Houve quem escrevesse que este é o orçamento do tédio. Acrescento, da estagnação, da injustiça, da mesma receita, da fuga à realidade, da falta de rasgo, do arrastar de ilusões, da política reduzida à sua expressão mais rotineira.
Temos mais: a continuidade dos ataques à propriedade, à poupança, à classe média, aí teremos o que, a prazo, nos conduzirá à repetição dos habituais resultados da governação socialista, mais lentos de obter que nos tempos de Soares, talvez tão rápidos, ou tão lentos, como nos de Sócrates, mas desta vez com a agravante da paralisia social, da falência dos serviços públicos, do regresso galoante do desiquilíbrio externo, da ruína do caminho de reconstrução aberto por Passos Coelho, apesar dos sacrifícios a que Sócrates/PS nos condenaram.
O governo gaba-se do que não fez. Se a economia vai andando (dizem que vai crescer uns modestos e insuficientes 2%), se as exportações cresceram (já se ressentem agora, e não é pouco), se o desemprego baixou, nada do que de bom aconteceu tem a ver com o governo, mas só com as empresas e as pessoas que conseguem contrariar-lhe a burocracia, e com o turismo. Ou seja, apesar do governo, das perseguições fiscais, das armadilhas dos burocratas – tantas vezes ansiosos por gorgetas -, do gigantismo “regulamentar”, dos públicos exércitos de empatas, ainda há quem, para lá do governo ou contra o governo, funcione.
O investimento público continua miserável. Em 2020 será igual a 2019, cativações aparte. A saúde recebe dinheiro que não vai chegar para pagar as dívidas acumuladas em quatro anos de abandono, incompetência e infrene demagogia. Em 2020, haverá mais dívidas, mais má gestão, mais diabolização e mais perseguição da saúde privada. Haverá mais funcionários públicos, a compensar a sangria da monumental asneira das 35 horas. Os medicamentos e materiais médicos verão os impostos aumentar. A carga fiscal vai progredir, a pagar pela classe média, como não pode deixar de ser, em novas taxas e taxinhas por todos os lados. Até a comida ao domicílio vai ficar mais cara, em impostos novos, como o governo gosta.
Estratégia de futuro, zero. Reforma do Estado, só se for a admissão de mais legiões de mini-sátrapas, para gáudio dos arqui-sátrapas que nos consomem sem dó nem piedade, e sem nada dar em troca.
Que mais se pode, ou vale a pena, dizer? O IRRITADO predisse que a geringonça ia continuar em novos moldes. Ainda nada provou que se tivesse enganado.
19.12.19

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