É costume, que não contesto, dos chefes políticos produzir mensagens de Natal e Ano Novo, destinadas, há quem pense, a dar conta dos seus desejos de Boas Festas aos cidadãos. Aproveitam, manda a política, para passar mensagens mais ou menos discretas, mas que não se confundam com propaganda enganosa.
Em Portugal, assistiu-se a um discurso populista do primeiro-ministro, centrado na negação de responsabilidades púbicas sobre o serviço nacional de saúde.
De há quatro anos a esta parte, o país assistiu à mais desastrosa política de saúde, à degenerescência e à paralisia dos serviços, ao galope das dívidas, às previsíveis consequências do crime das 35 horas, a um intermínável rol de indesculpáveis asneiras. Assistiu também à negação da realidade, todos os dias afirmada por altos e baixos responsáveis socialistas Lembram-se das arengas da secretária adjunta, dos membros socialistas do parlamento da generalidade dos apoiantes do PM, da inacreditável ministra da saúde, sobre a excelência dos feitos do governo? Lembram-se da guerra à medicina privada e social que, apesar dos seus inegáveis bons serviços foi, e é, objecto de perseguição? Lembram-se de que jamais houve um pedido de desculpa, uma confissão de erros, uma queda na verdade a que somos supostos a ter direito?
Há quatro anos, o país – e o SNS – vogavam em monumentais dificuldades financeiras. Mas, mesmo assim, é inegável que prestava serviços relevantes e que, mesmo a custo, o SNS funcionava. Depois, nos primeiros anos do governo socialista/comunista, era fácil: qualquer falhanço, a mínima dificuldade, tudo o que corria mal era culpa do governo legítimo de Passos Coelho.
Hoje, tal panaceia já não funciona. Sem desculpas à mão, Costa, sem reconhecer os seus monumentais erros, aproveita o Natal para prometer mundos e fundos, ocupando a sua mensagem com salvífico palavreado financeiro, como se fosse possível estar a falar verdade. Das duas uma: ou começava por reconhecer que o abandono do SNS tinha tido catastróficas consequências e, a seguir, com um mínimo de humildade, prometia mudar, ou fazia um comício populista para animar os ignaros. Optou pela segunda. A sua mensagem da Natal foi isto, a mostrar que parece valer mais fazer promessas que cumpri-las. É a continuidade sem evolução
O pior é que há quem acredite.
26.12.19

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