Eventualmente a partir das sobras de uma enferrujada estrutura metálica, abandonadas num estaleiro de obras embargadas, um dos mais importantes luminares da cultura e das artes plásticas do país deve ter proposto a um município do Norte vendê-las por trezentos e tal mil euros, isto uma vez artísticamente colocadas à beira-mar, com formidáveis caboucos, soldadas umas, outras não, e pintadas de branco (salvo erro).
Em consequência desta interessantíssima intervenção cultural, das sombras das locais alfurjas surgiram uns díscolos, ou vândalos que, assanhados pela crassa ignorância que os impede de admirar a extraordinária obra, digna de Da Vinci, a pintaram (picharam, em dialecto morcão) com indizíveis dizeres, a dar mostras de negação dos benefícios da cultura e da falta de preparação do nosso povo (como diria o Jerónimo) para usufruir dos bens que tão generosamente lhe são postos à disposição.
O IRRITADO confessa que lhe apetecia fazer o mesmo ao falo que esguicha (ou esguichava) no alto do Parque Eduardo VII, bem cultural não de vigas de ferro mas de pedregulhos, que enche os lisboetas de nojo e de vergonha.
E pronto.
2.1.20

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