O senhor de Belém, numa das suas arrancadas desportivo-popularuchas, decidiu ir, simbólicamente, até às mais remotas paragens do seu império. Arrostando com o mau tempo (culpa das alterações climáticas, ça va sans dire), qual Magalhães, lá chegou, vitorioso e feliz. Ainda bem.
O pior foi o resto. Esperava que lhe prestassem uma recepção apoteótica. Tinham-lhe dito que havia quatrocentas almas lá no sítio, fácil seria que todas se juntassem, pletóricas de entusiasmo e gratidão, para o receber. Mas, ó frustração das frustações, não conseguiu mais que uns sessenta ilhéus (há quem diga que contando com a comitiva, oriunda de outras paragens) nas mais diversas manifestações de acendrada popularidade, tais uns banhos de mar, uns almoços, umas jantaradas, arruadas e outras palhaçadas. Um desastre! Apesar da ubíqua presença de todos os media nacionais chamados para assistir ao seu retumbante triunfo, os corvenses deixaram-se ficar em casa. Que gente! Até houve, imagine-se, jornalistas que, ao contrário do que seria de esperar, não conseguiram disfarçar o flop. Diz-se que há muitos monárquicos no Corvo. Talvez fosse por isso. Canalhas!
E agora? Isto não passa de um fait divers, ou tem um significado mais profundo? É difícil de analisar. Será que, nas outras ilhas, se passaria o mesmo? E no continente? Será que, acossado por gente desta, mais pela Marina e pelo Ventura, mais pelos desiludidos do PSD e do CDS, vou ter a desventura de ser reeleito com 51% dos votos? Será que a malta dos beijinhos e das selfies se vai deixar ficar em casa? Horríveis falhanços se acastelam no horizonte. Como dar a volta a isto?
A lição do Corvo perdurará por longo tempo na memória do senhor de Belém. Que saída vai ele dar ao assunto, só o futuro o dirá.
Mas muito há a indicar que as presidenciais não serão um passeio triunfal, mas uma penosa caminhada até uma vitória de Pirro.
5.1.19

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