IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COMBATENTES

Na minha qualidade de combatente das guerras do ultramar – ditas gerras coloniais – fui comtemplado, uns trinta anos depois, com uma choruda “reforma” de 150 euros por ano, pagos, julgo, em Novembro. Muito grato estou, como devem calcular, à generosidade do Estado. Iniciativa, diga-se, do senhor Paulo Portas.

Não me tenho interessado, reconheço, pela situação da classe. Ainda almoço, uma vez por ano, com a dúzia e meia de camaradas de armas que me restam, e é tudo o que faço a tal propósito.

De resto, sei que temos sido olimpicamente abandonados pelo poder político, ao contrário do que se passa por exemplo em França ou no Reino Unido, seja qual for o conflito em que foram metidos ou se meteram, a sua razão ou o seu resultado final.

Vem isto a propósito de um debate que terá havido na AR sobre o assunto. Debate este do qual a chamada informação – hoje chamada media em latim, meios em português, ou mídia em português brasileiro ou português ignorante – não disse uma palavra. Sei que tal debate teve lugar porque uma deputada animalesca se enganou e, em vez de falar do assunto, falou de outro qualquer porque tinha trocado as cábulas. Assim, os tais media, referindo-se ao engano da rapariga, disseram que ela tinha trocado o discurso e tinha falado não sei de quê, em vez de falar nos, ou dos combatentes.

Os “mídia”, sempre cansativos relatores de tudo e mais alguma coisa que se passa na AR, nem uma palavra disseram sobre o tal debate.

Donde, tenho que reconhecer que o tema não só tem importância nenhuma para o poder político como, pior, não interessa a ninguém.

À minha geração (aos que não deram à sola para outras paragens esperando que alguém morresse por eles) nada resta a tal respeito. Falar para quê, se ninguém está disposto a ouvir?

O tempora o mores.

   16.12.19



Uma resposta a “COMBATENTES”

  1. Mais uma enorme diferença entre Portugal e os EUA: lá exaltam os combatentes, a quem chamam veteranos, e passam a vida a agradecer-lhes. Mais que moda, tornou-se quase obrigatório dizer “thank you for your service”, na internet ou em pessoa, quer os encontrem na rua, no supermercado ou numa casa-de-banho. Claro que é puro jingoísmo: celebrar os guerreiros para lavar o cérebro à carneirada, para fazê-la aceitar guerras criminosas e para assegurar o fornecimento constante de carne para canhão. A Alemanha nazi fazia o mesmo. Em Portugal é ao contrário. Envergonhados do passado colonial, tolhidos por – justificadíssima – aversão a guerras e a seja o que for que as defenda, ainda que indirectamente, Portugal e a Europa politicamente correcta esquecem os ex-combatentes. A última guerra boa e justa, na ideologia ocidental, foi contra os nazis. Em África somos nós os maus da fita. É injusto para quem lá andou? Sem dúvida. Injusto e absurdo. O meu avô também recebia essa ridícula pensão. E o Irritado tem razão, ninguém está para ouvir. São azares que calham a uma geração; as seguintes encolhem os ombros.

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