Devo ser um alienígena, uma besta, um ignorante, um tipo ultrapassado, um atrasado mental. Se tomarmos por bons os gostos actuais, as novas morais, as preferências sociais marcantes, sou isso tudo e mais alguma coisa.
Não, não venho falar do sucesso dos intelectuais do futebol, das horas e horas com que somos castigados por eles, nem da influência terrorista das gretas do mundo novo, nem do poder desvairado dos nutricionistas, nem na normalidade da anormalidade, nem da Joacine, nem do senhor de Belém, ainda que tudo isso e muito mais me irrite, aborreça e revolte.
Hoje, falo de outra coisa: da minha visceral incompreensão pelo massificada admiração da sociedade por uma criatura que, paga a peso de ouro, julgo ocupar horas e horas de manhãs televisivas. Vi uns bocadinhos da coisa, para mim elucidativos. Trata-se de uma cidadã com mais dentes que uma velha égua, com o riso mais estridente, mais afectado e mais falso da história de Portugal, especialista em assuntos totalmente desinteressantes, quando não estupidificantes, que comanda audiências, atrai políticos de capoeira, rebenta com os ouvidos das pessoas com gargalhadas sem causa, e me provoca tremenda rejeição: uma tal dona Cristina Ferreira, só “Cristina” para o povo e os media, especialista em idioteiras e martingalas de segunda.
Tudo bem, parece que a malta gosta e que eu é que sou parvo. Aceito o adjectivo. O que não “como”, de maneira nenhuma, é ver um homem que é presidente da III República a telefonar, carinhoso e admirador, à criatura, desejando-lhe as maiores felicidades na sua tarefa de idiotização da sociedade. O que não aceito é ver o político que temos como primerio-ministro a cozinhar ceboladas na televisão para agradar aos ignaros, nem outro que se diz chefe da oposição, ou da destruição da oposição, a falar em ovos cozidos e a brincar aos carrinhos, convencido que tem graça. Tudo isto para gáudio de tanta gente.
Não faço parte disto. O entretenimento pode ser uma actividade inteligente. Dona Cristina ganha a vida a vender o contrário. E não há nada a fazer.
16.12.19
POUCA TERRA POUCA TERRA
Gostei de ver o velho/novo comboio a vapor a cruzar a paisagem lá para o Norte, não sei onde. Teve graça, e acho que devia repetir-se, mais que não seja a título museológico.
Estranho é que a Quercus, o Zero, mais a inumerável cáfila de “ecologistas” da nossa praça, todos devidamente pendurados no orçamento, ou o Fernandes, o do ambiente, ou o seu filho intelectual Caramba (ou Galamba, ou lá o que é), ou o senhor de Belém, ou o chefe Costa, tudo gente preocupadíssima com o planeta e o CO2 ou lá o que é, preocupar-se, vir para a rua protestar, anatemizar a iniciativa como crime ambiental a punir com a máxima severidade. Como pode tanta e tão “científica” gente aceitar que se ponha a rodar uma horrorosa máquina a carvão, sim, a carvão, a poluir os ares, a lançar na estratosfera toneladas do horrível CO2, a colaborar activamente na extinção das condições de vida na Terra?
E se a menina Greta, nos intervalos da cerebroterapia, vier a saber do assunto? E se o camarada Guterres, rei do mundo, vier a ver o seu país de origem a desautoriza ao dar um exemplo destes? Ai, que consequências, meu Deus! Que desprestígio para a Nação.
Não tenho dúvidas que, neste caso, a CP será multada pela Von Leyden, a fama do país se verá arrastada na lama, a sociedade, pelo mundo fora, vibrará de indignação.
Só o IRRITADO e mais alguns dísculos, uns imorais sem escrúpulos apoiarão a coisa e pedirão à CP que promova mais umas viagens a vapor.
16.12.19

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