tomo o pequeno-almoço com o Dr. Paulo Portas; diz-me que não poderá votar em mim porque fui mandatário do irmão, Miguel Portas. Que mal poderia ter isso? Saí e recebi uma chamada do Dr. Mota Amaral, fez questão de ir ter comigo. Falámos 3/4 de hora e garantiu-me que eu seria eleito.Depois, na votação, um deputado do PSD próximo de Mota Amaral enviou-me um SMS a dizer que este fizera uma cruz fora do quadrado. Passou-se o mesmo com o Dr. Guilherme Silva, também ele aspirava a ser presidente depois de eu cair em desgraça. E poderia continuar a falar de traições, como a de ANTÓNIO CAPUCHO, a quem tratava por amigo, e que começou a dizer mal de mim. — E no dia a seguir votou em Assunção Esteves.Cheguei a sugeri-la ao Dr. Passos. Não me esquecerei que no seu discurso de vitória, para mágoa minha (mais uma), não referiu uma única vez o meu nome. Foi naquele momento que decidi não ficar na Assembleia nem mais um minuto.– Em quem vai votar nestas presidenciais?Vou-lhe contar outro episódio.Na noite eleitoral, quando foi confirmada a vitória de Cavaco Silva, telefonei-lhe para o felicitar. Agradeceu-me e afirmou que nesse dia havia dois vencedores: “eu porque fui reeleito e o senhor porque teve um resultado espantoso”. E minutos depois, para meu espanto, faz um discurso de puro ressentimento, um ataque em que coloca todos os candidatos no mesmo saco.

  4. Um dia deparei-me com António Borges. In illo tempore, era um Ilustre representante do Povo na A.R.Aproximei-me, a fim de lhe pedir “boa representação minha”. No entanto, deparei que tão Ilustre figura se apresentou “com um sorriso alvar, quase diria mongolóide”. Assim, desisti da abordagem, porquanto intui que “bateria com a cabeça na parede”.Não é que acertei!

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