IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DO PROGRESSO DO RACISMO

    Essa perigosa quão ridícula deputada, alto expoente do racismo negro em Portugal, mulher convencida de que é, não só boa, mas a melhor, eleita, segundo diz, não por ter algum valor mas por ser preta, que trai quem a pôs no poleiro e se declara dona e senhora dos seus actos doa a quem doer, veio dar-nos mais uma imagem do que é o racismo militante e ultramontano e das razões que lhe (não) assistem.

    Veio a lume, desta vez, comunicar a sua decisão final sobre a morte de um jóvem caboverdiano, atacado à saída de um clube nocturno por desconhecidos ainda não identificados. Segundo o seu alto critério, o agredido foi-o por brancos e por ser caboverdiano. A mulher expõe assim o seu ódio primário e o seu apressado e ilegítimo julgamento.

    Ainda não vimos, nem veremos, da parte da criatura, a mesma indignação pelo assassinato de um rapaz branco, perpetrado por três guineenses já devidamente identificados e nas mãos da Justiça. Ninguém afirmou ainda que o crime destes canalhas foi um crime racista, pela simples razão que ninguém saberá ainda as “razões” do hediondo acto.

    Dona Joacine já tirou, de um lado, todas as conclusões, e, do outro, nenhuma. O primeiro caso foi uma óbvia demonstração do (inexistente) racismo que impera na nossa sociedade, no outro, se calhar, terão sido alguns negros “descriminados” que, coitadinhos, tiraram desforço da sua injusta situação assassinando um branco, um racista por definição.

    Quando gente desta tem assento parlamentar…

     

    6.1.20

    1. Não confundir com o facto, legítimo, de o Embaixador de Cabo Verde ter apelado à investigação dos acontecimentos que levaram à morte de um cidadão do seu país.
    2. Também niguém disse que, se os suspeitos do segundo caso eram assaltantes, ladrões e passadores de drogas, era por ser negros!
  • A LIÇÃO DO CORVO

     

    O senhor de Belém, numa das suas arrancadas desportivo-popularuchas, decidiu ir, simbólicamente, até às mais remotas paragens do seu império. Arrostando com o mau tempo (culpa das alterações climáticas, ça va sans dire), qual Magalhães, lá chegou, vitorioso e feliz. Ainda bem.

    O pior foi o resto. Esperava que lhe prestassem uma recepção apoteótica. Tinham-lhe dito que havia quatrocentas almas lá no sítio, fácil seria que todas se juntassem, pletóricas de entusiasmo e gratidão, para o receber. Mas, ó frustração das frustações, não conseguiu mais que uns sessenta ilhéus (há quem diga que contando com a comitiva, oriunda de outras paragens) nas mais diversas manifestações de acendrada popularidade, tais uns banhos de mar, uns almoços, umas jantaradas, arruadas e outras palhaçadas. Um desastre! Apesar da ubíqua presença de todos os media nacionais chamados para assistir ao seu retumbante triunfo, os corvenses deixaram-se ficar em casa. Que gente! Até houve, imagine-se, jornalistas que, ao contrário do que seria de esperar, não conseguiram disfarçar o flop. Diz-se que há muitos monárquicos no Corvo. Talvez fosse por isso. Canalhas!

    E agora? Isto não passa de um fait divers, ou tem um significado mais profundo? É difícil de analisar. Será que, nas outras ilhas, se passaria o mesmo? E no continente? Será que, acossado por gente desta, mais pela Marina e pelo Ventura, mais pelos desiludidos do PSD e do CDS, vou ter a desventura de ser reeleito com 51% dos votos? Será que a malta dos beijinhos e das selfies se vai deixar ficar em casa? Horríveis falhanços se acastelam no horizonte. Como dar a volta a isto?

    A lição do Corvo perdurará por longo tempo na memória do senhor de Belém. Que saída vai ele dar ao assunto, só o futuro o dirá.

    Mas muito há a indicar que as presidenciais não serão um passeio triunfal, mas uma penosa caminhada até uma vitória de Pirro.

     

    5.1.19    

  • A QUEDA DE UM ANJO

    Há não sei quantos anos, muitos, surgiu neste jardim uma senhora, de origem russo-angolana, casada com um congolês-ou-coisa-que-o-valha, cheia de dinheiro. A talentosa cidadã, perante o deslumbramento geral, desatou a comprar tudo o que lhe apeteceu, sendo objecto de loas e subserviências de vária ordem, julga-se que bem pagas. Tudo bem. Num sítio onde o dinheiro há décadas não abunda, a senhora conquistou corações, bolsos, personalidades, até uma certa área do “social” da nossa praça se curvou, maravilhada, perante tal cidadã estrangeirificada pelos ventos da História. E, assim, tornou-se louvada proprietária, ou societária “de referência” de inúmeros bens, bancos, refinarias, fábricas, etc., um nunca acabar.

    Certo é que havia, há sempre, alguns desconfiados profissionais que tinham dúvidas sobre a origem dos dinheiros que a senhora generosamente distribuía por aí. Dizia tal gente que a massa provinha de manigâncias com dinheiros públicos de Angola, dirigida esta pelo papá da criatura. Mas tais aleivosias, como é natural, não colavam. Se até as grandes revistas internacionais a classificavam com altas notas, era a mulher mais rica de África, o marido era um distinto coleccionador da arte, tudo uma maravilha, que dizer?

    Eis senão quando quando, lá pelas áfricas, as coisas mudaram, o papá foi substituído por outro, tão poderoso quanto ele, que resolveu pôr em dúvida a legitimidade original dos dinheiros que, por cá, eram exibidos. Tal como o papá, o novo soba domina a procuradoria da república local, só que para o efeito contrário ao do anterior, o que muito contribui para a credibilidade do sistema. Uma chatice.

    No nosso jardim, multiplicaram-se as más línguas, surgidas como cogumelos entre muitos dos seus antigos admiradores. Gente do calibre da dona Gomes desatou aos gritos, jornais que eram servis passaram a críticos. Tudo mudou, como por encanto. A senhora, indignada, recorre à Justiça, andam a caluniá-la, ela, coitada, que a partir de pequenos negócios, mais que legítimos, construiu um império. Que despautério!

    E agora? Ela é dona e senhora de inúmeros bens que comprou e pagou. Não há quem se queixe de “imparidades”. Que fazer? Se o homem forte lá do sítio começar a dizer que os bens dela são dele, que fazer?

    O IRRITADO não tem opinião, como acima se lê. Mas algo lhe diz que esta guerra, de uma forma ou de outra, nos vai cair em cima.

     

    3.1.20

  • DO PRINCÍPIO DE PETER

    Entre dois mergulhos, uns copos de vinho e três sessões de beijocas, o senhor de Belém (e da ilha do Corvo) foi vestir uma fatiota para tapar as maminhas, engravatou-se, e proferiu douta mensagem de ano novo, largamente difundida pelos nacionais media.

    Em tal mensagem dedicou-se a repetir os mantras da ordem, ou seja, as directivas políticas, sociais e climáticas do governo, das esquerdófilas e do partido socialista, assim negando as tendências do seu tempo de político engagé, de feroz jornalista e de comentador teleinfluente.

    Todos os partidos políticos reagiram de imediato, não aos mergulhos, antigamente tão criticados, não aos copos, presidencial prática, nem às beijocas, que caraceterizam o mandato e a que já ninguém liga. Vieram todos dizer coisas, como a prima do Solnado, que gostava muito de as dizer e ficou célebrte quando proferiu a básica e erudita frase “que”. Os partidos acharam, e bem,  que era preciso era “reagir”: diz-se uns inconsequentes “ques”, mas ganha-se uns minutos de televisão, que é o que importa. A democracia tem disto.

    Todos os partidos? Não! Um houve que não chegou a entrar na jogada, nem mudo, nem calado: o PSD. O senhor Rio deve ter achado que, entre seguir os ditames da sua inegável tendência para apoiar o satus quo e ficar calado, era preferível a segunda. Aqui temos um ponto positivo a seu favor, isto é, parece que percebeu que a opinião pública está farta de seguidismos, e não teve coragem para repetir o apoio ao que está a dar. Mesmo com sacrifício dos minutos de antena, ficou calado. Registo.

    Isto, no fundo, representa o que o homem é: um tipo que sabe que atingiu a fronteira do princípio de Peter, mas tem vergonha de o dizer. A ver vamos se os reduzidíssimos eleitores do PSD estão a pau com esta triste realidade.

     

    2.1.20

  • VIGAS E PEDREGULHOS

    Eventualmente a partir das sobras de uma enferrujada estrutura metálica, abandonadas num estaleiro de obras embargadas, um dos mais importantes luminares da cultura e das artes plásticas do país deve ter proposto a um município do Norte vendê-las por trezentos e tal mil euros, isto uma vez artísticamente colocadas à beira-mar, com formidáveis caboucos, soldadas umas, outras não, e pintadas de branco (salvo erro).

    Em consequência desta interessantíssima intervenção cultural, das sombras das locais alfurjas surgiram uns díscolos, ou vândalos que, assanhados pela crassa ignorância que os impede de admirar a extraordinária obra, digna de Da Vinci, a pintaram (picharam, em dialecto morcão) com indizíveis dizeres, a dar mostras de negação dos benefícios da cultura e da falta de preparação do nosso povo (como diria o Jerónimo) para usufruir dos bens que tão generosamente lhe são postos à disposição.

    O IRRITADO confessa que lhe apetecia fazer o mesmo ao falo que esguicha (ou esguichava) no alto do Parque Eduardo VII, bem cultural não de vigas de ferro mas de pedregulhos, que enche os lisboetas de nojo e de vergonha.      

    E pronto.

     

    2.1.20

  • PIADOLOGIA DE GÉNERO

    A fim de dar boa disposição aos visitantes do IRRITADO nesta noite de fim de ano, aqui vai um sentido e indignado protesto, à especial atenção da esquerdoida Catarina e do animalesco Silva.

    Diz o “Expresso” que, em Albufeira, no respectivo “Palácio de Congressos”, vai realizar-se um brilhantíssimo espectáculo de nacional-humorismo. Presume-se que se trata de piadéticos de renome, pelo menos lá em casa. Uma má notícia, acha o IRRITADO, sem direito a tal.

    O pior, porém, – entram aqui a Catarina e o Silva – é o elenco. A saber: Nilton, Marco Horácio (a estrela da companhia), Fernando Rocha, Aldo Lima, Miguel 7 Estacas, Carlos Pacheco, Eduardo Madeira e Manuel Marques (um dueto), Adriano Moura, João Seabra e Serafim. Um escol!

    Nada menos que 11 homens, nenhuma mulher, o que é demonstrativo do evidente machismo da organização. É a falocracia da extrema direita à solta! Eu sei que ainda não há quotas para humoristas fêmeas, mas, que diabo, só homens, no dealbar do segundo decénio do século XXI? É um escândalo!

    Ó Catarina, não és esquerdoida não és nada se não apresentares, de imediato, um vigoroso protesto público, a formular oficialmente no Parlamento na primeira sessão do ano! Ó Silva, não és animalógrafo não és nada se não convocares já uma conferência de imprensa para denunciar este atentado à filosofia de género ou coisa que o valha, seguido de um projecto de lei destinado a tornar obrigatórias as quotas piadóticas, cobrindo (salvo seja) homens, mulheres e demais especialidades, além de pretos, brancos, ciganos, índios e chineses.

    Há que repor a decência de esquerda!

     

    31.12.19

  • NAS MALHAS DA PROPAGANDA POPULISTA

     

    É costume, que não contesto, dos chefes políticos produzir mensagens de Natal e Ano Novo, destinadas, há quem pense, a dar conta dos seus desejos de Boas Festas aos cidadãos. Aproveitam, manda a política, para passar mensagens mais ou menos discretas, mas que não se confundam com propaganda enganosa.

    Em Portugal, assistiu-se a um discurso populista do primeiro-ministro, centrado na negação de responsabilidades púbicas sobre o serviço nacional de saúde.

    De há quatro anos a esta parte, o país assistiu à mais desastrosa política de saúde, à degenerescência e à paralisia dos serviços, ao galope das dívidas, às previsíveis consequências do crime das 35 horas, a um intermínável rol de indesculpáveis asneiras. Assistiu também à negação da realidade, todos os dias afirmada por altos e baixos responsáveis socialistas Lembram-se das arengas da secretária adjunta, dos membros socialistas do parlamento da generalidade dos apoiantes do PM, da inacreditável ministra da saúde, sobre a excelência dos feitos do governo? Lembram-se da guerra à medicina privada e social que, apesar dos seus inegáveis bons serviços foi, e é, objecto de perseguição? Lembram-se  de que jamais houve um pedido de desculpa, uma confissão de erros, uma queda na verdade a que somos supostos a ter direito?

    Há quatro anos, o país – e o SNS – vogavam em monumentais dificuldades financeiras. Mas, mesmo assim, é inegável que prestava serviços relevantes e que, mesmo a custo, o SNS funcionava. Depois, nos primeiros anos do governo socialista/comunista, era fácil: qualquer falhanço, a mínima dificuldade, tudo o que corria mal era culpa do governo legítimo de Passos Coelho.

    Hoje, tal panaceia já não funciona. Sem desculpas à mão, Costa, sem reconhecer os seus monumentais erros, aproveita o Natal para prometer mundos e fundos, ocupando a sua mensagem com salvífico palavreado financeiro, como se fosse possível estar a falar verdade. Das duas uma: ou começava por reconhecer que o abandono do SNS tinha tido catastróficas consequências e, a seguir, com um mínimo de humildade, prometia mudar, ou fazia um comício populista para animar os ignaros. Optou pela segunda. A sua mensagem da Natal foi isto, a mostrar que parece valer mais fazer promessas que cumpri-las. É a continuidade sem evolução

    O pior é que há quem acredite.

     

    26.12.19

  • BOAS FESTAS

    Fica bem, é das normas, dos costumes, da praxe, e até é sincero, desejar aos que vão lendo estas arengas um Natal cheio de presentes, de Paz e de boa vontade. E, já agora, um ano melhor que o que vai acabar, ainda que com a redução de esperança que os factos justificam. Fiquem bem, comentem, desdigam, critiquem e, às vezes, façam uns elogios.

    Até para o ano, se não for antes.

     

    23.12.19

  • DESEJOS DE SUA EXCELÊNCIA

    Sua Excelência o Presidente da III República, talvez por ser Natal, ou fim do ano, veio manifestar a sua ânsia de ver o orçamento aprovado em termos geringonciais. Com votinhos comprados na Madeira e vindos do jardim zoológico, a coisa não lhe agrada.

    É de agradecer esta fidelidade do mais qualificado representante da República às suas políticas dos últimos quatro anos, bem como o seu desvelado amor à “solução governativa” que, desde aprimeira hora, o encantou. Aleluia.

     

    23.12.19

  • E DEPOIS?

    Preparando o futuro, o Ronaldo das cativações baixou a fasquia. Ele queria ser presidente do BCE, e foi ultrapassado pela Lagarde; ele queria mandar no FMI, e foi “substituído” por uma velha búlgara; ele queria continuar à frente do Eurogrupo, mas já percebeu, ou que tal está longe de garantido, ou que as consequências da sua política fiscal vão ser devastadoras e vão acabar por lhe tirar a bola de ouro das finanças.

    Assim, pensando no futuro, o grande cativador ficou-se por se candidatar a governador do BdP e a perceber que se o conseguir já está com muita sorte.

    O que fica disto tudo é que quer dar à sola. Ou não aguentou a despromoção a que o Costa o condenou, ou quer sair antes que a malta comece a sofrer mais a sério as consequências do que anda a fazer. De qualquer maneira não quer ter que enfrentar as políticas que a Lagarde, previsivelmente, vai lançar, acabando com a mama dos juros negativos ou outras manigâncias que parecem estar à beira de cair da tripeça, ou da trapaça.

    Prevendo o fim da bola de ouro, anda nervoso e estrebucha. O Tribunal de Contas arrasou-lhe a contabilidade, o Rio descobriu-lhe várias carecas. A coisa está feia, de tal maneira que já perdeu as estribeiras e respondeu a estes ataques fazendo uma inveja ultramontana “galambizar-lhe” os argumentos.

    É a vida.

    Quanto ao IRRITADO, resta esperar, com fundada esperança, que o futuro do homem seja o que merece: voltar para o lugarzinho de técnico do BdP e não chatear mais o contribuinte.

     

    22.12.19   

  • ANIMALIDADES

    Não há quem não tenha percebido que os deputados animalescos vão votar o orçamento sem piar. Largarão umas bocas, proporão uma alteraçõezecas, mas, postas as coisas como elas são, votam a favor da continudade nociva que nos vai ser imposta (de imposto).

    No entanto, o governo não é de modas. Ansioso por garantir ainda mais os votinhos do PAN, tratou de “animalizar” um prémio, chamado “Prémio Gandhi”, com que o chefe Costa brindou os seus maiores na visita que fez à Índia. É que o tal prémio vai ser atribuído a quem for mais ancho a defender os “princípios éticos do bem estar animal”, segundo o brilhante anúncio feito pelo inacreditável ministro da educação que temos. Consta que os animaloides já mandaram ao dito duas garrafas de Favaios.

    Não se sabe se a protecção às vacas sagradas do hinduismo será o mote deste “gandismo” à portuguesa. É pouco provável, já que, dada a ética local, as ditas vacas se passeiam, cheias de fome, pelas ruas da Índia,. Talvez seja mais para os elefantes ou os corcodilos.

    Mas todos temos que nos congratular pelo elevado critério do governo, não é?

     

    22.12.19

  • TIRO EM SECO

     

    Já não há pachorra para a história da “vergonha”, palavra muito usada, sem vergonha nenhuma, pelo senhor Ferro Rodrigues mas que o mesmo Ferro Rodrigues quer proibir aos outros. A malta já percebeu a estupidez do coitado, tão convencido que é gente que até se permite proibir palavras perfeitamente normais e corriqueiras.

    O que me trás é a desculpa do cabeludo Delgado Alves, deputado ultra socialista muito palavroso que às vezes temos que aturar na TV. É que o fulano se encarregou de discursar a propósito da história, defendendo o camarada Ferro, porque “é uma obrigação de todos respeitar na dignidade da Assembleia e dos deputados”. Carradas de razão, se se referisse ao Ferro: é ele quem não respeita tal coisa. Mas, posto o assunto de pernas para o ar, conclui-se que o Alves é tão inteligente como o Ferro.

     

    20.12.19

  • TÉDIO

    Houve quem escrevesse que este é o orçamento do tédio. Acrescento, da estagnação, da injustiça, da mesma receita, da fuga à realidade, da falta de rasgo, do arrastar de ilusões, da política reduzida à sua expressão mais rotineira.

    Temos mais: a continuidade dos ataques à propriedade, à poupança, à classe média, aí teremos o que, a prazo, nos conduzirá à repetição dos habituais resultados da governação socialista, mais lentos de obter que nos tempos de Soares, talvez tão rápidos, ou tão lentos, como nos de Sócrates, mas desta vez com a agravante da paralisia social, da falência dos serviços públicos, do regresso galoante do desiquilíbrio externo, da ruína do caminho de reconstrução aberto por Passos Coelho, apesar dos sacrifícios a que Sócrates/PS nos condenaram.

    O governo gaba-se do que não fez. Se a economia vai andando (dizem que vai crescer uns modestos e insuficientes 2%), se as exportações cresceram (já se ressentem agora, e não é pouco), se o desemprego baixou, nada do que de bom aconteceu tem a ver com o governo, mas só com as empresas e as pessoas que conseguem contrariar-lhe a burocracia, e com o turismo. Ou seja, apesar do governo, das perseguições fiscais, das armadilhas dos burocratas – tantas vezes ansiosos por gorgetas -, do gigantismo “regulamentar”, dos públicos exércitos de empatas, ainda há quem, para lá do governo ou contra o governo, funcione.

    O investimento público continua miserável. Em 2020 será igual a 2019, cativações aparte. A saúde recebe dinheiro que não vai chegar para pagar as dívidas acumuladas em quatro anos de abandono, incompetência e infrene demagogia. Em 2020, haverá mais dívidas, mais má gestão, mais diabolização e mais perseguição da saúde privada. Haverá mais funcionários públicos, a compensar a sangria da monumental asneira das 35 horas. Os medicamentos e materiais médicos verão os impostos aumentar. A carga fiscal vai progredir, a pagar pela classe média, como não pode deixar de ser, em novas taxas e taxinhas por todos os lados. Até a comida ao domicílio vai ficar mais cara, em impostos novos, como o governo gosta.

    Estratégia de futuro, zero. Reforma do Estado, só se for a admissão de mais legiões de mini-sátrapas, para gáudio dos arqui-sátrapas que nos consomem sem dó nem piedade, e sem nada dar em troca.

    Que mais se pode, ou vale a pena, dizer? O IRRITADO predisse que a geringonça ia continuar em novos moldes. Ainda nada provou que se tivesse enganado.

     

    19.12.19

  • CRISTINA

     

    Devo ser um alienígena, uma besta, um ignorante, um tipo ultrapassado, um atrasado mental. Se tomarmos por bons os gostos actuais, as novas morais, as preferências sociais marcantes, sou isso tudo e mais alguma coisa.

    Não, não venho falar do sucesso dos intelectuais do futebol, das horas e horas com que somos castigados por eles, nem da influência terrorista das gretas do mundo novo, nem do poder desvairado dos nutricionistas, nem na normalidade da anormalidade, nem da Joacine, nem do senhor de Belém, ainda que tudo isso e muito mais me irrite, aborreça e revolte.

    Hoje, falo de outra coisa: da minha visceral incompreensão pelo massificada admiração da sociedade por uma criatura que, paga a peso de ouro, julgo ocupar horas e horas de manhãs televisivas. Vi uns bocadinhos da coisa, para mim elucidativos. Trata-se de uma cidadã com mais dentes que uma velha égua, com o riso mais estridente, mais afectado e mais falso da história de Portugal, especialista em assuntos totalmente desinteressantes, quando não estupidificantes, que comanda audiências, atrai políticos de capoeira, rebenta com os ouvidos das pessoas com gargalhadas sem causa, e me provoca tremenda rejeição: uma tal dona Cristina Ferreira, só “Cristina” para o povo e os media, especialista em idioteiras e martingalas de segunda.

    Tudo bem, parece que a malta gosta e que eu é que sou parvo. Aceito o adjectivo. O que não “como”, de maneira nenhuma, é ver um homem que é presidente da III República a telefonar, carinhoso e admirador, à criatura, desejando-lhe as maiores felicidades na sua tarefa de idiotização da sociedade. O que não aceito é ver o político que temos como primerio-ministro a cozinhar ceboladas na televisão para agradar aos ignaros, nem outro que se diz chefe da oposição, ou da destruição da oposição, a falar em ovos cozidos e a brincar aos carrinhos, convencido que tem graça. Tudo isto para gáudio de tanta gente.

    Não faço parte disto. O entretenimento pode ser uma actividade inteligente. Dona Cristina ganha a vida a vender o contrário. E não há nada a fazer.

     

    16.12.19       

     

    POUCA TERRA POUCA TERRA

    Gostei de ver o velho/novo comboio a vapor a cruzar a paisagem lá para o Norte, não sei onde. Teve graça, e acho que devia repetir-se, mais que não seja a título museológico.

    Estranho é que a Quercus, o Zero, mais a inumerável cáfila de “ecologistas” da nossa praça, todos devidamente pendurados no orçamento, ou o Fernandes, o do ambiente, ou o seu filho intelectual Caramba (ou Galamba, ou lá o que é), ou o senhor de Belém, ou o chefe Costa, tudo gente preocupadíssima com o planeta e o CO2 ou lá o que é, preocupar-se, vir para a rua protestar, anatemizar a iniciativa como crime ambiental a punir com a máxima severidade. Como pode tanta e tão “científica” gente aceitar que se ponha a rodar uma horrorosa máquina a carvão, sim, a carvão, a poluir os ares, a lançar na estratosfera toneladas do horrível CO2, a colaborar activamente na extinção das condições de vida na Terra?

    E se a menina Greta, nos intervalos da cerebroterapia, vier a saber do assunto? E se o camarada Guterres, rei do mundo, vier a ver o seu país de origem a desautoriza ao dar um exemplo destes? Ai, que consequências, meu Deus! Que desprestígio para a Nação.

    Não tenho dúvidas que, neste caso, a CP será multada pela Von Leyden, a fama do país se verá arrastada na lama, a sociedade, pelo mundo fora, vibrará de indignação.

    Só o IRRITADO e mais alguns dísculos, uns imorais sem escrúpulos apoiarão a coisa e pedirão à CP que promova mais umas viagens a vapor.

    16.12.19

  • COMBATENTES

    Na minha qualidade de combatente das guerras do ultramar – ditas gerras coloniais – fui comtemplado, uns trinta anos depois, com uma choruda “reforma” de 150 euros por ano, pagos, julgo, em Novembro. Muito grato estou, como devem calcular, à generosidade do Estado. Iniciativa, diga-se, do senhor Paulo Portas.

    Não me tenho interessado, reconheço, pela situação da classe. Ainda almoço, uma vez por ano, com a dúzia e meia de camaradas de armas que me restam, e é tudo o que faço a tal propósito.

    De resto, sei que temos sido olimpicamente abandonados pelo poder político, ao contrário do que se passa por exemplo em França ou no Reino Unido, seja qual for o conflito em que foram metidos ou se meteram, a sua razão ou o seu resultado final.

    Vem isto a propósito de um debate que terá havido na AR sobre o assunto. Debate este do qual a chamada informação – hoje chamada media em latim, meios em português, ou mídia em português brasileiro ou português ignorante – não disse uma palavra. Sei que tal debate teve lugar porque uma deputada animalesca se enganou e, em vez de falar do assunto, falou de outro qualquer porque tinha trocado as cábulas. Assim, os tais media, referindo-se ao engano da rapariga, disseram que ela tinha trocado o discurso e tinha falado não sei de quê, em vez de falar nos, ou dos combatentes.

    Os “mídia”, sempre cansativos relatores de tudo e mais alguma coisa que se passa na AR, nem uma palavra disseram sobre o tal debate.

    Donde, tenho que reconhecer que o tema não só tem importância nenhuma para o poder político como, pior, não interessa a ninguém.

    À minha geração (aos que não deram à sola para outras paragens esperando que alguém morresse por eles) nada resta a tal respeito. Falar para quê, se ninguém está disposto a ouvir?

    O tempora o mores.

       16.12.19

  • QI ZERO

    Chamei outro dia a atenção para a asneira de um pretendente a fundador de um sindicato de militares, ao referir que não queria um inorgânico “movimento zero”. Critiquei-o por não me caber na cabeça um tal sindicato, mas também porque falar em movimentos zero nas forças armadas era a melhor forma de incentivar a sua criação.

    Passaram uns oito dias e ainda não há, felizmente, sindicato nenhum. Mas já anda por aí um movimento chamado “Naval Zero”.

    Eu não dizia?

     

    16.12.19

  • SAÚDE PARA O POVO

    Com grande orgulho socialista, dona Marta veio anunciar aos infelizes que conta com um aumento de 800 milhões no orçamento da saúde. Contas feitas, não chega para pagar as dívidas acumuladas.  E se o Centeno fizer umas cativaçõezinhas (a sua especialidade) é de temer que as coisas piorem em 2020.

    Vai ser um fartote o número de admissões de pessoal no SNS. Dona Marta diz que serão 8426 novos funcionários públicos, médicos, enfermeiros “assistentes operacionais”, entre outros. Mas não sabe a certo quantos no total nem quantos de cada categoria. Donde se conclui que o número exacto de todos e de cada uns é pura aldrabice. A criatura podia dizer que serão “cerca de xis”, mas não, é tão exacta, tão precisa, que atira com 8426, sem fazer a menor ideia do que está a dizer, nem quantos são para reforço dos serviços e quantos para colmatar o monumental buraco das 35 horas. O que se sabe é que os hospitais só podem contratar substituições, se precisarem de reforços têm que ir ao Centeno.  

    190 milhões para “investimento”, é a paragona. Para quê? Para tudo e para nada, já que a dona Marta ainda não pensou no assunto. Como não sabe para que quer o dinheiro, tanto podem ser 190 como 324, ou 5, ou nada. É um número como outro qualquer. O Centeno tratará do assunto, abertas que ficam as portas para as cativações que forem necessárias.

    Enfim, duas coisa ficam garantidas:

    A gestão pública dos hospitais continuará nas mãos incompetentes do governo. Gestão privada, por boa que seja, está fora dos parâmetros do socialismo nacional: por má que seja, a pública será sempre boa.

    A bagunça vai continuar e ficar ainda mais cara.

     

    12.12.19

  • INVERSÃO DE VALORES

    Ontem, ouvi coisas que me deixaram abismado (RTP3).

    Neste pobre país há mais cães e gatos que bébés.

    Há mais petsitters que baby sitters.

    Floresce o comércio de rações e medicamentos, coleiras e pinchavelhos às centenas para os tais pets.

    Para eles há cabeleireiros, cuidadores, enfermeiros e veterinários em grande.

    Há moda de roupagens para as simpáticas criaturas.

    Há hotéis e pensões especiais.

    Os negócios, nas várias especialidades, cifram-se por milhões e mais milhões.

    Já há quem fale num serviço público de saúde para animais de companhia.

    Etc.

    Comentários para quê?

     

    12.12.19

  • AS CAPITAIS

    Com o aval do senhor de Belém ou sem o aval do senhor de Belém, a regionalização triunfará!

    É esta a opinião do ilustríssimo senhor do Bolhão. Carago, meus amigos, o Porto tem que ser capital de alguma coisa. Há séculos a intitular-se capital do Norte – desconhece-se a opinião de Braga e de outras cidades “menores” –, o senhor do Bulhão vê, finalmente, uma luz ao fundo do túnel! Hossana, o movimento até tem o incontornável apoio do grande Costa, do fantástico Rio e, é de pensar, da madame Catarina e do formidável Jerónimo, cada um a pensar que capital mais convém.

    Moreira e Rio já têm a sua, a de sempre, à beira da foz do Douro plantada. O Jerónimo sonha com a capital da República Popular do Alentejo, a escolher entre Évora e Beja, consoante o número dos militantes de confiança. A Catarina, essa, não se sabe, poderá ser o LUX/Frágil ou o Gambrinus, este sem culpa nenhuma. Para o califado do Algarve, Faro ou Silves – esta é mais histórica -, enfim, a decidir pelo camarada Policarpo, ou Possidónio, ou lá o que é, um que agora está no chamado governo. Para a República Pontifícia de Braga, a questão será difícil, já que o camarada Moreira, como acima ficou dito, não vai gostar da concorrência. Em relação a Trás-os-Montes também se põem graves problemas, já que a malta lá do sítio continua a achar que “para cá do Marão mandam os que cá estão”: talvez Principado das Elevações Eno-Montanhosas sirva, com capital em Chaves. Mais um problema grave para a capital do Norte, que não vai gostar. Nas Beiras, onde o Enclave do Cavaquistão,  invadido que foi pelos bárbaros, deixou de funcionar, há que resolver o problema de quem manda no Douro/Sul e quem trata do Douro/Norte. Um berbicacho.

    E assim por diante, não há quem não faça contas ao número de funcionários a admitir, doutores, taberneiros, gente fina, gente grossa, todos do partido.  

    Mas a regionalização triunfará, haja o que houver e doa a quem doer, seja qual for a opinião do povo, o qual, burro que é, quando foi o referendo chumbou miseravelmente a salvífica ideia. E é capaz de a chumbar outra vez, se fizerem a asneira de lhe dar oportunidade para tal.            

     

    9.12.19

  • MEDICINA

     

    Quando soube desta história maluca de ter sido proibida a criação de uma faculdade de medicina na Universaidade Católica, o meu acendrado amor pelo socialismo levou-me a ficar irritado com mais esta bordoada no ensino privado. Então uma universidade prestigiada ficou impedida de cooperar na formação de novos médicos num país que passa a vida a gritar por falta deles? Só o socialismo é capaz de uma coisa destas.

    Depois, fui-me informando. Parece que, afinal, o autor (directo) da proibição não foi o governo socialista, foi uma “entidade”, um “regulador, uma “autoridade”, ou outra coisa qualquer da multidão de fiscais que nos custa uma fortuna, quem, com a peregrina desculpa na “falta de horas” no currículo de uma cadeira qualquer, se opôs à coisa. Depois, disseram-me que quem estava por trás dela era a ordem dos médicos, com o absurdo argumento de que a nova faculdade era demais, e ia tirar profissionais ao SNS.

    Tudo isto será verdade, ou mentira, meia verdade ou meia mentira. Fica o facto consumado da proibição.

    E não há um ministro do ensino superior, um dos muitos chamados ministros de Estado, um tipo qualquer, que venha, ou meter a “entidade” na ordem, ou fazer um escarcéu dos diabos nos jornais? (Só tem “desculpa” a ministra da saúde, um irrecuperável e insanável caso de religião socialista e de incompetência militante). Mas os outros, o que fazem, assobiam para o ar, coçam as partes, ou quê? Quê, é a resposta. Deve convir-lhes que assim seja, não vá alguém pôr em causa o monopólio que dizem governar e que há quatro anos desgovernam.

    Enfim, uma cabala, diria o chefe 44. Uma cabala, não do socialismo, mas da Universidade Católica.

    Vivemos nisto e nada indica que haja cura.

     

    9.12.19